Michèle Bennett

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Michèle Bennett foi primeira-dama do Haiti e ex-mulher do antigo presidente vitalício do Haiti, Jean-Claude Duvalier. [1] Atualmente mora na França, onde passou a viver depois que seu marido foi exilado do Haiti. Ela se divorciou de Duvalier em 1990.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Michèle Bennett nasceu em Port-au-Prince, Haiti, em 1950, é filha de Ernest Bennett, um empresário haitiano (e descendente de Henri Christophe, o rei do Haiti) e Aurore Ligonde. [2][3] Seu pai era dono de mais de 50.000 hectares de terras – que cultivava principalmente café - e empregava 1.600 trabalhadores nas propriedades, além de mais 900 em seus negócios. [4] Seu tio era o Arcebispo católico-romano do Haiti, Dom François-Wolff Ligondé. [5] Os Bennetts são mulatos de pele clara (mestiços), em um país de maioria negra. [6]

Aos 15 anos, Bennett se mudou para Nova York, onde foi educada na St. Mary's School em Peekskill, Nova York. Ela passou a trabalhar como secretária em uma empresa de sapatos na Garment District em Nova York. [4] Em 1973, ela se casou com Alix Pasquet, o filho do capitão Alix Pasquet, um conhecido oficial mulato e membro do Tuskegee Airmen, que em 1958 liderou uma tentativa de golpe contra François Duvalier. Com Pasquet, ela teve dois filhos, Alix Jr. e Sacha. [7]Depois de divorciar de Pasquet em 1978, ela teve uma carreira em relações públicas na Habitation LeClerc, um hotel de luxo em Port-au-Prince. [8]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Bennett conheceu Jean-Claude Duvalier na escola, embora o casal não se envolvesse romanticamente até dez anos mais tarde. [9] Em 1980, Bennett se casou com o presidente Duvalier. O seu casamento, foi o evento social da década no Haiti, custando um inédito US$3 milhões e foi recebido com entusiasmo pela maioria dos haitianos. [9] A Sra. Duvalier a princípio tornou-se querida com a população através da distribuição de roupas e alimentos para os necessitados, bem como a abertura de várias clínicas médicas e escolas para os pobres. [1] Nas seis semanas seguintes ao casamento, Michèle e Jean-Claude percorreram o Haiti, aparecendo inesperadamente em reuniões, mercados e outros locais públicos, o qual renderam-lhes "mais olhares e palavras de aprovação em toda parte". [4][9] Em uma visita ao Haiti, Madre Teresa comentou que ela "nunca tinha viu pessoas pobres serem tão familiarizadas com o seu chefe de Estado como eram com [Michèle]". [10] Os Duvalier tinham dois filhos, François Nicolas e Anya. [11]

O casamento representava uma aliança simbólica com a elite mulata - essas mesmas famílias se opuseram ao pai de Jean-Claude [12][4] Isto resultou com a mãe de seu marido, Simone Duvalier (que se opôs ao casamento), a ser marginalizada politicamente, que por sua vez criou novas alianças entre facções dentro do grupo dominante uma vez que a velha guarda duvalierista era de opinião que o poder da nova primeira dama parecia ultrapassar o do seu marido. Enquanto Jean-Claude muitas vezes cochilava completamente nas reuniões do Gabinete, sua esposa, frustrada por sua inépcia política, repreendia ela mesma os ministros. [11]

Críticas ao regime[editar | editar código-fonte]

As denúncias ou associações com a corrupção assolaram o casamento Duvalier-Bennett. O pai de Michèle, Ernest Bennett, se aproveitou de sua conexão presidencial para estender os interesses em seus negócios, a partir de sua concessionária BMW, para o café e a exportação de cacau, a Air Haiti; cujos aviões, Bennett fazia - segundo rumores - o transporte de drogas. [7][13] Em 1982, Frantz Bennett, irmão de Michèle, foi preso em Porto Rico por tráfico de drogas, e foi condenado a uma pena de prisão de três anos. [7]

A família da Sra. Duvalier acumulou uma fortuna durante a última parte da ditadura de Jean Claude. Até o final de seu regime de 15 anos, Duvalier e sua esposa se tornariam famosos por sua corrupção. [7] O Palácio Nacional se tornou palco de opulentas festas à fantasia, onde o jovem presidente certa vez apareceu vestido como um sultão turco para distribuir joias de 10 mil dólares como prêmios de entrada. [7]

Durante uma visita ao Haiti em 1983, o Papa João Paulo II declarou que "as coisas devem mudar aqui", exortando que "todos aqueles que têm o poder, riquezas e cultura, para que possam compreender a grave e urgente responsabilidade de ajudar os seus irmãos e irmãs". [14][15] Uma revolta popular contra o regime começou logo depois disso. Duvalier respondeu com uma redução de 10 por cento nos preços dos alimentos básicos, o fechamento de estações de rádio independentes, uma remodelação do gabinete, e uma repressão por unidades da polícia e do exército, mas essas ações não conseguiram arrefecer o ímpeto da revolta popular. A esposa de Jean-Claude e conselheiros pediram-lhe para acabar com a rebelião para que ele permaneça no cargo. Em resposta à crescente oposição aos 28 anos do regime dos Duvalier, em 7 de fevereiro de 1986, os Duvalier abandonaram o país em um avião estadunidense acompanhados por 19 pessoas. [16][17]

Exilio[editar | editar código-fonte]

Os governos da Grécia, Espanha, Suíça, Gabão e Marrocos recusaram todos os pedidos da família Duvalier de asilo político. A França concordou em dar aos Duvalier uma entrada temporária, mas também lhes negou asilo. [18] Como parte de uma investigação sobre as denúncias de saques, as autoridades invadiram a casa alugada de Jean-Claude e Michèle em Mougins logo depois que eles chegaram à Europa. As autoridades encontraram a Sra. Duvalier tentando "limpar" um notebook no vaso sanitário. Ele registrou US$168.780 dólares em roupas da Givenchy, US$270.200 dólares de joias da Boucheron, US$9.752 para selas de cavalos da Hermès para as duas crianças, US$68.500 dólares por um relógio, US$13.000 para uma semana de estadia em um hotel de Paris. [19] Em 1987, o Duvalier ganhou um processo judicial que tentava mantê-los responsáveis por reembolsar o dinheiro para o Haiti. [20]

Em 1990, a ex-primeira dama se divorciou de Duvalier. O ex-ditador pediu o divórcio na República Dominicana, acusando a mulher de "atos imorais". [21] A Sra. Duvalier contestou a decisão, voando para a República Dominicana para obter uma reversão antes que seu marido prevalecesse em um terceiro tribunal. [21] A Sra. Duvalier estava no momento vivendo com outro homem em Cannes; ela recebeu uma pensão alimentícia e de apoio às crianças [21] Em 2012, o passaporte de Jean-Claude Duvalier foi renovado pelas autoridades haitianas [22]

No rescaldo do terremoto do Haiti de 2010, que afetou milhões, Michèle Bennett voltou ao Haiti e se juntou a uma equipe de busca e resgate para procurar seu irmão Rudy Bennett nos escombros do Hotel Montana. [23] A ex-primeira dama retornaria ao local um ano mais tarde para uma cerimônia de comemoração. [24]

Nos últimos 16 anos, ela viveu na França, onde ela atualmente utiliza o nome de solteira .[19] Ela fala fluentemente o inglês e o francês. [25]

Referências

  1. a b «Duvalier's wife claims full partnership». Ottawa Citizen [S.l.: s.n.] 4 de janeiro de 1986. 
  2. Ernest BENNETT
  3. Georgie BENNETT
  4. a b c d Brian Vine (5 de julho de 1981). «In Opulent Cocoon, Haiti's First Lady Talks of Poverty». The Palm Beach Post [S.l.: s.n.]  Erro de citação: Invalid <ref> tag; name "palmbeachpost" defined multiple times with different content
  5. Andrew Reding. Democracy and Human Rights in Haiti World Policy Reports (March 2004). pgs. 93, 115.
  6. "Haiti today: tranquility on the abyss." The Globe and Mail. 30 de Novembro de 1981.
  7. a b c d e Danner, Mark (11 de Dezembro de 1989). «Beyond the Mountains (Part III)». The New Yorker [S.l.: s.n.] Consultado em 2011-01-20. 
  8. Peter Carlson, "Dragon Ladies Under Siege". People, Vol. 25, No. 9, 3 de março de 1986.
  9. a b c James Nelson Goodsell (15 de julho de 1980). «Haitians wonder which advisers will have Duvalier's ear». Christian Science Monitor [S.l.: s.n.] 
  10. David Aikman (2003). Great Souls: Six Who Changed a Century Lexington Books [S.l.] 
  11. a b Moody, John (10 de fevereiro de 1986). «Haiti Bad Times for Baby Doc». Time [S.l.: s.n.] Consultado em 2011-01-20. 
  12. «Baby Doc's Bride Wins Power». Observer-Reporter [S.l.: s.n.] 16 de abril de 1981. 
  13. Joseph B. Treaster (14 de Junho de 1986). «U.S. Officials Link Duvalier Father-in-Law to Cocaine Trade». The New York Times [S.l.: s.n.] 
  14. "Things Must Change Here". TIME. 21 de março de 1983.
  15. 'Things in Haiti must change' pope tells Duvalier. The Spokesman-Review. 10 de março de 1983.
  16. C-141 PASSENGER LIST
  17. Christine Wolff (12 de Junho de 1986). «Baby Doc to Walters: 'Did best I could'». The Miami News [S.l.: s.n.] 
  18. Haiti End of the Duvalier Era
  19. a b Valbrun, Marjorie (16 de março de 2003). «Exile in France Takes Toll On Ex-Tyrant 'Baby Doc'». Wall Street Journal [S.l.: s.n.] Consultado em 2011-01-20. 
  20. Randal, Jonathan (24 de Junho de 1987). «Haiti Loses Lawsuit Against Duvalier; French Court Sets Back Government Bid to Recover $150 Million». Washington Post [S.l.: s.n.] Consultado em 2013-01-29. 
  21. a b c "Divorced for Life", New York Times, 24 de Junho de 1990.
  22. «Duvalier attorney: Haiti officials renew diplomatic passport for 'Baby Doc'». Fox News [S.l.: s.n.] 5 de janeiro de 2013. 
  23. Sontag, Deborah (14 de fevereiro de 2010). «Haiti Emerges From Its Shock, and Tears Roll». New York Times [S.l.: s.n.] Consultado em 2011-01-20. 
  24. Charles, Jacqueline (25 de janeiro de 2011). «For Haiti, no payback after Duvalier's reign». Miami Herald [S.l.: s.n.] Consultado em 2011-01-27. 
  25. Walters, Barbara. [http://www.nytimes.com/1986/06/29/arts/tv-tactics-backstage-with-the-duvaliers.html? pagewanted=all TV TACTICS: BACKSTAGE WITH THE DUVALIERS]. The New York Times. 29 de Junho de 1986.