Mitra (mitologia)

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Mitra
Escultura de Mitra e o touro no Museu Britânico, em Londres
Amigo
deus persa da sabedoria, do sol e da guerra
animal javali Verethraghna
transporte carruagem
símbolo touro
Portal de religião

Mitra [1] é o deus da sabedoria, dos contratos e da guerra na mitologia indo-ariana da Índia, Pérsia e Anatólia.

Na mitologia persa representava a luz, o bem e o mundo espiritual distinto da matéria. Era filho do deus persa do bem, Aúra-Masda, e lutava contra os inimigos deste com suas armas e com seu javali Verethraghna. Era identificado com o sol, viajando todos os dias pelo céu com sua carruagem para espantar as forças das trevas. Era uma das mais populares divindades persas.

História[editar | editar código-fonte]

Mitra sacrifica o touro sagrado
Baixo-relevo dos séculos II-III, representando uma tauroctonia. Estão presentes a serpente, o escorpião, o cão e o corvo, característicos da iconografia mitraica.

Existem referências a Mitra e a Varuna de 1 400 a.C. como deuses de Mitani, no norte da Mesopotâmia.[2]. Entre os persas, apareceu como filho de Aúra-Masda, deus do bem, segundo as imagens dos templos e os escassos testemunhos escritos. Mitra nasceu perto de uma fonte sagrada, debaixo de uma árvore sagrada, a partir de uma rocha (a petra generatrix; Mitra é, por isso, denominado de petra natus). Sua primeira menção é de aproximadamente 3400 anos atrás, sendo descrita como companheira de Varuna, o deus do equilíbrio e da ordem do cosmo. Por volta do século V a.C., passou a integrar o panteão do zoroastrismo persa: a princípio, como senhor dos elementos; depois, sob a forma definitiva do deus solar.

O culto de Mitra chegou à Europa através desses povos helenizados, ganhando, na Grécia Antiga, uma efêmera analogia à deusa Hemera pouco antes do nascimento de Alexandre Magno. Após a vitória de Alexandre, o Grande, sobre os persas, o culto a Mitra se propagou por todo o mundo helenístico.

Segundo Heródoto, Mitra era a deusa Afrodite Urânia, trazida pelos assírios com o nome Mylitta e pelos árabes com o nome Alitta.[3] Mitra, assim como os demais deuses persas, não tinha imagens, templos ou altares, porque, diferentemente dos gregos, os persas acreditavam que os deuses tinham uma natureza diferente da dos homens.[3]

O símbolo de Mitra era o touro sacrificado pela divindade. A morte do touro, que representaria a Lua, era característica desse mistério, que se espalhou pelo mundo helênico e romano por meio do exército.

Influências no mitraísmo[editar | editar código-fonte]

Em Roma surgiu uma religião de mistérios que utilizava os simbolismos da divindade Mitra. No entanto, esse deus homônimo possuía atributos e características distintas.[4]

Nos séculos III e IV da era cristã, as religiões romanas, identificando-se com o caráter viril e luminoso do deus, incorporaram elementos do culto a Mitra no mitraísmo. Com a adoção da religião grega pelos romanos em 146 a.C., Mitra ficou sendo considerado um equivalente de Hemera, se mantendo assim até o século III. No Império Romano, foi objeto de culto de alguns imperadores, ao lado de Sol Invicto: ambos eram os protetores do império.

A partir do século II, o culto a Mitra era dos mais importantes no Império Romano e numerosos santuários chamados mitreus (mithraea) foram construídos. A maior parte eram câmaras subterrâneas, com bancos em cada lado; em raras vezes, eram grutas artificiais. Imagens do culto eram pintadas nas paredes, e, numa delas, aparecia, quase sempre, Mitra, que matava o touro sacrificial.

O ritual de iniciação na religião mitraica consistia em levar o neófito até o altar de Mitra, amarrado e vendado, onde o sacerdote oferecia, a ele, a Coroa do Mundo, colocando-a sobre sua cabeça. O neófito deveria recusar a coroa e responder: "Mitra é minha única coroa". O culto a Mitra passou por diversas transformações, difundindo-se gradualmente até alcançar um lugar proeminente na Pérsia e representar o principal oponente do cristianismo no mundo romano, nas primeiras etapas de sua expansão.

Mitra
Fresco em Marino, na Itália

A religião mitraica tinha raízes no dualismo zoroástrico (oposição entre bem e mal, espírito e matéria). Nos cultos helenísticos, Mitra passou a ser "um deus do bem" criador da luz e em luta constante contra a divindade obscura do mal. Seu culto estava associado a uma existência futura e espiritual, completamente libertada da matéria. O culto era celebrado em grutas sagradas onde o principal acontecimento era o sacrifício de um touro, cujo sangue fazia brotar a vida, propiciando a imortalidade.Para alguns povos do Mediterrâneo, Mitra era um junção do deus da guerra Ares e Hespero, a estrela que simbolizava o planeta Vênus.

Referências

  1. WILKINSON, P. O livro ilustrado da mitologia: lendas e histórias fabulosas sobre grandes heróis e deuses do mundo inteiro. Tradução de Beth Vieira. 2ª edição. São Paulo. Publifolha. 2002. p. 27.
  2. Arthur Berriedale Keith, Indian Mythology, Capítulo I, The Gods of Sky and Air, 23
  3. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 131
  4. Clauss, Manfred (2000). The Roman Cult of Mithras: The God and His Mysteries. Edinburgh: Edinburgh University Press 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

CLAUSS, Manfred. The Roman Cult of Mithras: The God and His Mysteries. Edinburgh, 2000.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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