Memorial dos Povos Indígenas

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Memorial dos Povos Indígenas
O Memorial.
Arquiteto Oscar Niemeyer
Construção 1987
Classificação nacional IPHAN
Data 2007
Estado de conservação DF
Geografia
Cidade Brasília

O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) é um museu, centro cultural e instituição de pesquisa brasileiro, dedicado à cultura indígena brasileira. Fica localizado em Brasília, na Zona Cívico-Administrativa do Eixo Monumental, entre o Memorial JK e a Praça do Buriti, em frente a Câmara Legislativa do Distrito Federal.[1]

Foi idealizado pelos antropólogos Berta Gleizer Ribeiro e Darcy Ribeiro e teve seu projeto feito pelo arquiteto Oscar Niemeyer e terminado de ser construído em 1987. Após ter o prédio transformado em Museu de Arte Moderna antes de abrir em 1987, por muitos anos esteve fechado, mas em 1999 restabeleceu suas atividades.

História[editar | editar código-fonte]

Niemeyer fez o projeto do Memorial.

O Memorial dos Povos Indígenas foi construído em 1987, tendo sido financiado pela Fundação Banco do Brasil, em um terreno doado pela Terracap no Eixo Monumental. Seu projeto, feito por Oscar Niemeyer, foi inspirado na arquitetura das malocas redondas coletivas, as yano, dos índios Yanomami.

Entretanto, antes de abrir, o prédio, bem localizado, foi transformado em um Museu de Arte Moderna, sendo inaugurado com uma exposição do artista venezuelano Armando Reverón. As liderenças indígenas então começaram a luta para retomar o espaço que foi criado para eles, sendo apoiados por segmentos da cidade. Após protestos diversos, o prédio ficou desativado, e em 1989 foi repassado para o Governo Federal, que o manteve sem atividades.

Apenas em 1995 o Governo Federal devolve ao Governo Distrital o espaço, que começa a receber obras para retomada do espaço. No dia do Índio daquele ano, representantes das tribos Karajá, Kuikuro, Terena e Xavante fizeram uma cerimônia de retomada do local, com a presença de Darcy Ribeiro, um dos idealizadores do espaço. Mas o espaço continuou parcialmente abandonado até 1999, quando acontece a reabertura definitiva no dia 16 de abril, com uma cerimônia que contou com a presença de 55 índios do Alto Xingu, o chefe Aritana Yawalapiti e outras lideranças indígenas e locais como o governador Joaquim Roriz. Por seu empenho pessoal pela abertura do espaço e por sua liderança, Aritana recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, a mais alta condecoração do Distrito Federal.[2]

Em 2020, mais de 31 mil pessoas visitaram o museu, tendo uma média de 2.500 visitantes por mês.[3][4]

Arte indígena feita nas paredes em 2015.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A estrutura do MPI é comparada a uma taba modernista, inspirado em seu mestre, o francês Le Corbusier, Niemeyer, trouxe a leveza da curva ao concreto, que seu mentor insistia ser reto. Exemplo disto é o prédio do Memorial, um edifício circular inspirado na taba dos povos Yanomami, com apenas uma água contínua, aberta por fora.[5]

A estrutura em concreto armado, formado por uma galeria curva e em declive (área expositiva e auditório), na parte interna do memorial é revestida por vidro que permite uma visão da arena interna, atualmente utilizada para apresentações e rituais indígenas. A área construída é de aproximadamente 1600 metros quadrados, com setenta metros de diâmetro.[6][4]

Espaços[editar | editar código-fonte]

Exposição de peças dos povos Wayana-Aparaí.

O museu conta com um espaço de exposições, um laboratório de restauro, um telecentro, com nome oficial de Estação Digital Mário Juruna, voltado a inclusão digital e pesquisas, um espaço para realização de eventos com capacidade para 300 pessoas e um jardim externo tem capacidade para 1.000 pessoas, além da arena para rituais indígenas.[4]

Tombamento[editar | editar código-fonte]

O memorial foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2007, ano em que o arquiteto Oscar Niemeyer completou cem anos de idade.[7]

Acervo[editar | editar código-fonte]

Vista interna do memorial

O Memorial tem cerca de 380 obras, peças representativas de vários povos brasileiros, como exemplares das coleção de Berta Gleizer Ribeiro e Darcy Ribeiro, Eduardo Galvão, Orlando Villas-Boas e outros pesquisadores, incluindo a arte plumária dos Urubu-Kaapor, bancos de madeira dos Yawalapiti, Kuikuro e Juruna, máscaras e instrumentos musicais do Alto Xingu e Amazonas.[2][8][3]

Gestão[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Diário Oficial do Distrito Federal, Sandra Inga Wellington foi nomeada para exercer o Cargo em Comissão, de Gerente da Gerência do Museu dos Povos Indígenas, da Diretoria de Patrimônio Histórico e Artístico, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, nos dias 01 de Fevereiro de 2003 e 12 de Fevereiro de 2007, comprovando que foi a primeira gestora do Memorial dos Povos Indígenas.[9][10]

No dia 09 de maio de 2007, Marcos Terena assumiu a direção do memorial dos Povos Indígenas.[11] Era a primeira vez que um índio administrava o memorial. A posse ocorreu na data em que se comemora o Dia Internacional dos Povos Indígenas: 9 de agosto. Terena passou a ser o principal responsável pelo acervo, que, entre outras preciosidades, guarda a coleção de peças indígenas do ex-senador e antropólogo Darcy Ribeiro, adquiridas durante suas viagens à Amazônia e em outras expedições pelo país.

Marcos Terena assumiu o memorial sem orçamento preestabelecido, mas "com disposição de viabilizar o melhor funcionamento do museu". Segundo Marcos Terena, suas ações iniciais seriam no sentido de buscar parcerias com outras entidades. "Há uma demanda grande de pessoas que querem patrocinar eventos interculturais no espaço", adiantou.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Memorial dos Povos Indígenas – MPI». CNM - Cadastro Nacional de Museus. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  2. a b «Memorial dos Povos Indígenas». Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  3. a b «David Terena: 'A cultura do índio é do Brasil'». Agência Brasília. 14 de fevereiro de 2020. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  4. a b c «Memorial dos Povos Indígenas». Governo do Distrito Federal. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  5. ITS, Instituto Terceiro Setor (2007). Memorial do povos indígenas: maloca moderna. Brasília: S. n. p. 23. 120 páginas 
  6. SECEC (2019). Memorial dos Povos Indígenas. Brasília: S. n. p. 24. 62 páginas 
  7. «Uma galeria para Niemeyer». 7 de dezembro de 2007. Consultado em 11 de agosto de 2008. Arquivado do original em 12 de setembro de 2008 
  8. «Preservação e dinamização do Memorial Dos Povos Indígenas». Centro de Trabalho Indigenista. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  9. «Seção II - Atos do Poder Executivo» (PDF). Diário Oficial do Distrito Federal. 12 de fevereiro de 2007. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  10. «Seção II - Atos do Poder Executivo» (PDF). Diário Oficial do Distrito Federal. 1 de janeiro de 2003. Consultado em 10 de agosto de 2020 
  11. «Seção II - Atos do Poder Executivo» (PDF). Diário Oficial do Distrito Federal. 9 de maio de 2007. Consultado em 10 de agosto de 2020 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]