Moby Dick

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o livro de Herman Melville. Para outros significados, veja Moby Dick (desambiguação).
Moby Dick
Moby Dick
Moby Dick A Baleia Branca (PT)
Moby Dick (BR)
Página inicial do romance em Inglês
Autor(es) Herman Melville
Idioma Inglês
Assunto Obsessão
Gênero Romance de aventura, épico, história do mar
Editora Harper & Brothers (Estados Unidos)
Richard Bentley (Grã-Bretanha)
Lançamento 18 de outubro de 1851  Reino Unido
14 de novembro de 1851  Estados Unidos
Páginas 635 (primeira edição nos Estados Unidos)
Edição portuguesa
Tradução Pedro Rosal
Editora Dois Continentes
Lançamento 1954
Páginas 110
Edição brasileira
Tradução Péricles Eugênio da Silva Ramos / Alexandre Barbosa de Souza
Editora Abril Cultural / Cosac & Naify
Lançamento 1983 / 2008
Páginas 668 / 656
ISBN 9788575036709

Moby Dick é um romance do autor estadunidense Herman Melville. O nome da obra é o do cachalote enfurecido, de cor branca, que havendo sido ferido várias vezes por baleeiros, conseguiu destruí-los. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral.[1] O livro foi revolucionário para a época, com descrições intrincadas e imaginativas das aventuras do narrador - Ismael - suas reflexões pessoais e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações, funcionamentos e armazenamento de produtos extraídos das baleias.

O romance foi inspirado no naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard, quando este foi atingido por uma baleia e afundou[2] Outra fonte de inspiração foi o cachalote albino Mocha Dick, supostamente morta na década de 1830 ao largo da ilha chilena de Mocha, que atacava os navios com premeditada ferocidade.[3]

Enredo[editar | editar código-fonte]

A obra foi inicialmente mal recebida pelos críticos, assim como pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas da literatura em língua inglesa, e seu autor é agora considerado um dos maiores escritores estadunidenses.

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Moby Dick começa com a frase: “Chamai-me Ismael.”[4] Segue-se a narrativa em primeira pessoa do marinheiro Ismael (Ishmael no original; seu nome completo nunca é mencionado), um professor rural de uma família tradicional que decide “velejar um pouco e ver a parte aquosa do mundo” para fugir de sua melancolia. Ismael já trabalhou como marinheiro em navios mercantes, mas agora quer viajar num baleeiro e conhecer as baleias. "Um monstro tão prodigioso e cheio de mistério despertava toda a minha curiosidade."[5]

Com “uma camisa ou duas” em sua bolsa de viagem, Ismael dirige-se à Ilha Nantucket, “o lugar onde encalhou a primeira baleia americana morta”.[6] Mas primeiro Ismael faz uma parada em New Bedford, nas costa leste americana, de onde embarca “a maioria dos jovens candidatos aos sofrimentos e percalços da pesca da baleia”. Passa a noite numa estalagem do ominoso Peter Coffin (Pedro Caixão), onde conhece o arpoador Queequeg, natural da ilha de Kokovoko, “para as bandas do ocidente e do sul”, que “nenhum mapa registra”.[7] com o corpo todo tatuado, que já foi canibal, mas que, apesar do aspecto inicialmente apavorante, logo se revela o ideal do “bom selvagem”, um “George Washington feito canibal”. Ismael e Queequeg fumam juntos o cachimbo do selvagem, tornando-se “casados” no linguajar nativo, ou seja, amigos íntimos (Capítulo X, “Um Amigo Íntimo”).

Chegando em Nantucket, ambos se engajam num baleeiro com decoração bizarra (“um navio canibal, ornado com os ossos dos inimigos que caçara”)[8] chamado Pequod, nome de uma tribo extinta de índios do Massachusetts. Um velho marinheiro esfarrapado, Elias, tenta alertá-los sobre o capitão do navio e demovê-los de embarcar, num prenúncio sinistro do que viria a acontecer.

A viagem começa no dia do Natal. O capitão Acab (Ahab no original) de início não é visto no convés. Ele só sai de sua cabine em alto-mar e explica à tripulação em palavras patéticas o verdadeiro objetivo da viagem: ele quer caçar e abater Moby Dick, a baleia branca (do tipo cachalote, “o maior animal do globo; a mais formidável, para enfrentar, de todas as baleias”),[9] que arrancou sua perna. Prende um dobrão de ouro no mastro principal, que será entregue a quem avistar primeiro a baleia. (“Quem quer de vós que me avistar uma baleia de cabeça branca e franzida e de queixada torta; quem quer de vós que me avistar essa baleia de cabeça branca, com o lado de estibordo da cauda furado com três buracos, olhai, quem quer que me avistar essa baleia receberá esta onça de ouro, rapazes!”[10]

O antagonista de Acab é o primeiro imediato, Starbuck, um marinheiro audaz e experiente, “filho de Nantucket, de ascendência quacre”, de pensamento sóbrio e racional e que se destaca por sua religiosidade. No decorrer da viagem, ocorrem diversos confrontos entre Acab e Starbuck. Certa vez, Starbuck chega a cogitar, secretamente, em matar Acab, a fim de proteger a tripulação de seu fanatismo crescente, mas desiste no último momento (Capítulo CXXIII, “O Mosquete”). O segundo imediato é Stubb, natural do Cabo Cod. O terceiro imediato é Flask, natural de Martha's Vineyard. Os arpoadores são Quiqueg (primeiro), Tashtego (segundo, índio puro) e Dagu (terceiro, selvagem negro). (Capítulo XXVII, "Cavaleiros e Escudeiros".)

Após a circunavegação do Cabo da Boa Esperança, baleias são avistadas, caçadas e mortas várias vezes. A caça aos animais e o processamento de seus corpos são minuciosamente descritos. A viagem é regularmente interrompida por encontros (gams) com outros navios. Acab sempre indaga seus capitães sobre a baleia branca.

Um dia Queequeg adoece gravemente e sente que seu fim se aproxima. A seu pedido, um caixão é preparado para ele. Mas Queequeg sobrevive porque, como ele próprio diz, ainda tem uma obrigação por cumprir em terra. (Capítulo CX, “Quiqueg em seu féretro”.)

Em certo ponto da viagem (Capítulo CXVII) o parse (zoroastrista indiano) Fedallah profetiza que, antes de morrer, Acab terá de ver dois caixões no mar: “o primeiro, não feito por mãos mortais; e a madeira visível do último precisa ter crescido na América”.[11]

O Pequod ruma agora para sudeste ao encontro de Moby Dick. Um homem cai do topo do mastro de proa no mar. O bote salva-vidas é lançado, mas ambos afundam. Agora Queequeg propõe que seu caixão inútil seja usado como novo salva-vidas. (Capítulo CXXVI). Na manhã seguinte o navio encontra o Raquel, comandado pelo Capitão Gardiner de Nantucket. O Raquel está em busca de sobreviventes de um de seus baleeiros que fora atrás de Moby Dick. Entre os desaparecidos está o filho caçula de Gardiner. Acab, em sua ânsia por ir ao encontro de Moby Dick, recusa-se a ajudar na busca. Depois o Pequod tem seu nono e último "gam", com o Deleite, gravemente danificado e tendo perdido cinco de seus tripulantes para Moby Dick. Seu capitão grita que o arpão capaz de matar o cachalote branco ainda está por ser forjado, ao que Acab brande seu arpão especial, feito por Perth, ferreiro do navio (Capítulo CXIII, “A Forja”), e brada: “Aqui nesta mão eu empunho a morte dele”.[12]

No primeiro dia da caça (antepenúltimo capítulo), Acab fareja o inimigo, sobe ao mastro e avista Moby Dick. Reivindica o dobrão de ouro para si, e ordena que todos os botes sejam arriados exceto o de Starbuck. A baleia, com uma mordida, parte o bote de Acab pela metade, lançando o capitão para fora, e dispersando a tripulação. No segundo dia da caça, Acab deixa Starbuck no comando do Pequod. Moby Dick estraçalha os três barcos que lhe vão ao encalço e emaranha suas arpoeiras (cabos que prendem os arpões ao barco). Acab é salvo, mas sua perna de marfim, bem como Fedallah, se perdem. Starbuck implora que Acab desista (“Manter-nos-emos a perseguir esse peixe assassino até que ele afunde o último homem?”), mas este promete que no dia seguinte o cachalote esguichará “seu último jato”. [13]

No terceiro dia da caça, Acab avista Moby Dick ao meio-dia, e tubarões também aparecem. Acab arreia seu barco pela última vez, deixando Starbuck novamente a bordo. Moby Dick salta sobre dois barcos, destruindo-os. O corpo de Fedallah, ainda emaranhado nos cabos, estava preso às costas do peixe, de modo que Moby Dick revela-se o primeiro “caixão” profetizado pelo parse. Acab lança seu arpão, junto com uma praga, contra o odiado cetáceo. “Tanto o aço como a maldição se lhe afundaram na carne [...]”.<ref<Capítulo CXXXV, “A Caça – Terceiro Dia”.</ref> Moby Dick golpeia o barco, lançando seus homens ao mar. Somente Ismael não consegue retornar ao navio. Deixado para trás no mar, é o único tripulante do Pequod que sobrevive ao embate final. O cachalote agora ataca fatalmente o Pequod. Acab então percebe que o navio destruído é o caixão feito de madeira americana da profecia de Fedallah. A baleia retorna para Acab, que a arpoa de novo. O cabo do arpão se enrola no pescoço de Acab que, “calado como os mudos turcos estrangulam sua vítima, foi arremessado do bote, antes que a equipagem percebesse que ele se tinha ido”.[14] O caixão de Queequeg assoma na superfície, o único objeto que escapa ao vórtice do Pequod soçobrando. Por um dia inteiro, Ismael flutua nas águas, até que o Raquel, ainda em busca de seus “filhos perdidos”, o resgata.

O final de Moby Dick é previsível, mas isso não tira pontos da obra, pois também é incessantemente surpreendente. Sabia-se que o destino não guardava flores para Ahab, e sim espinhos, pois a lição filosófica da obra é que o homem quando dá-se por extremamente ambicioso acaba perdendo tudo que mais preza, no caso da metáfora construída, o Pequod e a vida. Tendo seu melhor amigo Queequeg morrido naquele mesmo dia, Ismael estava sozinho em meio aos escombros e aos corpos (todos mortos). Pois que, quando não lhe restavam mais esperanças, o caixote onde Queequeg seria velado, segundo sua crença pagã, emerge da água para que o sobrevivente seja salvo. E, assim, ao gosto das ondas, o marinheiro é levado para casa. Tempos depois de ter vivido o sabor da sua amarga aventura e ter visto o quanto o homem pode ser tolo por razões tão naturais como o instinto animal, e criar seus fantasmas justamente por sua pretensão, Ismael não tem mais vontade de voltar para o mar. Deveras, já vira de tudo.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • Moby Dick foi um desenho animado da Hanna-Barbera, exibido pelo canal estadunidense CBS durante o período de 1967-1969 (no original Moby Dick and the Mighty Mightor).
  • MobyDick é uma música instrumental do segundo disco da banda Led Zeppelin, famosa pelo solo de bateria de John Bonham
  • No desenho, dois adolescentes Tom e Tub são resgatados pela grande baleia branca Moby Dick após um naufrágio. Juntos com o mascote Scooby, eles enfrentam os perigos do fundo do mar.
  • Em um episódio do desenho de Tom e Jerry, Tom e Jerry se deparam na embarcação The Pequod e encontram Dick Moe (paródia de Moby Dick) e o capitão.
  • Aparece também como sátira em um desenho do Pica-Pau, intitulado "Dopey Dick", onde a cor da baleia é rosa ao invés do branco.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Moby-Dick; or, The Whale: Publishing history" - Melville Society. "A primeira edição britânica (intitulada de The Whale), publicada em três volumes em 18 de outubro de 1851 por Richard Bentley, foi censurada por "ofender a sensibilidade política e moral". A primeira edição americana foi publicada em 14 de novembro 14 de 1851 pela editora Harper & Brothers."
  2. Encontrados os restos do navio de capitão que inspirou "Moby Dick" Portal GRPCOM - edição de 12 de fevereiro de 2010
  3. Ver verbete inglês.
  4. Herman Melville, Moby Dick, tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.
  5. Moby Dick, Capítulo I, "Miragens".
  6. Idem, Cap. II, "A Bolsa de Viagem".
  7. Cap. XII, "Biográfico".
  8. Cap. XVI, "O Navio".
  9. Cap. XXXII, “Cetologia”.
  10. Cap. XXXVI, “O Convés de Ré”.
  11. Capítulo CXVII, “A Vigia Baleeira”.
  12. Capítulo CXXXI, “O “Pequod” Encontra-se com o “Deleite”.
  13. Capítulo CXXXIV, “A Caça – Segundo Dia”).
  14. Capítulo CXXXV, “A Caça – Terceiro Dia”.
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