Mira Schendel

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Mira Schendel
Nome completo Myrrha Dagmar Dub
Nascimento 7 de junho de 1919
Zurique
Morte 24 de julho de 1988 (69 anos)
São Paulo
Nacionalidade Suíça
Ocupação artista plástica

Mira Schendel ou Myrrha Dagmar Dub (Zurique, 7 de junho de 1919São Paulo, 24 de julho de 1988) foi uma artista plástica suíça radicada no Brasil, hoje considerada um dos expoentes da arte contemporânea brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai era tchecoslovaco, de família judaica, enquanto a mãe era filha de um alemão e de uma italiana de origem judaica, convertida ao catolicismo. Os pais se separaram quando Mira era ainda um bebê, e a mãe se casou novamente com um conde italiano.

Em Milão, na década de 1930, estudou Filosofia na Universidade Católica e, a partir de 1936, também freqüentou a escola de arte. Durante a Segunda Guerra Mundial, acaba abandonando os estudos. Em 1941, vai para Sofia, na Bulgária, fugindo da perseguição nazista. Acaba em Sarajevo, na Iugoslávia, onde se casa com Josip Hargesheimer, com o intuito de conseguir permissão para emigrar.

No imediato pós-guerra, entre 1946 e janeiro de 1949, o casal permanece em Roma. Mira é considerada "pessoa deslocada”, no jargão das autoridades, e trabalha na Organização Internacional de Refugiados. Nessa época mantém correspondência com o teólogo Ferdinando Tartaglia.[1]

Finalmente, obtém permissão para vir para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1949. Em seguida, fixa-se em Porto Alegre. Ali, além de pintar, dá aulas de pintura e trabalhar com cerâmica. Também estuda e publica poesias. Assinaria suas obras com o sobrenome Hargesheimer até 1953.

Seus primeiros trabalhos modernos são marcados por uma certa rigidez e alheamento, semelhantes às naturezas-mortas de Morandi, em meados da década de 1950. Haroldo de Campos, que era próximo a Mira, disse, em entrevista a Sônia Salzstein, que Mira "sentia aquilo que o Julio Cortázar chamava de ‘dificuldade de estar de todo’: ela se sentia meio exilada”.[2]

Sua participação na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, lhe permite contato com experiências internacionais e a inserção na cena nacional. Dois anos depois, em 1953, muda-se para São Paulo, onde conhece o livreiro alemão Knut Schendel, que se tornou o pai de seu filho único e posteriormente seu marido. Mira adota o sobrenome Schendel.

Na década de 1960 produz mais de quatro mil desenhos com a técnica da monotipia em papel-arroz. Estes são divididos em subgrupos, apelidades de "linhas", "arquiteturas (linhas em forma de u), "letras" (alfabeto e símbolos matemáticos) e "escritas" (em várias línguas).

Em 1966, após a apresentação em Londres de sua série Droguinhas, elaborada com papel-arroz retorcido, conhece o filósofo e semiólogo Max Bense (1910-1990), que contribui para uma de suas exposições e com quem mantém correspondência até 1975. As peças de acrílico datam de 1968, quando ela produz obras como Objetos Gráficos e Toquinhos.

Entre 1970 e 1971 realiza um conjunto de 150 cadernos, desdobrados em várias séries. Na década de 1980, produz as têmperas brancas e negras, os Sarrafos, e inicia uma série de quadros com pó de tijolo.

Após sua morte, muitas exposições apresentam sua obra dentro e fora do Brasil. Em 1994, a 22ª Bienal Internacional de São Paulo dedica-lhe uma sala especial. Em 1997, o marchand Paulo Figueiredo doa grande número de obras da artista ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) - em homenagem à sua generosidade o museu decide dar o seu nome a uma de suas salas de exposição, hoje Sala Paulo Figueiredo. A artista está representada nos seguintes acervos: MoMA (a primeira obra foi doada por Luisa Strina), Tate Modern em Londres, MAC-USP, Museu de Arte do Rio (MAR, doações do Fundo Z), MAC-Niterói, Fundação Edson Queiroz em Fortaleza, entre outros.

No início de 2009, ocorre uma espécie de salto epistemológico com a publicação pela editora Cosacnaify da tese de Geraldo Souza Dias, defendida na Alemanha. Souza Dias é um dos raros teóricos brasileiros que escrevem sobre Schendel e dominam a língua alemã, idioma básico para a artista. Essa publicação beneficiará todo o ambiente,do MoMA ao Cebrap da USP.

Exposições[editar | editar código-fonte]

Algumas das exposições de Mira Schendel são:

1952 - Porto Alegre RS - Individual, no Ibeu

1954 - São Paulo SP - Mira: pinturas, no MAM/SP

1960 - Rio de Janeiro RJ - Mira: cartões de natal, na Adorno Decorações e Presentes

1963 - São Paulo SP - Mira Schendel: pinturas, na Galeria São Luís

1964 - São Paulo SP - Mira Schendel: óleos e desenhos, na Galeria Astréia

1965 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Petite Galerie

1966 - Lisboa (Portugal) - Individual, na Galeria Bucholz

1966 - Londres (Inglaterra) - Individual, na Signals Gallery

1966 - Rio de Janeiro RJ - Individual, no MAM/RJ

1967 - Stuttgart (Alemanha) - Individual, no Technische Hochschule

1968 - Londres (Reino Unido) - Lisson 68, no Lisson Gallery

1968 - Oslo (Noruega) - Individual, na Gramholt Galleri

1968 - Viena (Áustria) - Individual, na St. Stephan Gallerie

1969 - Graz (Áustria) - Individual, na Gallerie bei Minoritensaal

1972 - São Paulo SP - Através, na Galeria Ralph Camargo

1973 - Washington (Estados Unidos) - The Avant-Garde Works by Mira Schendel, na Art Gallery of The Brazilian -American Cultural Institute

1974 - Nuremberg (Alemanha) - Mira Schendel. visuelle konstruktinen und transparente texte, na Schmidtbank -Galerie, Institut für Moderne

1975 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Luiz Buarque de Holanda/Paulo Bittencourt

1975 - São Paulo SP - Mira Schendel: desenhos de 1974/75: datiloscritos, mandalas, paisagens, no Gabinete de Artes Gráficas

1975 - Stuttgart (Alemanha) - Mira Schendel. Visuelle Konstruktinen und Transparente Texte, na Studiengalerie, Uni Stuttgart

1978 - São Paulo SP - Mira Schendel: desenhos, no Gabinete de Artes Gráficas

1980 - São Paulo SP - Mira Schendel: desenhos, na Galeria Cosme Velho

1981 - São Paulo SP - Mira Schendel, na Galeria Luisa Strina

1982 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria GB

1982 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1983 - Rio de Janeiro RJ - Mira Schendel, 65 Desenhos, na Galeria Thomas Cohn

1983 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Luisa Strina

1984 - São Paulo SP - Individual, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1985 - São Paulo SP - Mira Schendel: pinturas recentes, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1987 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria Thomas Cohn

1987 - São Paulo SP - Mira Schendel: obras recentes, na Paulo Figueiredo Galeria de Arte

1987 - São Paulo SP - Mira Schendel: obras recentes, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud

1994. The Drawing Center de Nova York.

1999 - Centro HO, Rio de Janeiro.

2009- Rio de Janeiro Expoentes da Arte Moderna Brasileira na Galeria Hermitage.

2011 - São Paulo - Museu da Imagem e do Som - MIS

2011 São Paulo - Caixa Cultural Sé.

2009 - MoMA, - exposição retrospectiva de Mira Schendel e do artista argentino León Ferrari - a maior exposição de trabalhos desses dois artistas já realizada nos Estados Unidos.[3][4]

2013 - Museu Tate Modern de Londres realizou a maior exposiçao retrospectiva de Mira Schendel, com cerca de 250 obras.

Referências

  1. MARQUES, Maria Eduarda Mira Schendel.Cosac & Naify, 2001.
  2. SALZSTEIN, Sônia. No vazio do mundo: Mira Schendel, São Paulo: Marca D’Água, 1996, p. 231, apud Veronica Stigger. In "Mira Schendel e o esvaziamento: a propósito de Desenho 2, do acervo MAC USP"
  3. The New York Times, 2 de Abril de 2009 'Tangled Alphabets' - Alternative Modernism via South America, por Roberta Smith.
  4. Folha Online, 12 de março de 2009 Artista Mira Schendel é tema de exposições nos EUA e na Europa por Silas Martí.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SALZTEIN, Sonia "No vazio do mundo: Mira Schendel" Sao Paulo, 1997
  • MARQUES, Maria Eduarda "Mira Schendel" Sao Paulo: Cosac e Naify, 1997
  • HERKENHOFF, Paulo. Mira Schendel and the shaping of the unexpressible. Nova York, The Drawing Center, 1995.
  • SOUZA DIAS, Geraldo. Mira Schendel: do espiritual à corporeidade. São Paulo, Cosacnaify, 2009.
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