Mastocitose

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Mastocitose
Micrografia de uma mastocitose. Biopsia da pele. Coloração H&E.
Especialidade oncologia
Classificação e recursos externos
CID-10 Q82.2, D89.40, D47.09
ICD-O: 9741/3
OMIM 154800
DiseasesDB 7864
eMedicine derm/258 med/1401
MeSH D008415
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Mastocitose Sistêmica (systemic mastocytosis) é a nomenclatura que define um grupo de doenças caracterizadas pela proliferação e acúmulo de mastócitos em vários órgãos, além de diversos tecidos do corpo.[1][2]

O subtipo mais frequente em crianças, especialmente do sexo masculino, é a urticária pigmentosa, que se caracteriza por lesões cutâneas que produzem prurido e inflamação ao contato, inclusive com ardor, como por exemplo uma queimadura produzida por fogo em alguns casos. Nos adultos a forma mais comum é a mastocitose sistêmica indolente, que afeta a pele e outros órgãos.[3]

Os sintomas são variáveis; o mais frequente é o ardor na pele, sendo mais raro o ardor e vermelhidão em partes do corpo, tais como o rosto, as orelhas, as mãos, o nariz, as pálpebras, o peito e os pés. Em consequência, a dor similar a uma queimadura poderá surgir nesses locais previamente mencionados, como também em vários ao mesmo tempo. Existem outros sintomas associados a outros tipos de mastocitose, como diarreia e dor abdominal. Dessa forma, é necessário que tanto o paciente como o médico saibam distinguir os sintomas de caráter sistêmico nos órgãos internos pois, embora esses muitas vezes não estejam relacionados com a mastocitose cutânea podem existir situações em que sejam coincidentes à doença.

A maior parte das mastocitoses dos adultos com lesões na pele têm um bom prognóstico. Apesar de não constituir uma alergia, seu tratamento médico costuma ser com anti-histamínico.

A mastocitose é uma doença definida pelo crescimento anormal e a acumulação de mastócitos. Na classificação da OMS de 2001, distinguiu-se entre processos bem próximos na pele (mastocitose cutânea) ou bem acumulados a nível de outros tecidos - medula óssea e/ou outros órgãos extracutâneos, como nos ossos, fígado, baço ou gânglios linfáticos - (mastocitose sistêmica), atingindo 70% afetação óssea, com padrão osteolítico ou osteoblástico, seguida de 50% de hepatoesplenomegalia. A sintomatologia mais comum nestes é a afetação da pele por urticária pigmentosa (mais frequente na infância) ou telangiectasia macularis pertans (mais frequente em adultos). Os mastócitos podem estar enclausurados por muito tempo, com exames clínicos que provem, sendo os níveis de triptase o reflexo da carga tumoral.

Diagnóstico

O diagnóstico das diferentes formas cutâneas usualmente é clínico. O signo de Darier, caracterizado por vermelhidão da lesão com o atrito suave está usualmente presente e é altamente específico para esta entidade. A biopsia da pele contribui a confirmar o diagnóstico, ao evidenciar o infiltrado de mastócitos. A coloração de azul de toluidina e a imuno-histoquímica (triptase e CD117) são úteis para diferenciar os mastócitos de outras células com grânulos citoplasmáticos. Para o diagnóstico de mastocitose sistêmica é necessário evidenciar a hiperplasia mastocitária em outro tecido além da pele (medula óssea, trato gastrointestinal, fígado, baço e gânglios linfáticos). Também pode contribuir ao diagnóstico a determinação de altos níveis plasmáticos e urinários de histamina ou N-metil histamina e seus metabolitos, prostaglandinas D2, triptase e heparina. Os níveis destes metabólitosmetabolitos correlacionam-se com o grau sistêmico da doença e contribuem ao rastreamento do paciente. Os níveis de histamina ajudam a identificar meninos com risco de úlcera gastrointestinal. Os níveis urinários de histamina são mais sensíveis que a histamina sérica e se correlacionam ao grau de compromisso da medula óssea. Recentes estudos têm reportado que a determinação dos níveis de triptase são úteis no rastreamento dos pacientes com mastocitose sistêmica. Os níveis séricos de triptase na mastocitose cutânea é menor de 20 ng/ml na maioria dos casos. Os exames recomendados incluem hematologia completa, química sanguínea, enzimas hepáticas e níveis de mediadores de mastócitos (N-metil histamina ou triptase). Outros estudos de extensão para avaliar o compromisso sistêmico só é indicado aos pacientes que têm evidência clínica de compromisso sistêmico ou anormalidades em sangue periférico (anemia, trombócitopenia, leucopenia, leucocitose, eosinofilia, basofilia e em alguns casos mastócitos circulantes). Deve-se-lhe realizar biópsia da medula óssea para descartar a associação com doença hematológica.

Tratamento

Os sintomas gerais das mastocitoses ocorrem com a degranulação dos mastócitos, pelo que é importantíssimo insistir ao paciente e a sua família sobre a necessidade de seguir os conselhos do Caderno de informação do paciente com mastocitose, evitando todas aquelas situações ou substâncias reconhecidas como indutores desta degranulação mastocitária.

Estímulos físicos

  • Exercícios
  • Atrito da pele
  • Banhos quentes ou frios (mudanças extremas de temperatura)
  • Bebidas quentes, comidas picantes e álcool

Fármacos

  • Aspirina
  • AINE
  • Codeína
  • Morfina
  • Relaxantes musculares
  • Polimixina B
  • Tiamina
  • Quinina
  • Tubocuramina
  • Escopolamina
  • Procaína
  • Opiáceos

Outras situações ou substâncias que poderiam desencadear a doença

  • Raios X
  • Polímeros de alto peso molecular endovenosos (dextrano)
  • Estresse emocional
  • Toxinas bacterianas
  • Picadas de medusa e insetos (mosquitos,vespas e abelhas)
  • Ingestão de caranguejo e lagosta
  • Ascaris

Anti-histamínicos usados para tratar as mastocitose

O tratamento médico das mastocitose é sintomático e não muda o curso da doença, ainda que se reportaram casos nos que a doença se cura em meninos ou adultos sem aviso prévio nem medicamento algum. Os anti-histamínicos H1 não sedativos, se administra com o objetivo de melhorar o prurido, as crises de vermelhidão, o edema, o mau estado geral, a dor abdominal e o desenvolvimento de bolhas. Os pacientes com prurido severo, crise de vermelhidão e bolhas também são beneficiados da administração de anti-histamínicos H1 sedativos, como hidroxicina ou doxepina. Os anti-histamínicos H2 são utilizados, tanto para bloquear os receptores cutâneos para os H2 que existem na pele, como também para tratar os sintomas gastrointestinais, sobretudo gastrite e úlcera péptica. Os pacientes com reações anafilácticas de repetição devem realizar uma profilaxia mediante a tomada regular de anti-histamínicos H1 e H2.

Nos pacientes sintomáticos os fármacos de eleição são os anti-histamínicos H1 e H2, que são efetivos numa grande maioria de casos conseguindo redução do prurido, do dermografismo, da formação de bolhas e da sintomatologia geral. Os novos anti-histamínicos H1 têm a vantagem de não causar sonolência. A pauta mais utilizada é a associação entre um anti-histamínico H1, geralmente não sedativa, e a cimetidina (30mg/kg/dia).

Também podem ser eficazes os estabilizadores dos mastócitos, como o cromoglicato disódico (20 mg por dia em quatro doses até os 2 anos, 100 mg a cada 6 horas em meninos maiores de 2 anos e 200 mg a cada 6 horas em adolescentes e adultos ) ou o ketotifeno (0.5 mg a cada 12 horas até os 3 anos e 1 mg a cada 12 horas em meninos maiores de 3 anos).

Ver também

Referências

  1. «Pesquisa analisa as chaves genéticas da mastocitose». Fundação 3cin.org. 20 de julho de 2012. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  2. Horny HP, Sotlar K, Valent P (2007). «Mastocytosis: state of the art». Pathobiology. 74 (2): 121–32. PMID 17587883. doi:10.1159/000101711 
  3. http://www.mastocytosis.ca/masto.html Arquivado em 25 de outubro de 2015, no Wayback Machine. (em inglês)

Ligações externas


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