Maria Pais Ribeira

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Maria Pais de Ribeira
Maria Pais Ribeiro em gravura datada de 1630
Cônjuge Sancho I de Portugal (barregania)
João Fernandes I de Lima O Bom
Descendência Gonçalo Anes de Lima
Teresa Anes de Lima
Maria Anes de Lima
Nascimento c.1170
Morte 1258 (88 anos)
  Grijó, Reino de Portugal
Pai Paio Moniz de Ribeira
Mãe Urraca Nunes de Bragança

D. Maria Pais de Ribeira, também referida pela alcunha de a Ribeirinha (c. 1170 - Grijó, 1258), foi uma nobre portuguesa. Destacou-se por ser concubina de Sancho I de Portugal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi a primeira filha de D. Paio Moniz de Ribeira e D. Urraca Nunes de Bragança.[1]

Afirma-se que era "branca de pele, de fulvos cabelos, bonita, sedutora", qualidades que encantaram o soberano e cativaram os nobres de sua Corte. Em 1198, inspirou Paio Soares de Taveirós a compor a Cantiga da Ribeirinha, primeiro texto literário em Língua galego-portuguesa de que se tem registo.[2]

Enquanto trovador, D. Sancho I dedicou-lhe a seguinte cantiga de amigo:

"Ay eu coitada
Como vivo em gran cuidado
Por meu amigo que ei alongado!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda!

Ay eu coitada
Como vivo em gram desejo
Por meu amigo que tarda e não vejo!
Muito me tarda
O meu amigo na Guarda.
"[3]

Com o soberano, do qual foi amante desde antes de 1200 e até à sua morte, teve três filhas e três filhos:

"Um filho houve nome Dom Gil Sanches, e foi chus honrado clérigo que houve na Espanha, e houve por barregam dona Maria Garcia; e outro filho houve o nome Dom Rodrigo Sanches que nom foi casado nem houve filhos; e uma filha houve nome Dona Constança Sanches, que foi professa em Santa Cruz de Coimbra e nom houve filhos; outra filha houve nome Teresa Sanches e foi casada com Dom Afonso Teles de Meneses e houve filhos: Dom João Afonso e Dom Martim Afonso e Dona Maria Afonso que foi abadessa de Gradefes."

Os outros dois filhos, D. Nuno Sanches e D. Maior Sanches, faleceram em tenra idade.

Senhora de grande beleza, e "pelas razões de conversação que com ela teve…", ela e filhos do casal receberam do soberano a Vila do Conde rezando a doação:

"Em nome de Deus, Eu Sancho, pela graça de Deus Rei de Portugal… dou e firmemente concedo aos meus filhos e filhas que tenho de D. Maria Pais, a Vila do Conde que fica situada junto à foz do rio Ave. E concedemos firmemente que a tomem como sua, por direito hereditário, para sempre. É-lhes lícito a ela, aos filhos e descendentes para fazer dela sempre o que quiserem como sua própria herança.
Portanto, todo aquele que aceitar esta decisão seja abençoado por Deus, Amen. Porém aquele que a desvirtuar, seja amaldiçoado e excomungado e a ira de Deus venha sobre ele.
Lamego, mês de Julho da era de 1209.

O rei faz-lhe, e aos seus filhos, várias doações, nomeadamente Parada e Pousadela (23 de Abril de 1200) e Vila do Conde (Julho de 1207). No testamento do rei são também referidos D. Maria Paes e os seus filhos.

Após a morte do rei, em Coimbra, a 26 de Março de 1211, retirou-se para as suas terras de Vila do Conde. Durante a viagem, trajada de branco cor do luto à época, ao passar perto de Avelãs de Caminho, saiu-lhe ao encontro Gomes Lourenço Viegas, que por ela se apaixonara quando, ainda em vida do rei, a vira nos Paços de Coimbra. Após lutar com Martim Pais Ribeiro, irmão de D. Maria, e com outros cavaleiros que a acompanhavam, logrou apossar-se dela, refugiando-se no Reino de Leão.

A pedido de Martim Pais Ribeiro, Afonso II de Portugal redigiu uma carta para Afonso IX de Leão rogando-lhe que fizesse com que Gomes Lourenço retornasse a Portugal. Diante da recusa de Gomes Lourenço, sob a alegação de que poderia vir a ser vítima dos parentes de D. Maria, caso assim o fizesse. D. Maria, entretanto, habilmente convenceu Gomes Lourenço que também por ele se apaixonara e que, ao retornarem a Portugal conseguiria obter o perdão do soberano, uma vez que com ele se casaria.

Entretanto, ao retornarem à Corte Portuguesa, D. Maria instou o rei a que fizesse justiça e que fosse implacável. Deste modo, o soberano ordenou a execução de Gomes Lourenço.

Mais tarde foi desposada, pelo fidalgo galego João Fernandes de Lima, o Bom, com quem também teve descendência.

Terá vindo a recolher-se ao Mosteiro de Grijó, onde veio a falecer com a avançada idade de mais de noventa anos. Foi sepultada no mosteiro de Bouro.

Os seus senhorios foram herdados por suas filhas com o soberano, D. Teresa e D. Constança Sanches (1204-1269). Esta última, por sua vez, deixou expressivos legados ao Mosteiro de Grijó.[4]

Referências

  1. Urraca Nunes, cf. PARDINHAS, 1997:14-17
  2. O seu texto integra o Cancioneiro da Ajuda.
  3. D. Sancho I. "Cancioneiro da Biblioteca Nacional". apud: FERREIRA, Carlos Aparecido. A Mulher na Literatura Portuguesa: sua imagem e seus questionamentos através da literarura epistolar. (tese de mestrado apresentada à USP).
  4. PARDINHAS, 1997:14-17

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PARDINHAS, Albertino Alves. Monografia de Cortegaça: Apontamentos para História da Honra, do Couto e do Concelho (extinto) desta milenária povoação e outras memórias mais recentes (3ª ed.). Oliveira de Azeméis (Portugal): Junta de Freguesia de Cortegaça, 1997. 312p.

Ver também[editar | editar código-fonte]