Melua

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Melua
𒈨𒈛𒄩𒆠
Terras estrangeiras aos mesopotâmicos, incluindo Melua.
Impressão de um selo cilíndrico com a inscrição: "Divino Sarcalisarri, o poderoso rei de Agade, Ibni-Sarrum, o Escriba seu servo"). O búfalo da água é pensado para ter vindo do Vale do Indo, e testemunha a intercâmbios com Melua, a civilização do Vale do Indo. c.2 217 a.C. - 2 193 a.C.. Museu do Louvre.[1][2]

Melua ou Meluca (em sumério: 𒈨𒈛𒄩𒆠; romaniz.: Me-luh-haKI) é o nome sumério de um proeminente parceiro comercial da Suméria durante a Idade do Bronze. Sua identificação permanece uma questão em aberto, mas a maioria dos estudiosos associa o termo à Civilização do Vale do Indo.[3]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Asko Parpola identifica os proto-dravidianos com a Civilização do Vale do Indo (CVI) e o povo Melua mencionado nos registros sumérios. Segundo ele, a palavra "Meluhha" deriva das palavras dravidianas mel-akam ("país das terras altas"). É possível que o povo da CVI tenha exportado óleo de gergelim para a Mesopotâmia, onde era conhecido como ilu em sumério e elu em acádio. Uma teoria é que essas palavras derivam do nome dravidiano de gergelim (el ou elu). No entanto, Michael Witzel, que associa a CVI aos ancestrais dos falantes das línguas mundas, sugere uma etimologia alternativa da palavra munda para gergelim selvagem: jar-tila. Munda é uma língua austro-asiática e forma um substrato (incluindo palavras emprestadas) nas línguas dravídicas.[4]

Asko Parpola relaciona Melua com Mleccha que eram consideradas tribos "bárbaras" não-védicas no sânscrito védico.[5][6]

Colônia comercial Melua na Suméria[editar | editar código-fonte]

No final do período sumério, há inúmeras menções em inscrições de um assentamento Melua no sul da Suméria, perto da cidade-estado de Guirsu. A maioria das referências parece datar do Império Acádio e especialmente do período da Terceira dinastia de Ur. A localização do assentamento foi provisoriamente identificada com a cidade de Guaba. As referências a "grandes barcos" na Guaba sugerem que ela pode ter funcionado como uma colônia comercial que inicialmente teve contato direto com Melua.[7]

Parece que o comércio direto com Melua diminuiu durante o período de Ur III e foi substituído pelo comércio com Dilmum, possivelmente correspondendo ao fim dos sistemas urbanos no vale do Indo naquela época.[7]

Conflito com os acádios e neo-sumérios[editar | editar código-fonte]

Relato das vitórias de Rimus, governante do Império Acádio, sobre Abalgamas, rei de Marasi. Em suas inscrições, Rimus mencionou que o exército liderado por Abalgamas incluía tropas de Melua. Museu do Louvre AO5476.[10][11][12][13][11]

De acordo com alguns relatos do governante do Império Acádio, Rimus, ele lutou contra as tropas de Melua, na área de Elão:[12]

Gudea também, em uma de suas inscrições, mencionou sua vitória sobre os territórios de Magã, Melua, Elão e Amurru.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «sceau cylindre». Musée du Louvre (em francês). Consultado em 12 de abril de 2021 
  2. Brown, Brian A.; Feldman, Marian H. (13 de dezembro de 2013). Critical Approaches to Ancient Near Eastern Art (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter 
  3. McIntosh, Jane (2008). The Ancient Indus Valley: New Perspectives. [S.l.: s.n.] 46 páginas. ISBN 978-1-57607-907-2 
  4. McIntosh 2008, p. 354.
  5. Parpola, Asko; Parpola, Simo (1975), «On the relationship of the Sumerian toponym Meluhha and Sanskrit mleccha», Studia Orientalia, 46: 205-238 
  6. Witzel, Michael (1999), «Cópia arquivada» (PDF), Electronic Journal of Vedic Studies, 5 (1), consultado em 14 de abril de 2019, cópia arquivada (PDF) em 12 de janeiro de 2012 
  7. a b Vermaak, Fanie. «Guabba, the Meluhhan village in Mesopotamia» (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2021 
  8. a b «"The Meluḫḫa Village: Evidence of Acculturation of Harappan Traders in Late Third Millennium Mesopotamia?"». no Jornal de História Econômica e Social do Oriente, vol. 20, No. 2, 1977, pp. 136-137. 
  9. Vermaak, Fanie. «Guabba, the Meluhhan village in Mesopotamia» (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2021 
  10. «CDLI-Found Texts». cdli.ucla.edu. Consultado em 12 de abril de 2021 
  11. a b Jiménez-Carlés, Eduardo Martín. «Sargonic and Gutian Periods» (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2021 
  12. a b c d Hamblin, William J. (27 de setembro de 2006). Warfare in the Ancient Near East to 1600 BC: Holy Warriors at the Dawn of History (em inglês). [S.l.]: Routledge 
  13. a b «CDLI-Archival View». cdli.ucla.edu. Consultado em 12 de abril de 2021 
  14. Bryce, Trevor (2009). The Routledge Handbook of the Peoples and Places of Ancient Western Asia: From the Early Bronze Age to the Fall of the Persian Empire (em inglês). [S.l.]: Taylor & Francis 
  • Parte do texto baseado na tradução do artigo «Meluhha» na Wikipédia em inglês.
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