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Massacre de Wad Al-Noura

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O massacre de Wad Al-Noura ocorreu em 5 de junho de 2024, durante a Guerra Civil Sudanesa, quando as Forças de Apoio Rápido atacaram duas vezes o vilarejo de Wad Al-Noura no estado de Al-Jazirah, Sudão, matando pelo menos 150 civis. O massacre ocorreu depois que as Forças de Apoio Rápido sitiaram e abriram fogo contra os habitantes.

Localização geográfica

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O vilarejo de Wad Al-Noura está localizado no estado de Al-Jazirah, no sudeste do Sudão. A localidade situa-se na zona de influência económica da capital, Cartum.[1]

Guerra Civil Sudanesa

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Em Abril de 2023, após uma tentativa de tomada do poder no Sudão pelas Forças de Apoio Rápido, lideradas por Mohamed Hamdan Dagalo, eclodiu uma guerra civil entre esta força paramilitar e o exército regular sudanês, defendendo o governo em vigor (liderado pelo General Abdel Fattah al-Burhan). Segundo uma autoridade diplomática estadunidense, o conflito causou 150 mil mortes em pouco mais de um ano.[2]

Durante a guerra, as Forças de Apoio Rápido foram repetidamente acusadas de pilhagens, massacres e violência sexual[3] e étnica.[2] Na cidade de Geneina em particular, esta unidade paramilitar é acusada de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, após a morte de 10.000 a 15.000 civis.[4] Por seu lado, a organização de direitos humanos Human Rights Watch afirma que as Forças de Apoio Rápido estão a “cometer genocídio”.[1] Tais acusações também são feitas contra forças governamentais.[2]

Na sequência de um massacre anterior cometido em Dezembro de 2023 na região de Wad Al-Noura, o exército sudanês decidiu fornecer armas ligeiras aos habitantes locais para poderem reagir aos ataques do grupo paramilitar.[2]

Curso dos acontecimentos

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Os comitês de resistência civil relatam que depois de se posicionarem no gabinete de Al-Nala, nos arredores do vilarejo, as Forças de Apoio Rápido desencadearam intensos bombardeamentos e disparos de armas pesadas sobre a localidade.[5] A Força Aérea Sudanesa dispersou as Forças de Apoio Rápido e forçou-as a recuar para o bairro vizinho, Al-Ashra.

Depois disso, os paramilitares reuniram várias dezenas de veículos e regressaram aos arredores de Wad Al-Noura para cercar e sitiar o vilarejo.[6] Segundo um morador de Wad Al-Noura, cerca de trinta picapes ocupadas por combatentes das Forças de Apoio Rápido realizaram o ataque.[1]

Depois de encontrar uma forte resistência dos locais, apesar do desequilíbrio nas armas, a milícia entrou no vilarejo através do hospital. Em seguida, saquearam veículos, estabelecimentos comerciais e diversas residências, cortaram o acesso à internet e distribuíram os seus soldados nos telhados da mesquita. A partir dessas posições, atacam aleatoriamente os moradores com suas armas de fogo, a maioria deles desarmados. A sede do comité de resistência também foi invadida e vários milicianos, mal equipados e treinados, foram mortos.[1]

Nenhum reforço das Forças Armadas Sudanesas chegou ao local após o início da segunda investida.[5]

Outras fontes afirmam que as vítimas foram causadas por bombardeamentos com armas pesadas.[7]

Reações

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O Secretário-Geral das Nações Unidas, através do seu porta-voz Stéphane Dujarric, repudia o acontecimento e apela ao fim da violência contra os civis.[1] A União Africana condena o que descreve como um “massacre”, alerta para os riscos de fome que pairam sobre a população sudanesa e, além disso, pede para “acabar de uma vez por todas” com a guerra.[8]

Os Estados Unidos também condenam os massacres, desejando que as Forças de Apoio Rápido “seja responsabilizada”.[2]

Referências