Marshall McLuhan

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Marshall McLuhan
Marshall McLuhan, 1936
Nascimento 21 de Julho de 1911 (102 anos)
Toronto,  Canadá
Morte 31 de dezembro de 1980
Nacionalidade canadense
Ocupação Educador e teórico da comunicação

Herbert Marshall McLuhan (Edmonton, 21 de julho de 1911 - Toronto, 31 de dezembro de 1980) foi um destacado educador e teórico da comunicação canadense.

Vida e Carreira[editar | editar código-fonte]

McLuhan levou uma vida dedicada às artes e às humanidades. Sua família era estruturada: seu pai era corretor de seguros e sua mãe era uma mulher culta e viajada, que lhe deu grande incentivo na carreira acadêmica.

Começou a cursar Engenharia, mas acabou formando-se em Literatura Inglesa Moderna na Universidade de Manitoba, no Canadá. Obteve os títulos de mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de Cambridge.

Na Universidade de Toronto, Canadá, ele desenvolveu boa parte da sua carreira como professor e pesquisador. Na década de 1960, radicado nos Estados Unidos, ele foi professor na Universidade de Wisconsin, a experiência proporcionada pelo contato com jovens de uma cultura diferente aguçou em McLuhan o interesse pelo trabalho teórico devido à necessidade que sentiu de compreender essa cultura.

Os conceitos desenvolvidos por McLuhan sobre os impactos das novas tecnologias e os efeitos dos meios de comunicação na sociedade e nos indivíduos causaram, e ainda causam, polêmica. Alguns o apontam como "guru da comunicação" e visionário, outros o criticam e dizem que seu trabalho era superficial e baseado em determinismo tecnológico. Apesar da polêmica sobre suas obras, ele alcançou grande fama e seus conceitos foram amplamente divulgados e têm sido revisitados por pesquisadores da comunicação da atualidade. [1]

Obras[editar | editar código-fonte]

Marshall McLuhan na Universidade de Cambridge, 1940.

McLuhan teve aproximadamente 15 obras publicadas, além de artigos acadêmicos. Concedeu várias entrevistas e chegou a participar de um filme do cineasta Woody Allen: Noivo neurótico, noiva nervosa, em 1977. Entre suas obras de maior destaque estão O Meio é a Mensagem, Guerra e Paz na Aldeia Global, A galáxia de Gutemberg e Os meios de comunicação como extensões do homem, seu primeiro livro de grande notoriedade.[2]

Seus conceitos popularizaram-se, sendo quase sempre expressos em frases curtas e de impacto, tais como a mais célebre de todas: "O meio é a mensagem".

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Os principais conceitos desenvolvidos por McLuhan como teórico da comunicação tem atingido uma grande aceitação entre estudantes e profissionais de diversas áreas. [3] .

McLuhan buscou compreender o que se passou na evolução do homem em seu esforço em desenvolver-se e adaptar o mundo às suas necessidades criando tecnologias que lhe aprimoraram os sentidos e o poder de formar culturas. Ele buscava entender os efeitos que as tecnologias desenvolvidas pelo homem tinham sobre os aspectos sociais e psicológicos.

McLuhan trouxe para a educação um novo enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação. “Uma rede mundial de computadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”.

"Em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorre fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excede, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares", explica McLuhan, em seu livro "Revolução na Comunicação".[4]

Evolução das mídias, linguagem e classificação dos meios[editar | editar código-fonte]

Neste conceito McLuhan analisa o processo comunicativo através de uma perspectiva evolutiva. Segundo o autor são três os períodos de evolução das mídias, sendo eles: civilização da oralidade, civilização da imprensa e civilização da eletricidade. [5] Na civilização da oralidade, a palavra era falada e as relações sociais eram tribalizadas. Na civilização da imprensa, que teve seu início marcado pelo surgimento da mesma, as relações sociais se destribalizaram. O surgimento da energia elétrica marca o início da civilização da eletricidade, e as relações sociais humanas passam a ser tribalizadas novamente, pois os meios de comunicação que surgiram permitem maior interação entre os indivíduos. Os conceitos de Meios quentes e Meios frios também foram elaborados por McLuhan. Segundo o pensamento de McLuhan, cada mudança na tecnologia em suas diversas etapas tem como conseqüência mudanças na estrutura da sociedade, essas mudanças ocorreriam ao acaso pois “o surgimento de uma tecnologia não ocorre por uma tentativa isolada do desenvolvimento técnico em si, mas sim por uma tentativa de transformar, reproduzir, e documentar as experiências do homem (MCLUHAN, 1974, cap. 6).” [2]

As extensões dos sentidos do homem[editar | editar código-fonte]

Segundo esse conceito desenvolvido por McLuhan, os meios são extensões dos sentidos dos homens, o que ele chamou de “prótese técnica”. Para exemplificar esse conceito podemos imaginar que a roda é uma extensão dos pés e da capacidade de locomoção, o telefone a ampliação da nossa fala, uma pinça é a extensão da mão que proporciona maior precisão ao pegar algo. A relação entre o homem e o meio é simbiótica, e é preciso considerar esse aspecto para compreender os processos de transformação na sociedade quando surge um novo sistema tecnológico.

"O meio é a mensagem"[editar | editar código-fonte]

"O meio é a mensagem" tornou-se a frase mais famosa de McLuhan. Nesse conceito McLuhan aborda as relações sinestésicas entre o meio e sentido explorado pela extensão. O meio deve ser analisado como "um conjunto de expressões que uma linguagem midiática pode decodificar ao ser apropriada por outro usuário".[2]

Aldeia Global[editar | editar código-fonte]

Nesse conceito McLuhan desenvolve a idéia de que, após as três eras midiáticas e os processos de tribalização, seguido da destribalização e retribalização, surge a Aldeia Global, que é um espaço de convergência, onde a evolução tecnológica permitiria em qualquer circunstância a comunicação direta e sem barreiras.

Esse conceito recebeu severas críticas e chegou a ser considerado utópico e paradisíaco à época. No entanto, com o advento da Internet, é possível verificar que a ideia de Aldeia Global é tangível. Apesar de o acesso à Internet não estar disponível para todos, a rede causou modificações em diversos aspectos do comportamento social como um todo.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • O Meio é a Mensagem
  • Aldeia Global
  • Os meios de comunicação como extensões do homem
  • A Galáxia de Gutenberg
  • Revolução na Comunicação

Referências

  1. SOMMER, Vera Lucia. Uma breve revisão do legado de McLuhan. 2005.
  2. a b c SOUZA PRADO, Renata. Marshall McLuhan - Obras e principais conceitos. Goiás, 2011.
  3. (Benedicto Silva, Da Galáxia de Gutenberg à Aldeia Global, pg. 1.)
  4. Ray L. Birdwhistell; Edmund Snow Carpenter; Marshall Mcluhan. Revolução na comunicação. Zahar; 1974.
  5. Marshall McLuhan. A Galáxia de Gutenberg: A Formação Do Homem Tipográfico. Companhia Editora Nacional; 1977.