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Miguel I da Polônia

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(Redirecionado de Miguel I da Polónia)
Miguel I
Retrato por Daniel Schultz, c. 1669
Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia
Reinado19 de junho de 1669
a 10 de novembro de 1673
Coroação29 de setembro de 1669
Antecessor(a)João II Casimiro Vasa
Sucessor(a)João III Sobieski
Dados pessoais
Nascimento31 de maio de 1640
Biały Kamień, Polônia
Morte10 de novembro de 1673 (33 anos)
Lviv, Polônia
Sepultado emCatedral de Wawel, Cracóvia, Polônia
Nome completo
Miguel Tomás Wiśniowiecki[1]
EsposaLeonor da Áustria
CasaWiśniowiecki
PaiJeremias Wiśniowiecki
MãeGrizelda Zamoyska
ReligiãoCatolicismo
AssinaturaAssinatura de Miguel I
Brasão

Miguel I[a] (em polonês/polaco: Michał Tomasz Wiśniowiecki[1]; Biały Kamień[b], 31 de maio de 1640Lviv, 10 de novembro de 1673) foi Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia de sua eleição em 1669 até sua morte.

O seu curto reinado foi assolado por guerras, discórdias civis e invasões turcas. Ao morrer, Miguel deixou a Polônia em meio a crises internas e ameaças externas, que viriam a ser enfrentadas durante o reinado de seu sucessor, o rei João III Sobieski.

Genealogia

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Miguel Tomás Wiśniowiecki era descendente da dinastia Piasta através de sua mãe, Grizelda Zamoyska. Essa linhagem remontava a Catarina Ostrogska, Ana Kostka[4][5], Sofia Odrowąż [6] e Ana da Mazóvia, irmã dos últimos duques da Mazóvia, João III e Estanislau.[7][8]

Além disso, é possível que Miguel também descendesse da dinastia Ruríquida pela linhagem paterna.[9]

Primeiros anos

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Nascimento

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Miguel Tomás Wiśniowiecki, futuro rei Miguel I da Polônia, nasceu em 31 de julho de 1640, na localidade de Biały Kamień, no seio da poderosa nobreza polaco-lituana. Era filho do famoso magnata e comandante militar Jeremias Wiśniowiecki e de Grizelda Zamoyska, pertencente à influente família Zamoyski. Seu nascimento ocorreu em uma época marcada por tensões políticas e militares na Comunidade das Duas Nações, contexto que influenciaria profundamente sua infância e trajetória futura.

Seus pais se conheceram, provavelmente, em setembro de 1637, durante as cerimônias de coroação de Cecília Renata, esposa do rei Ladislau IV Vasa.[10] O noivado foi celebrado em 13 de fevereiro de 1638, mas sua divulgação foi discreta devido ao luto de Grizelda pela morte de seu pai, Tomás Zamoyski, ocorrida em 7 de janeiro daquele ano. O casamento realizou-se em Zamość, no dia 27 de fevereiro de 1639.[1]

Infância errante

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Em 1640, ainda bebê, Miguel foi levado para Zamość, onde, até 1642, foi criado na casa de sua avó, Catarina Ostrogska.[1] Após essa fase, passou a viver com sua mãe, o que implica que, durante sua infância, tenha residido nas localidades de Łubno e Przyłuka, e, a partir de 1646, em Białym Kamieniu e Wiśniowcu na Volínia. Contudo, em 1648, ele e seus pais abandonaram essas regiões, enfrentando o destino dos egzulantes[nota 1], ou seja, sendo forçados ao exílio das Terras Orientais. Em maio do mesmo ano, partiram para Brahin, e nas semanas seguintes, Miguel esteve em Turow, na Volínia, e, a partir do outono de 1648, em Zamość.[1]

Em 1651, a morte de seu pai deixou Miguel em uma situação delicada. A maior parte de suas propriedades estava sob o controle de estrangeiros, e suas terras na Rússia e na Volínia haviam sido destruídas pela guerra e estavam endividadas.[1] Diante dessa difícil realidade, Miguel foi colocado sob a tutela do bispo de Wrocław e de Płock, o príncipe Carlos Fernando Vasa, que, ao assumir essa responsabilidade, teria retribuído o auxílio que, supostamente, Jeremias, pai de Miguel, lhe prestara em 1648, durante suas tentativas de conquistar o trono polonês.[11] Durante esse período, Miguel residiu na residência dos bispos de Płock em Brok, onde recebeu educação com os jesuítas. Porém, após a morte do bispo-protetor, em 9 de maio de 1655, o jovem foi então colocado sob a guarda de seu tio, o voivoda de Sandomierz, João Zamoyski, que, devido à sua grande fortuna, podia garantir a continuidade de sua educação. Seu tio o enviou para a corte do rei João II Casimiro Vasa, onde Miguel conquistou a simpatia e a consideração de todos, embora seja difícil determinar se isso se deveu às suas qualidades pessoais ou à memória de seu pai.[11]

Durante a invasão sueca da Polônia (Dilúvio), Miguel se refugiou com a família real no Castelo de Oppersdorff em Głogówku, perto de Prudnik na Silésia. Em 18 de novembro de 1655, por ordem do rei João Casimiro, Miguel partiu para Praga, onde permaneceu até, no mínimo, março de 1656, e ali continuou seus estudos no colégio jesuíta Clementinum.[11]

Educação e retorno à Polônia

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Os edifícios Clementinum, em Praga, onde o rei estudara.[12]

Com o apoio da rainha Maria Luísa, Miguel iniciou em 1656 seus estudos na Universidade Carolina em Praga. Acompanhado de seu preceptor Felicjan Dunin Wąsowicz, que mantinha correspondência regular com o ordynat Zamoyski sobre o progresso de Miguel, o jovem começou a se destacar. Contudo, a rainha não ficou completamente satisfeita com os custos envolvidos na educação de Miguel, principalmente com relação aos gastos excessivos de Dunin Wąsowicz. Em 1660, decidiu que Miguel retornaria à Polônia, e seu futuro seria decidido em conjunto com seu tutor, dependendo de suas habilidades. Antes de 19 de junho de 1660, ele já havia voltado para o país.[13]

Logo após seu retorno, Miguel viajou para as cortes de Dresden e Viena, onde foi bem recebido, especialmente pela imperatriz viúva Leonor. Nesse período, ele obteve o posto de coronel e, segundo algumas fontes, o de moço de câmara imperial. Foi também em Viena que Miguel provavelmente conheceu sua futura esposa, a arquiduquesa Leonor, nascida em 1653. Além disso, Miguel aproveitou esse período para aprimorar seus conhecimentos de em línguas estrangeiras.[14]

Ele se destacou por ser poliglota, falando fluente latim, alemão, francês, italiano, espanhol, tártaro, turco e, possivelmente, russo.[15] No entanto, o historiador polonês Władysław Konopczyński fez uma avaliação bem crítica de seus talentos, observando:

«O primeiro herdeiro dos Vaza falava oito idiomas, mas em nenhum deles tinha algo interessante a dizer. Não vale a pena detalhar mais sobre seu caráter. Bastaria dizer que Miguel Tomás, escolhido contra sua vontade, apenas por sua mediocridade e pela memória de seu pai, Jeremias, acabou se revelando um zero na púrpura real, um egoísta sem reflexão, cuja única preocupação era não ser destronado.»[16]

Em 1663, Miguel participou da campanha na Ucrânia, durante a Guerra Russo-Polonesa. No contexto da rebelião de Lubomirski, ele se posicionou ao lado do rei, mostrando seu alinhamento político e a busca por um lugar de destaque no cenário político da época.[carece de fontes?]

Eleição como Rei da Polônia

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Na época da Comunidade das Duas Nações, a monarquia era eletiva, ou seja, os reis não passavam o trono automaticamente a seus filhos. O novo monarca era escolhido pela szlachta (nobreza) em uma eleição organizada pelo parlamento (Sejm).[17]

A candidatura de Miguel Tomás Wiśniowiecki ao trono polonês foi apresentada pelo bispo de Chełmno e vice-chanceler da Coroa, Andrzej Olszowski, e amplamente apoiada pela nobreza, que entendia que um príncipe pobre e inexperiente não representava ameaça à liberdade dourada. Logo após sua eleição, as facções pró-francesas de magnatas (os chamados malkontenci), liderado pelo primaz Mikołaj Jan Prażmowski e pelo hetmã de Campo da Coroa João Sobieski, passou à oposição, inicialmente tentando anular a eleição e, mais tarde, chegando a planejar a própria deposição de Miguel.[1]

Eleição real de Miguel Tomás Wiśniowiecki em Wola.
Manto de Coroação do rei Miguel I.

Ele foi eleito rei durante o Sejm em 19 de junho de 1669. Havia outros quatro candidatos estrangeiros, mas, devido às más experiências anteriores com monarcas de fora, a nobreza votou em massa no chamado "Piasta"[nota 2], contrariando os interesses dos magnatas. Miguel obteve 11.271 votos eleitorais da nobreza.[18]

Em 6 de julho, o rei eleito jurou cumprir os pacta conventa. Sua coroação ocorreu em 29 de setembro de 1669, na cidade de Cracóvia.[1] O Sejm de Coroação foi interrompido antes do término, em 5 de novembro, por Jan Aleksander Olizar, "por mesquinhos interesses pessoais, uma vez que a corte demorava em providenciar compensações aos egzulantes ucranianos e não lhes concedia os distritos senhoriais vagos.[19]

Casamento

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Em 27 de fevereiro de 1670, Miguel casou-se com a arquiduquesa Leonor da Áustria, filha do Sacro Imperador Romano Fernando III e de sua segunda terceira, Leonor Gonzaga. A cerimônia, realizada no Mosteiro Jasna Góra, foi celebrada pelo núncio apostólico Galeazzo Marescotti, uma vez que o primaz Prażmowski recusou-se a participar do evento. A primeira parte das festividades nupciais teve lugar no palácio da família Denhoff, na localidade de Kruszyna.[20]

Conflitos internos

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Uma mula
O primaz Mikołaj Jan Prażmowski
João Sobieski
O hetmã de Campo da Coroa João Sobieski
Prażmowski e Sobieski, principais articuladores da facção pró-francesa dos "malcontentes".

Na Comunidade das Duas Nações, duas facções políticas se confrontavam: os malkontenci (malcontentes) e os regaliści (regalistas). Os "malcontentes" eram a facção pró-França. Faziam parte dele: o primaz Mikołaj Jan Prażmowski, o hetmã de Campo da Coroa João Sobieski, Andrzej Morsztyn, Bogusław e Michał Kazimierz Radziwiłł, o voivoda da Cracóvia Aleksander Michał Lubomirski, o voivoda da Rutênia Stanisław Jan Jabłonowski, e o voivoda da Grande Polônia Krzysztof Grzymułtowski.[21]

Em novembro de 1669, os "malcontentes' romperam o Sejm de Coroação, utilizando-se dos egzulantes (como era chamada a nobreza das terras ucranianas perdidas para a Rússia). Os "malcontentes" queriam a deseleição do rei e a ascensão ao trono do conde Carlos Paris de Orleães-Longueville. Circulava pelo país um panfleto ofensivo contra o rei, escrito pelo grande copeiro da Coroa, Jan Wielopolski, intitulado Carta de um nobre polonês a seu vizinho após o Sejm de coroação em Cracóvia, ano de 1669.[carece de fontes?]

Em 1670, a disputa entre os partidos se acirrou e chegou aos sejmiks preparatórios (assembleias locais). Neles, a nobreza exigia que o Sejm julgasse o hetmã João Sobieski. Em sua defesa, o exército formou uma confederação militar em Trembowla. Diante da ameaça de motim do exército, os regalistas desistiram de confrontar o hetmã no Sejm. Em 19 de abril de 1670, os "malcontentes" romperam novamente o Sejm geral. Os sejmiks posteriores defenderam o rei Miguel, exigindo um Sejm a cavalo (convocado com mobilização geral da nobreza armada) e a punição dos "malcontentes".[1]

Efígie de Miguel em moeda polonesa, por volta de 1671.

No entanto, as rivalidades internas eram tão intensas que se manifestaram até mesmo diante da ameaça turca. Em 1671, os regalistas impediram que o Sejm aprovasse verbas para a defesa nacional, porque o hetmã João Sobieski era um "malcontente". O conflito com os "malcontentes" se sobrepunha à guerra com os turcos. O rei chegou a apoiar o motim das tropas do comandante Stanisław Wyżycki, que, contrariando ordens de Sobieski, abandonou Volínia, deixando-a indefesa. O rei concedeu quartéis de inverno aos revoltosos no rico condado de Sambor e pagou parte dos soldos atrasados — mas não pagou os soldados de Sobieski. Um país dividido por disputas internas não conseguiu oferecer resistência eficaz aos turcos.[carece de fontes?]

Retrato do rei Miguel I com um bastão militar.

Em 1672, o Império Otomano declarou guerra à Comunidade das Duas Nações. Apesar disso, no Reino da Polônia, havia sinais de uma nova guerra civil. A nobreza reunida junto ao rei em Gołąb formou a Confederação de Gołąb, liderada pelo secretário de campo da Coroa, Stefan Stanisław Czarniecki. Os confederados ameaçaram levar o primaz Mikołaj Prażmowski a julgamento, removendo-o de todos os cargos estatais. Eles saquearam as propriedades de João Sobieski e de seus parentes. Em 22 de novembro, as tropas lituanas formaram uma confederação em Kobryń e se juntaram aos "gołąbianos". Já o exército da Coroa reunido com Sobieski em Szczebrzeszyn organizou a Confederação de Szczebrzeszyn em sua defesa. Com suas tropas, João Sobieski foi até Łowicz, onde estava o primaz Prażmowski. Tentaram mediar o conflito o núncio apostólico Francesco Buonvisi e o bispo de Cracóvia, Andrzej Trzebicki. A tensão foi parcialmente aliviada por uma carta do sultão otomano Mehmed IV, que exigia a submissão total da Comunidade. Em março de 1673, foi realizado em Varsóvia o Sejm de pacificação, no qual se decidiu:

  1. o perdão mútuo das ofensas entre os partidos,
  1. a recusa em ratificar o Tratado de Buczacz,
  1. a aprovação de verbas para o recrutamento do exército.

O dinheiro enviado pelo Papa foi destinado à artilharia.[carece de fontes?]

Guerra Polaco-Cossaco-Tártara

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Miguel.

Como legado de João II Casimiro Vasa, Miguel herdou uma situação sociopolítica instável e desfavorável à Polônia na Ucrânia, dividida pelo Tratado de Andruszów. A parte polonesa da Ucrânia, ou seja, a margem direita do rio Dniepre, era governada pelo hetmã cossaco Piotr Doroszenko, cujo objetivo de vida era separar a Ucrânia tanto da Polônia quanto de Moscou, transformando-a em um Estado vassalo do Império Otomano, à semelhança da Moldávia ou da Valáquia. Embora derrotado em 1667 na Batalha de Podhajce, Doroszenko inicialmente renunciou a esses planos, mas logo retomou as negociações com a Sublime Porta. Em resposta, em 1669, as autoridades polonesas nomearam Michał Chanenko como novo hetmã na margem direita, encarregado de destituir Doroszenko.[22]

Apesar da derrota de Chanenko em 29 de outubro de 1669 na Batalha de Steblów, o governo polonês manteve seu apoio a ele, o que resultou em novo confronto com Doroszenko em 1671. Embora as forças tártaras e cossacas tenham sido vencidas por João Sobieski nas batalhas de Bracław e Kalnik, a Ucrânia não foi pacificada de forma definitiva. Essa situação foi atribuída à ineficiência do rei Miguel, que teria sabotado as ações do hetmã e retardado sua marcha à frente às tropas, que acabou por alcançar apenas Lviv. Além disso, as tropas lituanas, que deveriam ter se unido à campanha, recuaram da marcha à Ucrânia em 15 de outubro. Tal contexto apenas acelerou a intervenção do Império Otomano em defesa de Doroszenko.[22]

Guerra com o Império Otomano

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Em junho de 1672, um exército otomano de cerca de 100 mil soldados, comandado pelo sultão Mehmed IV, cercou Kamianets-Podilskyi, que capitulou em 26 de agosto. A cidade de Lviv pagou tributo após dez dias de cerco. Tropas tártaras avançaram até Hrubieszów, Jasło e Biecz, dirigindo-se em seguida para Gołąb, às margens do rio Vístula, onde se encontrava o rei e as tropas estavam se reunindo. Em outubro, atendendo aos desesperados apelos dos senadores, João Sobieski lançou uma expedição contra os tártaros com um pequeno destacamento. Perto de Niemirów, derrotou completamente as tropas de Dżambet Giray; em Komárno, destruiu outro grupo tártaro, e em Petranka aniquilou um terceiro agrupamento.[carece de fontes?]

A Comunidade das Duas Nações como feudo do Império Otomano em 1672-1676.

O resultado dessa fase da guerra foi a Paz de Buczacz (1672), "difícil de aceitar" para grande parte da szlachta polonesa. O tratado de paz cedia ao Império Otomano partes do território oriental da Comunidade e previa o pagamento de um tributo anual pela Comunidade das Duas Nações. A república teria se tornado vassala do Império Otomano.[23] caso o Sejm de 1673 tivesse ratificado o tratado. Em vez disso, o parlamento aprovou novos tributos para financiar a continuação da guerra contra os turcos. As controvérsias em torno do tratado, que contribuíram para a crescente instabilidade interna, somadas às intervenções e subsídios de potências estrangeiras (incluindo o papado), levaram Miguel a preparar a retomada do conflito, rompendo com o tratado de paz.[carece de fontes?]

Em 8 de outubro de 1673, no acampamento de Skwarzawa, o rei Miguel inspecionou um exército de 40 mil soldados da Coroa e 50 canhões. Contudo, devido a problemas de saúde, foi obrigado a transferir o comando para João Sobieski.[1]

A Batalha de Chocim em 11 de novembro de 1673.

Na região de Chocim, reunia-se um corpo otomano de 30 mil soldados sob o comando de Husein Paxá, enquanto em Kamianets-Podilskyi estava estacionado um contingente de 18 mil homens liderados por Halil Paxá. Um terceiro grupo de 15 mil, sob Kaplan Paxá, encontrava-se em Jassy. Sobieski decidiu enfrentar Husein, cercando as forças turcas na fortaleza de Chocim, que foi tomada por assalto no segundo dia de cerco.[carece de fontes?]

Apesar de não representar uma virada definitiva na guerra nem garantir a retomada de Kamianets-Podilskyi, essa vitória expressiva consolidou a reputação de Sobieski na Europa e impôs respeito entre os turcos, que passaram a chamá-lo de "Leão de Lehistan". Por meio de negociações diplomáticas, a Polônia conseguiu neutralizar a participação dos Tártaros, liderados por Selim I Girej, e dos cossacos de Piotr Doroszenko na guerra ao lado dos otomanos. Um possível efeito dessas manobras foi o ataque dos calmucos à Crimeia e contra Doroszenko. O canato foi tão devastado que Selim Giray ficou impossibilitado de oferecer apoio militar aos turcos.[carece de fontes?]

O rei Miguel I morreu no Palácio Arquiepiscopal de Lviv, em 10 de novembro de 1673, em decorrência de uma intoxicação gastrointestinal. Seu sucessor, João III Sobieski, foi eleito rei em 19 de maio de 1674. Após a missa fúnebre, o coração do monarca foi sepultado no mosteiro dos camaldulenses em Bielany, em Varsóvia, enquanto as vísceras foram enterradas na Catedral Latina de Lviv, sendo seladas em uma das paredes da igreja.[24] Já o corpo foi transportado para Varsóvia no dia 20 de novembro. Os restos mortais do rei foram sepultados conjuntamente com os de João II Casimiro Vasa, nas criptas da Catedral de Wawel, no dia 31 de janeiro de 1676, data da coroação de João III Sobieski.[1]

Sarcófago de Miguel na Catedral de Wawel.

Inicialmente enterrado na Capela da Santa Cruz, Miguel foi transferido em 1858 para a cripta de São Leonardo, também em Wawel.[25] Lá foi colocado em um sarcófago de mármore negro, financiado em 1857 pelo imperador austríaco Francisco José I, como indica a inscrição na lápide. Durante a abertura do sarcófago em 1938, constatou-se que seu interior continha: um caixão de carvalho com os restos do rei envoltos em vestes douradas, um tubo de estanho com o documento que atestava a transferência dos restos mortais em 1858, um cetro de madeira e fragmentos de um caixão forrado com veludo.[26]

Após sua morte, ele foi homenageado posteriormente em 2021 com a emissão de duas moedas com sua imagem: uma de prata, com valor nominal de 50 zlótis e tiragem de até 5.000 unidades, e outra de ouro, com valor nominal de 500 zlótis e tiragem de até 600 unidades.[27] Em 1888, ele foi retratado por Józef Ignacy Kraszewski no romance histórico Król Piast.[28]

Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. Nobre polonês exilado (do latim exsulans, exsulantis - exílio) que abandonava sua propriedade na Comunidade das Duas Nações, após perder as terras que a continham para a Rússia ou o Império Otomano, recuando para as novas fronteiras do estado.
  2. Designação popular de certos candidatos nativos, embora sem ligação direta com a antiga dinastia Piasta.
  1. O rei usava oficialmente apenas o nome Miguel, assinava como Michael Rex (Miguel Rei), e nas moedas colocava a inscrição Michael D. G. Rex Poloniae M. D. Lit. (etc.), o título completo ou a abreviação MR (de Michael Rex).
  2. A historiadora Czamańska demonstrou que a data de 31 de julho provinha de um erro de registro no álbum da Academia de Zamość e, com base em várias evidências, adotou a data de 31 de maio.[2] O Polski Słownik Biograficzny (Dicionário Biográfico Polonês) fornece a data de nascimento como 31 de julho de 1640 e o local de nascimento como sendo em Wiśniowiec, na Volínia.[3] A data de 31 de julho de 1640, com o local de nascimento em Olesko, também é mencionada por Józef Wolff, na obra Kniaziowie litewsko-ruscy od końca czternastego wieku, Varsóvia, 1895, e por Ludwik Dziedzicki, no Słownik geograficzny Królestwa Polskiego, vol. VII: Netrebka – Perepiat, Varsóvia, 1886, p. 462.

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Przyboś 2007, p. 25.
  2. Czamańska 2007, p. 249.
  3. Przyboś 1975, p. 605.
  4. «Ostrogski». genealogy.euweb.cz. Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  5. «Panie Ostrogskie na Jarosławiu i Zamościu» (em polaco). Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  6. «Historia Polski: Zofia ze Sprowy Odrowąż». polskaijejhistoria.blogspot.com 
  7. O. Balzer, Genealogia Piastów, p. 538.
  8. «Piast 3». genealogy.euweb.cz. Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  9. Kowalski, Mariusz (2013). Księstwa Rzeczpospolitej. Państwo magnackie jako region polityczny. Varsóvia: Instytut Geografii i Przestrzennego Zagospodarowania PAN. 155 páginas. ISBN 978-83-61590-27-9 
  10. Przyboś 2007, p. 19.
  11. a b c Przyboś 2007, p. 26.
  12. www.wladcy.myslenice.net, Michał I Tomasz Wiśniowiecki herbu Korybut.
  13. Przyboś 2007, p. 26–27.
  14. Przyboś 2007, p. 27.
  15. Czamańska 2007, p. 251.
  16. Władysław Konopczyński Dzieje Polski nowożytnej, Varsóvia, Instytut Wydawniczy „Pax”, 1986, tomo 2 p. 47 ISBN 8321107303.
  17. Bardach 1987, pp. 216–217
  18. Dunin-Borkowski & Dunin-Wąsowicz 1910, p. VI.
  19. Konopczyński, op. cit., p. 48.
  20. Czamańska 2007, p. 294.
  21. Adam Przyboś (1984). Michał Korybut Wiśniowiecki 1640–1673. [S.l.: s.n.] 
  22. a b Zbigniew Wójcik, Jan Sobieski 1629–1696, Varsóvia, 1994, pp. 175–179.
  23. Butterwick 2010, p. 28.
  24. Bujak 1988, p. 17.
  25. Michał Rożek, Przewodnik po zabytkach i kulturze Krakowa, Varsóvia-Cracóvia, 1997, p. 369.
  26. Michał Rożek, Groby królewskie w Krakowie, Cracóvia, 1977, p. 281.
  27. Zarządzenie nr 32/2021 Prezesa Narodowego Banku Polskiego z dnia 9 listopada 2021 r. w sprawie ustalenia wzorów, próby, masy i wielkości emisji monet o wartości nominalnej 50 zł i 500 zł, z serii „Skarby Stanisława Augusta” – Michał Korybut Wiśniowiecki.
  28. Józef Ignacy Kraszewski 1958.

Bibliografia

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Ligações externas

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Precedido por
João II Casimiro Vasa

Rei da Polônia
e Grão-Duque da Lituânia

1669 — 1673
Sucedido por
João III Sobieski