Medicina veterinária

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Médico Veterinário cirurgião realizando cirurgia a gato
Símbolo da Medicina Veterinária

A medicina veterinária é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças dos animais e dos humanos num contexto médico. Sendo a área de atuação do profissional de saúde animal/pública formado numa Faculdade de Medicina Veterinária ou num Estabelecimento de Ensino Altamente Qualificado.

A medicina veterinária é a ciência médica que se dedica à prevenção, controle, erradicação e tratamento das doenças, traumatismos ou qualquer outro agravo à saúde dos animais, além do controle da sanidade dos produtos e subprodutos de origem animal para o consumo humano. Busca também assegurar a qualidade, quantidade e a segurança dos estoques de alimentos de origem animal através do controle da saúde dos animais e dos processos que visam obter seus produtos.

O médico veterinário, também chamado popularmente de doutor, é o profissional autorizado pelo Estado para exercer a Medicina Veterinária, ocupando-se da saúde animal, prevenindo, diagnosticando e curando as doenças, o que requer conhecimento detalhado de disciplinas académicas (como anatomia e fisiologia) por detrás das doenças e do tratamento - a ciência da medicina - e também competência na sua prática aplicada - a arte da medicina.

Tanto o papel do médico e o significado da palavra variam significativamente ao redor do mundo, mas como compreensão geral, a ética médica requer que médicos demonstrem consideração, compaixão e benevolência perante os seus pacientes animais.[1]

Os médicos veterinários podem ser generalistas, isto é, não especializados em nenhuma área específica, ou especialistas, quando especializados em alguma área.[2]


Conceito[editar | editar código-fonte]

A medicina veterinária é a "arte da cura de animais", assim como a medicina humana é a "arte da cura de humanos". No entanto estes dois ramos da medicina encontram-se em constante dinamismo, tanto em termos de investigação e avanço cientifico como em termos de controlo e erradicação de doenças.

O conceito de medicina tradicional refere-se a práticas, abordagens e conhecimentos, --- incorporando conceitos materiais e espirituais ---, técnicas manuais e exercícios, aplicados individualmente ou combinados, a indivíduos ou a colectividades, de maneira a tratar, diagnosticar e prevenir doenças, ou visando a manter o bem-estar.

A actual prática da medicina utiliza em seu favor conhecimentos obtidos por diversas ciências, por exemplo, biologia, química, física, microbiologia, epidemiologia, anatomia, fisiologia etc. Trata-se, na verdade, de várias ligações das ciências relacionadas à saúde. Em um conceito estrito, a Medicina Veterinária busca a saúde animal e pública por meio de estudos, diagnósticos e tratamentos, e no conceito mais amplo, aliviar o sofrimento e manter o bem-estar global. De modo geral, a Medicina Veterinária engloba os campos de Clínica Médico-Veterinária, Cirurgia, Ginecologia e obstetrícia e Saúde pública.

Símbolo Heráldico da Ordem dos Médicos Veterinários[editar | editar código-fonte]

Símbolo Heráldico da Ordem dos Médicos Veterinários

Brasão de Armas A Ordem adoptou para símbolo um brasão de Armas, com os elementos construtivos que se discriminam:

Brasão ovalado, circundado por listel ovalado, de prata, com a seguinte inscrição em letras gregas maiúsculas, de tipo Ellzevir: ORDEM DOS MÉDICOS VETERINÁRIOS. Dentro do listel, em campo de prata, as Armas da Ordem: Escudo de prata, com cinco escudetes de azul postos em cruz, cada um deles carregado por cinco lesantes de prata, postos em aspa; Elmo de ouro, de frente, assente sobre o escudo; Virol de ouro e vermelho, sobre o elmo; Timbre, assente sobre o virol, constituído por uma esfera de verde, ondada de duas faixas de prata, tendo cravadas oito bordões de castanho, entrelaçados nas bases por serpente, de negro, linguada de vermelho, que se ergue no campo de prata; Paquifes de ouro e vermelho.[3]

Selo Listel circular, com a legenda da Ordem e dentro as suas armas, com a indicação dos esmaltes.

Bandeira Quadrada de branco, tendo ao centro o brasão de Armas da Ordem. Haste dourada, com cordões de vermelho e borlas de ouro.


Leitura simbólica[editar | editar código-fonte]

Identificação Nacional: O Escudo de cinco quinas

Nobreza da Profissão: O elmo com virol e paquife

Caracterização Profissional: Inserção de actuação campo (verde - terra) ondas (prata - despoluição)

Âmbito Zootécnico: Bordões

Âmbito Médico:Serpente


História[editar | editar código-fonte]

O bordão de Esculápio ou caduceu de Asclépio é o símbolo da medicina.

A medicina veterinária é tão antiga quanto a ligação que os seres humanos realizaram com os animais. A ars veterinaria estava registrada no Papiro de Kahoun, de cerca de 4000 a.C.. Os códigos Eshn Unna (1900 a.C.) e de Hamurabi (c. 1700 a.C.), na Babilônia, trazem referências ao pagamento e atribuições dos médicos dos animais.

Na Grécia Antiga, a profissão, então chamada de hipiátrica, data do século VI a.C.; já em Roma alguns tratados foram dedicados às doenças animais, como os de Catão e de Columela.

Apsirtos[editar | editar código-fonte]

Apsirtos, considerado o "Pai da Medicina Veterinária" no Ocidente, nasceu em Clazômenas, em 300, foi autor de 121 dos 420 artigos do tratado publicado no século VI, no Império Bizantino, chamado Hippiatrika. Formado em Medicina, em Alexandria, foi o Médico Veterinário chefe no exército de Constantino.

Sistematização do estudo[editar | editar código-fonte]

Foi durante o reinado de Afonso V de Aragão, na Espanha, que o estudo básico teve início; no governo de Fernando e Isabel, foi disciplinado o cargo de albeitar - palavra derivada do nome de um grande médico de animais, de origem árabe (cujo nome era Eb-Ebb-Beithar), e que foi traduzido para o português como alveitar.

Seu estudo sistemático, porém, só veio com a fundação da primeira escola de Medicina Veterinária, pelo francês Claude Bougerlat, em 4 de agosto de 1761, à qual se seguiram o surgimento, na Europa de vários outros cursos, tais como as escolas de Viena, em 1768, Turim (1769) e Gôttingen (1771).

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Primeira Sala do Museu da Escola Nacional de Medicina Veterinária de Alfort (França)

Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, a cultura científica e literária brasileira recebeu novo alento, pois até então não havia bibliotecas, imprensa e ensino superior no Brasil Colônia. São fundadas, inicialmente, as Faculdades de Medicina (1815), Direito (1827) e a de Engenharia Politécnica (1874). Quanto ao ensino das Ciências Agrárias, seu interesse só foi despertado quando o Imperador D. Pedro II, ao viajar para França, em 1875, visitou a Escola de Medicina Veterinária de Alfort, impressionou-se com uma Conferência ministrada pelo Medico Veterinário e Fisiologista Dr. Collin. Ao regressar ao Brasil, tentou propiciar condições para a criação de entidade semelhante no País.

Entretanto, somente no início do século XX, já sob regime republicano, autoridades brasileiras decretaram a criação das duas primeiras instituições de ensino de Medicina Veterinária no Brasil, a Escola de Medicina Veterinária do Exército, pelo Dec. nº 2.232, de 06 de janeiro de 1910 (aberta em 17/07/1914), e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, através do Dec. nº 8.919 de 20/10/1910 (aberta em 04/07/1913), ambas na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1911, em Olinda, Pernambuco, a Congregação Beneditina Brasileira do Mosteiro de São Bento, através do Abade D. Pedro Roeser, sugere a criação de uma instituição destinada ao ensino das ciências agrárias, ou seja, Agronomia e Veterinária. As escolas teriam como padrão de ensino as clássicas escolas agrícolas da Alemanha, as "Landwirschaf Hochschule". No dia 1º de julho de 1914, eram inaugurados os curso de Agronomia e Medicina Veterinária nesta instituição. Todavia, por ocasião da realização da terceira sessão da Congregação, em 15/12/1913, ou seja antes da abertura oficial do curso de Medicina Veterinária, um Farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia solicitava matrícula no curso de Medicina Veterinária, na condição de "portador de outro diploma do curso superior".

A Congregação, acatando a solicitação do postulante, além de aceitar dispensa das matérias já cursadas indica um professor particular, para lhe transmitir os conhecimentos necessários para a obtenção do diploma antes dos (quatro) anos regimentares. Assim, no dia 13/11/1915, durante a 24ª sessão da Congregação, recebia o grau de Médico Veterinário o senhor Dr. Dionysio Meilli, primeiro Médico Veterinário formado e diplomado no Brasil. Desde o início de suas actividades até o ano de 1925, foram diplomados 24 Medicos Veterinários. Em 29 de janeiro, após 13 anos de funcionamento, a Escola foi fechada por ordem do Abade D. Pedro Roeser.

A primeira mulher diplomada em Medicina Veterinária no Brasil foi a Dra. Nair Eugênia Lobo, na turma de 1929 pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária, hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

No Brasil, os primeiros trabalhos científicos abrangendo a patologia comparada (animal e humana) foram realizados pelo Capitão-Médico João Moniz Barreto de Aragão (fundador da Escola de Medicina Veterinária do Exército), em 1917, no Rio de Janeiro, e cognominado Patrono da Medicina Veterinária Militar Brasileira, cuja comemoração se dá no dia 17 de junho, data oficial de inauguração da Escola de Medicina Veterinária do Exército (17/06/1914).[4]

Modernidade[editar | editar código-fonte]

Recentemente a aplicação da medicina veterinária tem se expandido por causa da disponibilidade de técnicas avançadas de diagnóstico e de terapia para a maioria das espécies animais, bem como pelos avanços científicos em outras àreas, como a genética, a biotecnologia, a fisiologia, que proporcionam melhoramentos nos sistemas de produção animal.

Em 1946, a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhecendo a necessidade de se conciliar, definitivamente, os inseparáveis preceitos da saúde humana com a saúde dos animais, recomendou que se criasse a uma seção de saúde veterinária, que foi estabelecida no ano de 1949; assim define a OMS, em 1951, a Saúde Pública Veterinária:

"A Saúde Pública Veterinária compreende todos os esforços da comunidade que influenciam e são influenciados pela arte e ciência médico-veterinária, aplicados à prevenção da doença, proteção da vida e promoção do bem-estar e eficiência do ser humano" (Organização Mundial da Saúde, 1951). Em 1955, foram estabelecidas as seguintes atividades para esta área: o controle e erradicação de zoonoses; a higiene dos alimentos; os trabalhos de laboratório; os trabalhos em biologia e as actividades experimentais.


Medicina veterinária e saúde pública[editar | editar código-fonte]

Importância da Saúde Pública na Sociedade

Com a compreensão pela ciência da origem e propagação de diversas doenças, tendo como vetores animais domésticos ou silvestres, bem como para assegurar a própria integridade física dos animais, a medicina veterinária passou a ser importante coadjuvante nas políticas de saúde pública dos países. A propagação de doenças epidêmicas, humanas ou animais, encontra na instalação de barreiras veterinárias que evitam sua propagação um meio eficaz de controle.

Aliado a isso, um dos campos da Medicina Veterinária que está em grande ascensão é o da Defesa Sanitária Animal, cujos objectivos são justamente prevenir a ocorrência de doenças exóticas, que podem ter graves impactos em saúde pública ou económicos nos animais, e controlar ou erradicar doenças endêmicas.

Algumas destas doenças, que podem ser citadas são, entre outras, a brucelose, tuberculose, teníase, toxoplasmose, salmonelose, colibacilose, clostridioses, leptospirose, campilobacteriose, listeriose, raiva, scrapie, encefalopatia espongiforme bovina ("Mal da Vaca Louca") e a influenza aviária ("gripe aviária") - todas elas potenciais zoonoses - doenças dos animais passíveis de transmissão ao ser humano -, além da febre aftosa, pestes suínas clássica e africana, anemia infecciosa equina, doença de Newcastle, doença de Aujezski, que são doenças de alto impacto econômico e poder restritivo de mercado.

Actualmente, são reconhecidas mais de cem zoonoses e inúmeras outras doenças infecto-contagiosas dos animais que trazem sérias consequências económicas. Para combate-las, o médico veterinário sanitarista exerce uma Vigilância Epidemiológica activa, actuando directamente no campo e controlando o trânsito de animais, realizando a inspecção dos produtos de origem animal - como derivados da carne, do leite, dos ovos, pescado e mel e procurando sinais de doenças que possam ser transmitidas ao homem ou que possam indicar o estado sanitário dos rebanhos.


Zootecnia e medicina veterinária[editar | editar código-fonte]

Melhoramento genético laboratorial.

A medicina veterinária trabalha na formulação de dietas de animais, entre os quais o gado bovino, ovino, caprino, suíno e aves cuja importância destaca-se na produção de alimentos ao ser humano. Neste campo, o médico veterinário, que também possui formação na área de zootecnia, mergulha em setores do conhecimento como nutrição, genética e melhoramento animal, estatística e técnicas de manejo geral, contribuindo fortemente para o desenvolvimento agrícola. O médico veterinário não é apenas necessário em controles de zoonoses, cabendo a ele também intervenção nos processos produtivos e de melhoramento animal. O melhoramento animal tem por finalidade aperfeiçoar a produção dos animais que apresentam interesse para o Homem. Sabe-se que o fenótipo de um indivíduo nada mais é que o produto da interacção genótipo e meio ambiente, que apesar de ter fundamentação teórica desenvolvida há muitos anos, tem recentemente, recebido grandes contribuições por parte de médicos veterinários, zootécnicos e genéticos, que com a necessidade de melhoria genética imposta pelo mercado, desenvolvem progressos genéticos que têm sido observados nas mais diversas espécies animais explorados comercialmente.

Medicina veterinária e o meio[editar | editar código-fonte]

O médico veterinário destaca-se, ainda, na área de estudos do meio ambiente e na proteção ambiental. Neste campo, ele trabalha em conjunto com outros profissionais, entre os quais ecólogos e biólogos, com o intuito de estudar o comportamento dos animais silvestres, realizando pesquisas e tomando notas, tendo relevância sobretudo em animais mantidos em cativeiro para fins reprodutivos, assistindo em sua reprodução, na tranquilização, anestesia e nas intervenções cirúrgicas, na prescrição dos diversos tratamentos e na definição da dieta mais adequada para tais espécies.


Animais domésticos[editar | editar código-fonte]

Cirurgia ortopédica.

Animais de companhia, particularmente cães e gatos, frequentemente recebem cuidado médico avançado (próteses de quadril, cirurgias de catarata, marcapassos cardíacos, enfim, muitos procedimentos avançados que supõe-se serem aplicados somente na medicina humana). Tudo depende da disponibilidade da tecnologia e também do domínio do procedimento por parte do médico veterinário, uma vez que hoje em dia a medicina veterinária já está subdividida em diversas especialidades, assim como na medicina humana (oftalmologia, ortopedia, oncologia, endocrinologia, dermatologia, acupuntura, etc), e muitos veterinários não são mais apenas clínicos gerais, e sim especialistas em determinadas áreas.

Na área de animais de produção, como gado bovino, ovino e caprino, que não têm valor emocional muito grande por serem vistos como meros instrumentos, os tratamentos e as operações caras não são muito usadas, sendo destinados em geral apenas aos animais de grande valor económico (como os reprodutores, campeões, etc).

Os cientistas que trabalham na área de medicina veterinária são muito importantes em pesquisa farmacológica, química e biológica.


Educação[editar | editar código-fonte]

Museu da Escola Nacional de Medicina Veterinária
Museu da Escola Nacional de Medicina Veterinária

Muitas universidades têm cursos de graduação que conferem grau ou título de bacharel em medicina veterinária. No Brasil seus praticantes são registrados e tem sua actuação regulada em nível nacional e estadual pelos conselhos federal e regionais de medicina veterinária, respectivamente. Em Portugal as universidades conferem o grau de licenciado em medicina veterinária. A inscrição na Ordem dos Médicos Veterinários é obrigatória para o exercício da profissão de médico veterinário.

A duração e o conteúdo dos cursos varia muito. Geralmente estão entre 5 e 7 anos de duração. No Brasil, a duração do curso é de 5 anos. Em Portugal os cursos de medicina veterinária têm a duração de 6 anos, com o estágio integrado no plano de curso. Alguns anos introdutórios (com disciplinas de anatomia, bioquímica, genética, histologia, biofísica, fisiologia, farmacologia, patologia, parasitologia, virologia, microbiologia médica, estatística e treinamento em pensamento cientifico) são seguidos por disciplinas profissionais (produção e nutrição animal, radiologia, clínica cirúrgica, clínica médica, moléstias infecciosas, saúde pública, inspeção de alimentos de origem animal, entre outras). Após regulamentação que ocorreu recentemente, algumas escolas fornecem a possibilidade de residência médica em diversas áreas, nas quais o trabalho prático é supervisionado por docentes da faculdade.

O curso de medicina veterinária é ministrado na Escola Universitária Vasco da Gama e Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, conferindo o grau de Licenciado. Nestas universidades está ainda a decorrer a adaptação ao Processo de Bolonha. Na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Técnica de Lisboa (Faculdade de Medicina Veterinária), Universidade do Porto (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e Universidade de Évora já se confere o grau de Mestrado Integrado, de acordo com o Processo de Bolonha. Na Universidade dos Açores (Angra do Heroísmo) funciona o curso preparatório de medicina veterinária.


Comparação curricular entre medicina humana e medicina veterinária[editar | editar código-fonte]

Os dois primeiros anos curriculares, em ambos os cursos, medicina humana e medicina veterinária, são muito semelhantes na nomenclatura das suas disciplinas, mas algo diferentes no seu conteúdo. Geralmente os dois primeiros anos curriculares incluem bioquímica, fisiologia, histologia, anatomia, farmacologia, microbiologia, epidemiologia, patologia e hematologia. Utilizando algumas escolas de medicina veterinária os mesmos livros de medicina humana, e vice-versa. No entanto, o conteúdo de medicina veterinária é muito mais abrangente, incluindo doenças animais de espécies variadas e as suas diferenças específicas. Muitos médicos veterinários têm a mesma farmacologia que médicos humanos, contudo, visto a especialidade de farmacologia veterinária estar em constante crescimento, cada vez mais escolas/faculdades estão a utilizar manuais específicos para medicina veterinária. Quanto à fisiologia veterinária, esta é mais complexa que a Humana, pois a fisiologia da maioria dos animais é mais complexa, como a fisiologia digestiva (ex: fisiologia do rúmen), fisiologia renal (especialmente mamíferos, peixes, répteis e aves) e, claro, a fisiologia cardio-pulmonar, a qual detém uma complexidade magnifica. histologia é essencialmente a mesma para os dois cursos. Quanto a anatomia, esta é extremamente complexa, pois abrange um grande número de espécies, em elevadíssimo pormenor, sendo a anatomia do cão e do equino as mais focadas. Comparativamente com medicina humana, medicina veterinária tem uma anatomia muito mais abrangente, concentrando-se na anatomia músculo-esquelética, artrologia, esplancnologia, angiologia e neurologia de várias espécies. Microbiologia e particularmente, virologia, têm a mesma abordagem nos dois cursos, porém, com as diferenças existentes entre doenças especificas. Epidemiologia foca-se na prevenção de doenças e na saúde das populações. Patologia é muito diversa e engloba muitas espécies e sistemas de órgãos.

A maioria das escolas têm cursos de medicina veterinária com especialização em Pequenos Animais e também em Grandes Animais. Os dois últimos anos curriculares dos dois campos são semelhantes apenas na sua ênfase clínica. Um estudante de medicina veterinária, deve estar preparado, para ser totalmente funcional, como médico, no dia da sua formatura - competente em cirurgia e medicina, ao mesmo tempo, e disposto à prática em até 5 ou mais espécies. A maioria dos veterinários são treinados para realizar cirurgia ortopédica, ginecológica e obstétricia cirúrgicas, cirurgias intestinais, cirurgia urológica menor, cirurgias orais e até mesmo cirurgias cárdio-torácicas.

A acumulação de competências nos últimos dois anos do curso de medicina veterinária é equivalente ao que muitos médicos humanos adquirem nos 3-5 anos de residência médica. Na verdade, é impossível para um médico humano, executar sozinho todos os procedimentos cirúrgicos que um médico veterinário realiza durante a sua residência médica. O medico veterinário recém formado, deve ser capaz de concluir com sucesso o exame de junta médica e iniciar a sua prática clínica no dia da formatura, enquanto a maioria dos médicos humanos, completa 3 a 5 anos de pós-doutoramento de residência, antes de exercer medicina de forma independente, geralmente numa estreita e centrada especialidade.

Áreas de actuação do médico veterinário[editar | editar código-fonte]

Médico veterinário do exército.
  • 1. Exercício da profissão de médico veterinário em regime liberal;
  • 2. Tratamento das enfermidades e dos traumatismos que afectam os animais;
  • 4. Indústrias farmacêuticas;
  • 5. Laboratórios de análises;
  • 6. Saúde pública;
  • 7. Inspecção e segurança alimentar;
  • 8. Organismos do ministérios da agricultura e saúde e direcções regionais;
  • 9. Indústrias alimentares de produtos de origem animal;
  • 10. Indústrias de alimentos compostos para animais;
  • 11. Administração autárquica;
  • 12. Pesquisa em diversos campos da saúde, humana e veterinária.

Especializações médico-veterinárias[editar | editar código-fonte]

O título de especialização para os médicos veterinários depende a realização de cursos especializados, dos quais os principais são:

Especialidades e área de actuação
  • Acupuntura médico-veterinária
  • Anestesiologia médico-veterinária
  • Bem-estar e comportamento animal
  • Clínica e técnica cirúrgica
  • Clínica médica de grandes animais - ruminantes, eqüídeos e suínos
  • Clínica médica de pequenos animais - cardiologia, dermatologia, odontologia, oftalmologia, ortopedia e traumatologia
  • Ecologia e gestão ambiental
  • Farmacologia e terapêutica médico-veterinária
  • Fisiologia e endocrinologia médico-veterinária
  • Hematologia médico-veterinária
  • Homeopatia médico-veterinária
  • Imunologia
  • Inspecção higiênica, sanitária e tecnológica de produtos de origem animal - carnes e derivados, leite e derivados, pescado e derivados, ovos e derivados, mel e derivados, controle físico-químico e microbiológico de produtos de origem animal
  • Medicina e produção de animais aquáticos
  • Medicina e produção de animais de laboratórios
  • Medicina e produção de animais silvestres
  • Medicina veterinária intensiva
  • Medicina veterinária legal
  • Medicina veterinária preventiva - saúde pública, epidemiologia, zoonoses e planejamento em saúde animal, doenças infecciosas e parasitárias, vigilância sanitária
  • Microbiologia médico-veterinária - virologia, bacteriologia e micoologia
  • Morfologia médico-veterinária - anatomia, histologia, citologia e embriologia
  • Odontologia médico-veterinária
  • Oncologia médico-veterinária
  • Parasitologia médico-veterinária
  • Patologia veterinária
  • Patologia médico-veterinária - anatomia patológica, histopatologia e ornitopatologia
  • Radiologia e diagnóstico por imagem médico-veterinária - ultra-sonografia, ressonância magnética, tomografia e videolaparoscopia
  • Reprodução animal (também chamada de teriogenologia) - andrologia, tecnologia do sêmen e inseminação artificial, ginecologia e obstetrícia médico-veterinária, produção “in vitro” de embriões, transferência de embriões, clonagem animal, transgênese animal, fisiologia e manejo reprodutivo
  • Toxicologia médico-veterinária
  • Urologia e nefrologia felina

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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