Mark Sykes

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Mark Sykes (c. 1918)

O coronel Sir Tatton Benvenuto Mark Sykes, 6º baronete (Inglaterra, 16 de março de 1879Paris, 16 de fevereiro de 1919) foi um militar, diplomata e político britânico. Vinculado ao Partido Conservador, atuou como conselheiro diplomático do governo do seu país, em assuntos relacionados com o Oriente Médio, durante os anos da Primeira Guerra Mundial.

Seu nome está associado ao Acordo Sykes-Picot, um documento secreto firmado pela Grã-Bretanha e pela França (com o aval do Império Russo e do Reino da Itália) em 1916, quando a guerra ainda se encontrava em curso. O acordo partia da premissa de que os otomanos seriam derrotados pela Tríplice Entente e definia os termos da futura partição do Império Otomano entre as principais potências europeias, incluindo suas respectivas esferas de influência. [1] [2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho único de um rico proprietário de terras, Sykes foi educado por jesuítas, inicialmente no Beaumont College e depois no Jesus College (Cambridge),[3] porém jamais se graduou.[4] Aos 25 anos, já havia publicado pelo menos quatro livros: D'Ordel's Pantechnicon (1904), uma paródia das revistas da época (ilustrado por Edmund Sandars); D'Ordel's Tactics and Military Training (1904), paródia do Infantry Drill Book de 1896 (também com Sandars) e dois livros de viagem, Dar-Ul-Islam ("O Lar do Islam", 1904) e Through Five Turkish Provinces (1900). Também escreveu The Caliphs' Last Heritage: A Short History of the Turkish Empire,[5] cuja primeira parte é um breve resumo da geografia política do Oriente Médio até o Império Otomano, enquanto a segunda parte é um relato das viagens do autor à Ásia Menor e ao Oriente Médio, entre 1906 e 1913.[6]

Durante a Segunda Guerra dos Bôeres, alistou-se num batalhão de milicianos do Regimento Yorkshire, no qual permaneceu por dois anos. Após a guerra, foi promovido a capitão, em fevereiro de 1902,[7] retornando ao Reino Unido em maio do mesmo ano.[8]

De 1904 a 1905 foi secretário parlamentar do Chefe da Secretaria da Irlanda, George Wyndham, no último ano da administração Balfour. Sykes se tornou amigo do primeiro-ministro, e, quando este se tornou Secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, durante a Primeira Guerra Mundial, Sykes foi um de seus colaboradores próximos. Em seguida, transferido por Balfour, Sykes serviu como adido honorário à embaixada britânica em Constantinopla, entre 1905 e 1906.

Em 1911, depois de duas tentativas mal sucedidas, consegue ser eleito para o Parlamento representando Kingston upon Hull Central. Na sua primeira fala como parlamentar, apresenta-se como um especialista em questões relativas ao Império Otomano e declara acreditar que "um Império Turco forte e unido" era, naquele momento, tão importante em termos estratégicos e comerciais para a Inglaterra como o fora na época de Disraeli, trinta anos antes. Mas quando irrompeu a Primeira Guerra, e os otomanos se aliaram à Alemanha, contra a França e a Grã-Bretanha, Sykes teve que mudar de ideia. [9]

Em 1914, Sykes era tenente-coronel e comandava uma unidade de reserva, o 5º Batalhão do Regimento Yorkshire. Todavia não seguiu seus comandados ao campo de batalha, tendo sido requisitado pelo Departamento de Guerra e designado por Lorde Kitchener, o Secretário de Estado da Guerra, para participar do Comitê Bunsen, liderado por Sir Maurice de Bunsen - uma comissão encarregada de assessorar o gabinete em assuntos do Oriente Médio. Em pouco tempo, Sykes tornou-se figura dominante na comissão, adquirindo, portanto, grande influência na política do Reino Unido para o Oriente Médio. Mais tarde, ele passaria a ser visto como um especialista nesse assunto. Quando Londres ainda esperava persuadir a Turquia a não entrar na guerra ou a juntar-se aos Aliados contra as Potências Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria, Império Otomano e Bulgária), foi Sykes quem informou Kitchener de que a Turquia ficaria do lado da Alemanha, o que de fato se confirmou em novembro de 1914.

Instigado por Sykes, mas não completamente de acordo com seus desejos, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou, em janeiro de 1916, o chamado Arab Bureau - uma seção do Departamento de Inteligência do Cairo. Sykes escrevia panfletos promovendo a independência árabe e a revolta contra o Império Otomano. Ele também desenhou a bandeira da Revolta Árabe, nas cores verde, vermelha, preta e branca. Variações do seu desenho foram adotadas nas bandeiras da Jordânia, Iraque, Síria, Egito, Sudão, Kuwait, Iêmen, dos Emirados Árabes e da Palestina,[10] países que não existiam antes da Primeira Guerra.

Sykes morreu na França, em 1919, depois de contrair gripe espanhola, doença que matou cerca de 50 mihões de pessoas em todo o mundo.[11]

Referências

  1. Acordo Sykes-Picot na origem do caos no Oriente Médio. Por Kersten Knipp. Vídeo: Os cem anos do acordo Sykes-Picot. Deutsche Welle, 16 de maio de 2016.
  2. Fronteiras arbitrárias são origem histórica de conflitos no Oriente Médio. Por Martin Koch. Deutsche Welle, 25 de junho de 2014
  3. Fromkin, David (1989). A Peace to End All Peace (New York: Owl Books). p. 146. ISBN 978-0-8050-6884-9. 
  4. «Sykes, Sir Mark». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/36394.  (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
  5. «The Caliphs' Last Heritage (texto completo online)». 
  6. «The Caliphs' Last Heritage (informação bibliográfica)». 
  7. The London Gazette: no. 27422. p. 2282. 4 April 1902.
  8. The War - Troops returning home. The Times 28 de abril de 1902, p. 8 edição 36753
  9. Barr, James. A Line in the Sand: Britain, France and the struggle that shaped the Middle East. Part One. "The Carve-up 1915-1919" 1. "Very Practical Politics". Simon and Schuster, 2011, p.
  10. Easterly, William (27 de fevereiro de 2007). The White Man's Burden: Why the West's Efforts to Aid the Rest Have Done So Much Ill and So Little Good Penguin (Non-Classics) [S.l.] p. 295. ISBN 0-14-303882-6. «Uma pequena amostra da artificialidade da Revolta Árabe foi o fato de o próprio Mark Sykes ter desenhado a bandeira dos árabes, combinando verde, vermelho, preto e branco. Variações desse desenho estão presentes nas atuais bandeiras da Jordânia, do Iraque, da Síria e da Palestina.» 
  11. Vital flu clue. BBC, 2 de março de 2007


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