Mauricio Macri

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mauricio Macri
Mauricio Macri 2016.jpg
56.º Presidente da Argentina
Período 10 de dezembro de 2015
até a atualidade
Vice-presidente Gabriela Michetti
Antecessor Cristina Kirchner
5.º Prefeito de Buenos Aires
Período 10 de dezembro de 2007
até 10 de dezembro de 2015
Vice-prefeita Gabriela Michetti (2007-2009)
Nenhum (2009-2011)
María Eugenia Vidal (2011-2015)
Antecessor Jorge Telerman
Sucessor Horacio Rodríguez Larreta
Deputado Federal por Buenos Aires
Período 10 de dezembro de 2005
até 18 de julho de 2007
Dados pessoais
Nascimento 8 de fevereiro de 1959 (60 anos)
Tandil, Argentina
Nacionalidade argentino
Progenitores Mãe: Alicia Blanco Villegas
Pai: Franco Macri
Alma mater UCA
Esposa Juliana Awada (2010–atualidade)
Isabel Menditeguy (1994–2005)
Ivonne Bordeu (1981–1991)
Filhos Agustina
Gimena
Francisco
Antonia
Partido Proposta Republicana (PRO)
Religião Católica Romana
Profissão Engenheiro civil
Residência Buenos Aires
Assinatura Assinatura de Mauricio Macri

Mauricio Macri (Tandil, 8 de fevereiro de 1959) é um empresário, engenheiro civil e político argentino, e atual presidente da República Argentina. Filho do empresário ítalo-argentino Franco Macri, estudou engenharia civil na Universidade Católica Argentina e trabalhou nas empresas da família. Em 1995, tornou-se independente da figura paterna e passou exercer cargos administrativos no futebol. Entre 1995 e 2007, presidiu o Boca Juniors, o que o converteu em um nome conhecido em seu país.

Em 2003, criou o partido político Compromisso pela Mudança, que mais tarde transformou-se na Proposta Republicana. No mesmo ano, foi derrotado em sua tentativa de eleger-se prefeito de Buenos Aires. Em 2005, foi eleito deputado federal pela cidade de Buenos Aires. Em 2007 e 2011, elegeu-se prefeito da capital federal, em ambas as vezes no segundo turno.

Em 2015, concorreu à presidência da Argentina pela coligação de direita Mudemos. Macri venceu a indicação da aliança e avançou para um inédito segundo turno com o governista Daniel Scioli. Em 22 de novembro, foi eleito presidente com 51,34% dos votos, encerrando os doze anos de governos kirchneristas no país.[1] Ele assumiu o cargo em 10 de dezembro de 2015.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Filho do empresário italiano Franco Macri, ícone do empreendedorismo na Argentina nos anos 80 e 90, Maurício nasceu em 1959. Estudou na Universidade Católica Argentina e no início dos anos 90 trabalhou durante um breve período nas empresas do pai.[2]

Em 1995, torna-se independente da figura paterna e passa a exercer cargos administrativos no futebol. Entre 1995 e 2007, preside o Boca Juniors, o que o transforma em um nome conhecido em seu país.

No final da década de 1990 começou a flertar com a política, aproximando-se do então presidente Carlos Menem (1989-99). Em 2003 criou seu partido, o Compromisso pela Mudança (CpC), que desde 2005 integra a coalizão Proposta Republicana (PRO).

Em 2005, foi eleito deputado.[3] Em 2007, conseguiu vencer a disputa para prefeito de Buenos Aires, e, em 2011, foi reeleito.[4] Em 23 de novembro de 2015 foi eleito, por 52% dos votos, para ser o 56º presidente da República Argentina, pondo fim a doze anos de kirchnerismo. Foi a primeira vez, em cem anos desde a instituição do voto no país, que é eleito um candidato civil não peronista nem radical social-democrata.[5]

Presidência[editar | editar código-fonte]

Uma vez na presidência, Macri se deparou com uma situação ruim no país. A economia estava estagnada, as contas do governo no vermelho e havia uma crise de desconfiança do público e dos investidores.[6][7] As reservas federais estavam vazias, a inflação chegava a 30% ao ano, a situação fiscal era apertada e havia um déficit orçamentário grande.[8] O presidente Macri primeiro tomou medidas para estabilizar a moeda, permitindo aos argentinos comprar moedas estrangeiras com mais facilidade e pouco controle.[9] Quotas de exportação e tarifas sobre soja, milho e trigo foram reduzidas consideravelmente.[10] Medidas de austeridade e corte de gastos também foram tomadas.

Apesar das medidas tomadas pelo governo Macri, a economia não se recuperou, com a inflação e o desemprego continuando altos.[11] O governo começou vários programas públicos empregatícios, mirando especialmente o setor da construção civil a fim de gerar mais empregos.[12]

Macri tentou também melhorar laços econômicos e políticos com os Estados Unidos, a Europa e a Ásia oriental, a fim de gerar renda e atrair investidores.[11] Ele também anunciou a eliminação da tarifa de 35% sobre computadores, laptops e tablets importados.[13] Tentou também lidar com os problemas energéticos, anunciando investimentos para os depósitos de xisto de Vaca Muerta, na Patagônia.

No âmbito externo, tentou revitalizar as relações do país e atrair investimentos. Segundo analistas, Macri foi quase que na contra-mão dos Kirchners, no que tange política externa. Ele imediatamente propôs ações contra Nicolás Maduro da Venezuela por abusos de direitos humanos e tentou remover o seu país do Mercosur.[14] Essas mudanças, junto com sua própria eleição, fez com que muitos acreditassem que a chamada "onda rosa" (ou "Guinada à esquerda") realmente havia chegado ao fim no continente sul-americano.[15] A maioria dos países do Mercosur igualmente passaram a se opor com mais veemência ao governo socialista de Maduro e conseguiram impedir que a Venezuela assumisse a presidência pro tempore do bloco. O Mercosur então buscou melhorar suas relações comerciais com a União Europeia e a Aliança do Pacífico.[16] Macri concordou com o presidente brasileiro Michel Temer para garantir o livre-comércio entre os dois países.[17] Macri e Temer se juntaram para buscar melhores relações também com o México, a segunda maior economia latino-americana, enquanto este país estava numa disputa comercial com o presidente estadunidense Donald Trump.[18]

Macri com Jair Bolsonaro

Apesar do otimismo, a economia argentina continuou a crescer de forma lenta e a recuperação foi abaixo do esperado. A inflação continuou alta e os salários não subiram, com os investidores internacionais permanecendo pessimistas.[19] Assim, em 2018, greves e protestos sacudiram o país, com a população demonstrando insatisfação com o fraco desempenho econômico da Argentina e as medidas de austeridade que Macri havia anunciado que acabaram não conseguindo balancear o orçamento ou baixar o desemprego.[20] Em dezembro de 2018, foi confirmado que o PIB argentino encolheu 3,5% no terceiro trimestre daquele ano, colocando o país novamente em recessão técnica.[21]

Panama Papers[editar | editar código-fonte]

Os documentos, globalmente conhecido como "Panama Papers", revelaram em 2016 que o nome de Mauricio Macri apareceu na diretoria de uma empresa de fachada chamada Fleg Trading Ltd, que era dirigido pelo pai dele, Franco, um proeminente empresário conhecido para garantir grandes contratos com o estado nas últimas décadas. Fleg Trading Ltd desempenhou um papel como uma holding company para a participação de Franco na "Pago Fácil". A operação foi feita através da "Owners Do Brasil Participações", uma empresa sediada em São Paulo, da qual a Fleg Trading Ltd era acionista majoritária.[22]

Referências

  1. «Opositor Mauricio Macri é eleito presidente da Argentina». Folha de S. Paulo. 23 de novembro de 2015. Consultado em 23 de novembro de 2015 
  2. Carlos E. Cué e Alejandro Rebossio (26 de outubro de 2015). «Scioli e Macri, a política dos nascidos em "berço de ouro" na Argentina». El País. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  3. «Daniel Scioli e Mauricio Macri vão disputar segundo turno inédito na Argentina». Opera Mundi. 26 de outubro de 2015. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  4. «Perfil/Mauricio Macri, o oposicionista conservador». ANSA Brasil. 23 de outubro de 2015. Consultado em 31 de outubro de 2015 
  5. «Macri é eleito presidente da Argentina e põe fim a 12 anos de kirchnerismo». Mundo. Consultado em 23 de novembro de 2015 
  6. «President Mauricio Macri Inherits An Economic Mess». TheBubble.com. Consultado em 17 de novembro de 2018 
  7. «What Can Investors Expect From Argentina's Economy In 2018?». Forbes. Consultado em 17 de novembro de 2018 
  8. Benedict Mander e Daniel Politi (20 de janeiro de 2016). «Macri raises hopes for Argentina's economic renewal». Financial Times. Consultado em 18 de fevereiro de 2017 
  9. Politi, Daniel (16 de dezembro de 2015). «President Mauricio Macri lifts Argentina's capital controls». Financial Times. Consultado em 17 de fevereiro de 2017 
  10. «Argentina delays soy export tax cut to 2018 amid budget shortfall». Reuters. 3 de outubro de 2016. Consultado em 18 de fevereiro de 2017 
  11. a b Bremmer, Ian (21 de outubro de 2016). «Argentina's Mauricio Macri on the Challenge of Change». Time. Consultado em 18 de fevereiro de 2017 
  12. García, Raquel (5 de janeiro de 2017). «Macri Maintains Kirchner Era Price Controls in Argentina». Panam Post 
  13. «Argentina in April will lower 35% tariff on computers and laptops imports». Merco Press. 21 de fevereiro de 2017 
  14. Jonathan Watts and Uki Goñi (22 de novembro de 2015). «Argentina president-elect pledges radical policy changes in shift to right». The Guardian. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  15. Caistor, Nick (11 de dezembro de 2015). «Latin America: The pink tide turns». BBC. Consultado em 12 de junho de 2016 
  16. «Mercosur in a state of disarray; Venezuela's presidency disavowed by Argentina, Brazil and Paraguay». Merco Press. 2 de agosto de 2016. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  17. «Temer and Macri meet next week to make Mercosur an effective free trade space». Merco Press. Consultado em 16 de fevereiro de 2017 
  18. Soto, Alonso (7 de fevereiro de 2017). «Brazil, Argentina push for closer trade with Mexico in Trump era». Reuters. Consultado em 16 de fevereiro de 2017 
  19. Macri’s election success is no cure-all for Argentina’s structural issues, 17 de novembro de 2017, Euromoney
  20. «Argentina para em quarta greve geral contra governo Macri». Veja. Consultado em 17 de novembro de 2018 
  21. «Economia argentina cai 3,5% no terceiro trimestre e entra em recessão». G1. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  22. «New company linked to Macri family in Panama Papers documents». The Herald (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Mauricio Macri


Precedido por
Cristina Fernández de Kirchner
Coat of arms of Argentina.svg
Presidente da Argentina

2015 - atualidade
Sucedido por
-
Precedido por
Tabaré Vázquez
Presidente Pro-tempore do Mercosul
20182019
Sucedido por
Jair Bolsonaro
Precedido por
Jorge Telerman
Prefeito de Buenos Aires
20072015
Sucedido por
Horacio Rodríguez Larreta