Mercadores da Atenção

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Benjamin Day, considerado o primeiro mercador da atenção pelo cientista Tim Wu.
Wikipedia Day em Nova Iorque, janeiro de 2017. Tim Wu à esquerda.

Mercadores da Atenção (do inglês Attention Merchants) cunhado pelo escritor Tim Wu em seu livro The Attetion Merchantes: The Epic Scramble to Get Inside Our Heads no qual ele conta o surgimento, evolução e técnicas usadas no fenômeno da atenção como comódite. Tim Wu é também criador do termo "neutralidade da rede".

Definição[editar | editar código-fonte]

Segundo o escritor e cientista Tim Wu, é considerado um mercador da atenção o indivíduo ou entidade que utiliza a atenção de segundos como produto para ser revendido à terceiros. A atenção neste caso, pode ser entendido como o tempo em que uma pessoa se dedica em alguma atividade proposta pelo mercador. [1]

História[editar | editar código-fonte]

A primeira sessão do seu livro conta a história de um indivíduo que decidiu criar um jornal impresso em na época de 1833 na cidade de Nova York em meio aos grandes jornais já existentes. O indivíduo em questão era o Benjamin Day[2] o primeiro mercador da atenção, segundo Tim Wu. O mesmo teve a ideia de vender seu jornal, o The Sun[3], considerado o primeiro jornal de baixo valor, a um preço muito inferir dos jornais concorrentes, deixando de lado a tradicional ideia de vender um produto acima do preço de custo, visando lucra com a vendagem do produto em si. A princípio, conta Tim em seu livro, Day iria ter um prejuízo com a produção, se não fosse a ideia por trás de sua decisão de publicar apenas notícias de cunho apelativo, das quais a maioria dos leitores não poderiam resistir em não adquirir o periódico para saber das notícias. Isso fez com que o seu jornal tivesse uma tiragem consideravelmente grande, comparada aos demais jornais da cidade. Após o sucesso de vendas, Day foi capaz de atrair anunciantes que estavam dispostos a pagar grandes quantias em dinheiro para ter seus produtos e serviços vinculados ao jornal de Day e assim atingir um grande público. Wu, Tim (2016). The Attention Merchants: The Epic Scramble to Get Inside Our Heads. [S.l.: s.n.]  [4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O comércio da atenção se dá através da propaganda, o mercador detentor de algum tipo de mídia, física ou digital, irá trabalhar ao máximo para deixar a sua mídia a mais atrativa possível de modo que atraia o maior número de clientes para os mesmos passem o máximo de tempo utilizando a plataforma. Por exemplo: jornais, revistas, sites, redes sociais, etc. Dessa forma o mercador terá maior poder de barganha para vender espaços em sua mídia para os anunciantes.[5]

Este fenômeno está presente em muitas das redes sociais de utilização gratuita. Por exemplo, o Facebook e a empresa Google podem ser tomados como pioneiros na atuação como me mercadores da atenção da era digital. A forma com que as empresas levantam fundos para se manterem e ampliarem seus negócios se dá da forma citada acima. Grande esforço das companhias estão focados em manter seus usuários conectados o máximo de tempo possível, e assim garantir que o mesmo estejam expostos aos anúncios das empresas que por sua vez, pagam pelo serviço de propaganda dentro das plataformas Facebook e Google. Dessa forma, garantindo aos anunciantes que o público alvo esteja o máximo de tempo disponível visualizando os anúncios. Dessa forma, os mercadores poderão vender mais facilmente espaços de anúncios para as empresas interessadas em divulgar seus produtos e serviços. Wu, Tim (2016). The Attention Merchants: The Epic Scramble to Get Inside Our Heads. [S.l.: s.n.]  [6]

Diagrama ilustrativo do "Filtro-bolha" online.

Meios de obtenção da atenção de usuário[editar | editar código-fonte]

Há várias maneiras diferentes de obter-se a atenção dos usuários, algumas delas mais explicitas e outras mais sutis que apenas estudioso do assunto podem perceber e apontar.

  1. Formas explicitas:
    1. Fake News ou Clickbait - Técnica usada para atrair usuários pela divulgação de noticias falsas que despertam a curiosidade do leitor devida a suas manchetes, geralmente, salicionalistas envolvendo muitas vezes celebridades, locais famosos, acontecimento pitoresco, etc.[7]
    2. Imagens Apelativas – Fotos, muitas fezes falsas (editadas) que apresentam celebridades em alguma situação inusitada ou montagens fotográficas com objetivo de despertar a curiosidade.
    3. Sensualidade – Uso abusivo de imagens com apelo sexual com a finalidade de atrair usuários.
  2. Formas implícitas:
    1. Algoritmos de filtragem – Fórmula utilizadas pelas redes sociais, tais como Facebook, Instagram e Youtube, que filtram o conteúdo visualizado pelo que o usuário de acordo com as informações de seu perfil. Por exemplo, um usuário que prefere de basquete à futebol, será terá sua rede social preenchida de informações e notícias relacionadas ao basquete, haverá propaganda de produtos do seu esporte favorito, e pessoas que também gostam do mesmo esporte serão sugeridas a ele para se tornarem amigos na rede. Este usuário será parcialmente ou totalmente privado de notícias do âmbito do futebol. Dessa forma, este usuário em questão estará sempre satisfeito com o conteúdo disponível em seu feed de notícias, passando mais tempo na mesma.[8]
    2. Conteúdos Relacionados – Raramente um conteúdo que é buscado pelo usuário nas ferramentas de busca será exposto sem que outros assuntos correlacionados sejam também sugeridos, despertando a curiosidade do usuário para continuar com a apreciação de novos conteúdo, mesmo que não seja aquilo que originalmente o usuário estava à procura. Isso é muito comum no Youtube, no qual vídeos são postos em fila de espera para serem assistidos logo após o vídeo atualmente visualizado tenha terminado, isso acontece por padrão, mesmo que o usuário não o tenha solicitado.
    3. Conteúdo Personalizado – Ao realizar uma busca sobre o mesmo assunto no buscador do Google, duas pessoas de localidade diferentes, utilizando navegadores diferentes e com preferencias diferentes (registradas pela Google previamente) têm resultados distintos. Os resultados gerados pelos algoritmos de filtragem são sempre modelados de acordo com o perfil do solicitante da informação, sendo assim, a possibilidade do usuário permanecer conectado é aumentada, pois lhe será oferecido informações mais relevantes em relação ao ponto de visto do solicitante da informação.[9]

Efeitos da atenção como mercadoria[editar | editar código-fonte]

  1. programa que promete remover anúncios indesejados dos navegadores de internet.
    Um dos principais efeitos da molagem do conteúdo alcançável por um usuário é o fato de que o mesmo será muitas vezes privado de determinados conteúdos que o fariam enxergar outros ponto de vista daquilo que está a procura. Sendo assim, não dando chance a este de aguçar seu senso crítico ao se deparar com informações diversas sobre um mesmo assunto. A esse efeito, em relação às redes sociais, se dá o nome de bolhas sociais, nas quais a disponibilidade de informação é monótona por apenas expor um ponto de vista em detrimento da pluralidade de informações sobre determinado assunto.
  2. Segundo Eli Pariser, se comparado o consumo de informação com o consumo de alimentos, estaríamos sendo alimentados pela internet com apenas um tipo de informação, sob medida dos nosso gostos pessoais, assim como estaríamos nos alimentando apenas um tipo de alimento. Por exemplo, da mesma forma que uma dieta só de carboidratos não satisfaz as necessidade do corpo humano, o consumo de informação baseada apenas no ponto de vista de quem a solicita, também não é suficiente par que se possa ter uma visão holística e crítica sobre um determinado assunto.[10]
  3. Outro efeito da polarização da informação é a criação de grupos ou sociedades ressonantes. Nas quais as redes sociais atuam como uma Câmara de eco, na qual apenas é fornecido e sugerido ao usuário conteúdos que vão de acordo com o que o mesmo publica, não dando oportunidade aos usuários de terem acesso à ideias confrontantes. Um bom exemplo disto foi o cenário brasileiros durante o processo de impeachment do ultimo presidente do Brasil no ano de 2016, no qual usuários a favor do impeachment tinham suas redes sociais cheias de notícias de fontes independentes ou movimentos pró impeachment e de comentários de outros usuários que endorsavam a sua opinião, com pouco ou nenhum acesso a ideias e opiniões contrárias. O mesmo fenômeno acontecia com aqueles que eram contra o processo de impeachment . Os mesmo tinham pouco ou nenhum acesso a opiniões e ideias contrárias as suas em suas timelines.[11]
  4. Grande parte das tarefas que demandam atenção do individuo como trabalho e estudos, são realizados nos dias atuais com o auxilio de dispositivos conectados a internet, sendo assim, o bombardeio de informação, muitas vezes personalizadas e, por isso, relevante ao indivíduo levam o mesmo a desviarem sua atenção daquilo que têm como prioridade no ambiente da web. Outro efeito mais direto é o aumento do consumismo de itens que muitas vezes usuários não tem a necessidade.
  5. Uma possível resposta a falta de espaços livre de propaganda nas internet, pode ser a saturação dos usuários insatisfeitos com o invasão de privacidade, praticado por algoritmos traçadores de perfis. Dessa forma, pode haver a culminância de uma revolução cívica digital contra tais práticas.
  6. O aumento do uso e melhoramento de algoritmos de bloqueadores de anúncios. Devido a grande insatisfação e a inconveniência gerados pelos anúncios nas mais diversas atividades realizada por usuários da internet, é possível que haja uma maior procura por parte desdes por esse tipo de programa.[12]
  7. Outra consequência, que também pode ser visto como uma solução, é o surgimento de concorrentes das atuais redes sociais e plataformas de serviços livres de anúncios e que cobram uma pequena taxa pelo serviço. Taxa esse que pode ser justa aos olhos dos usuários ao se depararem com a oportunidade de terem em seus feeds dados úteis mesclados com anúncios e propagandas.

Veja também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Tim,, Wu,. The attention merchants : the epic scramble to get inside our heads. [S.l.: s.n.] ISBN 9780385352017. OCLC 934676297 
  2. «Benjamin Day (publisher)». Wikipedia (em inglês). 29 de maio de 2017 
  3. «The Sun (New York)». Wikipedia (em inglês). 21 de março de 2017 
  4. Tim,, Wu,. The attention merchants : the epic scramble to get inside our heads. [S.l.: s.n.] ISBN 0385352018. OCLC 934676297 
  5. «Dos campeões de audiência à guerra pela sua atenção». revistaepoca.globo.com 
  6. Tim,, Wu,. The attention merchants : the epic scramble to get inside our heads. [S.l.: s.n.] ISBN 0385352018. OCLC 934676297 
  7. Blom, Jonas Nygaard; Hansen, Kenneth Reinecke (1 de janeiro de 2015). «Click bait: Forward-reference as lure in online news headlines». Journal of Pragmatics. 76: 87–100. doi:10.1016/j.pragma.2014.11.010 
  8. «Algoritmo Facebook: Usuários transformam seus murais no Facebook em 'bolhas' ideológicas | Tecnologia | EL PAÍS Brasil». Brasil.elpais.com. Consultado em 19 de junho de 2017 
  9. «Eli Pariser: Tenha cuidado com os "filtros-bolha" online. | TED Talk». TED.com. Consultado em 19 de junho de 2017 
  10. Pariser, Eli (1304298000), Eli Pariser: Tenha cuidado com os "filtros-bolha" online. (em inglês), consultado em 21 de junho de 2017  Verifique data em: |data= (ajuda)
  11. http://www.ibpad.com.br/blog/comunicacao-digital/analise-de-redes-para-compreender-a-polarizacao-politica-do-brasil-no-facebook/
  12. «Quanto vale a sua atenção? | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 26 de junho de 2017 

Leitura Adicional[editar | editar código-fonte]

[1]

TED - Eli Pariser: Tenha cuidado com os "filtros-bolha" online

FILTER BUBBLES, ECHO CHAMBERS, AND ONLINE NEWS CONSUMPTION

[2]

[3]