Meteorito Murchison

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Meteorito Murchison
Murchison crop.jpg
Características
Classe
Stony meteorite (d)Visualizar e editar dados no Wikidata
Endereço
Coordenadas
Exploração
Data de descoberta
Epónimo
Murchison (en)Visualizar e editar dados no Wikidata
Localização no mapa de Austrália
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Fragmento do meteorito Murchison (à direita) e partículas individuais isoladas (mostram-se no cano de ensaio).

O meteorito Murchison recebe o seu nome da localidade de Murchison, Victoria, na Austrália. Os fragmentos do meteorito caíram sobre a localidade em 28 de setembro de 1969. O meteorito, uma condrito carbonácea tipo II (CM2) continha aminoácidos comuns como a glicina, alanina e ácido glutâmico, mas também alguns pouco comuns como a isovalina e xantina.[1][2]

Em janeiro de 2020, os astrônomos relataram que o material mais antigo encontrado na Terra,[3] até agora, são partículas de meteorito de Murchison que foram determinadas com 7 bilhões de anos, 2,5 bilhões de anos a mais que a idade de 4,54 bilhões de anos da própria Terra.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Em 28 de setembro de 1969, por volta das 10h58, horário local, perto da cidade de Murchison, Victoria, na Austrália, observou-se uma bola de fogo brilhante se separar em três fragmentos antes de desaparecer, deixando uma nuvem de fumaça.[5] Cerca de 30 segundos depois, um tremor foi ouvido.[6] Era o meteorito de Murchison, com cerca de 100 kg, que havia caído na Terra.[7]

O relatório inicial estabeleceu que os aminoácidos eram racémicos, apoiando a teoria de que a sua fonte era extraterrestre. Isolou-se também uma mistura complexa de alcanos que era similar à encontrada na experiência de Miller e Urey. A serina e a treonina consideram-se habitualmente como contaminantes terrestres e estes compostos se encontravam notavelmente ausentes nas mostras.[carece de fontes?]

Mais investigações encontraram que alguns aminoácidos estavam presentes em excesso enantiômérico.[8] A homoquiralidade considera-se uma propriedade biológica única. Punham-se em entredito algumas afirmações sobre a base de que os aminoácidos que entram nas proteínas não eram racémicos no meteorito, enquanto o resto o eram.[9]

Em 1997 as investigações mostraram que os enantiómeros individuais de Murchison estavam enriquecidos com o isótopo 15N do nitrogênio em comparação com os seus correspondentes terrestres, o que confirmava uma fonte extraterrestre do excesso do enantiómero L-enantiomer no sistema solar.[10] À lista de materiais orgânicos identificados no material do meteorito acrescentou-se-lhe o poliol em 2001.[11]

Par de grãos do metorito Murchison.

Abundando na ideia de que a homoquiralidade (a existência de um único aminoácidos da série L e açúcares da série D) foi provocada pela deposição de moléculas quirais dos meteoritos, a investigação demonstrou em 2005 que os aminoácidos como a L-prolina é capaz de catalisar a formação de açúcares quirais. A catálise é não linear, o que significa que a prolina num excesso enantiomérico de 20% produz uma alosa com um excesso enantiomérico de 55% começando com o benziloxiacetaldeído numa reacção sequencial de tipo aldólica num dissolvente como o DMF.[12] Em outras palavras uma pequena quantidade de aminoácidos quirais poderiam explicar a evolução dos açúcares de série D.[carece de fontes?]

Conservação[editar | editar código-fonte]

De acordo com Engel, muitas linhas de evidência indicam que as porções interiores dos fragmentos bem conservados do meteorito Murchison são pristinas (estavam intactas). Engel assinala à faixa de aminoácidos que contém o meteorito e aos estudos de isótopos para assentar a sua posição. Outros cientistas estão igualmente convencidos de que a evidência prova o oposto: de que o Meteorito Murchison está agora totalmente contaminado por material orgânico terrestre.[carece de fontes?]

Referências

  1. Martins, Zita; Oliver Botta, Marilyn L. Fogel Mark A. Sephton, Daniel P. Glavin, Jonathan S. Watson, Jason P. Dworkin, Alan W. Schwartz, Pascale Ehrenfreund. Available online 20 March 2008. «Extraterrestrial nucleobases in the Murchison meteorite» (PDF). Earth and Planetary Science Letters. Consultado em 7 de outubro de 2008 
  2. Kvenvolden, Keith A.; Lawless, James; Pering, Katherine; Peterson, Etta; Flores, Jose; Cyril Ponnamperuma; Kaplan, Isaac R.; Moore, Carleton (1970). «Evidence for extraterrestrial amino-acids and hydrocarbons in the Murchison meteorite». Nature. 228 (5275): 923–926 
  3. «Exciting! The oldest material on Earth discovered». Tech Explorist (em inglês). 14 de janeiro de 2020. Consultado em 14 de janeiro de 2020 
  4. Rincon, Paul (13 de janeiro de 2020). «Oldest material on Earth discovered» (em inglês) 
  5. Rosenthal, Anne M. (12 de fevereiro de 2003). «Murchison's Amino Acids: Tainted Evidence?». Astrobiology Magazine 
  6. Matson, John (15 de fevereiro de 2010). «Meteorite That Fell in 1969 Still Revealing Secrets of the Early Solar System». Scientific American 
  7. Domínguez, Nuño (14 de janeiro de 2020). «Achado dentro de um meteorito um material mais antigo que a Terra». EL PAÍS. Consultado em 23 de janeiro de 2020 
  8. Engel, Michael H.; Nagy, Bartholomew (29 de abril de 1982). «Distribution and enantiomeric composition of amino acids in the Murchison meteorite». Nature. 296: 837–840. doi:10.1038/296837a0 
  9. Bada, Jeffrey L.; Cronin, John R.; Ho, Ming-Shan, Kvenvolden, Keith A.; Lawless, James G.; Miller, Stanley L.; Ouro, J.; Steinberg, Spencer (10 de fevereiro de 1983). «On the reported optical activity of amino acids in the Murchison meteorite». Nature. 301: 494–496. doi:10.1038/301494a0 
  10. Engel, Michael H.; Macko, S. A. (1 de setembro de 1997). «Isotopic evidence for extraterrestrial non-racemic amino acids in the Murchison meteorite». Nature. 389: 265–268. doi:10.1038/38460 
  11. Cooper, George; Kimmich, Novelle; Belisle, Warren; Sarinana, Josh; Brabham, Katrina; Garrel, Laurence (20 de dezembro de 2001). «Carbonaceous meteorites as a source of sugar-related organic compounds for the early Earth». Nature. 414: 879–883. doi:10.1038/414879a 
  12. Córdova, Armando; Engqvist, Magnus; Ibrahem, Ismail; Casas, Jesús; Sundén, Henrik (2005). «Plausible origins of homochirality in the amino acid catalyzed neogenesis of carbohydrates». Chem. Commun.: 2047–2049. doi:10.1039/b500589b 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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