Marinor Brito

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Marinor Brito
Cristina Gallo/Agência Senado
Vereadora de Bandeira belem.jpg Belém
Período De 1 de janeiro de 1997
até 31 de dezembro de 2008
De1 de janeiro de 2013
até atualidade
Senadora pelo Pará Pará
Período 1 de fevereiro de 2011
até 28 de dezembro de 2011
Vida
Nascimento 12 de fevereiro de 1959 (56 anos)
Alenquer, PA
Dados pessoais
Partido PSOL
linkWP:PPO#Brasil

Marinor Jorge Brito dos Santos (Alenquer, 7 de março de 1959) é uma sindicalista, professora e política brasileira filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Marinor elegeu-se senadora pelo PSOL do Pará, em 2010.[1] Mas devido ao entendimento do STF de que a lei Ficha Limpa não teria poder retroativo, perdeu seu mandato de senadora em favor de Jader Barbalho (PMDB). Jader fora o candidato mais votado nas eleições mas havia sido impedido de assumir pela impugnação de sua chapa, posteriormente revertida.

Eleita vereadora de Belém–PA, a vereadora mais votada da cidade com 21.723 votos (2,88% do total de votos válidos), mais do que o dobro de votos do 2° colocado.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Professora do ensino médio, Marinor começou sua vida política no PT ao ser eleita vereadora de Belém em 1996, sendo reeleita em 2000 e 2004.

Em 2005, junto do ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, e de outros políticos, filiou-se ao PSOL. No ano seguinte, candidatou-se sem sucesso ao cargo de deputada estadual.

No ano de 2008, ficou em penúltimo lugar na disputa pela prefeitura de Belém já pelo PSOL com 14.750 votos – o equivalente a 2,03% dos votos válidos.

Eleição ao Senado[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 2010, Marinor foi a 4ª colocada na disputa pelo Senado em 2010 com 727.583 votos (27,11% dos válidos).[2] Ela foi beneficiada pela lei Ficha Limpa, a qual impugnou as candidaturas de Jader Barbalho (PMDB) e de Paulo Rocha (PT), ambos adversários diretos dela na disputa pelo Senado.[3] Era possível votar em 2 candidatos diferentes ao Senado Federal, pois a renovação da Casa era de 2 terços de seus membros. Com isso, cada estado elegeu 2 senadores diferentes já que o total de votos para o cargo não totalizava 100% mas sim 200%.

Jader foi o 2° colocado com 1.799.762 votos (28,95% dos válidos), e Rocha foi o 3° colocado com 1.733.376 votos (27,88% dos válidos). Como no dia da votação do 1° turno ainda não havia decisão final sobre a aplicação da Ficha Limpa, o TSE decidiu que os candidatos "sub judice" poderiam concorrer mas os votos ficariam suspensos até uma decisão final. Como não se tornaram autorizados a concorrer, os votos que obtiveram foram considerados nulos.

Jader teve a candidatura barrada porque renunciou ao mandato de senador em 2001 para evitar um processo de cassação em meio às investigações do caso que apurava desvios no Banpará e a denúncias de envolvimento no desvio de dinheiro da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Já Paulo Rocha renunciou ao mandato de deputado federal em outubro de 2005 após o escândalo do mensalão.

Defesa dos Direitos Humanos[editar | editar código-fonte]

Com os ânimos exaltados após o adiamento da votação de uma lei anti-homofobia, a então senadora Marinor e o deputado federal Jair Bolsonaro (PPRJ) chegaram a bater boca em um dos corredores do Senado, havendo um confronto físico por parte da senadora, no dia 12 de maio de 2011.

A discussão começou quando a relatora da proposta, Marta Suplicy (PT–SP), dava entrevista à imprensa; atrás dela, Bolsonaro exibia para as câmeras um panfleto contra um plano de promoção da cidadania e dos direitos humanos da comunidade LGBT para alunos a partir dos 5 anos de idade, mais conhecido pelos críticos com o nome de Kit Gay. No impresso, havia uma série de ações promovidas pela Secretaria de Direitos Humanos em favor da comunidade LGBT. Nervosa e aos gritos, Marinor começou a bater no panfleto, enquanto Marta saía de cena. “Tira isso daqui! Me respeita! Vai me bater?! Depois dizem que não há homofóbico aqui. Homofóbico! Saia daqui! Tu devia ir pra cadeia! Criminoso!”

O deputado Jean Wyllys, também do PSOL, apoiou Marinor e afirmou que o kit anti-homofobia estava a favor do respeito a vida.

Mas a maioria dos deputados da bancada religiosa, apoiados por Bolsonaro, denunciaram o conteúdo pornográfico do material. O projeto foi retirado de pauta pela presidente Dilma.

Não-aplicação da Ficha Limpa[editar | editar código-fonte]

Marinor Brito foi eleita senadora,[2] com mais de 727 mil votos (27% dos votos válidos).[3] Ela ocupou a cadeira que havia sido de seu compartidário, o ex-senador José Nery, que não disputou a reeleição[1] [4] até 23 de março de 2011, após a decisão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) jogou para 2012 a aplicação da lei Ficha Limpa.

A decisão da não-aplicação da lei beneficiou diretamente vários candidatos cuja elegibilidade havia sido barrada por causa de processos na Justiça, como João Capiberibe e Jader Barbalho.[5] A Lei da Ficha Limpa passa a valer apenas a partir das eleições municipais de 2012,[6] houve protestos por parte da sociedade e de alguns políticos, como as senadoras Marinor Brito[7] [8] , Heloísa Helena[9] e Pedro Simon, que lembrou da mobilização popular e das entidades da sociedade civil para a construção da democracia no Brasil,[10] e que a Lei da Ficha Limpa foi de iniciativa popular e contou com mais de 1,6 milhões de assinaturas.[11]

Cquote1.svg Estou com a impressão de que o Supremo matou a Lei da Ficha Limpa. Cquote2.svg

No dia 19 de julho de 2011, Marinor recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que diversos recursos e ações sobre as eleições para o Senado no Pará aguardam julgamento no Supremo, envolvendo entre outras, inelegibilidades dos candidatos que foram o 2° e o 3° colocados no pleito de 2010 - Barbalho e Rocha. Para a senadora qualquer decisão do TRE acerca das eleições 2010 feriria a competência do STF. "Em razão da disputa nas eleições no Estado, aberta no STF, a competência para resolver as eleições senatoriais do Pará é do STF", disse à época Marinor.

O Presidente do STF, Cesar Peluso, decidiu que Jader Barbalho (PMDB) assumiria mandato no Senado. Ele havia decidido suspender a decisão até a posse da nova ministra do STF. Mas mudou de posição depois de se reunir com líderes do PMDB. O retorno de Jader retirou o mandato de Marinor Brito (PSOL), que, de acordo com o CONGRESSO EM FOCO, vinha honrando as lutas do povo do Pará e do Brasil. "Marinor tem sido exemplo de dignidade na política", afirmaram vários parlamentares na ocasião de sua saída.

No dia 14 de dezembro de 2011, com o voto de minerva do presidente do STF, Cezar Peluso[12] , o mesmo deu direito ao candidato barrado pela Ficha Limpa.[13] , Jader Barbalho, ao assumir o mandato de senador no dia 28 de dezembro de 2011, em uma cerimônia discreta.

Referências

  1. a b Marinor Brito eleita senadora do Pará Feminismo.org.br (4 de outubro de 2010). Visitado em 4 de outubro de 2010.
  2. a b Com jader fora de combate, Lula perde um aliado no Senado. Vaga é do PSOL Veja (27 de outubro de 2010). Visitado em 27 de outubro de 2010.
  3. a b PA reelege Flexa Ribeiro e elege Marinor Brito para o Senado G1 (3 de outubro de 2010). Visitado em 4 de outubro de 2010.
  4. Portal Terra.com (27 de janeiro de 2011). Psol articula candidatura própria à presidência do Senado Terra Networks Noticias.terra.com.br. Visitado em 27 de janeiro de 2011.
  5. Lei da Ficha Limpa: confira os casos que podem ser beneficiados pela decisão do STF (em português) Globo.com O Globo (23 de março de 2011).
  6. Supremo derruba validade da ficha limpa nas eleições de 2010 (em português) G1 (23 de março de 2011).
  7. Senadora critica voto de Luiz Fux contra Ficha Limpa em 2010 (em português) Folha Online (23 de março de 2011).
  8. Senadora Marinor Brito (PSOL) vai dificultar posse de Jader Barbalho em seu lugar (em português) G1.COM (24 de março de 2011).
  9. Heloísa Helena critica decisão do STF sobre ficha limpa (em português) Alagoas 24 Horas (24 de março de 2011).
  10. Simon: Supremo pode ter ‘matado’ a Ficha Limpa (em português) Correio do Brasil (25 de março de 2011).
  11. O juiz que limpou os fichas-sujas (em português) Época (24 de março de 2011).
  12. PMDB pressionou Peluso para liberar Jader ao Senado Globo.com (14 de dezembro de 2011). Visitado em 14 de dezembro de 2011.
  13. Mentor da Ficha Limpa lamenta posse de parlamentares barrados e diz que desafio agora será a eleição de 2012 Globo.com O Globo país (14 de julho de 2011). Visitado em 14 de julho de 2011. "Agora, precisamos assegurar a plena aplicação da Lei da Ficha Limpa. Pedimos ao Conselho Federal da OAB que entrasse com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade da lei. Ela deverá ser julgada no segundo semestre e o relator será o ministro Luiz Fux."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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