Massacre de Srebrenica

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Batalha de Srebrenica e Žepa
Parte da Guerra da Bósnia
Srebrenica massacre memorial gravestones 2009 1.jpg
Data 11 de julho – 25 de julho de 1995
Local Bósnia e Herzegovina
Desfecho Bombardeios da OTAN na Bósnia em 1995
Beligerantes
Flag of the Republika Srpska.svg Republika Srpska
  • Décimo Destacamento de Sabotaje
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg Bósnia e Herzegovina
Países Baixos Países Baixos
Comandantes
Flag of the Republika Srpska.svg Ratko Mladić
Flag of the Republika Srpska.svg Radislav Krstić
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg Ramiz Bećirović (defesa de Srebrenica)
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg Ejub Golić (retiro 28 ª Divisão em Tuzla)
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg Avdo Palić (Žepa)
Países Baixos Ton Karremans
Forças
Flag of the Republika Srpska.svg 9450 soldados[2]
  • 300 mercenários
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg 5.500-6.000 (Srebrenica)
Flag of Bosnia and Herzegovina (1992–1998).svg 1.500 (Žepa)
Países Baixos Pacificador e 2 F-16
Baixas
Mais de 50 mortos
mais de 150 feridos
2 000 mortos[3]
35 632 e 12 000 desalojados (de Srebrenica e Žepa, na Bósnia)
700-800 refugiados (de Srebrenica, na Sérvia)[4][5]
1 000 e 1 500 prisioneiros de guerra (em Srebrenica e Žepa)
Desde abril de 1995, Comandante 28 ª Divisão Naser Orić estava em Tuzla

Massacre de Srebrenica foi o assassinato, de 11 a 25 de julho de 1995 de até 8.373 bósnios muçulmanos, variando em idade de adolescentes a idosos, na região de Srebrenica, pelo Exército Bósnio da Sérvia, sob o comando do General Ratko Mladić e com a participação de uma unidade paramilitar sérvia conhecida como "Escorpiões".

Considerado um dos eventos mais terríveis da história recente, o massacre de Srebrenica é o maior assassinato em massa da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro caso legalmente reconhecido de genocídio na Europa depois do Holocausto.

Massacre[editar | editar código-fonte]

Exumações em Srebrenica em 1996.

O massacre começou quando tropas sérvias invadiram Srebrenica, e a população local buscou abrigo num complexo da ONU. Porém, dois dias depois, as forças neerlandesas da missão de paz da ONU, que estavam em menor número e não tiveram resposta quando pediram reforço a ONU, em Genebra,[6] cederam às pressões das tropas de Mladic e forçaram milhares de famílias muçulmanas a deixar o local. Os invasores sérvios, então, organizaram os muçulmanos por gênero, enviando os homens para a execução. Os corpos eram depositados em valas comuns feitas às pressas.[7]

Cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos. Também houve denúncias de estupros, seguidos de assassinatos, de mulheres e crianças. Nas palavras do juiz Fouad Riad, em novembro de 1995, ao indiciar Ratko Mladić in absentia, por genocídio em Srebrenica, no tribunal de crimes de guerra de Haia, havia evidências de uma "inimaginável selvageria: milhares de homens executados e enterrados em valas comuns, centenas de homens enterrados vivos, homens e mulheres mutilados e massacrados, crianças mortas diante das mães morrendo de fome,sede e infecções como Cólera, um avô obrigado a comer o fígado de seu próprio neto".[8][9]

Resposta[editar | editar código-fonte]

Procedimentos legais[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia - ICTY), ao tentar eliminar uma parte da população bósnia, as forças sérvias cometeram genocídio. Pretendiam o extermínio dos 40 mil bósnios que viviam em Srebrenica, um grupo emblemático dos bósnios em geral. Os sérvios não aceitam a acusação de genocídio e afirmam que, no mesmo período, houve também, na região de Srebrenica, milhares de vítimas sérvias que são sistematicamente ignoradas pela comunidade internacional.[10]

Em 6 de setembro de 2013, dezoito anos depois do massacre, a Suprema Corte dos Países Baixos decidiu que o país era responsável pelas mortes de três muçulmanos bósnios durante o massacre de 1995, embora as forças neerlandesas fizessem parte de uma missão de paz da ONU.[11]

Radovan Karadžić (esquerda), ex-presidente da República Srpska, e Ratko Mladić (direita), ex-Chefe do Exército da República Srpska.

A advogada de direitos humanos Liesbeth Zegveld, que representou as famílias bósnias, considerou a decisão como histórica, por estabelecer que países envolvidos em missões da ONU podem ser legalmente responsáveis por crimes, ou seja, abriu-se um precedente notável, no longo histórico de imunidade da organização.[7] "[A decisão] estabelece que forças de paz (ou a ONU) não podem operar num vácuo legal, onde não existe prestação de contas ou reparação para as vítimas ", como tinha sido até agora. Zegveld declarou que tem havido demasiada ocultação pelas Nações Unidas, graças ao "muro da imunidade". Segundo ela, a sentença "diz claramente que países envolvidos em missões da ONU podem ser responsabilizados por crimes" que nem sempre estarão "acobertados pela bandeira ONU".[11]

Em 8 de julho de 2015, a Rússia vetou a resolução do Conselho de Segurança da ONU que classificava o massacre de Srebrenica como genocídio. Durante a votação, China, Nigéria, Angola e Venezuela abstiveram-se, enquanto os restantes dez membros do Conselho mostraram-se favoráveis ao reconhecimento do massacre de Srebrenica como genocídio.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Massacre de Srebrenica
  • Brunborg, H., Lyngstad, T.H. and Urdal, H. (2003): Accounting for genocide: How many were killed in Srebrenica? European Journal of Population, 19(3):229–248. doi:10.1023/A:1024949307841
  • Honig, Jan Willem. "Strategy and genocide: Srebrenica as an analytical challenge." Southeast European and Black Sea Studies 7.3 (2007): 399–416.
  • David MacDonald, (University of Otago). Globalizing the Holocaust: A Jewish ‘useable past’ in Serbian Nationalism (PDF), Portal Journal of Multidisciplinary International Studies Vol. 2, No. 2 July 2005 ISSN 1449-2490
  • Miller, Paul B. "Contested memories: the Bosnian genocide in Serb and Muslim minds." Journal of Genocide Research 8.3 (2006): 311–324.
  • Mulaj, Klejda. "Genocide and the ending of war: Meaning, remembrance and denial in Srebrenica, Bosnia." Crime, Law and Social Change 68.1-2 (2017): 123-143. online
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