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Missionários do Sagrado Coração

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para Congregação fundada em 1833 pelo padre italiano Gaetano Errico, veja Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus
Societas Missionariorum Sacratissimi Cordis Jesu
Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus
LemaAmetur ubique terrarum Cor Jesu Sacratissimum
Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus
SiglaMSC
TipoCongregação religiosa católica
FundadorPe.Julio Chevalier, MSC
Local e data da fundaçãoIssoundun França 8 de dezembro de 1854
Aprovação"Decretum Laudis": 5 de março de 1869 por Pio IX Aprovação definitiva: 20 de junho de 1874 por Pio IX
Superior geralPe. Mario Absalón Alvarado Tovar, MSC
Presença52 países
Membros1600
SedeVia Asmara, 11, 00199 Roma
Websitehttps://ametur-msc.org/website/

A Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, ou, mais simplesmente, "Missionários do Sagrado Coração", é um Instituto Religioso de Vida Consagrada de Direito Pontifício da Igreja Católica, fundada em Issoudun, na França, pelo padre Júlio Chevalier em 8 de dezembro de 1854.

Trata-se de uma congregação religiosa de vida ativa, formada por Irmãos e Padres, que se comprometem a viver em comunidade os três votos tradicionais de obediência, pobreza e castidade e dedicam-se ao testemunho da misericórdia de Deus manifestada no Coração de Jesus e às obras do apostolado nos mais diferentes ministérios, tais como a missão em terras estrangeiras, a educação da juventude, iniciativas em prol da Justiça e Paz e Integridade da Criação, a presença nos meios de comunicação e o ministério paroquial.

História

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O Fundador, Pe. Júlio Chevalier

A história dos Missionários do Sagrado Coração se inicia com seu fundador, o padre francês Júlio Chevalier (1824-1907) que, durante o seu tempo de preparação para a ordenação sacerdotal, ficou profundamente impressionado pela doutrina da encarnação, que afirma a tomada da condição humana por Deus, em Jesus Cristo. Chevalier, ao dar-se conta de que Deus se fez próximo da humanidade dessa maneira, e que a todos tratava com afeto, acolhida e misericórdia, encantou-se com a perspectiva de que Deus realmente tivesse um coração humano. Isso, somado à devoção ao Coração de Jesus já muito difundida na França de seu tempo, o fez desejar criar um grupo que se dedicasse a apresentar ao mundo a imagem do Deus que aproxima-se da humanidade com misericórdia. Imagem que contrastava com a de um Deus rigoroso e distante, muito comum à época. Essas ideias ele as compartilhou com outros colegas, ainda no seminário, chegando mesmo a criar um pequeno grupo de seminaristas ("Cavaleiros do Sagrado Coração"), que se dedicava a cultivar a devoção ao Coração de Jesus, mas que ficou restrito apenas àqueles anos.

Ordenado padre, Júlio Chevalier, é nomeado pároco da paróquia de Saint Cyr em Issoudun (Indre-et-Loire), juntamente com o seu colega de seminário Pe. Emile Maugenest. Ao reencontrar o antigo colega de estudos, sente reacender o desejo de fundar um grupo de religiosos que dedicassem suas vidas a divulgar o Sagrado Coração. A partir de suas conversas, lembranças e planos, decidem fazer uma novena à Nossa Senhora, com a intenção de que ela mostrasse se era ou não da vontade de Deus que suas ideias de fundação de uma nova Congregação tivessem bom termo. Se fosse atendido, além da Fundação, daria a Maria um novo título, honrando-a de maneira particular na Congregação.

A novena encerrou-se em 8 de dezembro de 1854, coincidindo com a Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, por Pio IX. Nesta ocasião, após a missa, o Pe. Chevalier recebeu a visita de um certo "Senhor Petit", que lhe informou que um "doador anônimo" queria fazer uma doação de 20 000 francos que deveria destinar-se à criação de uma obra missionária. O fundador interpretou isto como um sinal de Deus, considerando aquela data como sendo o início da Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração.

Passado cerca de um ano, com autorização do bispo diocesano, Chevalier e Maugenest mudam-se para uma casa de campo abandonada, adquirida com o dinheiro da doação que haviam recebido e iniciam a vida em comunidade como Missionários do Sagrado Coração, adaptando o espaço que servira de estábulo e celeiro como primeira capela da comunidade.

A princípio, os Missionários do Sagrado Coração exerciam seu ministério auxiliando às paróquias, ajudando em sua missão, ensinando o catecismo, pregando retiros e missões paroquiais. A 25 de março de 1881, o Papa Leão XIII confia a Chevalier e a seus sacerdotes a evangelização do vicariato apostólico da Micronésia e Melanésia, dando os Missionários do Sagrado Coração a oportunidade de abrir-se às missões ad gentes.

A Congregação continuou a crescer e atualmente tem comunidades nos cinco continentes, servindo às Igrejas Locais nas mais variadas funções, procurando por em prática o lema recebido do fundador: "amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus", isto é, levar, através de todos os meios, em todos os lugares possíveis, o testemunho de que Deus tem Coração, que é todo amor, misericórdia e acolhida.[1]

O espírito da Congregação

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A inspiração primeira da Congregação e, portanto, sua suprema "regra de vida" é o Evangelho. Porém, a partir do Evangelho, há também um conjunto de regras próprias chamadas "Constituições MSC", que detalham melhor certos aspectos da espiritualidade dos MSC e as normas jurídicas internas da Congregação. Tal documento foi renovado após o Concílio Vaticano II e é aprovado pela Santa Sé.[2]


Sobre sua própria espiritualidade, os Missionários do Sagrado Coração assim se expressam, de acordo com suas Constituições:

Com o nosso Fundador, nós contemplamos Jesus Cristo, unido ao Pai pelos laços de amor e de filial confiança. Cheio do Espírito Santo, Jesus dava graças ao seu Pai por ter se revelado aos pequenos. Servidor do Pai, era profundamente comprometido com os pobres e com os pecadores. Como dizia o Padre Chevalier: “Ele era feliz em derramar a ternura do seu Coração sobre os pequenos e os pobres, sobre os que sofrem, sobre os pecadores, sobre todas as misérias da humanidade. A vista de qualquer infelicidade enchia de compaixão seu Coração”. (Const. n. 6)

Em Jesus, nós reconhecemos o Bom Pastor que vai em busca dos que estão perdidos, que conhece os seus e que dá sua vida para os salvar. Ele nos manifesta assim a ternura do Pai para com aqueles que são desprezados e cujos direitos não são reconhecidos. Ele é nosso Mestre, manso e humilde de coração, que alivia nossos fardos e nos dá o repouso. Mas ele nos faz conhecer também suas exigências e fala com autoridade. (Const. n. 7)

Missionários do Sagrado Coração, nós vivemos a fé no amor do Pai revelado no Coração do Cristo. Nós queremos assemelhar-nos a Cristo que amou com um coração humano; nós queremos amar por ele e com ele, e proclamar seu amor ao mundo. A exemplo de Jesus, nós nos esforçaremos por levar os outros a Deus pela bondade e mansidão, a fim de uni-los a ele pelos laços do amor e libertá-los do medo. Confiantes na graça de Deus, estaremos prontos, se necessário, a dar a vida por eles. O espírito de nossa Congregação é um espírito de amor e de bondade, de humildade e de simplicidade. Ele é, acima de tudo, um espírito de amor pela justiça e de solicitude para com todos, especialmente para com os mais pobres. (Const. n. 10-13)

Nossa Senhora do Sagrado Coração

Quando Chevalier fez sua promessa pedindo um sinal de Deus para discernir se a fundação de uma nova Congregação era da vontade de Deus ou não, prometeu à Virgem Maria que ela seria honrada de uma maneira especial no novo Instituto. Desse modo, passados alguns anos, e com a aprovação da Santa Sé, Chevalier quis dar à Maria o título de Nossa Senhora do Sagrado Coração, cuja imagem representa Maria tendo o menino Jesus nos braços. O menino traz no peito a imagem do seu Sagrado Coração e Maria aponta para este Coração, representando assim a íntima relação de ambos: Maria apresenta ao mundo o Coração de Jesus e o Coração de Jesus ao mundo. De igual forma, desde o início, Chevalier nutria profunda confiança na intercessão de São José, esposo de Maria. Isso é preservado até a atualidade, como afirmam as Constituições dos MSC:

Porque Maria está intimamente unida ao mistério do Coração de seu Filho, nós a invocamos, a exemplo de nosso Fundador, sob o titulo de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Ela conheceu as insondáveis riquezas de Cristo; ela estava repleta de seu amor; ela nos conduz a ele apontando o seu Coração, fonte de um amor sem limites, que dá origem a um mundo novo. Nós honramos também a São José, e nos colocamos sob sua proteção. Fiel e justo, ele estava intimamente unido a Jesus e a Maria no amor. (Const. MSC 18-19)[2]

Muito embora o foco do fundador, num primeiro momento, fosse principalmente às missões entre não-cristãos em terras estrangeiras, com o passar dos anos foi-se percebendo que a missão, isto é, o anúncio da misericórdia de Deus manifestada na pessoa de Jesus, através do seu Coração, era possível de ser vivida em toda parte, como diz o lema da Congregação. Isso significa, portanto, que a Congregação passou a expandir sua área de atuação, assumindo diferentes tipos de trabalhos, onde houver necessidade e sempre dando preferência aos ministérios junto aos marginalizados.

Desse modo, hoje, o trabalho dos MSC no mundo se dá nos seguintes campos de missão:

  • missão em terras estrangeiras,
  • educação da juventude,
  • iniciativas em prol da Justiça e Paz e Integridade da Criação (pastoral de rua, pastoral indigenista, pastoral do imigrante, pastoral da saúde, etc.),
  • a presença nos meios de comunicação,
  • pregação de retiros,
  • ministério paroquial.

Veneráveis, beatos e santos ligados à Congregação

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Beato Antonio Arribas e Companheiros

Diversas figuras associadas à espiritualidade e às missões dos Missionários do Sagrado Coração (MSC) foram reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica por sua vivência da fé, especialmente no contexto do martírio.

Santo e Beatos

São Pedro (Peter) To Rot, leigo da Papua Nova Guiné, ligado à missão dos MSC. Foi martirizado durante a ocupação japonesa por sua fidelidade à fé e à família cristã. Foi beatificado em 1995 e canonizado em 2025. Sua memória litúrgica é celebrada em 7 de julho.

Beato Antonio Arribas e Companheiros mártires: sete religiosos da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração foram assassinados em 1936 durante a perseguição religiosa na Guerra Civil Espanhola. Sua memória litúrgica é celebrada em 6 de novembro.

Beato José Maria Gran e Companheiros Mártires: três padres MSC e sete leigos associados às comunidades locais foram mortos entre 1980 e 1981, durante a guerra civil guatemalteca. Sua memória litúrgica é celebrada em 4 de junho.

Beato Bento (Benedict) Daswa, leigo ligado à missão dos MSC, martirizado na África do Sul em 1990. Sua memória litúrgica é celebrada a 1 de fevereiro.

Além deles, estão em processo de beatificação os seguintes religiosos:

Os veneráveis:

  1. Dom Alan de Boismenu, MSC (1870-1953): bispo francês que atuou como vigário apostólico na Papua por mais de quatro décadas. É lembrado por sua vida austera, zelo pastoral e proximidade com os povos locais.
  2. Dom Henrique Verius, MSC (1860-1892): missionário francês e bispo coadjutor da Nova Guiné. Dedicou-se à evangelização da Oceania e morreu jovem, sendo reconhecido por suas virtudes heroicas.

E os Servos de Deus

  1. Pe. Júlio Chevalier, MSC (1824-1907): sacerdote francês e fundador dos Missionários do Sagrado Coração, das Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração e tido como fundador espiritual das Missionárias do Sagrado Coração de Hiltrup e dos Leigos da Família Chevalier. Idealizou uma espiritualidade centrada no Coração de Jesus como remédio para os males do mundo e lançou as bases da futura Família Chevalier.
  2. Pe. Emiliano Tardif, MSC (1928-1999): missionário canadense conhecido por seu ministério de evangelização e oração por cura, especialmente na América Latina. Teve amplo reconhecimento popular e sua causa foi iniciada em 2007.
  3. Dom Federico Kaiser Depel, MSC (1903–1993): missionário alemão radicado no Peru, fundador das Misioneras de Jesús Verbo y Víctima e primeiro bispo da Prelazia de Caravelí. Destacou-se pela evangelização de regiões andinas isoladas e pela promoção do estudo bíblico entre os leigos.


No Brasil e no Mundo

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A Congregação estrutura-se em unidades menores chamadas "Províncias", que são governadas por um Superior Provincial, que presta contas ao Superior Geral.

Vista interna do Santuário de Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo - SP, administrado pelos Missionários do Sagrado Coração

O Superior Geral, é a autoridade máxima da Congregação, e, auxiliado pelo seu Conselho, é o responsável último pelo Instituto. A Sede Geral da Congregação encontra-se em Roma.

Em 2023 a Congregação contava com aproximadamente 1600 membros, presentes em 52 países, organizados em:

  • 21 províncias
  • 2 uniões
  • 3 regiões
  • 51 casas de formação

No Brasil os MSC chegaram em 1911 à convite do então Bispo de Pouso Alegre, com o objetivo de serem professores em seu seminário diocesano. De lá pra cá, a Congregação espalhou-se e cresceu. Atualmente os MSC no Brasil dividem-se em 3 grupos:

  1. A Província de São Paulo, atuando no sul de Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão, Piauí e Amazonas;
  2. A Província do Rio de Janeiro, que atua no norte de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás;
  3. A Província de Curitiba, que exerce seu ministério no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e é responsável pela presença MSC no Equador ("Secção do Equador");

Referências

  1. de Kerck, J. (1987). Júlio Chevalier: o homem e sua ideia. São Paulo: Edições Loyola 
  2. a b Constituições e Estatutos dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus. São Paulo: Loyola. 2017  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)

Ligações externas

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