Mateus da Costa Meira

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Mateus da Costa Meira
Data de nascimento 4 de abril de 1975 (44 anos)
Nacionalidade(s) brasileiro
Crime(s) Homicídios
Pena Inicialmente foi condenado a 120 anos e seis meses de prisão, mas foi reduzida a pena para 48 anos e nove meses de prisão.
Situação Preso

Mateus da Costa Meira (Salvador, 4 de abril de 1975), mais conhecido por "O Atirador do Cinema" ou "O Atirador do Shopping", é um assassino e ex-estudante universitário que, em 1999, cursava o sexto ano de medicina da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. A alcunha vem do fato de, naquele ano, ele ter disparado uma submetralhadora 9mm portátil contra pessoas da platéia de uma sala de cinema do shopping center Morumbi Shopping, na cidade de São Paulo, matando três pessoas e ferindo mais quatro.

O crime[editar | editar código-fonte]

Segundo testemunhas oculares da ação, na noite de 3 de novembro de 1999, dentro da sala 5 do cinema do Morumbi Shopping, Zona Sul da capital paulista, Mateus, à época com 24 anos, começou a assistir ao filme na primeira fila. Ele teria então levantado de seu lugar, ido ao banheiro – onde tira a arma da bolsa e resolve testá-la atirando no espelho, aparentemente contra a própria imagem, com sua submetralhadora americana Cobray M-11 – e depois voltado à sala de projeção e ficado de frente para a plateia. Junto à tela do cinema, saca a arma novamente atira para o alto.[1][2]

Quem está na primeira fila vê a tempo que se trata de tiros reais e se abaixa, enquanto os demais acreditavam que os tiros viessem da tela. A sala permanece escura. A fotógrafa Fabiana Lobão Freitas, 25 anos, morre na hora. O economista Júlio Maurício Zeimaitis, 29, chega ao hospital com vida, mas não resiste. A publicitária Hermé Luísa Jatobá Vadasz, 46, também não resiste aos ferimentos na cabeça.[3][4] Os cinco feridos por balas ou estilhaços ficaram fora de perigo. Dessa tragédia, resultaram três mortes, quatro pessoas feridas e mais quinze em pânico.[5] Os tiros duraram cerca de três minutos. Tal tragédia rendeu a Mateus o apelido que carrega até hoje. O filme exibido no momento dos disparos era Clube da Luta (1999).[6]

Julgamento e condenação[editar | editar código-fonte]

Preso em flagrante, acabou condenado a mais de 120 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Seus advogados alegaram que Mateus era semi-imputável, ou seja, possuía consciência parcial de seus atos. A sua defesa tentou mostrar que ele sofria de alucinações, ouvia vozes misteriosas, tinha crises de agressividade, além de um comportamento estranho e solitário.[7] Depois de várias apelações judiciais, Mateus foi condenado aos formais trinta anos máximos previstos pela Justiça brasileira. Os advogados de defesa tentaram, em vão, alegar insanidade mental de seu cliente e argumentar que Mateus havia sido influenciado pelo jogo Duke Nukem 3D, no qual há, na primeira missão ("Hollywood Holocaust") do primeiro episódio ("L.A. Meltdown") uma cena de tiroteio dentro de um cinema.[8][9][10]

Em 2007, os magistrados reduziram a pena para 48 anos e 9 meses.[11] Mateus ficou preso no Centro de Observação Criminológica (COC) do Complexo do Carandiru, em São Paulo, até o presídio ser desativado, em 2002.[12] Posteriormente, foi transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé (SP) e, depois, em 2009, para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador (BA), onde nasceu e mora parte da família.[13][14]

Morumbi Shopping

Tentativa de homicídio na prisão[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de maio de 2009, Mateus tentou matar seu colega de cela, o espanhol Francisco Vidal Lopes, de 68 anos, com uma tesoura, na Penitenciária Lemos Brito na cidade de Salvador e foi autuado por tentativa de homicídio, aparentemente porque o homem ouvia a televisão em volume muito alto.[15]

Em 2011, a Justiça da Bahia, por meio do júri popular, o absolveu da acusação de tentativa de homicídio contra o colega de prisão. Foi considerada a tese, defendida até pela promotora do caso, Armênia Cristina Santos, de que o ex-estudante era é inimputável por sofrer de doenças mentais atestadas por laudos médicos. Com tal decisão, Mateus foi encaminhado para o Hospital de Custódia e Tratamento (HCT) de Salvador, onde permanece até hoje.[16]

Referências

  1. «O assassino estava fora da tela». Revista Época. 13 de dezembro de 2010. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  2. «Atirador diz que disparou por ver seus perseguidores na platéia». Folha de S. Paulo. 5 de novembro de 1999. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  3. Penteado, Gilmar (4 de junho de 2004). «Atirador é condenado a 120 anos de prisão». Folha de S. Paulo. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  4. «Três vidas perdidas». Terra. 15 de novembro de 1999. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  5. «Após tiroteio em 'Batman', relembre atos de violência em salas de cinema». G1. 20 de julho de 2012. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  6. Vilela, Luiz Gustavo. «O que "Clube da Luta" diz sobre o papel do homem na sociedade». Gazeta do Povo. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  7. Quintella, Sérgio (18 de setembro de 2019). «Laudo aponta que atirador do MorumbiShopping pode deixar a cadeia». Veja. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  8. Ferreira, Carlos. «Justiça de SP condena "atirador do shopping" a 120 anos de prisão». Folha de S. Paulo. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  9. Trindade, Eliane (24 de outubro de 2010). «Atirador do shopping revela "frieza" em cartas a travesti». Folha de S. Paulo. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  10. «Jogo proibido pode ter motivado estudante de medicina». Folha de S. Paulo. 16 de dezembro de 1999. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  11. Porfírio, Fernando (30 de janeiro de 2007). «TJ paulista diminui para 48 anos pena do atirador do cinema». ConJur. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  12. «Estudante que matou três em cinema de SP deve voltar à faculdade». Estado de S. Paulo. 24 de julho de 2002. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  13. «Atirador do shopping tenta matar um preso de 68 anos». Veja. 21 de maio de 2009. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  14. «Mateus Meira diz que não tinha intenção de matar colega de cela». UOL. 17 de novembro de 2009. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  15. «"Atirador do shopping" tenta matar colega de cela em Salvador (BA), diz secretaria». Folha de S. Paulo. 21 de maio de 2009. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  16. «Atirador do shopping é inocentado pela Justiça na BA». G1. 11 de outubro de 2011. Consultado em 1 de novembro de 2019