Michel Ney

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Michel Ney
Marechal da França Michel Ney
Nascimento 10 de janeiro de 1769
Saarlouis, França
Morte 7 de dezembro de 1815 (46 anos)
Paris, França
Nacionalidade Francês
Serviço militar
Lealdade Royal Standard of the King of France.svg Reino da França
Flag of France (1794-1815).svg Primeira República Francesa
Flag of France.svg Primeiro Império Francês
Flag of the Kingdom of France (1814-1830).svg Reino da França
Serviço Exército Real Francês
Exército Revolucionário Francês
Grande Armée
Tempo de serviço 1787–1815
Patente Marechal
Comando VI Corpo do Exército
III Corpo do Exército
Batalhas/Guerras Guerras revolucionárias francesas
Guerras Napoleônicas

Michel Ney, 1º Duque de Elchingen, 1º Príncipe da Moskowa (Saarlouis, 10 de janeiro de 1769Paris, 7 de dezembro de 1815), conhecido como Le Rougeaud (O avermelhado) e le Brave des Braves (O bravo dos bravos) foi um comandante francês nas Guerras revolucionárias francesas e nas Guerras napoleônicas e um dos dezoito Marechais da França instituídos por Napoleão Bonaparte.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Local do nascimento de Ney em Saarlouis.

Michel Ney nasceu em Saarlouis, França, sendo o segundo filho do casal Pierre Ney, veterano da Guerra dos Sete Anos e Margarethe Grewelinger.

À época, sua cidade natal era um pequeno enclave de língua francesa, em uma região predominantemente de língua alemã, motivo pelo qual Ney falava ambos os idiomas com perfeição.

Educado no Collège des Augustins, chegou a trabalhar em um Cartório de Notas e em outras atividades, mas a vida civil não o aprazia. Assim, no ano de 1787, mesmo contra os conselhos de seu pai, alistou-se em Metz, no regimento dos hussardos. Após passar por graduações mais baixas, tornou-se um oficial não comissionado no período da revolução francesa.

Revolução Francesa[editar | editar código-fonte]

O general Kleber nomeou-o tenente do exército do Reno em 1792, promovido à capitão tornou-se chefe de esquadrão e chefe adjunto - chefe da brigada geral em outubro de 1794. Servindo no Exército do Norte de 1792 a 1794, tomou parte nas batalhas de Valmy e de Neerwinden, dentre outras. Durante o cerco de Mainz foi ferido em junho de 1794.

Ney foi promovido a general de brigada em agosto de 1796, passando a comandar a cavalaria nas frentes alemãs. Em 17 de abril de 1797, durante a Batalha de Neuwied, liderou uma formação de cavalaria contra lanceiros austríacos que tentavam tomar os canhões franceses. Os lanceiros foram batidos, mas a cavalaria de Ney foi contra-atacada pela cavalaria inimiga. Durante a refrega, Ney foi jogado de seu cavalo e capturado nas proximidades do município de Dierdorf, regressando no dia 8 de maio após ser trocado por um general austríaco que fora feito prisioneiro pelos franceses.

Depois da captura de Mannheim, Ney foi promovido a general de divisão em março de 1799, passando a comandar a cavalaria nos exércitos da Suíça e do Danúbio. Durante a Batalha de Winterthur Ney recebeu feridas na coxa e no pulso. Depois de se recuperar, lutou em Hohenlinden sob o comando do general Moreau em dezembro de 1800. A partir de setembro de 1802, Ney passou a comandar as tropas francesas na Suíça e a desempenhar funções diplomáticas.

Em 5 de agosto de 1802, casou-se com Aglaé Auguié, amiga de Hortense de Beauharnais. O casamento ocorreu em Grignon.

Após o golpe de estado do 18 de Brumario, Ney tornou-se enviado extraordinário e Ministro Plenipotenciário da República Helvética em 1802, onde conseguiu impor o governo unitário almejado pelo Primeiro Cônsul (Napoleão Bonaparte) e pacificou este país ameaçado de guerra civil, o que lhe valeu a estima de Talleyrand. Neste período também travou amizade com o historiador militar Antoine de Jomini, que lhe causou profunda impressão, tornando-se uma grande influência.

Nomeado comandante do Exército de Compiègne em 1803, comandou o 6º corpo em Montreuil no acampamento de Boulogne, rascunho do futuro Grande Armée.

Primeiro Império[editar | editar código-fonte]

Em 18 de maio de 1804, o Império foi proclamado. Ney recebeu o bastão de Marechal. Durante a campanha de 1805, assumiu o comando do VI Corpo do “Grande Armée” e foi elogiado por sua conduta na Batalha de Elchingen. Em novembro deste mesmo ano, Ney invadiu o Tirol, capturando Innsbruck após vencer as forças do arquiduque João D’Áustria.

Na campanha de 1806, Ney lutou em Jena onde levou suas divisões ao assalto das linhas prussianas, porém, levado pelo seu ímpeto, acabou cercado; sendo salvo graças a intervenção das forças do general Lannes. Ocupou Erfurt, sitiando mais tarde, com sucesso, a cidade de Magdeburg. Na campanha de 1807, Ney chegou com reforços a tempo de salvar Napoleão de uma derrota certa em Eylau; ainda que a batalha tenha terminado de maneira indecisa. Posteriormente, Ney lutou em Güttstadt e comandou com distinção a ala direita dos franceses na Batalha de Friedland.

Em 6 de Junho de 1808, Ney foi feito duque de Elchingen; sendo enviado para a Espanha em agosto, no comando do VI Corpo, tomando parte da Guerra Peninsular. Em 1809, enfrentou uma força anglo-portuguesa sob o comando de Sir Robert Wilson em Baños. Em 1810, Ney se juntou ao marechal Masséna na segunda invasão de Portugal, onde tomou Ciudad Rodrigo aos espanhóis e Almeida aos luso-britânicos, derrotando ainda uma força britânica no rio Côa. Lutou finalmente na Batalha de Bussaco, onde os franceses foram derrotados.

Durante a retirada de Torres Vedras, Ney engajou as forças de Wellington em uma série de ações de retaguarda louvadas (Pombal , Redinha , Casal Novo , Foz d'Arouce) através das quais atrasou as forças inimigas perseguidoras pelo tempo suficiente para permitir que a principal força francesa recuasse sem ser confrontada. Devido a sua relação conflituosa com os demais comandantes (generais Sout e Massena), Ney foi demitido de seu comando em 22 de março de 1811; retornando à Paris, onde Napoleão o designou para a formação das tropas francesas estacionadas no Bois de Boulogne.

Ney recebeu o comando do III Corpo durante a invasão da Rússia em 1812. Durante a Batalha de Smolensk, foi ferido de raspão no pescoço, mas recuperou-se o suficiente para depois lutar no setor central em Borodino. Durante a retirada de Moscou, comandou a retaguarda (havia uma anedota que o designava como "o último francês em solo russo" por conta disso). Após perder contato com o exército principal depois da derrota na batalha de Krasnoi, Ney conseguiu escapar graças a um forte nevoeiro sobre o Dnieper; alcançando Napoleão em Orsha, após três dias de marcha e manobras audazes.

Durante a Batalha de Berezina as forças de Ney mantiveram uma ponte vital em Kovno (atual Kaunas), o que permitiu a passagem de parte do exército francês remanescente e onde a lenda retrata Ney como o último dos invasores a atravessar a ponte e deixar a Rússia. Em 25 de março de 1813, Michel Ney recebeu o título de Príncipe de Moskowa, pelos seus feitos durante a campanha russa, sendo chamado por Napoleão de “O bravo dos bravos”.

Durante a campanha de 1813, Ney lutou na batalha de Weissenfels. Foi levemente ferido em Lützen e comandou a ala esquerda na Batalha de Bautzen. A seguir lutou em Dennewitz, onde expôs o flanco de seu exército às forças prussianas comandadas pelo tenente-general von Bülow, o que lhe custou a derrota, vendo-se então forçado a recuar para Torgau. Após recompor suas forças tomou parte na Batalha de Leipzig, onde foi novamente ferido.

Na campanha de 1814 na França, Ney lutou diversas batalhas e comandou várias unidades.

Após a derrota, reunido com o estado maior em Fontainebleau, exortou o imperador a abdicar e a negociar uma paz honrosa com os Bourbon, o que lhe valeu o título de par de França durante a restauração sob Luis XVIII.

Restauração[editar | editar código-fonte]

Ney foi o primeiro dos marechais a aderir à restauração após a capitulação de Paris e o exílio de Napoleão na Ilha de Elba.

A Restauração foi um período contrastante para o Marechal Ney, bem como para todos os outros "filhos" da Revolução Francesa.

Ney, foi comandante-chefe da cavalaria francesa e governador da 6ª Divisão Militar, mas os círculos aristocráticos e os antigos emigrados ridicularizavam a nova nobreza feita pelo "usurpador", considerando Ney um plebeu por condição de nascimento.

Durante o retorno de Napoleão à França, Ney, decidido a manter a paz e a mostrar sua lealdade a Luís XVIII, organizou uma força para deter a marcha de Napoleão sobre Paris. Declarando que a traria Napoleão de volta vivo em uma gaiola de ferro.

Napoleão, ciente dos planos de Ney, enviou-lhe uma carta que dizia, em parte: "Eu o receberei como fiz depois da Batalha da Moskowa". Apesar de sua promessa ao rei, Ney se juntou a Napoleão em Auxerre, à 18 de março de 1815, acarretando a fuga de Luis XVIII e sua corte para Bélgica.

Campanha dos Cem Dias[editar | editar código-fonte]

Em 15 de junho de 1815, Napoleão nomeou Ney comandante da ala esquerda do Exército do Norte. Em 16 de junho, as forças de Napoleão se dividiram em duas alas para lutar duas batalhas separadas e simultaneamente. Ney atacou Wellington no Quatre Bras; enquanto Napoleão atacava os prussianos de von Blücher em Ligny.

Em Ligny, Napoleão ordenou ao general d'Erlon que movesse seu corpo (na esquerda de Napoleão e na direita de Ney na época) para a parte traseira dos prussianos para cortar sua linha de retirada. D'Erlon começou a se mover para a posição, mas repentinamente parou e começou a se afastar, para a surpresa e o horror de Napoleão. O motivo da súbita mudança de movimento foi que Ney havia ordenado a d'Erlon que viesse em sua ajuda em Quatre Bras. Sem o corpo de D'Erlon bloqueando a linha de retirada dos prussianos, a vitória francesa em Ligny não foi completa, e os prussianos puderam preservar suas forças.

Durante a Batalha de Waterloo, Ney novamente comandou a ala esquerda do exército. A batalha iniciou-se por volta das três e trinta da madrugada, quando Ney ordenou uma carga de cavalaria em massa contra a linha dos coligados. A cavalaria de Ney invadiu a bateria dos canhões inimigos, mas encontrou a infantaria posicionada em formações de quadrado. Ney, sem apoio de infantaria, não conseguiu quebrar a formação inimiga. A ação ganhou críticas do próprio Ney, e alguns consideram que isso levou à derrota de Napoleão em Waterloo.

Ao final do dia, Ney liderou uma das últimas ações de infantaria, gritando para seus homens: "Venham ver como um marechal da França encontra sua morte!”. Era como se Ney buscasse a morte, mas a morte não o quisesse, como muitos observadores relataram.

Após a derrota, Napoleão e seu staff retornaram ao Elysee. O imperador fez com que seus marechais se sentissem culpados pela derrota, especialmente o Marechal Ney e o Marechal de Grouchy. O marechal Davout tomou a defesa de Ney dizendo: "Sire, ele colocou uma corda em volta do pescoço para servi-lo! "

Julgamento e Execução[editar | editar código-fonte]

Após a rendição Napoleão foi destronado e preso na Ilha de Santa Helena no verão de 1815. Ney foi preso em 3 de agosto daquele mesmo ano, no castelo de Bessonies, no Lote.

Considerado um traidor pelo regime de Luis XVIII, Michel Ney foi formalmente acusado, sendo julgado em 4 de dezembro de 1815 pela Câmara dos Pares.

Durante o julgamento, seu advogado André Dupin declarou que Ney era agora cidadão prussiano e não poderia ser julgado por uma corte francesa por traição, pois sua cidade natal de Sarrelouis havia sido anexada à Prússia de acordo com o Tratado de Paris de 1815; mas o próprio Ney arruinou seu esforço; interrompendo-o e afirmando: "Eu sou francês e vou permanecer francês".

Em 6 de dezembro de 1815, ele foi condenado; sendo executado por fuzilamento no dia seguinte, perto do Jardim do Luxemburgo junto a Avenida do Observatório, em Paris. Ney se recusou a usar uma venda e lhe foi permitido o direito de dar a ordem para disparar, o que fez alegadamente dizendo: “Soldados, quando eu der o comando para disparar, dispare diretamente ao meu coração. Aguarde o comando. Será o meu último para vocês. Eu protesto contra a minha condenação. Lutei uma centena de batalhas pela França, e nem uma contra ela ... Soldados, fogo!”.

A execução de Ney dividiu profundamente o público francês. Foi um exemplo destinado aos outros marechais e generais de Napoleão, muitos dos quais foram eventualmente exonerados pela monarquia dos Bourbon. Ney foi sepultado em Paris no Cemitério Père Lachaise.

Dúvidas Históricas[editar | editar código-fonte]

Já em 1895, James Augustus Weston (1838-1905) escreveu um livro intitulado “Dúvidas Históricas sobre a Execução do Marechal Ney”. O livro reporta o caso de um homem chamado Peter Stuart Ney, que morreu em 15 de novembro de 1846 na Carolina do Norte, Estados Unidos. Nada se sabe de suas origens exatas, exceto que ele era um francês de cerca de cinquenta anos de idade quando fez sua aparição na aldeia de Cheraw, na Carolina do Sul, em 1819, onde passou a residir, trabalhando como professor itinerante em diversas cidades da região. Ensinava francês, alemão, latim, grego e matemática. Afirmava ter sido soldado e não escondia suas simpatias com Napoleão.

Segundo testemunhos o professor Peter Ney exclamou seu leito de morte: " Por tudo o que é santo, eu sou o Marechal Ney da França!”. Pascal Cazottes menciona numerosas coincidências que reforçam a semelhança entre Peter Ney e o Marechal: comportamento militar, excelente cavaleiro e esgrimista, ferida idêntica no ombro, e assim por diante. Além disso, muitas das comparações gráficas realizadas, concluem que os escritos de Peter Ney e do Marechal são semelhantes, em particular na sua tendência de substituir os pontos no i por acentos agudos.

Pesquisadores contemporâneos consideram que Ney poderia ter se beneficiado de cumplicidades maçônicas em alto nível para que sua execução fosse simulada, permitindo-lhe um discreto exílio na América, para o qual Fouché teria lhe fornecido um passaporte, após a derrota de Waterloo.

O túmulo de Peter Stuart Ney está no cemitério da Third Creek Church em Cleveland, Carolina do Norte, onde sob uma pequena bandeira da França encontra-se a inscrição “Em memória de Peter Stuart Ney, nativo da França e soldado da Revolução Francesa sob Napoleão Bonaparte, que partiu desta vida 15 de novembro de 1846, com 77 anos de idade”.

A possibilidade de uma segunda vida na América, após uma execução simulada, pode parecer atraente, porém não é reconhecida pela maioria dos historiadores. Apenas as análises científicas dos restos enterrados em Pere-Lachaise, por um lado (assumindo-se que este não esteja vazio), e na Third Creek Church, por outro, poderia esclarecer a questão de maneira irrefutável.

Posteridade[editar | editar código-fonte]

O rei Luís Felipe reabilitou o marechal Ney em 1831 e reintegrando-o às listas da Legião de Honra. O governo provisório da Segunda República Francesa, em 1848, decidiu erguer um monumento ao marechal Ney no próprio local onde foi baleado. O trabalho confiado ao escultor François Rude foi completado em 1853, e inaugurado sob Napoleão III.

Os restos mortais do marechal Ney foram transferidos em 1903 para um monumento funerário, no mesmo cemitério de Pere Lachaise, onde repousam até os dias de hoje.

O nome do marechal Ney figura no Arco do Triunfo d’Etoile.

Uma classe de dois navios de guerra britânicos lançados durante a Primeira Guerra Mundial foi nomeada classe Marshal Ney, em sua homenagem.

Casamento e Descendência[editar | editar código-fonte]

De seu casamento com Aglae Auguié em julho de 1802, dama do palácio da imperatriz Josephine de 1804 a 1810 da imperatriz Marie-Louise de 1810 a 1814, nascem quatro filhos:

  1. Napoleão Joseph (1803-1857), 2º príncipe do Moskowa, político e general francês;
  2. Michel Louis Félix , conhecido como "Alloy" (1804-1854), 2º duque de Elchingen , político e general e francês;
  3. Eugene (1808-1845), Conde Ney, diplomata,
  4. Edgar (1812-1882), 3º príncipe do Moskowa, político e general francês

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Atteridge, A.H. Marshal Ney: The Bravest of the Brave. Pen & Sword, 2005.
  • Chandler, David (editor). Napoleon's Marshals. London: Macmillan Publishing Company, 1987. ISBN 0-297-79124-9
  • Chandler, D. Dictionary of the Napoleonic wars. Wordsworth editions, 1999.
  • Gates, D. The Napoleonic Wars, 1803-1815. Pimlico, 2003.
  • Horricks, Raymond Marshal Ney, The Romance And The Real ISBN 0-88254-655-4
  • Markham, J. D. Napoleon’s Road to Glory: Triumphs, Defeats, and Immortality. Brassey’s, 2003.
  • Roberts, A. Waterloo, June 18, 1815: The Battle for Modern Europe. Happer-Collins Pub., 2005.
  • Tsouras, P.G. The book of Military Quotations. Zenith Press, 2005.


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