Mariana

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Município de Mariana
"Primaz de Minas"
Zona histórica de Mariana, Minas Gerais

Zona histórica de Mariana, Minas Gerais
Bandeira de Mariana
Brasão de Mariana
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 16 de julho
Fundação 16 de julho de 1696 (319 anos)
Gentílico marianense
Prefeito(a) Duarte Eustáquio Júnior (2015-2016)[1] (PPS)
(2013–2016)
Localização
Localização de Mariana
Localização de Mariana em Minas Gerais
Mariana está localizado em: Brasil
Mariana
Localização de Mariana no Brasil
20° 22' 40" S 43° 24' 57" O20° 22' 40" S 43° 24' 57" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte IBGE/2008 [2]
Microrregião Ouro Preto IBGE/2008 [2]
Municípios limítrofes Alvinópolis, Catas Altas, Ouro Preto, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Piranga, Santa Bárbara
Distância até a capital 110 km
Características geográficas
Área 1 194,208 km² [3]
População 58 802 hab. IBGE/2015[3]
Densidade 49,24 hab./km²
Altitude 598 - 1772 m
Clima Tropical de Altitude
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,742 alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 6 590 899 mil IBGE/2013[5]
PIB per capita R$ 114 347 90 IBGE/2013[5]
Página oficial
Prefeitura Website oficial

Mariana é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Com cerca de 58 mil habitantes (est. 2015), a economia local depende principalmente do turismo e da extração de minérios.

Mariana foi a primeira vila, cidade e capital do estado de Minas Gerais. No século XVII, foi uma das maiores cidades produtoras de ouro para o Império Português. Tornou-se a primeira capital mineira por participar de uma disputa onde a Vila que arrecadasse maior quantidade de ouro seria elevada a Cidade sendo a capital da então Capitania de Minas Gerais.[6]

Em comparação com outros municípios do estado, Mariana detém uma posição econômica de destaque, sendo que o seu produto interno bruto (PIB) é o maior da microrregião de Ouro Preto e o 10º maior entre os 853 municípios do estado.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

A origem da cidade remonta ao final do século XVII[7] . A região em que hoje se encontra o território das Minas Gerais pertencia à Capitania de Itanhaém[8] , porém encontrava-se completamente inexplorado e sem colonização portuguesa. Assim, sob ordens dos Donatários da capitania de Itanhaém[9] , bandeirantes oriundos de Taubaté[10] , primeira cidade do Vale do Paraíba, começaram a explorar o sertão após a Serra da Mantiqueira chegavam à região em busca do ouro. Ainda na segunda metade do Século XVII, fundaram o primeiro núcleo colonial em território das futuras Minas Gerais, a primeira Vila mineira[11] , sendo que a designação de Mariana veio mais tarde, em homenagem à rainha D. Maria Ana de Áustria, esposa do rei D. João V. Em 8 de abril de 1711 o governador do Rio de Janeiro Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho criou no arraial do Ribeirão do Carmo, a vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, confirmada por Carta Régia de 14 de abril de 1712 com o nome mudado para Vila Real de Nossa Senhora mudará de nome outra vez em 23 de abril de 1745 para Cidade Mariana, homenagem do rei D. João V de Portugal a D. Maria Ana de Áustria sua esposa.

Panorama de Mariana, por Alberto Delfino (1895)
Rua Dom Silvério, no centro histórico da cidade

O governador, em cerimônia, escolheu o lugar da praça pública, no seu centro o pelourinho, símbolo da autonomia administrativa recém-adquirida. Nos dias seguintes, os “homens bons”, cheios de dinheiro e mulheres se reuniram para a eleição da Câmara e a nomeação de diferentes oficiais municipais. No caso do Carmo, foi escolhido o arraial que conhecia mais forte crescimento, o arraial de Cima. A descrição da cerimônia estipulava que não somente os habitantes do lugar, mas todos que doravante dependeriam da jurisdição do novo distrito, se encarregariam segundo seus meios da construção da Igreja, da Câmara, da prisão.

Foi desta maneira que a primeira vila criada e posteriormente seria a primeira cidade em Minas. Estavam presentes, segundo o Termo escrito então, as pessoas e moradores principais, assinando o documento (escrito por Manuel Pegado) Antônio de Freitas da Silva, Domingos Fernandes Pinto, José Rebelo Perdigão, Aleonardo Nardi Sizão de Sousa, que também assinava aliás Nardi de Arzão, Manuel Antunes de Lemos, Antônio Correia Ribeiro, Francisco de Campos (antigo chefe emboaba), Feliz de Azevedo Carneiro e Cunha, Pedro Teixeira Sequeira, Rafael da Silva e Sousa, conhecido reinol, José de Campos, Antônio Correia Sardinha, Bartolomeu Fernandes, Manuel Gonçalves Fraga, José de Almeida Naves, Jacinto Barbosa Lopes, Manuel da Silva e Sousa, Bernardo de Chaves Cabral, Manuel Ferreira Vilence, Torquato Teixeira de Carvalho, João Delgado de Camargos, Filipe de Campos, Manuel da Silva Leme, Caetano Moniz da Costa, Jerónimo da Silveira de Azevedo, Sebastião Preto Ferreira, Francisco Ribeiro de Morais, Fernando de Andrade, Jacinto Nogueira Pinto, Antônio Rodrigues de Sousa, Inácio de Sampaio e Almeida, Francisco de Lucena Monte Arroio, Pedro Correia de Godói, Bento Vieira de Sousa e José de Barros e Fonseca.

Mariana faz parte da história do nascimento de Minas, pois foi sua primeira vila, cidade e capital.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Pico do Itacolomi, entre Mariana e Ouro Preto
Típico relevo em Mariana, Parque Estadual do Itacolomi

Mariana está localizada a cerca de 12 km de Ouro Preto, 45 km de Ouro Branco, 60 km de Itabirito, 70 km de Conselheiro Lafaiete, 70 km de Ponte Nova e 75 km de Congonhas. Sua distância em relação à capital Belo Horizonte é de 90 quilômetros.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Na maior parte do município são marcantes os relevos ondulados e a presença de planaltos. Na divisa entre os municípios de Mariana e Ouro Preto situa-se o Parque Estadual do Itacolomi, onde é localizado o Pico do Itacolomi, o mais alto ponto de Mariana, com 1 772 metros.

Topografia %
Plano 10
Ondulado 30
Montanhoso 60

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bacia do rio Doce

O principal rio da cidade é o Rio do Carmo, que separa o centro histórico da parte mais nova da cidade. Há também o Rio Gualaxo do Sul, e outros rios menores nos arredores da cidade.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima no município é típico tropical de altitude úmido. Os verões são quentes e chove com mais frequência. No inverno as temperaturas caem. A topografia da região, muito montanhosa e escarpada propicia a formação de bolsões de ar frio e neblina. O fenômeno é bastante visível ao amanhecer.

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Mariana, Minas Gerais - Brasil Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 28,2 28,5 28,5 27,1 25,5 24,5 24,7 25,9 26,8 27,4 27,5 27,3 26,8
Temperatura mínima média (°C) 17,6 17,7 16,8 15,0 12,3 10,2 9,8 11,1 13,8 16,0 16,8 17,2 14,5
Precipitação (mm) 252,0 184,9 155,5 69,2 27,7 12,3 10,3 11,8 48,7 123,7 202,3 305,8 1 404,5
Fonte: Tempo Agora[12] (29 de dezembro de 2013)

Bioma[editar | editar código-fonte]

Em grande parte do município a vegetação predominante é a mata atlântica. O cerrado também compõe o bioma do município, bem como a mata de transição.[13]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Vista parcial da cidade a partir da Igreja de São Pedro

População[editar | editar código-fonte]

  • 54 219 habitantes - Censo 2010 - IBGE
  • 58 233 habitantes - Estimativa 2014 - IBGE
  • 58 802 habitantes - Estimativa 2015 - IBGE

Composição étnica[editar | editar código-fonte]

Cor/Raça Percentagem
Parda 49,05%
Branca 30,14%
Preta 18,21%
Amarela 2,36%
Indígena 0,25%

Fonte: IBGE – Censo 2010 [14]

IDH[editar | editar código-fonte]

Mariana possui um IDHM considerado alto segundo os padrões do IBGE. Principalmente a renda e a educação foram responsáveis pela elevação do IDH marianense na última divulgação. O IDH de Mariana em 2010 era de 0.742, que a colocava em 719º lugar entre os municípios brasileiros e o 52º entre os municípios mineiros.[4]

Composição do IDH
  • IDH-M Renda(PNUD 2010)= 0.705
  • IDH-M Longevidade(PNUD 2010)= 0.874
  • IDH-M Educação (PNUD 2010)= 0.664

Entre 1991 e 2010, o IDH de Mariana teve um crescimento de cerca de 50% (considerando o total):

Ano IDH % parcial
1991 0,493
2000 0,620 +26%
2010 0,742 +20%

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal de Mariana, na Praça Minas Gerais

Hino[editar | editar código-fonte]

O hino da cidade de Mariana, escrito em 1911, possui letra do poeta neorromântico/simbolista mineiro Alphonsus de Guimaraens e melodia composta por Antônio Miguel.[15]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Bairros
  • Barro Preto
  • Bela Vista
  • Bom Sucesso
  • Cabanas
  • Centro
  • Chácara
  • Colina
  • Colina São Pedro
  • Cruzeiro do Sul
  • Dom Oscar
  • Estrela do Sul
  • Fonte da Saudade
  • Jardim dos Inconfidentes
  • Marília de Dirceu
  • Morada do Sol
  • Morro Santana
  • Passagem de Mariana
  • Residencial Jardim Santana
  • Residencial Vila Del Rei
  • Rosário
  • Rosário Novo
  • Santa Rita de Cássia
  • Santana
  • Santo António
  • São Cristóvão
  • São Gonçalo
  • São José (Cartucha)
  • São Pedro
  • São Sebastião
  • Vale Verde
  • Vila Aparecida
  • Vila do Carmo
  • Vila Máquine
  • Vila Samitri
Distritos

De acordo com a divisão administrativa do país o município é composto de onze distritos: Mariana (sede), Bandeirante, Cachoeira do Brumado, Camargos, Cláudio Manuel, Furquim, Monsenhor Horta, Padre Viegas, Passagem de Mariana, Santa Rita Durão e Águas Claras, promovida a distrito em agosto de 2015. Antigamente eram Acaiaca e Diogo de Vasconcelos distritos de Mariana, atualmente eles já estão emancipados.

Além do distrito de Mariana, os outros distritos também possuem pontos turísticos; como cachoeiras, igrejas e paisagens exuberantes. Suas principais atrações são as festas tradicionais e as cachoeiras. Além disso, representam importante valor histórico e cultural para a cidade e região.

Rua Dom Silvério, tendo ao fundo a Igreja de São Pedro dos Clérigos
Velha estação ferroviária no distrito de Furquim.
  • Bandeirante (Ribeirão do Carmo): Está a 14 km do centro de Mariana. Possuí alguns prédios de valor histórico e arquitetônico como a Igreja de São Sebastião, cuja construção se deu na primeira metade do século XVIII. Existe também no distrito, algumas casas coloniais tradicionais, sendo uma delas, a casa onde nasceu Pedro Aleixo.
  • Cachoeira do Brumado: O arraial surgiu nos primórdios do século XVII. João Pedroso, um dos primeiros descobridores de ouro em Minas Gerais, com João Lopes Pereira, iniciaram o arraial e criaram a primeira capela de Cachoeira do Brumado. João Pedrosa fez mais: construiu-lhe o patrimônio por escritura de 11 de agosto de 1726. O distrito está a 27 km do centro de Mariana e o seu destaque além da culinária, artesanato é a Cachoeira, de mesmo nome do distrito.
  • Camargos: Fundado pelo Bandeirante Tomás Lopes de Camargos, em 1780. Possui a igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a qual foi construída em 1707. Junto a Igreja, há também o Cruzeiro em pedra sabão no adro . Está a 14 km do centro de Mariana.
  • Cláudio Manuel: Distrito localizado a 50 km do centro de Mariana, onde está a Igreja de São Sebastião, construída em meados do século XVIII, sofreu várias reformas até ser demolida. Hoje seu estilo moderno não tem nada a ver com a antiga construção. É também composto por cachoeiras e fazendas.
  • Furquim: Distante do centro de Mariana em 28 km. Possui a Matriz Senhor do Bom Jesus do Monte, construída em meados do século XVIII. Foi também centro de mineração. Possui festas tradicionais e religiosas.
  • Monsenhor Horta: Recebeu o nome de São Caetano do Rio do Carmo, hoje Monsenhor Horta. Sua data de fundação remonta aos anos de 1697. Neste distrito viveu o Bandeirante Coronel Salvador Fernandes Furtado, fundador de Minas Gerais. Sua igreja, Matriz de São Caetano é também de valor histórico e arquitetônico, sua construção da primeira metade do século XVIII, tombada pelo IPHAN em 25 de junho de 1953.A tradicional festa de seu padroeiro São Caetano de Thiene, atrai vários fiéis.Considerado o melhor distrito de Mariana, pela tranquilidade e harmoniosidade do local, povo hospitaleiro.O distrito é conhecido pela forte piedade popular dos moradores. Localiza-se a 16 km do centro de Mariana.
  • Padre Viegas (Sumidouro): Distante do centro de Mariana a apenas 10 km. Foi elevado a distrito em 27 de Dezembro de 1748. Possui prédios históricos como a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, de construção do século XVIII. É a terra de Cláudio Manuel da Costa, escritor marianense de grande importância do século XVIII.
  • Passagem de Mariana: Principal e mais próximo distrito de Mariana, está localizado a 8 km do centro da cidade. Nele está a Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória, Construção do século XVIII. No distrito também está a Mina da Passagem, antiga mina de ouro, que atualmente é a maior Mina de Ouro aberta a visitações turísticas do mundo. Ela Tem 315m de extensão e 120m de profundidade, com um lago natural. Também existe no distrito, o antigo Cemitério dos Ingleses e o conjunto natural arqueológico do Morro Santo Antônio.
  • Santa Rita Durão: Localizado a 27 km de distância do centro de Mariana, é o distrito onde a mineração de ouro teve início na região em 1702. Possui a igreja Matriz que foi construída pelo sargento Mor Paulo Rodrigues Durão, entre 1729, que era pai do poeta Santa Rita Durão.
  • Águas Claras: O novo distrito é localizado a 39 km de Mariana. Desmembrou-se do distrito de Cláudio Manuel no dia 24 de agosto de 2015 após uma aprovação de lei unanime, tornando-se o 11° distrito de Mariana. Nele estão localizadas lindas cachoeiras e a Igreja de São Luiz.
Sub-distritos (parcial)
  • Bento Rodrigues: localiza-se a 35 km do centro de Mariana, conhecido por ser uma área de intensa mineração. No dia 5 de novembro de 2015, ocorreu um rompimento de barragens de mineração no distrito, causando uma enxurrada de lama de rejeitos, que se precipitou por cerca de 2,5 quilômetros vale abaixo, causando grande destruição, com pelo menos uma morte e desaparecidos.[16]
  • Santo Antônio da Barroca

Economia[editar | editar código-fonte]

Rua Direita, que possui várias boutiques e lojas de artesanato

Mariana é uma das cidades que integram o Quadrilátero Ferrífero, região responsável por 60% de toda a produção nacional de minério de ferro. Em 2012, foi a 4ª cidade no país em arrecadação de royalties pela extração de minério, conforme estudo da Universidade Federal de Ouro Preto.[17]

Mina da Passagem, a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo

O setor agropecuário representava em 2011 0,3% do PIB, sendo uma atividade praticamente de subsistência. O município vinha apresentando um crescimento contínuo de sua economia, devido principalmente à expansão do setor de mineração. Em 2011, seu PIB foi de R$ 5 443 576 000,00 e o seu PIB per capita (Ppc) foi de R$ 99 342,59.[5] Instabilidades políticas e problemas com a mineração, entretanto, puseram a cidade em um estado de crise econômica em 2015.[18]

A Vale S.A. é a segunda maior empresa mineradora do mundo, e opera em Mariana. Na foto um dos "Trens da Vale", na Estação Ferroviária de Mariana

A economia do município pode ser aferida pelos valores agregados de seu Produto interno bruto (PIB), nos seus três setores:[5]

Produto Interno Bruto de Mariana em 2011 – IBGE
Setor Valor Agregado (em milhões) %
Agropecuária R$ 1 034,075 19,3
Indústria e Mineração R$ 4 312,828 80,4
Serviços R$ 17,799 0,3

Em comparação com outros municípios do estado, Mariana detém uma posição econômica de destaque, sendo o seu PIB o décimo maior entre os 853 municípios mineiros, à frente até do município limítrofe de Ouro Preto, fazendo de Mariana o município mais rico da microrregião de Ouro Preto. O seu Ppc tem um destaque ainda maior no cenário estadual, sendo o quinto maior de Minas Gerais. Em âmbito nacional, Mariana é o 25° maior Ppc do Brasil (dados de 2011). No ano anterior, Mariana era o 91º do Brasil em Ppc (R$ 51 832,18). Em um ano, houve um significativo crescimento de 92%.[5]

Turismo[editar | editar código-fonte]

A cidade possui um enorme patrimônio arquitetônico do barroco produzido durante o Brasil Colonial. Além disso, o turismo ecológico teve também uma expansão importante, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento do setor de serviços e transformando Mariana em uma das cidades mineiras com o maior número de praticantes dos chamados esportes radicais, como montanhismo e mountain bike.

Mariana recebe boa parte do fluxo de turistas de Ouro Preto, devido à pequena distância de 12 km. Essa integração se ampliou com a criação do Trem da Vale, fruto da parceria entre a Vale do Rio Doce e as Prefeituras Municipais de Mariana e Ouro Preto. Após décadas parado, o trem turístico voltou a funcionar em abril de 2006, com viagens diárias. A Estação Ferroviária de Mariana foi totalmente revitalizada e é um ponto turístico da cidade, além de possuir uma biblioteca, um play-ground temático e um centro de mídia para a população.[19]

Como atrações naturais, a cidade conta com várias cachoeiras, como a do Brumado (no distrito de mesmo nome), da Serrinha (em Passagem de Mariana), do Cristal e a da Prainha (no bairro Santo Antônio). Entre o centro histórico e o distrito de Passagem, há uma simpática pista de ciclismo e caminhada, que possui ainda academia ao ar livre e um lago represado.[20] Nos arredores da cidade há ainda várias cavernas e grutas naturais, e uma montanha para prática de paraquedismo, o Pico da Cartuxa.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Rodovia BR-356, um dos principais acessos rodoviários ao município

Mariana contava em 2012 com uma frota urbana de 341 ônibus. Há linhas diretas para todos os outros distritos. As linhas municipais e distritais são feitas pela Viação Transcotta, que também faz as três ligações com Ouro Preto: Mariana-Ouro Preto (centro histórico), Mariana-Saramenha (distrito industrial) e Mariana-Bauxita (onde está o IFMG e o principal campus da UFOP). O município conta com linhas de ônibus diárias para Belo Horizonte (pela Viação Passáro Verde)[21] e São Paulo (pela UTIL)[22] . Ainda existem linhas não diárias para Brasília e Vitória/Guarapari. Pessoas que desejam ir para a cidade do Rio de Janeiro devem ir para Ouro Preto ou Belo Horizonte, onde há linhas diárias para a capital fluminense.

De Mariana para Ouro Preto há também uma ligação turística por trem, um trajeto de cerca de 1 hora. De acordo com o IBGE, em 2012 havia 11 246 automóveis, 621 caminhões, 1.491 camionetas, 197 micro-ônibus, 4.659 motocicletas e 341 ônibus registrados no município.[23]

Educação[editar | editar código-fonte]

ICHS, Campus da UFOP em Mariana. Parte do instituto é instalado no Seminário Velho e na Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte

De acordo com dados de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Mariana tinha 35 pré-escolas, 40 unidades de ensino fundamental, 15 de ensino médio e 10 instituições de ensino superior.[24]

Juntamente com Ouro Preto, Mariana é considerada um polo universitário. Atualmente o município sedia dois institutos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP): o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), ambos constituindo o campus local da UFOP. Há também instituições de ensino superior privadas como a UNIPAC, Faculdade Arquidiocesana de Mariana (FAM) e Faculdade de Administração de Mariana (FAMA), além de algumas instituições de ensino superior a distância, como a COC e a FINOM. Também conta com uma escola técnica, o Adjectivo CETEP e também uma unidade do SENAI.[24]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Com 29 estabelecimentos de saúde municipais e 18 privados, mariana possui uma rede de saúde em crescimento.[25] Apesar disso, ainda depende dos serviços mais sofisticados de outras cidades, principalmente da capital Belo Horizonte. A situação vem melhorando com a construção de um novo Pronto Socorro e Policlínica; Com a setorização do serviço básico de saúde e com a construção de uma UPA 24h, esta última ainda em andamento.[26]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cidade possui um carnaval que remonta a sua história. Assim como inúmeras cidades históricas do estado de Minas Gerais, possui blocos carnavalescos com décadas de existência, um deles seria o bicentenário Bloco Zé Pereira da Chácara, o mais antigo bloco carnavalesco em funcionamento do Brasil. A cidade se mostra uma alternativa ao também tradicional carnaval universitário de Ouro Preto, sendo que a festa marianense é um evento que visa ser mais familiar.[27]

Ela também é rica nas tradições católicas, com as procissões, festas da padroeira Nossa Senhora do Carmo, festa de São Roque, festa de Nossa Senhora das Mercês, do Divino Espírito Santo, de São Francisco de Assis, de Nossa Senhora da Assunção, de Nossa Senhora do Rosário, entre outras. Possui uma das mais tradicionais e belas Semanas Santas do Brasil, é uma das poucas cidades que ainda se conserva os ritos em Latim, nas novenas e Missas solenes.[28]

Nas procissões, os moradores e a Associação de Artistas da Cidade, enfeitam as ruas com tapetes de serragem, que dão um visual festivo e colorido ao centro histórico. Os Sinos também fazem parte da história do local, são tocados frequentemente nas festas dos Santos e nas Missas.[28]

Patrimônio arquitetônico[editar | editar código-fonte]

Casa da Câmara e Cadeia, Igreja São Francisco de Assis e Igreja Nossa Senhora do Carmo na Praça de Minas Gerais, no centro histórico de Mariana
Museu da Música de Mariana, instalado no antigo Palácio dos Bispos, na Rua Cônego Amando

A cidade é considerada a primeira cidade planejada do estado de Minas Gerais e uma das primeiras do Brasil, projetada pelo engenheiro militar José Fernandes de Alpoim.[29] A maior parte do patrimônio arquitetônico está localizada no Centro Histórico, que se iniciou a partir de três praças:

  • Praça Claudio Manuel: Mais conhecida como Praça da Sé, é a principal praça da cidade. Por abrigar a Catedral, é amplamente utilizada para eventos religiosos e artísticos.
    • Catedral da Sé, uma das maiores igrejas da cidade e a mais importante, localizada na Praça da Sé. Além de sua rica decoração interna, a catedral possui um precioso órgão de Arp Schnitger, presente da Coroa de Portugal ao primeiro Bispo de Mariana.[30] O templo é a Sé Arquiepiscopal da Arquidiocese de Mariana, sob o nome de Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção.[31]
  • Praça Gomes Freire: Conhecida na cidade simplesmente como O Jardim, a praça possui um coreto, um lago, uma fonte e vários canteiros. Cercada de bares, clubes e restaurantes, é um grande ponto de encontro dos habitantes.
  • Praça Minas Gerais: Essa praça, mais elevada que as outras duas, marca o início da parte alta do centro histórico. No aniversário da cidade, é assinado aqui a transferência simbólica da capital de Belo Horizonte para Mariana. Possui um pelourinho, e é onde se encontra a antiga Casa da Câmara e Cadeia, a Igreja São Francisco de Assis e a Igreja Nossa Senhora do Carmo. O contraste entre o estilo das duas igrejas cria um cenário único para quem chega a essa praça.[32]

Além das praças, a cidade possui vários outros pontos de interesse:

  • Museu de Arte Sacra de Mariana: Funciona em uma das mais belas construções em rococós do Brasil, a Casa Capitular, e possui mais de dois mil peças religiosas. Entre elas está a Fonte da Samaritana, uma escultura excepcional em rococó que fazia parte dos Jardins do Palácio dos Bispos, atual Museu da Música.[33]
  • Museu da Música de Mariana - Funciona no Centro cultural Dom Frei Manuel da Cruz (antigo Palácio dos Bispos). Único museu deste gênero na América, possui em seu acervo documentos, partituras, impressos dos séculos XVIII ao XX, além de uma exposição permanente em que o visitante não vê somente, mas sente a música.[34]
  • Prédio da Cúria: Pertence a arquidiocese de Mariana.
  • Rua Direita: Possui os imóveis mais antigos da cidade, completamente conservados. Assim como a maior parte das casas do centro histórico, segue o estilo misto: espaço comercial no primeiro andar e residência nos superiores. Nela está localizada a casa de Alphonsus de Guimaraens, atualmente um museu em sua memória. O acervo do museu está em processo de digitalização.[35]
  • Antigo Seminário: Atual ICHS (unidade do Campus Mariana da UFOP).
  • Seminário Maior São José: Bela construção em estilo neoclássico, com azulejos no frontispício e pinturas de Pietro Gentili e Nobäuer na capela e salões. Cercado de mata nativa, é acessível ao centro por uma pequena estrada calçada.
  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: Conhecida simplesmente como Igreja do Rosário, fica em um morro pouco afastado do centro, no bairro que leva seu nome.
  • Ponte Alphonsus de Guimarães: Mais conhecida como Ponte de Tábua, é a primeira ponte de tábuas de Minas Gerais, datada de 1713. Primeira ponte a cruzar o Rio do Carmo, é utilizada até hoje, apesar do caminho geralmente ser feita por outras pontes mais modernas. Liga o Centro ao bairro Rosário.[36]
  • Igreja de Santo Antônio: A mais antiga da cidade, localizada no bairro homônimo.
  • Igreja de São Pedro dos Clérigos: Construída no final do ciclo do ouro, tem um estilo completamente diferente das outras igrejas históricas. Oficialmente, a igreja está incompleta, já que seu altar é feito basicamente de madeira talhada. Sua fachada, porém, é considerada uma das mais bonitas da cidade.[37]
  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória, em Passagem de Mariana.
  • Mina da Passagem, muito importante para a economia da cidade no ciclo do ouro. Atualmente a maior mina de ouro aberta ao público do mundo.

Esportes[editar | editar código-fonte]

A cidade de Mariana conta com duas equipas profissionais de futebol; o Guarany e o Marianense. Já no Futebol Society o com maior destaque é o Manelvis Tonight, equipe que está invicta a quase quatro anos e conta com os maiores destaques da região. O Majestoso como é conhecido tem um trabalho desde a categoria de base até o profissional.[carece de fontes?] Em Mariana são realizados vários eventos desportivos, como a uma etapa do campeonato mineiro de Rally de velocidade, além de várias maratonas para pessoas de todas as idades. O Handebol feminino e masculino da cidade são destaques no estado. No município também já foi realizado o Iron Bike (maior competição de bike da América Latina).[38]

A prefeitura de Mariana incentiva seus estudantes a praticar atividades desportivas. Em Mariana são realizados diversos jogos escolares como o JEI e o JEM. Uma das mais tradicionais competições do município, o JEM conta com a participação de mais de dois mil alunos, em mais de 400 jogos realizados.[39]

A cidade esta sofrendo uma mudança estrutural. O ginásio polidesportivo de Mariana foi desmontado porque possuía uma estrutura comprometida e precisaria de uma enorme reforma. O ginásio também não combinava com o estilo arquitetônico de seu entorno. No lugar do ginásio, foi construído um centro de convenções com pavilhões de feiras de 1600 m² e capacidade para 1500 pessoas. Há ainda saguão para recepção de público com áreas de apoio, café e teatro com mais de 500 lugares.[40]

Por causa da desmontagem do ginásio foi criado um projeto de um Complexo Desportivo Olímpico, uma arena multi-eventos, que poderá atender todos os tipos de eventos. A Arena Mariana foi construída para atender melhor os atletas, receber as federações e confederações desportivas e sediar campeonatos. São três quadras multi-eventos, pista de skate, piscina olímpica, piscina para salto ornamental e quadra coberta com capacidade para cinco mil pessoas, que pode ser utilizada também na promoção de shows e eventos, trazendo benefícios para as entidades desportivas. O complexo está entre os melhores do estado, ao disponibilizar infraestrutura para a prática de várias modalidades, tais como natação, polo aquático, nado sincronizado, salto ornamental, atletismo, handebol, vólei, futsal, ginástica olímpica, futsal, basquetebol e skate.[41]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Vice-prefeito eleito, assumiu a prefeitura em 10 de junho de 2015, substituindo o prefeito eleito Celso Cota Neto, que foi afastado do cargo.Celso Cota é afastado e Duarte Junior toma posse como prefeito
  2. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
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