Martins (Rio Grande do Norte)

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Município de Martins
"Princesa Serrana"
"Campos do Jordão do RN"
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Bandeira de Martins
Brasão de Martins
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 10 de novembro de 1841
Gentílico martinense
CEP 59800-000
Prefeito(a) Olga Fernandes de Queiroz (DEM)
(2013–2016)
Localização
Localização de Martins
Localização de Martins no Rio Grande do Norte
Martins está localizado em: Brasil
Martins
Localização de Martins no Brasil
06° 05' 16" S 37° 54' 39" O06° 05' 16" S 37° 54' 39" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Oeste Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Umarizal IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte: Umarizal e Viçosa
Sul: Antônio Martins e Serrinha dos Pintos
Leste: Lucrécia e Frutuoso Gomes
Oeste: Portalegre
Distância até a capital 380 km
Características geográficas
Área 169,464 km² [2]
População 8 706 hab. IBGE/2015[3]
Densidade 51,37 hab./km²
Altitude 703 m (RN: 2º)[4]
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,622 (RN: 55°) – médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 45 283 mil IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 5 460,45 IBGE/2012[6]
Página oficial
Prefeitura www.prefeiturademartins.com.br

Martins é um município brasileiro localizado no interior do estado do Rio Grande do Norte. Localizado a uma altitude de mais de 700 metros sobre o nível do mar e uma distância de 380 km da capital estadual, Natal, é considerada a "Princesa Serrana" ou a "Campos do Jordão do Rio Grande do Norte", devido ao seu clima e ar puro agradável em contraste com o clima semiárido de outras regiões do interior do estado.

Além da paisagem natural, Martins também é lembrada pelo seu festival gastronômico, considerado o maior festival em gastronomia de rua do Brasil[7] , pela Casa de Pedra, uma caverna com 100 metros de comprimento, e pela festa da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, que se realiza no final de dezembro e se estende até o início de janeiro.

Com uma economia baseada na agricultura, pecuária de leite e de corte e no ecoturismo, possui uma área territorial de 169 km² e, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no censo 2010 sua população era de 8 228 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Em 20 de julho de 1736, Aleixo Teixeira, capitão-mor da Aldeia de São João do Apodi dos Tapuias Paiacus (atual Apodi), recebeu a carta de data da sesmaria de terras no alto da serra conhecida como Serra do Campo Grande (assim chamada em virtude da proximidade da povoação de Campo Grande), posteriormente conhecida como Serra da Conceição. Seis anos depois, Francisco Martins Roriz, habitante da Ribeira do Jaguaribe, na capitania do Ceará-Grande, fundou, no alto da serra, uma capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição (atual Igreja do Rosário), tomando posse daquelas terras situadas entre os rios Apodi/Mossoró e Umari.[8]

Em 2 de novembro de 1840, é criada a paróquia de Martins, desmembrada da paróquia de Pau dos Ferros, tendo como primeiro pároco o padre Pedro José de Queiroz e Sá.[9] A criação da paróquia foi um dos marcos da emancipação política do município, que ocorreu em 10 de novembro de 1841, através da lei provincial nº 71, desmembrado de Portalegre, com o nome de Maioridade, tornando-se a segunda vila do extremo ocidental da província do Rio Grande do Norte, assim nomeada em homenagem à maioridade antecipada do Imperador Dom Pedro II, ocorrida no ano anterior.[8] Agostinho Pinto de Queiroz tornou-se o primeiro intendente municipal, ocupando o cargo por dois anos (1842-1844).[9]

A Comarca de Maioridade seria instalada em 1842, a terceira de toda a província, após as comarcas de Natal e Assu. Em 30 de outubro de 1847, Maioridade passa a ser denominado Imperatriz, em homenagem à D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, esposa de D. Pedro II e imperatriz do Brasil por quase meio século, desde 1843 até a queda do regime monárquico, em 1889. Através da lei provincial n° 35, sancionada pelo governador Pedro de Albuquerque Maranhão em 7 de julho de 1890, "Imperatriz" passa a ser definitivamente denominado de "Martins", em referência a Francisco Martins de Roriz.[8]

Quando emancipado, a área territorial do município ocupava quase metade do extremo oeste da província do Rio Grande do Norte e se limitava com Apodi a norte, a oeste com Portalegre e a sul e a leste com os municípios paraibanos de Sousa e Catolé do Rocha, respectivamente.[8] Com o passar do tempo, essa área foi encolhendo devido aos sucessivos desmembramentos para a criação de novos municípios, restando apenas 169 km². De Martins foram desmembrados os seguintes municípios: Patu (25 de setembro de 1890), parte de Alexandria (7 de novembro de 1930), Umarizal (ex-distrito de Divinópolis, desmembrado em 27 de novembro de 1958), Antônio Martins (ex-Demétrio Lemos, 8 de maio de 1963), Frutuoso Gomes (ex-Mineiro, 20 de dezembro de 1963), Lucrécia (27 de dezembro de 1963) e Serrinha dos Pintos (31 de outubro de 1993). Nos dias atuais, o município é formado administrativamente pelo distritos de Martins, onde se localiza a sede municipal, e Salva Vida, criado pela lei estadual nº 2792, datada de 11 de maio de 1962.[10]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Martins (em vermelho) e municípios limítrofes (em azul).

Martins está localizado na mesorregião do Oeste Potiguar e microrregião de Umarizal, estado do Rio Grande do Norte,[1] distante 380 km de Natal, capital estadual,[11] e 2 007 km de Brasília, capital federal.[12] Ocupa uma área territorial de 169,464 km²[2] e se limita a norte com Viçosa e Umarizal; a sul com Antônio Martins e Serrinha dos Pintos; a leste com Lucrécia e Frutuoso Gomes e a oeste com Serrinha dos Pintos e Portalegre.[13]

O relevo do município, com altitudes variando entre 400 e 800 metros, é constituído principalmente pelo Planalto da Borborema, formado por terrenos rochosos antigos provenientes do período Pré-Cambriano, com as serras de Bom Princípio, Macapá, Martins, Mundo Novo e dos Picos, bem como os serrotes Jacu e do Saquinho; além da Depressão Sertaneja, que compreende uma série de terrenos de menor altitude, de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi.[14] O ponto culminante de Martins é o Serrote Jacu, com altitude de 820 metros.[15] Martins está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, formados entre 1 bilhão e 2,5 bilhões de anos, assim como das rochas da Formação Serra de Martins, com idade de aproximadamente sessenta milhões de anos, originárias da idade Terciária inferior.[14] [16]

Vegetação da caatinga hiperxerófila e da floresta das serras, durante o período chuvoso.

Os tipos de solos do município são o latossolo vermelho amarelo, em áreas de relevo plano, com textura de argila e pouca fertilidade; os luvissolos ou solos bruno não cálcicos, pedregoso e característico de áreas onduladas, com nível de fertilidade entre médio a alto e textura formada por areia ou argila; e os neossolos ou solos litólicos eutróficos, de baixa profundidade, presente em áreas com relevo ondulado ou fortemente ondulado, além de ser altamente fértil e apresentar textura média.[14] [16]

Situado na bacia hidrográfica do Rio Apodi/Mossoró, os principais riachos são Corredor, Comissário, Forquilha, dos Picos e Sampaio. Os maiores reservatórios, com capacidade igual ou superior a cem mil metros cúbicos de água (m³), são Serrinha dos Pintos ou Valter Magno (1 472 000 m³), Lajes ou Serra Nova (1 200 000 m³), Ribeiro (873 000 m³) e Alívio (800 000 m³).[14] [16]

A formação vegetal mais comum é a caatinga hiperxerófila, de pequeno porte, sem folhas na estação seca. Entre as espécies mais encontradas estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus).[14] [16]

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados
em Martins por meses (EMPARN, 1911-presente)[17] [18]
Mês Acumulado Data Ref Mês Acumulado Data Ref
Janeiro 137,5 mm 26/01/2004 [19] Julho 75 mm 04/07/1989 [20]
Fevereiro 157,8 mm 22/02/1963 [21] Agosto 70 mm 26/08/2009 [22]
Março 150 mm 26/03/1943 [23] Setembro 44 mm 18/09/1974 [24]
Abril 168 mm 06/04/1955 [25] Outubro 95 mm 24/10/2010 [26]
Maio 170 mm 11/05/2009 [27] Novembro 115 mm 30/11/1978 [28]
Junho 105 mm 25/06/1994 [29] Dezembro 90,2 mm 13/12/2000 [30]

Segundo o Ministério da Integração Nacional, Martins está incluído na área geográfica de abrangência do clima semiárido brasileiro, definida em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.[31]

Levando-se em conta apenas o índice pluviométrico, que ultrapassa 1 100 milímetros (mm) anuais, e a sua localização em serra, Martins apresenta características de clima tropical chuvoso com estação seca,[14] com temperaturas médias amenas que podem chegar aos 15 °C no inverno, em contraste com as regiões semiáridas vizinhas, conferindo-lhe as alcunhas de "Campos do Jordão do Rio Grande do Norte" e "Princesa Serrana".[32] [33] As chuvas se encontram entre fevereiro e maio, sendo março o mês de maior precipitação (287 mm).[34]

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de precipitação (chuva) em 24 horas registrado em Martins foi de 170 mm em 15 de maio de 2009.[27] Alguns outros grandes acumulados foram 168 mm em 6 de abril de 1955,[25] 157,8 mm em 22 de fevereiro de 1963,[21] 156 mm em 20 de abril de 1972[35] e 150 mm nos dias 15 de abril de 1982[36] e 26 de março de 1943.[23] O mês mais chuvoso foi abril de 1985, quando foram registrados 811,2 mm.[37]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Martins Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 28,8 28 27,1 26,7 26,2 26,1 26,5 27,5 28,6 29,2 29,4 29,2 27,8
Temperatura média (°C) 23,7 23,3 22,8 22,5 22 21,4 21,3 21,9 22,9 23,3 23,8 23,8 22,7
Temperatura mínima média (°C) 18,6 18,6 18,5 18,3 17,8 16,8 16,2 16,4 17,2 17,5 18,2 18,5 17,7
Precipitação (mm) 99 165 287 279 127 67 43 9 7 5 11 28 1 127
Fonte: Climate Data.[34]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 16 006
1900 7 562
1920 15 118 99,9%
1940 18 021 19,2%
1950 21 581 19,8%
1960 20 728 -4,0%
1970 11 907 -42,6%
1980 13 075 9,8%
1991 12 299 -5,9%
2000 7 725 -37,2%
2010 8 218 6,4%
Est. 2015 8 706 [3] 12,7%
Fonte: IBGE (1872-2010).[39] [40]

A população de Martins no censo demográfico de 2010 era de 8 218 habitantes, sendo o 80º município mais populoso do Rio Grande do Norte e apresentando uma densidade populacional de 48,49 km².[40] Desse total, 5 036 habitantes viviam na zona urbana (61,28%) e 3 182 na zona rural (38,72%). Ao mesmo tempo, 4 175 pessoas eram do sexo feminino (50,8%) e 4 043 do sexo masculino (49,2%), tendo uma razão de sexo de 96,84.[41] [42] Quanto à faixa etária, 5 334 pessoas tinham entre 15 e 64 anos (65,55%), 1 975 menos de 15 anos (24,03%) e 906 65 anos ou mais (11,02%).[43] Ainda segundo o mesmo censo, a população era formada por 4 267 pardos (51,92%), 3 577 brancos (43,52%), 371 pretos (4,51%) e três indígenas (0,04%).[44]

Considerando-se a nacionalidade, toda população municipal era de brasileiros natos.[45] Em relação à região de nascimento, 8 066 eram nascidos na Região Nordeste (98,16%), 130 no Sudeste (1,59%), 12 no Centro-Oeste (0,15%) e dois no Norte (0,03%), além de seis sem especificação (0,08%). 7 863 habitantes eram naturais do Rio Grande do Norte (95,67%) e, desse total, 6 797 nascidos em Martins (82,71%). Entre os naturais de outras unidades da federação, havia 115 paraibanos (1,39%), cem paulistas (1,22%), 64 cearenses (0,78%), trinta fluminenses (0,37%), doze maranhenses (0,14%), oito goianos (0,1%), sete baianos (0,08%), seis piauienses (0,08%), quatro brasilienses (0,05%) e dois rondonianos (0,03%).[46] [47] Para 2015, a estimativa populacional é de 8 706 habitantes.[3]

O Índice de Desenvolvimento Humano do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,622, sendo o 55º maior do Rio Grande do Norte e o 3 653° do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,772, o valor do índice de renda é de 0,580 e o de educação é de 0,538.[5] De 2000 a 2010, o índice de Gini passou de 0,59 para 0,49 e a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até 140 reais caiu de 60,8% para 35,3%, apresentando uma redução de 41,9%. Em 2010, 64,7% da população vivia acima da linha de pobreza, 20,4% abaixo da linha de indigência e 14,9% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 51,3% do rendimento total municipal, valor mais de 23 superior à dos 20% mais pobres, que era de apenas 2,2%.[43] [48]

Religião[editar | editar código-fonte]

Templo da Congregação Cristã do Brasil, uma das denominações evangélicas presentes no município.

Conforme a divisão oficial da Igreja Católica no Brasil, o município está inserido na Diocese de Mossoró, Zonal do Médio Oeste. A paróquia de Martins, criada em 2 de novembro de 1840, tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição e também abrange os municípios de Antônio Martins, Frutuoso Gomes e Serrinha dos Pintos, possuindo 28 comunidades (treze em áreas urbanas e quinze na zona rural), sete delas localizadas em Martins (cinco na zona urbana e duas em áreas rurais).[49] [9] No censo de 2010 o catolicismo romano era a religião da maioria da população, com 6 765 adeptos, ou 82,32% dos habitantes.[50]

Martins também possui alguns os credos protestantes ou reformados. Em 2010, 1 125 habitantes se declararam evangélicos (13,69%), sendo que 557 pertenciam às igrejas pentecostais (6,77%), 220 às de missão (2,68%) e 348 a evangélicas indeterminadas (4,24%). Considerando-se apenas as igrejas pentecostais, 487 pertenciam à Assembleia de Deus (5,92%), 23 à Congregação Cristã do Brasil (0,28%), dezenove à Igreja Universal do Reino de Deus (0,23%) e cinco ao Evangelho Quadrangular (0,06%), além de 23 pertencentes a outras categorias (0,28%). Em relação às evangélicas de missão, havia 108 batistas (1,31%), 61 adventistas (0,74%) e 51 presbiterianos (0,62%).[50]

Além do catolicismo romano e do protestantismo, também existiam 51 testemunhas de Jeová (0,62%), quarenta espíritas (0,49%) e seis budistas (0,07%). Outros 222 não possuíam religião (2,7%), dentre os quais quatro ateus (0,05%), e oito pertenciam a outras religiosidades cristãs (0,1%).[50]

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio Combatente Manoel Lino de Paiva, onde se localiza a prefeitura de Martins, a sede do poder executivo municipal.

O poder executivo do município de Martins é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários e eleito pelo voto direto para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito para um segundo mandato consecutivo.[51] [52] O primeiro prefeito municipal foi José Elinas dos Santos, eleito em setembro de 1928 e empossado em janeiro de 1929,[9] e a atual é Olga Chaves Fernandes de Queiroz Figueiredo (DEM), que foi eleita nas eleições municipais de 2012, assumindo em 2013,[53] tendo como vice Flávia Tavares Lamas Chaves Fernandes.[54]

O poder legislativo é exercido pela Câmara Municipal, formada por nove vereadores eleitos para mandatos quadrienais.[52] Na atual legislatura, iniciada em 2013, a casa legislativa é constituída por duas cadeiras do Partido Social Democrático (PSD), duas do Democratas (DEM), uma do Partido Progressista (PP), uma do Partido da República (PR), uma do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), uma do Partido Popular Socialista (PPS) e uma do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).[55] Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).[52]

Em complementação ao processo legislativo e ao trabalho das secretarias, existem alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Direito da Criança e do Adolescente, Desenvolvimento Rural, Educação, FUNDEB, Saúde, Trabalho/Emprego, Turismo e Tutelar.[14] Martins se rege por sua lei orgânica, promulgada em 3 de abril de 1990,[14] e é sede de uma comarca de segunda entrância, cujos termos são Antônio Martins e Serrinha dos Pintos.[56] De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o município possuía, em dezembro de 2014, 6 872, o que representa 0,295% do eleitorado estadual.[57]

Economia[editar | editar código-fonte]

Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Martins em 2012 era de R$ 45 283 mil, dos quais 37 090 mil do setor terciário, R$ 4 030 mil do setor secundário, R$ 2 632 mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e R$ 1 532 mil do setor primário. O PIB per capita era de R$ 5 460,45.[6]

Agência do Banco do Brasil, na Rua Desembargador Hemetério Fernandes.

Em 2013 o município possuía um rebanho de 10 160 galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), 2 330 bovinos, 950 suínos, 454 caprinos, 412 ovinos e 132 equinos.[58] Na lavoura temporária de 2013 foram produzidos mandioca (160 t), batata-doce (32 t), milho (9 t) e feijão (6 t),[59] e na lavoura permanente coco-da-baía (oito mil frutos), castanha de caju (142 t), banana (60 t) e goiaba (30 t).[60] Ainda no mesmo ano o município também produziu 362 mil litros de leite de 584 vacas ordenhadas; dezoito mil dúzias de ovos de galinha e 2 515 quilos de mel de abelha.[58] Das poucas indústrias que existem em Martins, destacam-se as de transformação da cana-de-açúcar, castanha de caju, farinha, polpas e sucos de frutas.[15]

Em 2010, considerando-se a população municipal com idade igual ou superior a dezoito anos, 48,7% era economicamente ativa ocupada, 44,2% inativa e 7,1% ativa desocupada. Ainda no mesmo ano, levando-se em conta população ativa ocupada a mesma faixa etária, 39,34% trabalhavam na agropecuária, 38,06% no setor de serviços, 14,02% no comércio, 4,68% na construção civil, 2,28% em indústrias de transformação e 0,55% na utilidade pública.[43] Conforme a Estatística do Cadastral de Empresas de 2013, Martins possuía 109 unidades (empresas) locais, 108 delas atuantes. Salários juntamente com outras remunerações somavam 8 630 mil reais e o salário médio mensal de todo o município era de 1,5 salários mínimos.[61]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Martins possuía, em 2010, 2 403 domicílios, 1 487 na zona urbana (61,88%) e 916 na zona rural (38,12%). Desse total, 1 794 eram próprios (74,66%), dos quais 1 788 quitados (74,41%) e seis em processo de aquisição (0,25%); 312 cedidos (12,98%), 44 por empregador (1,83%) e 268 de outra(s) forma(s) (11,15%) e 294 alugados (12,23%). Outros três eram ocupados de outra(s) maneiras (0,12%).[62]

O serviço de abastecimento de água do município é feito pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN).[63] Em 2010 1 753 domicílios eram abastecidos pela rede geral (72,95%); 522 através de poços (21,73%); dez por carro-pipa ou água da chuva (4,16%); dezenove por meio de rio, açude, lago ou igarapé (0,79%) e nove de outras formas (0,37%).[64] A empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica em Martins é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN).[65] A voltagem da rede é de 220 volts.[66] Do total de domicílios, 2 395 possuíam energia elétrica (99,67%), dos quais 2 385 através da distribuidora (99,25%) e dez de outra(s) fonte(s) (0,42%).[67] O lixo era coletado em 1 626 domicílios (67,67%), 1 042 por caçamba (43,36%) e 584 pelo serviço de limpeza (24,3%).[68]

A frota municipal em 2014 era de 1 036 motocicletas, 421 automóveis, 263 motonetas, 135 caminhonetes, 45 caminhões, quatorze camionetas, treze micro-ônibus, sete ônibus, três caminhões trator, dois utilitários, além de treze em outras categorias, totalizando 1 952 veículos.[69] Martins é cortado pela RN-117, que começa em Mossoró e atravessa vários municípios da região oeste do estado, até se encontrar com a BR-405, depois de Paraná, ligando Martins a municípios vizinhos.[70]

O código de área (DDD) de Martins é 084[71] e o Código de Endereçamento Postal (CEP) é 59800-000.[72] Desde 10 de novembro de 2008 o município é servido pela portabilidade, juntamente com outras cidades de DDDs 33 e 38, em Minas Gerais; 44, no Paraná; 49, em Santa Catarina; além de outros municípios com código 84, no Rio Grande do Norte.[73] Conforme dados do censo de 2010, do total de domicílios, 1 570 tinham somente telefone celular (65,32%), 306 possuíam celular e fixo (12,74%) e 106 apenas telefone fixo (4,43%).[74]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Maternidade Dr. Manoel Vilaça

A rede de saúde de Martins dispunha, em 2009, de oito estabelecimentos, seis públicos e dois privados, com um total de 27 leitos para internação.[75] Em 2014, foram registrados treze óbitos nas unidades de saúde do município (dez em homens e três em mulheres), nove por motivo de doença (quatro no sistema respiratório, duas no sistema circulatório, uma no sistema digestório, uma por infecção e/ou paralisia e uma no período perinatal) e quatro por neoplasias (tumores).[76] Martins pertence à VI Unidade Regional de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (URSAP-RN), sediada em Pau dos Ferros.[77]

Segundo dados do Ministério da Saúde, doze casos de AIDS foram registrados em Martins entre 1990 e 2012 e, entre 2001 e 2011, foram notificados 150 casos de dengue e um de leishmaniose.[78] Em 2010, a expectativa de vida ao nascer do município era de 71,31 anos, com um índice de longevidade de 0,772. A taxa de fecundidade era de 2,1 filhos por mulher e a taxa de mortalidade infantil de 22,9 por mil nascidos vivos.[43] Em abril do mesmo ano, a rede profissional de saúde era constituída por dezoito auxiliares de enfermagem, oito médicos, oito técnicos de enfermagem, três enfermeiros, três cirurgiões-dentistas, um fisioterapeuta, um farmacêuticos e um técnico de enfermagem, totalizando 35 profissionais.[79]

Educação[editar | editar código-fonte]

O fator "educação" do IDH no município atingiu em 2010 a marca de 0,538,[43] ao passo que a taxa de alfabetização da população acima dos dez anos indicada pelo último censo demográfico do mesmo ano foi de 82% (87,7% para as mulheres e 76,1% para os homens).[80] Ainda em 2010, Martins possuía uma expectativa de anos de estudos de 9,56 anos, valor acima da média estadual (9,54 anos).[43] A taxa de conclusão do ensino fundamental, entre jovens de 15 a 17 anos, era de 47,7%, enquanto o percentual de conclusão do ensino médio (18 a 24 anos), de 34,3%. Em 2014, a distorção idade-série entre alunos do ensino fundamental, ou seja, com com idade superior à recomendada, era de 15,5% para os anos iniciais e 36,8% nos anos finais, enquanto no ensino médio essa defasagem era de 54,6%.[81]

No censo de 2010, de toda a população municipal, 2 567 frequentavam creches ou escolas, sendo 2 292 na rede pública de ensino (89,29%) e 275 em redes particulares (10,71%). Desse total, 1 295 cursavam o regular do ensino fundamental (50,46%), 371 o regular do ensino médio (14,43%), 312 o pré-escolar (12,15%), 193 cursos superiores de graduação (7,5%), 130 a educação de jovens e adultos do ensino fundamental (5,06%), 115 classes de alfabetização (4,47%), 61 a alfabetização de jovens e adultos (2,37%), 56 estavam em creches (2,17%) e dezesseis na especialização de nível superior (0,64%).[82] Levando-se em conta o nível de instrução da população com idade superior a dez anos, 4 566 não possuíam instrução e fundamental incompleto (65,56%), 1 196 médio completo e superior incompleto (17,17%), 1 001 fundamental completo e médio incompleto (14,38%) e 202 superior completo (2,9%).[83] Em 2012 Martins possuía uma rede de quinze escolas de ensino fundamental (com 79 docentes), sete do pré-escolar (quatorze docentes) e duas de ensino médio (21 docentes).[84]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

A Casa de Pedra (ao meio) vista do Mirante do Canto.
Entrada do Hotel Serrano.

Martins destaca-se no turismo, com seu clima agradável, sendo um dos municípios mais visitados do Rio Grande do Norte, possuindo mirantes, praças e outros lugares históricos. O município abriga a Casa de Pedra, localizada na Fazenda Trincheira e a segunda maior caverna do Brasil em mármore (a primeira está em Campo Formoso, na Bahia), com cem metros de comprimento e formações de estalactites e estalagmites, onde também podem ser encontrados fósseis pré-históricos. A sala principal possui dezoito metros de comprimento por doze de largura, cujo teto mede dez metros.[85] [86]

O município abriga três museus, sendo eles o Memorial Manoel Lino de Paiva, cujo nome faz referência a um soldado de mesmo nome natural de Martins que participou da Batalha de Montese (Itália, 1945), ao final da Segunda Guerra Mundial, abrigando um acervo biográfico sobre o soldado e outras personalidades martinenses que também lutaram contra o nazifascismo europeu; Museu Cultural Demétrio Lemos, cujo acervo foi doado por Demétrio Lemos ao Grupo Escolar Almino Afonso, com estátuas no estilo Art nouveau, decorações artísticas e uma biblioteca literária; e o Museu Histórico de Martins, que pertence ao Instituto Histórico e Cultural de Martins e está situado no edifício PAX, tendo sido criado em 20 de dezembro de 1955 e contando com bibliotecas, exposições e galerias, além do setor de arqueologia, vindo da Casa de Pedra.[85] [86]

Entre os atrativos naturais estão, além da Casa de Pedra, a Cachoeira de Umarizeira; as pedras Rajada e do Sapo, as grutas Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o pôr do sol do Diadema. Outros atrativos turísticos de Martins são a Capela Nossa Senhora do Rosário, a Casa de Agá Fernandes, a Escola Estadual Almino Afonso, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (sede da paróquia), o Largo Raimundo Nonato, o Nicho Ecológico Nossa Senhora do Livramento e a Praça Almino Afonso.[85] Há ainda os mirantes da Carranca, do Canto e Mãe Guilé, de onde se podem avistar paisagens de localidades vizinhas, bem como os hotéis "Chalé Lagoa dos Ingás", "La Chart Hotel" e "Serrano".[87]

Eventos[editar | editar código-fonte]

Praça Almino Afonso, onde ocorre o Festival Gastronômico de Martins.

Um dos principais eventos culturais do município é o Festival de Gastronomia e Cultura de Martins, realizado anualmente desde 2004 na Praça Almino Afonso. Ocorre geralmente no final do mês de julho ou no início de agosto, época mais fria do ano, recebendo restaurantes de várias localidades que servem vários práticos do seu local de origem e contando também apresentações de bandas musicais, grupos teatrais e exposições artísticas.[88] [89] [90]

Entre os dias 27 de dezembro e 6 de janeiro ocorrem as festividades da padroeira Nossa Senhora da Conceição, reunindo milhares de fiéis da região e ainda de outros estados, com a realização de novenas e missas em homenagem à aparição mariana e terminando com a procissão por algumas ruas da cidade, além da apresentação de bandas católicas e de outros estilos.[91]

O Carnaval na Serra é realizado em data móvel, em fevereiro ou março, com duração de cinco dias de folia, em antecedência ao início da Quaresma.[92] No mês de junho destacam-se as festas juninas, como o Arraiá na Serra, com apresentações de quadrilhas, danças folclóricas e animações de bandas de forró,[93] bem como o encontro dos motociclistas. Outros eventos culturais realizados no município são o Ano-Novo, a festa dos Santos Reis (no final da festa da padroeira), a Semana Santa, o Festival do Fondue nos hotéis Chalé Lagoa dos Ingás e Serrano, Corpus Christi, a festa de Nossa Senhora do Rosário de Lagoa Nova (segunda quinzena de agosto), as cavalgadas "das Serras" (que ocorre no mês de agosto e consiste em um percurso de 42 quilômetros de Patu até Martins) e do "Abraço de Maria" (que parte do Rancho Beatriz, em Serrinha dos Pintos, percorrendo dez quilômetros até Martins, em dezembro), Finados, a festa de emancipação política (em 10 de novembro) e as comemorações natalinas.[94]

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Segundo a Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (AMPERN), em Martins há dois feriados municipais, que são os dias 6 de janeiro, dia dos Santos Reis, e 10 de novembro, data de emancipação política do município.[95]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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