Microrregião de Diamantina

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Diamantina
Unidade federativa  Minas Gerais
Microrregiões limítrofes Bocaiúva, Capelinha, Conceição do Mato Dentro, Sete Lagoas e Curvelo
Área 7.348,029 km²
População 82.063 hab. est. 2006
Densidade 11,2 hab/km²
Cidade mais populosa Não disponível
PIB R$ 236.826.003,00 IBGE/2003
PIB per capita R$ 2.889,44 IBGE/2003

A microrregião de Diamantina é uma das microrregiões do estado brasileiro de Minas Gerais pertencente à mesorregião Jequitinhonha. Sua população foi estimada em 2006 pelo IBGE em 82.063 habitantes e está dividida em oito municípios. Possui uma área total de 7.348,029 km².

Municípios[editar | editar código-fonte]

Na lista do IBGE[editar | editar código-fonte]

Acrescentados pelo governo de Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

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História[editar | editar código-fonte]

Os índios botocudos guiaram os primeiros exploradores pela região, em busca de ouro. Minas ainda não tinha revelado todo o seu fascinante mundo dourado quando, em 1714, pequeninas pedras brilhantes foram encontradas no Arraial do Tijuco. Preciosas e raras. O diamante até então só era encontrado nas Índias. Dá para compreender o rebuliço que a descoberta não causou na época.

De distante povoado o Arraial do Tijuco passou a centro do Distrito Diamantino (1730). Isso quer dizer que era governado sob um regime especial e isolado do restante das Minas Gerais. A Coroa portuguesa resolveu agir. Extinguiu a livre extração em 1740. Nasce a figura do contratador, a quem a realeza concedia o direito de explorar as lavras. Estes poucos homens tinham um enorme poder e influência; determinavam o ritmo de vida na região, da contratação de escravos ao mero posicionamento da torre de uma igreja.

Estava montado o cenário para um dos mais lendários romances de Minas Gerais. Chica da Silva, dizem, era uma negra muito bonita, que fascinou o homem mais rico do Arraial do Tijuco, o comerciante de diamantes João Fernandes de Oliveira. Havia quem falasse que tinha fortuna maior que a do rei de Portugal. "A escrava que se fez rainha": assim ficou impregnada a imagem de Chica no imaginário popular.

Para ela o contratador mandou construir uma casa de 21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770. Tiveram 13 filhos. Apesar de rica, Chica era rejeitada pela alta sociedade. Considerada uma "devassa", não podia frequentar os templos tradicionais. Anexa à casa de Chica foi construída uma capela, dedicada àa Santa Quitéria, talvez para seu uso privativo.

Há contudo quem duvide desta imagem de Chica da Silva. O casamento estável com um nobre branco e o fato de ter sido enterrada no cemitério da igreja de São Francisco de Assis (destinado aos brancos ricos) provam sua projeção e aceitação na comunidade do Tijuco. Um episódio interessante diz respeito à igreja N.Sra. do Carmo (1765), cuja construção foi patrocinada por João Fernandes. Reza a lenda que Chica exigiu - caprichosamente - que a torre fosse erguida atrás da igreja, para que o repicar dos sinos não chegassem com tanto vigor a sua casa, distante uns 200 metros. Detalhe: a Ordem N.Sra. do Carmo era composta pelas pessoas de pele branca.

Pedras preciosas, junto com o ouro, deixavam os portos do Rio de Janeiro. Os navios vinham de Portugal carregados com pedras comuns, que serviam como lastro. Voltavam com ouro e diamantes. Ficavam as pedras comuns como pagamento. A mineração no Tijuco crescia. As fraudes e o contrabando nas lavras fez com que a Coroa interviesse diretamente. Isto ocorreu em 1771, quando foi decretada a "Real Extração", que se estendeu até 1835. Os contratadores foram substituídos pela figura do intendente, com seu odiado "Livro da Capa Verde", que lhe dava plenos poderes. Ficou famoso Manoel Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá, conhecido como Intendente Câmara. Seus conhecimentos permitiram a modernização do garimpo. Foi sua também a implantação da primeira usina de ferro do Brasil.

Ao contrário do Ciclo do Ouro, que declinou no final do séc. XVIII, o Ciclo do Diamante manteve sua exuberância por mais tempo. Ainda em 1831, ano em que o arraial passou a se chamar Vila Diamantina, a extração e comércio de diamante originava grandes riquezas. Teve espaço a elite mais requintada de Minas Gerais, enquanto as cidades do ouro amarguravam a exaustão de suas jazidas.

Festas, o gosto pela música e pelo teatro. Diamantina é uma cidade festiva, musical. A opulência do lugar impressionou viajantes, como Saint Hilaire, Spix, von Martius e Richard Burton. Esta situação não duraria para sempre. Em 1860, com a descoberta de fabulosas jazidas na África do Sul, o preço do diamante despencou. Começava um período de decadência, coincidindo com a diminuição das reservas diamantíferas.

Diamantina, e toda a microrregião, foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no séc. XVIII. Foram aproximadamente três milhões de quilates, uma fortuna astrônomica. Os diamantes perfeitos eram chamados de "estrelas". Por isso é fácil aceitar que o céu de Minas refletia os diamantes do Tijuco.

O Presidente Juscelino Kubitschek é nascido na região e trouxe para sua cidade natal, Diamantina, a FAFEOD (hoje Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), a escola Julia Kubitschek, o hotel Tijuco, um novo tipo de estradas para a cidade, sendo os prédios origiais projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

  1. http://www.forunsregionais.mg.gov.br/regiao/alto-jequitinhonha