Maria de Cleófas

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Santa Maria de Cleofas
Maria de Cleófas - Veneza
Tia de Jesus,Irmã da Virgem Maria e Padroeira das Tias.
Nascimento Sec. I a.C em Galileia
Veneração por Igreja Católica.
Festa litúrgica 9 de abril
Padroeira Tias e Parentas.
Polêmicas Ela é dita a mãe dos irmãos de Jesus pela maioria dos cristãos. Mas, para os que se denominam protestantes e reformados, ela é somente tia de Jesus e, por coincidência, possui o mesmo nome da Mãe de Deus.
Gloriole.svg Portal dos Santos

Maria de Cléofas ( hebraico: מרי של קליאופס; grego: Μαρία του Κλεόπας; latim: Maria Cleophae) segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, parenta de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cléofas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa.

Segundo a tradição católica e muitas vezes ortodoxa, foi na casa desta santa, que Maria ficara após a morte de seu esposo José, devido ao seu parentesco próximo com os membros desta família, que a acolheu e a seguiam para onde ela fosse.

Segundo a Bíblia, a tia de Jesus (Jo 19,25), serviu e acompanhou Jesus desde a Galileia, até à crucificação ( Mt 27,55-56; Mc 15,40-47) e teve a bem-aventurança bíblica de ver o Cristo ressuscitado ( Lc 24,1-12; Mc 16,1-8; Mt 28,1-20). É mencionada como 'Mãe de Tiago' ( Mc 16,1-8; Lc 24,10); 'Mãe de Tiago e José' (Mt 27,55-56), 'Mãe de Tiago Menor e José' ( Mc 15,40-47), 'Irmã de Maria' (Jo 19,25), 'Mulher de Cleofas' ( Jo 19,25).

Foi mãe de Tiago, José, Judas, Simão, e de algumas mulheres não nomeadas na Bíblia. Maria de Cleofas é mencionada como sendo a mãe dos 'irmãos de Jesus' pelos católicos, devido ao fato do nome de seus filhos, serem o nome dos mencionados pelo evangelista Mateus em Mt 13,55. Porém, os protestantes, acham que o fato dos nomes serem iguais é apenas coincidência e afirmam que Jesus teve primos e irmãos biológicos.

Sua festa é celebrada dia 09 de abril segundo a Igreja Católica Apostólica Romana.

Na Bíblia[editar | editar código-fonte]

A Sagrada Escritura menciona seis vezes esta Maria, a quem João Evangelista chama de 'Mulher de Cleofas':

Maria de Cléofas segundo Mateus[editar | editar código-fonte]

A figura de Maria de Cléofas aparece duas vezes no Evangelho de Mateus. Ela é referida em duas passagens: Na primeira ela é denominada como a Mãe de Tiago e José (Mt 27,55-56), estando junto de outras mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir, estava de longe olhando para Cristo na Cruz; e na segunda, é denominada (pelo menos pela maior parte dos exegetas bíblicos) como a 'outra' Maria, que acompanha Maria Madalena ao túmulo de Jesus para perfumar a área onde estava o sepulcro de Jesus (Mt 28,1-20).

Estes dois capítulos mostram a imagem de uma serva de Cristo (Mt 27,55-56); que se manteve na fé, mesmo após a morte de Jesus, o que não ocorreu com seu marido, que começou a demonstrar resquícios de incredulidade em Cristo após a sua morte, como mostra o evangelista Lucas no capítulo 24 de sua obra, versículos 21 ao 25.

Maria de Cléofas segundo Marcos[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Marcos a registrou duas vezes: A primeira fora no capítulo 15, versículos 40-47, em cujo trecho ela é mencionada como a mãe de Tiago, o Menor, e José; neste capítulo é documentado que ela seguiu Jesus desde a Galileia e que observou com Maria Madalena, a deposição do corpo de Cristo no sepulcro.

Na Segunda (Mc 16,1-8), ela é documentada indo ao sepulcro de Jesus, como sendo a 'Mãe de Tiago', a quem um jovem vestido de branco fala que Jesus ressuscitou e que era para elas avisarem aos discípulos o que fazer.

Maria de Cléofas segundo Lucas[editar | editar código-fonte]

O Evangelista Lucas menciona apenas uma vez Maria de Cléofas em seu evangelho, também pelo nome de 'mãe de Tiago' ( Lc 24,1-12); porém após uma exegese aprofundada deste capítulo de Lucas (Capítulo 24), notamos que Lucas mencionou não apenas a aparição para Maria de Cleofas, mas também para seu marido Cleofas, a caminho de Emaús (Lc 24, 13-32).

Podemos dizer que, praticamente, o capítulo 24 do Evangelho de Lucas trata somente das aparições de Jesus para seus parentes próximos, uma vez que Paulo documentará que após isso tudo, Jesus apareceu a Tiago, filho de Maria de Cleofas (Lucas 24,10) em I Cor 15,6.

Maria de Cléofas segundo João[editar | editar código-fonte]

O Evangelista João não fala muito sobre ela, mas nos deixou, no versículo João 19,25, duas informações: Ela tem certo parentesco com Maria, a Mãe de Jesus (já que o evangelista utiliza o termo irmã para ela, querendo indicar parentesco próximo); e também tem algum parentesco com Cléofas, provavelmente, parentesco de casamento com este. Ele também nos deixou o nome pelo qual a conhecemos, Maria de Cléofas. Este evangelista mostrou que a tia de Cristo esteve junto de sua mãe no momento da crucificação, e presenciou Jesus dar sua mãe, segundo os católicos, como mãe da Igreja (Cf. Jo 19,26-27).

A Mãe dos Irmãos de Jesus[editar | editar código-fonte]

Para a maioria dos cristãos de todo o mundo, principalmente para os que se denominam católicos romanos, e que acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, interpretando que em Lc 1,34, Maria mostra um voto de Virgindade, Maria de Cléofas é aceita como a mãe dos denominados 'irmãos de Jesus' de Mt 13,55-56.

Maria de Cléofas foi bíblicamente e historicamente dita Mãe de Tiago, José, Simão e Judas. Em Mt 27,55-56, foi dita como Mãe de Tiago e José; e a Bíblia também narra-a como sendo mãe de Judas, o Tadeu ( Jd 1,1; At 1,13; Lc 6,12-16), visto que este era irmão de Tiago; e pela lógica das listas do Novo Testamento, onde os irmãos são sempre colocados um do lado do outro, Simão Cananeu sempre fica do lado de seus 'irmãos' (Mc 3,16; Mt 10,2-4; At 1,13; Lc 6,12-16). E este são os nomes ditos por Mateus como 'irmãos de Jesus' em Mt 13,55-56. Outro dado histórico importante, é que todos são de Caná, a terra de Maria de Cleofas, e não de Nazaré, terra de Maria, mãe de Jesus.

Muitos padres dos primeiros séculos, como Papias (séc. II), Eusébio de Cesareia (séc. IV) e Jerônimo (séc. IV), acreditavam que os ditos 'irmãos' eram filhos de Maria de Cléofas, e primos de Jesus.

Contudo, os protestantes interpretam como outra situação, eles acreditam que haja tanto 'primos' quanto 'irmãos' biológicos. E não acreditam na Perpétua Virgindade de Maria, seguindo os princípios do montanista Tertuliano de Cartago (Sec. II) e de Helvídio, considerado herege por Jerônimo.

Parentesco com Alfeu-Cléofas[editar | editar código-fonte]

A Bíblia não deixa clara a relação de Maria de Cléofas com Cléofas-Alfeu (já que Alfeu e Cléofas são formas gregas derivadas do mesmo nome em hebraico "Halphai" e aramaico "Claphai"). Neste caso, há concordância sobre seu parentesco. A maioria das denominações Cristãs a interpreta como relação de marido e mulher, uma vez que geralmente, ao casar, a mulher ganhava o nome do marido. Alguns apócrifos dos primeiros séculos diziam que Cléofas era seu pai, esposo de Ana, mãe de Maria, a mãe de Jesus[1], outros mais tardios que ela seja a própria mãe de Cléofas[2].

Nos Apócrifos[editar | editar código-fonte]

Maria de Cléofas é pouco citada nos evangelhos apócrifos. É citada pelo Evangelho Pseudo-Mateus XLII,1-2 numa reunião da família de Jesus. Ela é dita como 'filha' de Cléofas neste apócrifo. Essa ideia é bastante rejeitada por todas as denominações Cristãs. Também é mencionada pelo Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3; como sendo a mãe de Cléofas e recorrendo a Maria por vingança, contra sua inimiga Azrami e seu filho.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Evangelho do Pseudo-Mateus XLII,1-2
  • O Evangelho Árabe da Infância de Jesus XXIX, 1-3