Marilena Chaui

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Marilena Chaui
Marilena Chaui em 2010
Nome completo Marilena de Souza Chaui
Nascimento 4 de setembro de 1941 (78 anos)
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Michael Hall
Alma mater Universidade de São Paulo
Ocupação filósofa, professora, militante política
Prêmios Prêmio Jabuti (1995 e 2000)
Filiação Partido dos Trabalhadores
Magnum opus A Nervura do Real
Outros Doutora Honoris Causa:
Página oficial
FFLCH-USP

Marilena de Souza Chaui (Pindorama, 4 de setembro de 1941) é uma escritora e filósofa brasileira, especialista na obra de Baruch Espinoza e professora emérita de Filosofia Política e Estética da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.[1][2]

É considerada uma das filósofas mais importantes do Brasil e uma das mais influentes intelectuais do país,[3][4][5][6] com vasta e reconhecida obra.[7][8]

Também é conhecida por sua atuação política, tendo combatido a ditadura militar e sido uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é ativa militante. Foi secretária de Cultura do Município de São Paulo durante a gestão da prefeita Luiza Erundina.[9][10][11][12][13][14]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Concluiu a graduação em 1965, na Universidade de São Paulo. Sua dissertação de mestrado, "Merleau-Ponty e a crítica do humanismo", foi defendida em 1967, mesmo ano em que deixou de lecionar no Colégio Estadual Alberto Levyi, em São Paulo, e mesmo ano em que iniciou o doutorado acerca das ideias do filósofo Baruch Espinoza, orientada por Gilda Rocha de Mello e Souza e concluída em 1971, também na USP.[15][16][9]

Em 1977 defendeu sua tese de livre-docência, sob o título “A Nervura do Real: Espinosa e a Questão da Liberdade”, onde abrangeu alguns assuntos como a liberdade, a servidão, a beatitude, a paixão, a imanência e a necessidade.[17][16]

Em uma entrevista, Marilena definia que os anos que passou sob o regime militar foram anos de medo em que você não sabia se quando saísse de casa poderia voltar ou se veria colegas de trabalho. Relata também que universidades eram controladas por militares havendo até escutas nas salas de aula, policiais disfarçados de estudantes e o exílio de professores era tão grande que restaram apenas cinco na instituição em que Marilena lecionava. Resistente ao regime militar, a filósofa, juntamente a outros professores, criaram o que chamavam de "grupo de amigos" que se dedicavam em abrigar perseguidos e se certificarem de que os apreendidos ainda estavam vivos, dedicavam se também a crítica ao autoritarismo através de filósofos antigos.[18]

Em 1987, prestou concurso público e foi aprovada para o cargo de professora titular de filosofia da USP. Passou a dar aulas no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, tendo se especializado em História da Filosofia Moderna e Filosofia Política. Atualmente, Marilena é Presidente da Associação Nacional de Estudos Filosóficos do século XVII, historiadora da filosofia brasileira, professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).[19][20]

Atuante não apenas em âmbito acadêmico, mas também no meio intelectual e político brasileiro, Marilena integra o Partido dos Trabalhadores, uma instituição que ela ajudou a fundar na década de 1980. Durante a gestão da ex-Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, Chaui atuou como líder da Secretaria Municipal de Cultura daquela cidade.[20] Marilena Chaui, no final dos anos sessenta, foi envolvida nas pesquisas que culminariam na sua tese de doutorado sobre pensamentos de Baruch de Espinosa, passou dois anos na Universidade de Clermont-Ferrand, sob a orientação de Victor Goldschimidt.[21]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Marilena é filha do jornalista Nicolau Alberto Chaui e da professora Laura de Souza Chaui. Foi casada com o jornalista José Augusto de Mattos Berlinck, com quem teve dois filhos, José Guilherme[22] e Luciana.[23] Atualmente é casada com Michael Hall, historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas.[17]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

Sobre a sociedade brasileira, afirmou:[9]

Eu costumo dizer que o que mais me aflige na sociedade brasileira (para além das desigualdades e exclusões, a ausência de direitos, evidentemente) são duas coisas: o autoritarismo social, isto é, que todas as relações sociais assumam a forma da relação entre um superior que manda e um inferior que obedece; e a ausência de pensamento, isto é, a adesão completa ao que é veiculado e difundido pelos meios de comunicação.

Marilena foi grande crítica do ex-prefeito Paulo Maluf durante seu mandato como secretária na gestão Erundina (1989-1992), afirmando que nenhum administrador honesto prometeria o que ele prometeu em sua campanha eleitoral, acusando-o de manipular o medo dos cidadãos.[24] Em 2014, no entanto, Marilena negou-se a comentar o episódio da formalização de uma aliança entre Paulo Maluf e o Partido dos Trabalhadores no âmbito das eleições federais dizendo que não iria falar "nadinha" nem conceder entrevistas.[25][26] Posteriormente, Marilena disse que o ex-governador Paulo Maluf, não se enquadra na tradição política representada por Celso Russomano, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia e Faria Lima. “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”[27][28]

Em maio de 2016, Marilena Chaui afirmou que a sociedade brasileira "está prontinha, acabadinha para o universo fascista", se referindo ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, no processo de impeachment. Afirmou ainda que considera o impeachment um golpe de Estado e a "Ponte para o futuro", o projeto do governo Michel Temer, uma "pinguela para o passado".[29]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Acusação de plágio[editar | editar código-fonte]

Em 1981, José Guilherme Merquior acusou Marilena Chaui de plagiar Claude Lefort. A acusação constara em seu artigo Cultura e democracia, publicado no Jornal do Brasil, onde tinha uma coluna. No dia 2 de maio de 1981, afirmou:

A este respeito, Marilena Chaui disse:

Diante da acusação, saíram em sua defesa[32] colegas seus, como Roberto Romano (professor de Ética da Unicamp) e Maria Sylvia de Carvalho Franco (professora titular da USP)[33]. Décadas depois, Roberto Romano se arrependeria. Descreveu com as seguintes palavras a controvérsia:

Discurso contra a classe média[editar | editar código-fonte]

Em 2013, uma declaração de Marilena causou polêmica ao afirmar que "odeia a classe média", taxando este grupo social como fascista, violento e ignorante.[35] Em sua defesa, foi dito que circulou no vídeo apenas uma versão fragmentada e descontextualizada de sua fala, e que o argumento geral exposto na palestra foi de que o conceito de classe média deve ser problematizado, sobretudo para explicar casos extremos nos quais membros da classe média assumem comportamentos inadequados em espaços públicos e incongruentes à vida social. Nessa mesma palestra, defendeu programas de concessão governamentais como o Prouni com a intenção de minorar o racismo.[36] O episódio foi utilizado por críticos que afirmaram que a intelectual promove uma "política social sem direitos sociais" e diante desta conclusão acabou sendo descrita como "defensora de uma associação neoliberal entre Estado e burguesia".[37]

Discurso sobre a Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Em julho de 2016, Marilena Chauí acusou o juiz Sérgio Moro de ser treinado pelo FBI. Marilena afirmou também que a Operação Lava Jato faria parte de um suposto plano dos Estados Unidos para retirar a soberania do Pré-Sal do Brasil. Nas palavras da professora,

Segundo o professor emérito de filosofia da USP e colega de Chauí, Ruy Fausto, esse discurso de Marilena representou “uma verdadeira catástrofe para a esquerda”.[40]

Premiações e títulos[editar | editar código-fonte]

Alguns prêmios e títulos:[41][16]

Livros[editar | editar código-fonte]

Marilena Chaui é autora de vários livros, dentre os quais [por ordem alfabética]:[carece de fontes?]

  • "A Ideologia da Competência",
  • Chaui, Marilena de Souza (2016). A nervura do real II: Imanência e liberdade em Espinosa. [S.l.]: Editora Companhia das Letras. Consultado em 28 de agosto de 2017 
  • "Brasil: Mito Fundador e Sociedade Autoritária",
  • "Boas-vindas à Filosofia",
  • "Cidadania Cultural",
  • "Conformismo e Resistência",
  • "Contra a Servidão Voluntária",
  • Chauí, Marilena (1995). Convite à filosofia 🔗 (PDF). [S.l.]: Ática. Consultado em 28 de agosto de 2017 
  • "Cultura e Democracia, o Discurso Competente",
  • "Da Realidade sem Mistérios ao Mistério do Mundo",
  • "Desejo, Paixão e Ação na Ética de Espinosa",
  • "Dialética Marxista e Dialética Hegeliana",
  • "Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento",
  • "Eja - Filosofia e Sociologia",
  • "Escritos Sobre a Universidade",
  • "Espinosa: Uma Filosofia da Liberdade",
  • "Experiência do Pensamento",
  • "Filosofia: Volume Único",
  • "Ideologia e Mobilização Popular",
  • Chauí, Marilena de Souza (2011). Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática. [S.l.: s.n.] 
  • Chauí, Marilena de Souza (2002). Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. [S.l.]: Editora Companhia das Letras 
  • "Manifestações Ideológicas do Autoritarismo Brasileiro",
  • "O que é Ideologia",
  • "O Ser Humano é um Ser Social",
  • "Política em Espinosa" ,
  • "Professoras na Cozinha",
  • "Repressão Sexual",
  • Chauí, Marilena de Souza (2006). Simulacro e poder: uma análise da mídia. [S.l.]: Fundação Perseu Abramo 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. O colapso do figurino francês
  2. «Marilena Chauí recebe título de Professora Emérita» 
  3. Conde, Maite (2011). Chauí, Marilena, ed. «Introduction» (requer pagamento). New York: Palgrave Macmillan US. Between Conformity and Resistance: Essays on Politics, Culture, and the State (em inglês): 1–14. ISBN 9780230118492. doi:10.1057/9780230118492_1 
  4. Flannery, Mércia Regina Santana (1 de janeiro de 2013). «Between Conformity and Resistance: Essays on Politics, Culture, and the State by Marilena Chauí (Review)». Hispanic Review: 380–383. doi:10.1353/hir.2013.0023 
  5. Bignotto, Newton (2015). «Le Brésil à la recherche de la démocratie». Problemes d'Amerique latine. N° 98 (3): 21–36. ISSN 0765-1333 
  6. Kings College, London. «Past visiting researchers». King's Brazil Institute. Arquivado do original em 21 de janeiro de 2019 
  7. Savian Filho, Juvenal; Socha, Eduardo. «Entrevista - Marilena Chauí - Revista Cult». Revista Cult. Consultado em 26 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 26 de agosto de 2017. Sim, claro, existem os críticos de seu trabalho. Mas, infelizmente, poucos merecem ser ouvidos ou lidos. Dizemos infelizmente, porque o primitivismo e a esterilidade de grande parte dessa crítica confirmam a precariedade intelectual de nossos debates, de nosso atual estado de coisas. A tais críticas, que tão logo expoem suas fissuras de raciocínio, caberia apenas o riso da indulgência não fosse o espaço midiático que ocupam, não fosse a agressividade de suas manifestações, o preconceito, o ressentimento e o desvirtuamento rasteiro; as atitudes lamentáveis que afinal determinam o modus operandi de uma parcela da direita brasileira. 
  8. «:: Memória Roda Viva - Marilena Chaui». rodaviva.fapesp.br. 3 de maio de 1999. Consultado em 26 de agosto de 2017. Cópia arquivada em 25 de outubro de 2016 
  9. a b c Santiago, Homero Silveira; Silveira, Paulo Henrique Fernandes; Santiago, Homero Silveira; Silveira, Paulo Henrique Fernandes (2016). «Percursos de Marilena Chaui: filosofia, política e educação». Educação e Pesquisa. 42 (1): 259–277. ISSN 1517-9702. doi:10.1590/s1517-97022016420100201 
  10. Ribeiro, Viviane Magno (2014). A experiência do pensamento e os novos sujeitos históricos : intelectuais e movimentos populares na transição política (1970 -80) (Mestrado, Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais.). Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas. 182 páginas 
  11. «Especial Marilena Chaui». www.revistas.usp.br. Cadernos Espinosianos. 2017. ISSN 2447-9012. Consultado em 26 de agosto de 2017 
  12. Lemos, Flávia Cristina Silveira (2009). «O Estatuto da Criança e do Adolescente em discursos autoritários». Fractal : Revista de Psicologia. 21 (1): 137–150. ISSN 1984-0292. doi:10.1590/s1984-02922009000100011 
  13. Rosa, Edinete Maria; Tassara, Eda Terezinha de Oliveira (2004). «Violência, ética e direito: implicações para o reconhecimento da violência doméstica contra crianças». Psicologia: Ciência e Profissão. 24 (3): 34–39. ISSN 1414-9893. doi:10.1590/s1414-98932004000300005 
  14. Ramos, Silvana de Souza (24 de dezembro de 2016). «DEMOCRACIA E CULTURA POPULAR NA OBRA DE MARILENA CHAUI». Cadernos Espinosanos. 0 (35): 43–61. ISSN 2447-9012. doi:10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2016.124036 
  15. «Marilena Chaui». InfoEscola 
  16. a b c d e f g h i j k l m n o p q r «Currículo do Sistema de Currículos Lattes: Marilena de Souza Chaui». USP Digital. Consultado em 20 de julho de 2016 
  17. a b «Biografia de Marilena Chaui» 
  18. Santiago, Homero Silveira (2016). «Percursos de Marilena Chauí: filosofia, política e educação.». Educ. Pesqui. Consultado em 6 de maio de 2019 
  19. «Ranking de salários da USP». Folha de S.Paulo. 16 de novembro de 2014 
  20. a b «Marilena Chaui por Ana Lucia Santana» 
  21. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022016420100201
  22. «Filho de Maria Helena Chaui» 
  23. «"Sociedade autoritária, ética e violência no Brasil", com a filósofa Marilena Chaui» 
  24. «Acervo Folha de S. Paulo - Edição de 10 de novembro de 1992» 
  25. «Aliança do PT com Maluf é mais um capítulo do supermercado eleitoral brasileiro» 
  26. «Acervo Folha de S. Paulo - Edição de 20 de junho de 2002» 
  27. Eduardo Maretti (29 de setembro de 2012). «Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie». Rede Brasil Atual. Consultado em 21 de julho de 2016 
  28. O Globo, [1], 20 de Dezembro de 2012, Matutina, página 18
  29. «Sociedade 'está prontinha para o universo fascista', diz Chauí». Folha de S.Paulo. 19 de maio de 2016. Consultado em 21 de julho de 2016 
  30. Jornal do Brasil, Cultura e democracia (III), 2/5/1981.
  31. Folha de S.Paulo, Merquior, o conformista combativo, 23/8/2015: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2015/08/1671785-merquior-o-conformista-combativo.shtml
  32. https://perspectivaonline.com.br/2015/06/03/merquior/
  33. http://filosofia.fflch.usp.br/docentes/mariasylvia
  34. «O silêncio palavroso de Marilena Chaui». fapesp 
  35. «Marilena Chauí: classe média é violenta, fascista e ignorante» 
  36. «Palestra Marilena Chaui» 
  37. «PROUNI: UMA POLÍTICA SOCIAL SEM DIREITOS SOCIAIS». SBPC 
  38. «Marilena Chaui diz que Moro foi treinado por FBI para Lava Jato» 
  39. «Marilena Chauí sobre Sérgio Moro, FBI e Lava Jato» 
  40. «Filósofo da USP diz que discurso político de Marilena Chauí representa uma catástrofe para a esquerda». Consultado em 18 de abril de 2017 
  41. «[Entrevista] – Prof. Dra. Marilena Chaui – "Memória Oral"». Filosofia em Vídeo. Consultado em 20 de julho de 2016 
  42. «59º Prêmio Jabuti - Apuração de votos». www.premiojabuti.com.br. Consultado em 10 de dezembro de 2017 
  43. «Marilena Chauí recebe título de Professora Emérita» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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