Mirthes Bernardes

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Mirthes Bernardes
Mirthes Bernardes, criadora do Piso Paulista
Nome completo Mirtes dos Santos Pinto
Nascimento 10 de agosto de 1934
Barretos
Morte 18 de dezembro de 2020 (86 anos)
Nacionalidade brasileira
Ocupação artista plástica, assistente social

Mirthes Bernardes, nome artístico de Mirtes dos Santos Pinto (Barretos, 10 de agosto de 1934 - 18 de dezembro de 2020) foi uma artista plástica brasileira.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Era formada em Pedagogia e Serviço Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No campo das artes, realizou inúmeros cursos, dentre eles: escultura e cerâmica com o artista e professor Sakai de Embu das Artes; pintura a óleo e asfalto com a artista Ana Moisés de Souza; trabalhos em fibras, com os tapeceiros do litoral norte de São Paulo; esmalte sobre metais com o artista e professor Cid Freitas. Pertencia ao Núcleo Brasileiro da Arte do Esmalte (NUBRAE).

Em 1965, quando era desenhista de arquitetura da Secretaria de Obras da Prefeitura de São Paulo, esboçou um desenho em um pedaço de papel, que foi encontrado pelo seu chefe. Este ao ver o desenho, insistiu que ela o inscrevesse em um concurso para eleger o padrão das calçadas da cidade de São Paulo, realizado durante a gestão entre 1965-1966 do prefeito Faria Lima (ARENA). Mirthes julgava seu desenho muito simples, mas acabou por inscrevê-lo no concurso incentivada pelos colegas. Não imaginava ela, que seu esboço ficaria entre os quatro finalistas. A votação final seria feita após a instalação dos desenhos em ladrilhos na Avenida Consolação. Venceu, concorrendo com outros desenhos: um de grãos de café e outro representando pés caminhando. Mirthes dizia que foi uma grande alegria e uma festa entre os colegas, pois havia concorrido com arquitetos!

Nos anos seguintes, o contorno estilizado do mapa do estado de São Paulo tornou-se presente em inúmeras calçadas nas cidades paulistas.[2][3][4]

Seu "esboço" ficou consagrado e conhecido como o "piso paulista", que primeiro foi instalado na Av. Brigadeiro Faria Lima, em seguida na Av. Amaral Gurgel e também na famosa esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João.

Mirthes afirma que jamais recebeu algum dividendo pelo uso disseminado de sua criação,[1] mesmo com a notoriedade que o seu desenho conquistou. Lutou, sem qualquer sucesso, pelo reconhecimento e pelos direitos autorais pela sua criação. Ela se sentia decepcionada e desapontada por não ter obtido êxito.

Morte[editar | editar código-fonte]

Mirthes Bernardes faleceu em 18 de dezembro de 2020, vítima de câncer.[5][6][7]

Exposições e Legado[editar | editar código-fonte]

Possui obras em coleções particulares no Brasil, Espanha, França, Suíça, no Museu do Esmalte Contemporâneo de Barcelona e no acervo do Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.

Participou de diversas exposições, no Brasil e no exterior. Com obras em terracota na Mostra de Artes da Primavera, Salão de Artes do Embu; Semana do Folclore em Franco da Rocha; Boutique "Nem trombone, nem clarineta". Com obras em esmalte sobre cobre, na Casa Cor (2001); "A Arte do esmalte sobre metais e suas multiplicidades", Espaço Cultural Júlio Prestes; Salão de D. Antônio de Orleans e Bragança, Hotel Le Bougain Ville; Núcleo Brasileiro da Arte do Esmalte; I Salão Imagem, Brasilton; I Salão Oficial de Artes Plásticas e Design, Lar Center; I Salão Oficial de Inverno, Campos do Jordão; Casa da Fazenda do Morumbi; Academia Brasileira de Arte, Cultura e História (ABACH); III Salão Bougainvillée; Espaço Cultural Grande Otelo, Sorocaba, SP; Casa da Cultura de Santo Amaro.

No campo internacional, esteve presente na IV International "El Món de l'Esmalt", Museu de l'Esmalt Contemporani, Barcelona, Espanha (2001), e na 5º Rencontres Internationales de l"Email em Morez (França) e Le Sentier, (Suíça).

Homenagens e Premiações[editar | editar código-fonte]

  • Em 2007, foi homenageada pelo samba-enredo da Escola Mocidade Alegre, de São Paulo.
  • Conquistou inúmeros prêmios, destacando-se entre eles: 1º lugar no Concurso de Desenho para a Padronização do Calçamento da cidade de São Paulo (implantado); Medalha de Ouro, 9º Salão da Associação dos Artistas Plásticos de Santo Amaro; Medalha de Ouro, ABACH.
  • Em 2015, a artista foi homenageada pelo grupo Mosaico Paulista, através do "Projeto Escadaria Mirthes Bernardes", localizada na R. Joaquim Antunes, no bairro de Pinheiros (SP/Capital). Este projeto teve apoio da Associação de Moradores da Rua Joaquim Antunes (ANJA) e da Quartzolit. Nesta escadaria o grupo instalou mosaicos no formato do "Piso Paulista"
  • Prêmio Aquisição; "500 Anos de Brasil", ABACH; 3º lugar no Salão Oficial de Artes Plásticas da Cidade de São Paulo.

Referências

  1. a b «Quem criou o "Piso Paulista", A tradicional calçada de São Paulo?». Blog da Arquitetura. 2 de outubro de 2017 
  2. SALOMÃO, Karin. "Mirthes Bernardes". In: Perfis Paulistanos [Online], 17 set. 2013. link.
  3. PADILHA, Ivan. "A artista das calçadas". In: Revista Época [Online], 10 ago. 2009. link.
  4. MELO, Chico Homem de. "Crônica de um ícone paulista". In: Minha Cidade [Online], ano 07, n. 075.02, out. 2006. link. [Artigo original em: Signofobia: Coleção Textos de Design. São Paulo, Rosari, 2005, p. 52-54.]
  5. garoa, Rafael Gushiken / São Paulo da (20 de dezembro de 2020). «O adeus à Mirthes Bernardes, criadora do Piso Paulista | SP da garoa». São Paulo da garoa. Consultado em 20 de dezembro de 2020 
  6. «Mirthes Bernardes, criadora de famosa calçada de SP, morre aos 87 anos». VEJA SÃO PAULO. 20 de dezembro de 2020. Consultado em 21 de dezembro de 2020 
  7. Alves, Hellen. «Criadora da famosa calçada de SP, Mirthes Bernardes morre aos 87 anos». Diário do Centro do Mundo. Consultado em 21 de dezembro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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