Monarquia dual

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Monarquia Dual ocorre quando, no mínimo, dois reinos independentes são governados pelo mesmo monarca,seguindo a mesma política externa, existe uma união aduaneira com cada um e tem uma combinação das forças armadas, mas são autorregulamentados. O exemplo clássico é a Áustria-Hungria, a monarquia dual que existiu de 1867 até 1918.

Na década de 1870, utilizando o termo monarquia dual da Áustria-Hungria como modelo, o  Príncipe de Gales (depois Rei Eduardo VII) e William Ewart Gladstone propuseram que a Irlanda e a Grã Bretanha formassem uma monarquia dual.[1] Seus esforços não obtiveram resultados, mas a ideia foi utilizada mais tarde em 1904 por Arthur Griffith em sua obra semanal 'A Ressurreição da Hungria'. Griffith notou como em 1867 a Hungria passou a integrar o Império Austríaco como dois separados e co-igual na Áustria-Hungria. Embora não fosse monarquista, ele advogou essa abordagem para as relações anglo-irlandesa. A ideia não foi bem aceita pelos líderes políticos irlandeses, e a Irlanda iniciou uma luta de luta de independência (1919–1921) para sair da União da Grã-Bretanha e Irlanda e formar um Estado separado, o Estado Livre irlandês em 1922.

Historiadores posteriores utilizaram o termo para se referir a outros exemplos onde um Rei governou dois Estados, como Henrique V e Henrique VI, que eram efetivos Reis da InglaterraFrança no século XV, como resultado da formação do Estado fantoche de larga área na França durante a Guerra dos Cem Anos,[2][3] Dinamarca e Noruega, uma monarquia dual que existiu de 1536 até 1814,[4] e a Comunidade Polaco-Lituana (1569-1795).[5]

A monarquia dual não é necessariamente uma união pessoal. Neste caso, a união de dois ou mais reinos indica que os Reinos são governados por um mesmo monarca, mas não há nenhum compartilhamento das estruturas do governo. Estados em união pessoal há, em cada um, militares, relações internacionais e impostos separados. Neste sentido a Áustria–Hungria não era uma União Pessoal, pois compartilhavam os seguintes gabinetes: a política externa, o exército e as Finanças.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Matthew, H. C. G.; Harrison, B. (setembro de 2004; online edn. May 2006), «Edward VII (1841–1910)», Oxford University Press, Oxford Dictionary of National Biography, doi:10.1093/ref:odnb/32975, consultado em 24 de novembro de 208  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  2. Saul, Nigel (maio de 1986), «Henry V and the Dual Monarchy», History Today, 36 (5): 39–43 
  3. McKenna, J.W. (1965), «Henry VI of England and the Dual Monarchy: Aspects of Royal Political Propaganda, 1422–1432», Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, 28: 145–162, JSTOR 750667, doi:10.2307/750667 
  4. Slagstad, Rune (2004), «Shifting Knowledge Regimes: the Metamorphoses of Norwegian Reformism», Thesis Eleven, 77 (1): 65–83, doi:10.1177/0725513604044236 
  5. Ronald Findlay; Kevin H. O'Rourke (10 de agosto de 2009). Power and Plenty: Trade, War, and the World Economy in the Second Millennium. [S.l.]: Princeton University Press. p. 189. ISBN 1-4008-3188-1 
  6. Columbia encyclopedia http://www.bartleby.com/65/au/AustroHu.html