Milton Ribeiro (pastor)

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Milton Ribeiro
Ministro da Educação do Brasil
Período 16 de julho de 2020
a atualidade
Presidente Jair Bolsonaro
Antecessor(a) Abraham Weintraub
Dados pessoais
Nascimento 14 de março de 1958 (63 anos)
São Vicente, SP, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Seminário Presbiteriano do Sul

Instituição Toledo de Ensino

Religião protestantismo (presbiteriano)[1]

Milton Ribeiro (São Vicente, 14 de março de 1958) é um pastor presbiteriano, teólogo, advogado e professor brasileiro.

Desde julho de 2020 ele é Ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro.[2][3]

Formação e carreira[editar | editar código-fonte]

Ordenado em 21 de janeiro de 1982 pelo Presbitério de Santos (PRST), atualmente é pastor da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração (Santos, SP).

Possui graduação em Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, graduação em Direito na Instituição Toledo de Ensino, especialização em Direito Imobiliário pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, em Gestão Universitária pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, em Teologia do Velho Testamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em Velho Testamento por centro teológico (de cursos pastorais/confessionais,[4] isento de credenciamento do MEC ou submissão à CAPES[5]) – Andrew Jumper[6] — vinculado à Universidade Presbiteriana Mackenzie,[7] mestrado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo.[8]

Atuou como superintendente dos programas de pós-graduação lato sensu, foi professor, reitor em exercício e vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, relator da Comissão de Assuntos Educacionais do Mackenzie, Diretor Administrativo da Luz para o Caminho (instituição que cuida da área de mídias da Igreja Presbiteriana do Brasil), membro da Administração Geral da Santa Casa de Santos (instituição privada sem fins lucrativos, como irmão mantenedor) e integrante da Comissão de Ética Pública da Presidência da República desde maio de 2019.[9]

Em 20 de julho de 2020, anunciou que contraiu o vírus da COVID-19.[10]

Ministério da Educação[editar | editar código-fonte]

Após a polêmica passagem de Abraham Weintraub pelo MEC, e a breve estadia de cinco dias de Carlos Decotelli, que foi nomeado mas não empossado, Milton Ribeiro foi escolhido para ocupar o cargo mais importante no MEC no começo da noite de 10 de julho de 2020.[2][11] Em 16 de julho de 2020, Milton Ribeiro foi empossado no cargo e se tornou a terceira pessoa a ocupar o cargo de Ministro da Educação no governo Jair Bolsonaro.[1]

Retorno das aulas[editar | editar código-fonte]

Em 10 de dezembro de 2020, e em razão da pandemia de COVID-19, Milton Ribeiro publicou o homologado Parecer nº 19, do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estende até 31 de dezembro de 2021 a permissão para atividades remotas no ensino básico e superior em todo o país[12] seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. Além de estender o prazo para a permissão de atividades remotas, o parecer também dá autonomia aos sistemas públicos municipais e estaduais de ensino, bem como as instituições privadas, possuem autonomia para normatizar a reorganização dos calendários e o replanejamento curricular ao longo do próximo ano, desde que observados alguns critérios, como assegurar formas de aprendizagem pelos estudantes e o registro detalhado das atividades não presenciais.[12]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Enem 2020 e Sisu 2021[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2020, o ministro Milton Ribeiro alegou que a prova do Enem de janeiro de 2021 não poderia ser usada para concorrer a uma vaga no Sisu do primeiro semestre de 2021, e informou que as inscrições para o Sisu seriam feitas com notas do exame de anos anteriores. Dessa forma, o Enem não servirá para o Sisu e nem para selecionar as vagas do Prouni (Programa Universidade para Todos) e do Fies (Financiamento Estudantil).[13]

A União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, entidades que defenderam adiamento da prova por conta da suspensão das aulas, disseram que devem recorrer judicialmente para que as notas da prova de janeiro possam ser usadas nos três programas.[14]

Depois da manifestação contrária de entidades estudantis à decisão do ministro Milton Ribeiro, o Ministério da Educação negou, em nota do dia 11 de dezembro de 2020, a fala do próprio ministro de que a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de janeiro não poderá ser usada pelos estudantes para concorrer a uma vaga no Sisu do primeiro semestre de 2021, indicando a possibilidade de que as inscrições no sistema aconteçam em abril. Só não poderá ser usada para as inscrições para o Prouni (Programa Universidade para Todos) e Fies (Financiamento Estudantil), onde os candidatos deverão usar a nota de exames anteriores.[15]

Opiniões[editar | editar código-fonte]

Milton Ribeiro ao lado de Sikêra Júnior e Jair Bolsonaro posaram para uma foto exibindo uma placa de "CPF cancelado", expressão utilizada para se referir a mortos em confronto com policiais no Brasil.

Sobre universidades que incentivam o 'sexo sem limite'[editar | editar código-fonte]

Em 2018, Ribeiro afirmou que o existencialismo estava sendo ensinado nas universidades, e que estava incentivando os alunos a terem relações sexuais desconsiderando quem é o parceiro:[16]

Para contribuir ainda mais em termos negativos para uma prática totalmente sem limites do sexo veio a questão filosófica do existencialismo, em que o momento é que importa. Não importa se é A, B, se é homem ou se é mulher, se é esse, se é aquele, se é velho, se é novo. Não interessa. O que interessa é aquele momento. […] É isso que eles estão ensinando para os nossos filhos na universidade.

Sobre métodos contraceptivos como causa de má conduta sexual[editar | editar código-fonte]

Ribeiro também culpou os métodos anticoncepcionais, como a pílula do dia seguinte, pela má conduta sexual:[16][17]

O mundo foi perdendo a referência do que é certo e do que é errado em termos de conduta sexual. E isso foi trazendo muitas dificuldades porque agora a gravidez indesejada não é mais um risco

Sobre castigo físico de crianças[editar | editar código-fonte]

Durante uma pregação intitulada "A vara da disciplina", proferida por Ribeiro em uma igreja presbiteriana em abril de 2016, Ribeiro defende o castigo físico para a educação de uma criança. Segundo ele, "essa ideia que muitos têm de que a criança é inocente é relativa", que um bom resultado "não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves" e que as crianças "devem sentir dor".[18]

Em 11 de julho de 2020 – um dia após a nomeação de Ribeiro para o Ministério da Educação –, devido ao clamor público a respeito de sua posição, Ribeiro apagou a gravação em vídeo da pregação de seu canal no YouTube.[19]

Em 16 de julho de 2020, durante seu discurso de posse, afirmou: “Jamais falei em violência física na educação escolar e nunca defenderei tais práticas, que fazem parte de um passado a que não queremos voltar”.[20]

Sobre inclusão de alunos com deficiências[editar | editar código-fonte]

Na visão do ministro, os alunos com deficiência na mesma sala que os alunos sem deficiências "atrapalhava o aprendizado dos outros, porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela, atenção especial". Ainda segundo o ministro, existem crianças com "um grau de deficiência que é impossível a convivência"[21] Após ser mal interpretado o ministro afirmou que "atrapalham, deixa eu explicar para vocês. Nós temos, hoje, 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência" e explicou a ação do governo, ao dizer que "em vez de simplesmente jogá-los dentro de uma sala de aula, pelo 'inclusivismo', nós estamos criando salas especiais para que essas crianças possam receber o tratamento que merecem e precisam."[22]

Sobre universidades sem partido[editar | editar código-fonte]

Para o ministro, os reitores das universidades federais não podem ser 'esquerdistas, nem lulistas'. Segundo ele, os reitores "Não precisa ser bolsonarista. Mas não pode ser esquerdidas, nem lulista. Reitor tem que cuidar da educação e ponto final. E respeitar todos que pensam diferente."[23]

Referências

  1. a b Gomes, Pedro Henrique; Garcia, Gustavo (16 de julho de 2020). «Milton Ribeiro toma posse como quarto ministro da Educação no governo Bolsonaro». G1. Consultado em 16 de julho de 2020 
  2. a b «Bolsonaro anuncia professor e pastor Milton Ribeiro como novo ministro da Educação». G1. Consultado em 11 de julho de 2020 
  3. «Análise: Com menos barulho, Milton Ribeiro deixa MEC mais bolsonarista que Weintraub». Educação. UOL. Consultado em 16 de maio de 2021 
  4. «Teologia EAD». Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper. Universidade presbiteriana Mackenzie. Consultado em 30 de agosto de 2020 
  5. «Catálogo acadêmico 2013–14» (PDF), CPAJ, consultado em 29 de agosto de 2020, O Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ) é uma instituição de ensino de pós-graduação que confere graus sob a autoridade da Igreja Presbiteriana do Brasil. Seus cursos são de natureza intra-corpus e reconhecimento intrínseco (válidos no âmbito eclesiástico), mas não são submetidos a avaliação da Capes e não possuem credenciamento do MEC.  Arquivado em 18 de junho de 2018, no Wayback Machine..
  6. «Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper». EAD CPAJ. Mackenzie. Consultado em 30 de agosto de 2020 
  7. «Nossa história [CPAJ] […] Atualmente seu campus funciona nas dependências da Universidade Presbiteriana Mackenzie…». Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Consultado em 29 de agosto de 2020 
  8. «Quem é Milton Ribeiro, o novo ministro da Educação». Jovem Pan. 10 de julho de 2020. Consultado em 28 de agosto de 2021 
  9. «Bolsonaro nomeia Milton Ribeiro como ministro da Educação». CNN Brasil. Consultado em 2 de setembro de 2021 
  10. «Novo ministro da Educação, Milton Ribeiro testa positivo para covid-19». Correio Braziliense. Consultado em 21 de julho de 2020 
  11. «Decreto». Diário oficial da União. Imprensa nacional. 10 de julho de 2020. Consultado em 11 de julho de 2020 
  12. a b «Aulas não presenciais até fim de 2021 autorizadas pelo MEC». Mix Vale. 1 de janeiro de 2021. Consultado em 2 de janeiro de 2021 
  13. «Enem não será usado para vagas do 1º semestre do Sisu, decide ministro da Educação». Folha de S. Paulo. 11 de dezembro de 2020. Consultado em 2 de setembro de 2021 
  14. Palhares, Isabela (11 de dezembro de 2020). «Enem não será usado para vagas do 1º semestre do Sisu, decide ministro da Educação». Folha de S. Paulo. Folha da manhã. Consultado em 17 de janeiro de 2021 
  15. Palhares, Isabella (11 de dezembro de 2020). «MEC nega fala de ministro e diz que Enem será usado em seleção de vagas nas universidades». Folha de S. Paulo. Consultado em 17 de janeiro de 2021 
  16. a b «Novas universidades ensinam 'sexo sem limites', disse ministro da Educação em 2018». O Estado de S. Paulo. 12 de julho de 2020 
  17. Otto, Isabella (13 de julho de 2020). «Polêmicas já protagonizadas pelo novo ministro da Educação, Milton Ribeiro». Capricho 
  18. Alves, Chico (10 de julho de 2020). «Novo ministro da Educação defende castigo físico para crianças». UOL 
  19. Alves, Chico. «Ministro da Educação apaga vídeo com defesa de castigos físicos a crianças». Notícias. UOL. Consultado em 2 de setembro de 2021 
  20. Nunes, Maíra (16 de julho de 2020). «Novo ministro da Educação: "Jamais falei em violência física na educação escolar"». Estado de Minas 
  21. Cardim, Maria Eduarda (19 de agosto de 2021). «Há crianças com 'grau de deficiência que é impossível a convivência', diz ministro». EuEstudante. Consultado em 28 de agosto de 2021 
  22. Cardim', 'Maria Eduarda (19 de agosto de 2021). «Há crianças com 'grau de deficiência que é impossível a convivência', diz ministro». EuEstudante. Consultado em 29 de agosto de 2021 
  23. Galvani, Nathalia (16 de agosto de 2021). «Ministro da Educação diz que alunos com deficiência 'atrapalham' demais estudantes». EuEstudante. Consultado em 29 de agosto de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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