Milagre econômico grego

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A Torre de Atenas (Πύργος Αθηνών), um símbolo do milagre econômico grego pós-guerra (1950-1973).

Milagre econômico grego refere-se ao período de crescimento econômico na Grécia, ocorrido entre 1950 e 1973, quando a economia do país cresceu, em média, 7% ao ano - a segunda maior média de crescimento do mundo, superada apenas pelo Japão.[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] [16] [17]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Entre 1941 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Grécia foi ocupada pelas potências do Eixo, e a luta entre forças ocupantes e grupos de resistência teve consequências devastadoras sobre a infraestrutura e a economia do país (destacando-se os efeitos dos empréstimos forçados pelo regime de ocupação).[18]

Após o fim da guerra, o país enfrentou, entre 1946 e 1949, uma dura guerra civil, que causou deterioração ainda maior na economia do país. A renda per capita em termos de poder de compra, entre 1938 e 1949, caiu mais de 20% em relação à da França.[1]

A rápida recuperação da economia grega após a guerra civil foi facilitada por uma série de medidas incluindo, além dos estímulos ligados ao Plano Marshall (tal como em outros países europeus): desvalorização drástica da dracma, a atração de investimentos estrangeiros, significativo desenvolvimento da indústria química, do turismo e do setor de serviços em geral e - por último mas não menos importante - da atividade de construção ligada a projetos de infraestrutura e à reconstrução das cidades gregas,[19] [20] em operações urbanas, que substituíram a agradável paisagem urbana de certas áreas do país por uma monotonia sem caráter, constituída de blocos de apartamentos.

Trabalhadores finalizam obras de conjunto habitacional construído com recursos do Plano Marshall na Grécia.

O crescimento econômico grego foi maior durante a década de 1950, frequentemente superando os 10% ao ano, desempenho semelhante ao que seria experimentado posteriormente pelos chamados Tigres Asiáticos. A produção industrial também cresceu cerca de 10% ao ano durante vários anos, principalmente na década de 1960. Esse crescimento inicialmente alargou as diferenças econômicas entre ricos e pobres, intensificando as tensões sociais e políticas. [19]

O PIB grego cresceria durante 54 dos 60 anos posteirores à guerra civil.[21] De 1950 até a crise econômica de 2008, com exceção da relativa estagnação econômica dos anos 1980, quando houve alguns registros de queda do PIB, a Grécia superou a maioria das nações europeias em termos de taxa de crescimento econômico anual.[22]

O período de elevado crescimento terminou abruptamente no início dos anos 1970. Em 1974, ano do colapso da junta militar, o país registrou a maior queda do PIB (cerca de 5%) de todo o período pós-guerra. A partir de então até os anos 1990, a inflação quase sempre esteve acima de 10% e, muitas vezes, próxima dos 20% ao ano, até que o país adotou medidas de política monetária visando cumprir os critérios para ingresso na Eurozona.[23]

Referências

  1. a b "Monitoring the World Economy 1820-1992", OECD (1995)
  2. Graham T. Allison; Kalypso Nicolaïdis (January 1997). The Greek Paradox: Promise Vs. Performance MIT Press [S.l.] p. 43. ISBN 978-0-262-51092-9. phase of 1960 to 1973 (the period hailed by many as the "Greek economic miracle"), gross domestic product grew at an average annual rate of 7.7 percent, but exports of goods and services grew at the much higher average rate of 12.6 
  3. HAMISH MCRAE (27 June 2015). "Greece crisis: It needs another economic miracle – and it could happen" The Independent [S.l.] Indeed, between 1950 and the oil crisis of 1973 it was Europe’s fasting growing economy, with growth rates of 7 per cent a year. This period was dubbed the Greek economic miracle. 
  4. Richard C. Frucht (2004). Eastern Europe: an introduction to the people, lands, and culture. Vol. 2 ABC-CLIO [S.l.] p. 877. ISBN 978-1-57607-800-6. ... called Greek economic miracle. During these years, Greece's GDP grew at the fastest rate in Western Europe, averaging almost 8 percent annually. Meanwhile, industrial production grew at an average annual rate of 10 percent,ex- ceeded ... 
  5. Lila Leontidou (26 April 1990). The Mediterranean City in Transition: Social Change and Urban Development Cambridge University Press [S.l.] p. 125. ISBN 978-0-521-34467-8. In fact, the Greek economic miracle of industrialization was partly due to the suppression of the working class. 
  6. Mehmet Odekon (17 March 2015). Booms and Busts: An Encyclopedia of Economic History from the First Stock Market Crash of 1792 to the Current Global Economic Crisis Routledge [S.l.] p. 322. ISBN 978-1-317-47576-7. Several factors contributed to what became known as the “Greek economic miracle.” First was the country's participation in the Marshall Plan, a massive influx of U.S. capital aimed at jump-starting Western European economies in the wake of .. 
  7. Shiva Pratap Singh (2010). Glimpses of Europe: A Crucible of Winning Ideas, Great Civilizations and Bloodiest Wars Gyan Publishing House [S.l.] p. 651. ISBN 978-81-7835-831-4. Afier World War H, Greece experienced the “Greek economic miracle”; GDP growth averaged 7% between 1950 and 1973. Since then Greece has implemented number of structural and fiscal reforms while receiving, considerable European ... 
  8. Stathis Kalyvas (3 April 2015). Modern Greece: What Everyone Needs to KnowRG Oxford University Press [S.l.] p. 88. ISBN 978-0-19-997346-0. The efficiency with which the Greek nuclear family could pursue gain, by combination of hard work, shrewd exploitation of market opportunities, and rigorous saving for the future, lay behind the Greek economic miracle. 
  9. Constantine Arvanitopoulos; Konstantina E. Botsiou (19 May 2010). The Constantinos Karamanlis Institute for Democracy Yearbook 2010 Springer Science & Business Media [S.l.] p. 110. ISBN 978-3-642-12374-0. The flats-for-land exchange programme changed the architecture in urban centres, and towards the end of the so-called Greek economic 'miracle' in the mid '70s, agriculture accounted for 18% of GDP, while industry accounted for about 30%. 
  10. David H. Close (25 September 2014). Greece Since 1945: Politics, Economy and Society Routledge [S.l.] p. 56. ISBN 978-1-317-88001-1. 'Origins of the “Greek economic miracle”: the Truman Doctrine and Marshall Plan development and stabilisation programs', in Eugene Rossides (ed.), The Truman Doctrine for Aid to Greece. A Fiftieth Anniversary ... 
  11. Elena Calandri; Antonio Varsori; Daniele Caviglia (26 November 2014). Détente in Cold War Europe: Politics and Diplomacy in the Mediterranean and the Middle East I.B.Tauris [S.l.] p. 17. ISBN 978-1-78076-108-4. During 1950–1973, il boom in Italy, les Trente Glorieuses in France and the Greek 'Economic Miracle' were to transform the economies and societies of these countries. 
  12. OECD (15 September 2008). The Marshall Plan Lessons Learned for the 21st Century: Lessons Learned for the 21st Century OECD Publishing [S.l.] p. 120. ISBN 978-92-64-04425-8. The Marshall Plan began as an emergency program, but its sustained contributions to agriculture and finance succeeded in laying the foundation for the Greek economic miracle of the 1950s. 
  13. Kathleen Burk (1 October 2009). Old World, New World: Great Britain and America from the Beginning Grove Press [S.l.] p. 735. ISBN 978-0-8021-4429-4. The Origins of the Greek Economic Miracle', University College London PhD thesis ... 
  14. Dimitris Keridis (1 July 2009). Historical Dictionary of Modern Greece Scarecrow Press [S.l.] p. 57. ISBN 978-0-8108-6312-5. What followed, however, has been described as the Greek “economic miracle.” Through the stewardship of Prime Minister Konstantinos Karamanlis and of other Greek politicians, such as Georgios Kartalis and Spyros Markezinis, foreign aid ... 
  15. Veronica Binda (26 June 2013). The Dynamics of Big Business: Structure, Strategy, and Impact in Italy and Spain Routledge [S.l.] p. 177. ISBN 978-1-134-06335-2. After World War II, the presence of foreign multinationals also started to increase and the attraction of foreign capital was a goal actively pursued by governments in the years of the Greek economic miracle. 
  16. United States. Congress. House. Foreign Affairs (1971). Greece, Spain, and the Southern NATO Strategy: Hearings Before the Subcommittee on Europe..., 92-1, July 12, 14, 19, 21, August 3, September 9, 15, 1971 [S.l.: s.n.] p. 3. During this period the foundations were laid and the first fruits were reaped — of what has come to be known as the "Greek economic miracle." Generally the 1950's could be characterized as a period of rapid economic development as well as ... 
  17. Greek-American Review. 51-52 Hellenic Heritage [S.l.] 1999. p. 20. 
  18. The Delphi Declaration
  19. a b Joanna Bens, Nikolaos Karagiannis, Abdelaziz Testas. EU Regional and Industrial Policies. In "Europe in Crisis: Problems, Challenges, and Alternative Perspectives", Palgrave Macmillan (2015) p. 174
  20. Elaine Thomopoulos, "The History of Greece", ABC-CLIO (2011) p. 152
  21. Paul Bairoch, "Europe's GNP 1800-1975," The Journal of European Economic History, a. 5, no. 2 (1976), pp. 273-340. ISSN 0391-5115
  22. Dados do FMI.
  23. Gráfico: Taxas de inflação da Grécia (1955-2011)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]