Maurício Grabois

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Maurício Grabois
Dados pessoais
Nascimento 2 de outubro de 1912
Salvador, Brasil
Morte 25 de dezembro de 1973 (61 anos)
Xambioá, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Partido PCB (1922–1962)
PCdoB (1962–1973)
Ocupação político, guerrilheiro

Maurício Grabois (Salvador, 2 de outubro de 1912Xambioá, 25 de dezembro de 1973) foi um político brasileiro, um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e um de seus dirigentes desde a criação do partido até sua morte na Guerrilha do Araguaia, em 25 de dezembro de 1973. Foi um dos principais líderes comunistas do Brasil, junto com Luís Carlos Prestes, Carlos Marighella e João Amazonas.

Juventude e militância[editar | editar código-fonte]

Nasceu na capital baiana em 1912, filho de Agustín Grabois e Dora Grabois. Cursou o ensino fundamental no Ginásio Estadual de Salvador. Aos 19 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro (então capital do país) para estudar na Escola Militar de Realengo.[1] Lá tomou contato com as ideias do marxismo-leninismo e passou a militar contra o fascismo que avançava na Europa e também no Brasil, sob a forma do Integralismo, ajudando a divulgar o comunismo entre os militares. Mais tarde, estudou na Escola de Agronomia do Rio de Janeiro, que abandonou no 2º ano para para dedicar-se à vida política.[1]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Grabois começou a carreira política como militante da Juventude Comunista, a ala jovem do partido (que então usava a sigla PCB, mas chamava-se Partido Comunista do Brasil). Em 1934, aos 22 anos, já era a dirigente da entidade. Ingressando na Aliança Nacional Libertadora, uma facção do PCB que tentou a luta armada, ajudou a organizar a Intentona Comunista de 1935 e, após o fracasso da insurreição, editou clandestinamente o jornal A Classe Operária, que existe até hoje, e dirigiu a Vitória, editora do PCB. Foi preso no verão de 1941 e solto no ano seguinte.[1]

Com a orientação do Komintern para que os partidos comunistas apoiassem os governos locais que lutassem contra o Eixo e a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial do lado aliado, em 1943, o PCB organizou a Conferência da Mantiqueira. A comissão organizadora do evento foi chefiada por Grabois. Na ocasião, foi eleito para o Comitê Central do partido.

A derrubada de Getúlio Vargas e a legalização do PCB levaram o partido a entrar na vida democrática institucional brasileira, e Grabois foi eleito deputado federal[1] como companheiro de chapa de Prestes, eleito senador. Participou da Assembleia Constituinte de 1945-1946 e liderou a bancada comunista, que tinha então 14 deputados (entre eles Jorge Amado). Também foi membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Em 1947, no entanto, o registro do partido foi cassado, e o PCB passou a ser ilegal, mas continuando a existir e atuar na clandestinidade. Grabois trabalhou como relator do programa do partido e ajudou a organizar o IV Congresso do PCB em 1954, sendo reeleito para o Comitê Central.

Em 1956, Nikita Khrushchov faz um discurso no XX Congresso do PCUS denunciando os supostos crimes de Josef Stalin e renegando o legado do líder soviético. A mudança de orientação (conhecida como Revisionismo) provoca a reorganização do PCB e, em 1962, junto com João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Danielli e outros, Grabois reorganiza o Partido Comunista do Brasil, mas com a sigla PCdoB.

Luta armada[editar | editar código-fonte]

A partir de 1964, quando os militares dão um golpe de Estado no Brasil e tomam o poder, os comunistas se dividem entre os que defendem a oposição clandestina, aliada aos democratas de centro-direita (depois organizados no MDB) e os que optam pelo combate aberto (guerrilha urbana e rural). Maurício Grabois foi um dos principais defensores da posição em defesa da luta armada no partido. Em 1966, uma conferência aprova a adoção de "táticas revolucionárias" para tentar derrubar o regime militar e implantar um regime comunista no Brasil.

Para dar início a uma guerrilha na Floresta Amazônica, Grabois chega à região do Araguaia em dezembro de 1967, para organizar o levante revolucionário. Levou para lá o filho André Grabois, morto em combate em 1972. Grabois comandou por seis anos a chamada Guerrilha do Araguaia, no estado do Pará, até ser morto por forças do Exército no dia de natal de 1973, junto com mais três companheiros, um deles seu genro, Gilberto Olímpio Maria.[1]

Diário[editar | editar código-fonte]

Trinta e sete anos após sua morte, veio a público um diário escrito por Grabois no Araguaia, cobrindo um período de 605 dias na floresta, entre abril de 1972 e dezembro de 1973.[2] Neste documento, recolhido pelo Exército na época e mantido em sigilo por quase quatro décadas, Grabois fala do dia a dia da guerrilha e de suas esperanças com relação à eficácia dela, como fomentadora de uma revolução armada popular contra a ditadura militar e pela implantação de um sistema socialista no país.[3]

Legado[editar | editar código-fonte]

Como teórico, Grabois manteve-se fiel à doutrina do marxismo-leninismo, combatendo o "surto revisionista", e foi um crítico severo do maoismo, o modelo de comunismo implantado na China, onde esteve por duas vezes. Em seus escritos, atacou os excessos da Revolução Cultural Chinesa.

Em sua homenagem, o PCdoB batizou seu instituto partidário com o nome de Instituto Maurício Grabois, fundado em 1995, dez anos após a legalização do partido que o militante ajudara a fundar em 1962.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e «Mauricio Grabois». Centro de Documentação Eremias Delizoicov. Consultado em 24 de abril de 2011 
  2. «Exclusivo: O diário do Araguaia». Carta Capital. Consultado em 24 de abril de 2011 
  3. «Diário:de 1972 a 25 de dezembro de 1973» (PDF). Consultado em 24 de abril de 2011 
  4. «Instituto Maurício Grabois parabeniza FPA». Consultado em 24 de abril de 2011 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]