Moema

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Município de Moema
"Terra Doce de Minas"
Bandeira indisponível
Brasão indisponível
Bandeira indisponível Brasão indisponível
Hino
Aniversário 12 de dezembro
Fundação 12 de dezembro de 1953
Gentílico moemense
Prefeito(a) Julvan Rezende Araújo Lacerda (PMDB)
Localização
Localização de Moema
Localização de Moema em Minas Gerais
Moema está localizado em: Brasil
Moema
Localização de Moema no Brasil
19° 50' 34" S 45° 24' 39" O19° 50' 34" S 45° 24' 39" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Central Mineira IBGE/2008 [1]
Microrregião Bom Despacho IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Araújos, Bom Despacho, Luz (pelo Rio São Francisco) e Santo Antônio do Monte
Distância até a capital 170 km
Características geográficas
Área 202,663 km² [2]
População 7 028 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 34,68 hab./km²
Altitude 728 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,773 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 44 023,685 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 6 290,90 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura www.moema.mg.gov.br

Moema é um município do estado de Minas Gerais, no Brasil.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Moema" seria uma homenagem à homônima filha recém-falecida de um secretário do interior.[6] Ou, então, uma referência à personagem homônima do poema Caramuru, de Santa Rita Durão, clássico da literatura árcade brasileira escrito em 1781.[7] O nome da personagem, por sua vez, corresponde ao tupi antigo mo'ema, que significa "mentira" (no poema, Moema era a amante do personagem principal, Diogo Álvares, representando, assim, o amor falso, em contraposição ao amor verdadeiro representado pela esposa de Diogo, Catarina Paraguaçu).[8]

História[editar | editar código-fonte]

Habitada originalmente por povos ameríndios, como todo o restante do território nacional, os primeiros registros mais precisos sobre a ocupação humana da região, contudo, são de povoações de "Negros Forros", fugindo do imposto de capitação. A sesmaria do Ribeirão de Santo Antônio foi a primeira demarcação oficial de terras na região, feita em 16 de julho de 1767.[9] O povoado de "São Pedro do Doce" ou, simplesmente, "Doce", que, posteriormente, formaria o município de Moema, tem, em suas origens, dois personagens principais: Manoel da Costa Gontijo e Pedro Ferreira da Silva, que foram os dois primeiros brancos a fixar residência no povoado.[10] Existem várias hipóteses que explicam a origem do nome "Doce"ː desde um carregamento de rapadura que teria caído num córrego da região, até uma fazenda da região que produziria esse doce.[11]

A existência de negros vivendo no povoado anteriormente à chegada desses dois senhores brancos é provável, mas não existem registros históricos a respeito.[12]

Pedro Ferreira da Silva Junior era neto de Manoel da Costa Gontijo e filho de Pedro Ferreira da Silva, e foi na sua parcela das terras herdadas do avô, com o falecimento de seu pai em 1875, que ele plantou a cruz-semente do povoado do Doce. Na sua fundação, o povoado era habitado pelos descendentes de Manoel da Costa Gontijo e suas famílias, sendo esta sua família a origem então do povoado do Doce, que depois viria a ser o município de Moema. É o cruzeiro plantado por Pedro Ferreira da Silva Júnior na época da proclamação da república que marca, segundo a tradição, a fundação do povoado.

A primeira capela do Doce foi uma doação de Pedro Ferreira da Silva Junior (segundo outras fontes, teria sido uma doação de Nicolau Leite)[13] para o então padre de Bom Despacho, padre Nicolau Ângelo Del Duca, por volta do ano de 1900, com a condição de ter São Pedro como padroeiro. Finda a construção do altar da capela por Irineu Ferreira da Silva, vindo de Pitangui para tal construção, o povoado começou a crescer em volta dela, com lojas se instalando, e a construção de um grupo escolar, iniciada em 1918 pelo mesmo Irineu Ferreira da Silva, em terras doadas pela família de Pedro Ferreira da Silva Junior.

A Presença Negra no Doce[editar | editar código-fonte]

A presença de negros no início do povoado do Doce era marcante, como se pode ver ainda hoje nos traços físicos dos habitantes de Moema. A esposa de Pedro Ferreira da Silva Junior, Generosa Dionízio Pereira, era, ela mesma, negra, deixando traços nos fundadores do povoado e, até hoje, em alguns descendentes que habitam a região.

Elevação a Distrito[editar | editar código-fonte]

Seguindo um movimento popular, em 1923, o povoado do Doce foi elevado a Distrito de Bom Despacho, adotando então o nome de Moema

Agora com a elevação a distrito e com o crescimento populacional, Moema precisava de uma igreja própria. Assim, em 1926, Manoel Pinto iniciou a construção da nova igreja, demolindo a capelinha original, que ficava no mesmo local. A igreja, hoje conhecida como "Igrejinha de São Pedro", teve suas obras terminadas em 1931.

Em 1937, o conselho municipal, por inciativa de José Etelvino, decide pela construção da Igreja Matriz. Foi João Ferreira Assunção—filho de Irineu Ferreira da Silva, que havia construído a capela—quem ficou encarregado da construção da igreja. João Irineu, como era conhecido, tinha se fixado em Moema em 1931, onde mantinha um comércio e fora nomeado Juiz de Paz. Em 1945 quando teve de se mudar de Moema, João Irineu passou os trabalhos da igreja para a responsabilidade de Pedro Andalécio. Mesmo permanecendo pouco tempo em Moema, João Irineu, assim como seu pai, são pessoas sempre lembradas pelas suas obras na cidade de Moema.

O Município de Moema[editar | editar código-fonte]

Desmembrado do município de Bom Despacho, o município de Moema foi emancipado em 12 de dezembro de 1953. Seu primeiro prefeito, nomeado para mandato provisório, foi Fernando Xavier de Queiroz, que administrou o município desde sua instalação, em 1 de Janeiro de 1954, até o dia 30 de Janeiro de 1955. O primeiro prefeito eleito foi Pedro Ferreira da Silva, o Doca, que geriu o município de 31 de Janeiro de 1955 a 30 de Janeiro de 1959. Após, foram eleitos e exerceram o cargo de prefeito:

Em 7 Outubro de 2012, Julvan Rezende Araujo Lacerda foi eleito com 3 204 votos e tomou posse no dia 1 de janeiro de 2013.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Sua população, segundo estimativa de 2005, era de 7 145 habitantes.

Localizado na região do Alto São Francisco, tem área de 202,663 km².

Limita com os municípios de Araújos, Bom Despacho, Luz (pelo Rio São Francisco) e Santo Antônio do Monte.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da cidade está baseada na agricultura e pecuária, sendo que, na década de 1990, grande parte da população passou a trabalhar com venda ambulante, o que resultou na criação da pequenas indústrias.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Moema realiza, anualmente, a Festa de Nossa Senhora do Rosário, também chamada Festa do Reinado e a Festa do Cavalo. O Congado, com suas "cortes" e instrumentos africanos tradicionais, é a principal tradição dessas festividades, que atraem pessoas de toda a região. Esta festa, que é, sempre, realizada na última semana de julho, tem características próprias, com comidas típicas, barracas e shows.

A cidade é banhada pelo Rio São Francisco, Ribeirão Santa Luzia, Ribeirão Santo Antônio, Córrego dos Machados, Rio Jacaré, Ribeirão Santo Antônio. Além deles, possui, também, belíssimas lagoas, como a Lagoa Grande, Lagoa das Piranhas, Lagoa dos Peixes, Lagoa Criminosa, Lagoa Mariana e Lagoa Comprida. Nelas, o turista poderá contemplar a natureza e sentir-se verdadeiramente livre das preocupações e vida agitada do cotidiano.

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Moema

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010 
  6. Web revista Sociodialeto. Disponível em http://www.sociodialeto.com.br/edicoes/15/31072013043211.pdf. Acesso em 2 de agosto de 2016.
  7. GUIMARÃES, M. R. Moema: mito, monstros e máscaras. Disponível em http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais%20v/civ5_09.htm. Acesso em 7 de abril de 2013.
  8. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 540, 587.
  9. Antônio Rodrigues da Rocha, o primeiro sesmeiro da região, conquistador dos quilombos em 1758, demarcou legalmente as terras, viveu nelas e as cultivou por bastante tempo; porém, simplesmente "desapareceu" por volta de 1780/1790, havendo indícios de que poderia ter sido morto ou expulso por facínoras ligados a Inácio de Oliveira Campos, marido da lendária Joaquina do Pompéu.
  10. Os primeiros brancos a fixarem residência na região foram Antonio Rodrigues da Rocha (por cerca de 30 anos) e Domingos Gonçaves Viana, de Bom Despacho. O capitão Manoel da Costa Gontijo só chega à região por volta de 1793/1795.
  11. Web revista Sociodialeto. Disponível em http://www.sociodialeto.com.br/edicoes/15/31072013043211.pdf. Acesso em 2 de agosto de 2016.
  12. Existem, sim. Existe farta documentação, a exemplo dos próprios autos de demarcação da Sesmaria do Ribeirão de Santo Antonio, de Antonio Rodrigues da Rocha. Estes documentos (cópias reprográficas dos autos manuscritos - 1758 a 1768) haviam sido extraviados na gestão dos prefeitos anteriores - Júlio Lacerda e José Geraldo, afirma o doador do acervo, Tarcísio José Martins. Felizmente, foram localizados, segundo notícias recebidas pelo historiador, ao final do primeiro mandato do prefeito Marcelo. Portanto, os povoadores pioneiros da região foram os quilombolas que tinham seus Quilombos no Espinho, no Calambau e do córrego do Quilomboː este, divisa com a atual Bom Despacho. Essas toponímias resistiram a tudo e ainda dão nomes aos mesmos locais que marcam a presença negra quilombola nos primórdios setecentistas de Moema e Bom Despacho.
  13. Web revista Sociodialeto. Disponível em http://www.sociodialeto.com.br/edicoes/15/31072013043211.pdf. Acesso em 2 de agosto de 2016.
  14. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros in Martins, Tárcísio José. Moema - As Origens do Povoado do Doce, http://www.mgquilombo.com.br/ziplivros/moema.pdf, 20 de janeiro de 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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