Monsanto (empresa)
| Companhia Monsanto | |
|---|---|
| privada | |
| Atividade | Agricultura Biotecnologia |
| Fundação | 4 de abril de 1901 (124 anos) em Saint Louis, Missouri, EUA |
| Fundador(es) | John Francis Queeny |
| Destino | Adquirida pela Bayer |
| Encerramento | 21 de agosto de 2018 |
| Pessoas-chave | Hugh Grant (executivo) (Presidente) Terrel Crews (Vice-presidente) |
| Empregados | 21.183 (2014) [1] |
| Produtos | Herbicidas, pesticidas, sementes Roundup OGMs |
| Receita | |
| Lucro | |
| Renda líquida | |
| Website | http://www.monsanto.com.br |
A Companhia Monsanto foi uma empresa multinacional de agricultura e biotecnologia adquirida pela Bayer.[3][4] Sediada nos Estados Unidos, foi líder mundial na produção do herbicida glifosato (pesticida), vendido sob a marca Roundup. Também, foi produtora líder de sementes geneticamente modificadas, respondendo por 70% a 100% do market share para variadas culturas em 2014.[2] A Agracetus, subsidiária da Monsanto, se concentra na produção de soja Roundup Ready para o mercado. No Brasil, sua sede se localizava na cidade de São Paulo. Em setembro de 2007 a companhia comprou a Agroeste Sementes, uma empresa brasileira de sementes de milho. No ano de 2008, adquiriu a CanaVialis cujo foco é o melhoramento genético de cana-de-açúcar e a Alellyx, empresa de biotecnologia, unificadas sobre a marca CanaVilis Monsanto, com sede na cidade de Campinas. Além disso, a Monsanto já possuía a brasileira Monsoy desde 1997.[5]
A Monsanto foi uma das primeiras empresas a aplicar o modelo de negócios da indústria biotecnológica à agricultura, utilizando técnicas desenvolvidas por empresas farmacêuticas biotecnológicas.[6] Nesse modelo de negócios, as empresas recuperam os custos de P&D explorando patentes biológicas.[7][8][9][10][11]
Em 2016,[12] a Monsanto foi adquirida pelo grupo Bayer, em uma das maiores fusões da história da Alemanha, e por exigência de órgãos regulatórios, manteve sua operação independente até agosto de 2018, quando se concluíram uma série de desinvestimentos impostos como condições pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.[3][4]
O papel da Monsanto nas mudanças agrícolas, nos produtos biotecnológicos, no lobby junto a agências governamentais e suas raízes como empresa química resultaram em controvérsias. A empresa já fabricou produtos controversos como o inseticida DDT, PCBs, Agente Laranja e hormônio de crescimento bovino recombinante.
História
[editar | editar código]A empresa foi fundada em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos em 1901, por John Francis Queeny, um farmacêutico de trinta anos. Ele iniciou a indústria com seu próprio dinheiro e batizou-a com o sobrenome de solteira de sua esposa (Olga Mendez Monsanto). Em 1919, a Monsanto estabeleceu uma filial na Europa entrando numa parceria com a Graesser's Chemical Works, de Cefn Mawr, País de Gales, para produzir vanilina, ácido salicílico, aspirina e mais tarde borracha.
Na segunda década de sua história, anos 20, a Monsanto expandiu sua produção para outros químicos como ácido sulfúrico. Em 1928 o filho de Johan, Edgard Monsanto Queeny assumiu a empresa.
Nos anos 40 a organização se tornou umas das principais fornecedoras de plástico, incluindo polietileno e fibras sintéticas. Desde então, ela se manteve entre as 10 maiores indústrias químicas estadounidenses. Outros produtos foram os herbicidas 2, 4, 5-T, DDT, o agente laranja, usado principalmente na Guerra do Vietnã (cujos efeitos cancerígenos seriam mais tarde comprovados), aspartame, (NutraSweet), somatropina bovina (BST), e PCB (conhecida no Brasil como Ascarel), uma substância extremamente tóxica, que foi proibida em 1971 nos EUA e em 1981 no Brasil - entre outros países.[13]

Em 1 de setembro de 1997 a empresa entra num processo de negociação com a Solutia. Então com três setores de atuação (produtos agropecuários, indústria farmacêutica e química), a Monsanto transferiu os direitos da indústria química.[14]
Dois anos depois, no dia 19 de dezembro de 1999, a companhia inicia a fusão com a Pharmacia & Upjohn. Em 2000 a Companhia Monsanto torna-se uma subsidiária da nova organização.[14] Após uma série de transações, em 13 de agosto de 2002 a subsidiária Monsanto torna-se independente da Pharmacia e passa a atuar somente no segmento do agronegócio.[14]
Em setembro de 2016, a empresa foi adquirida pela Bayer por US$ 66 bilhões.[15]
Controvérsias
[editar | editar código]Segundo a organização não governamental Action Aid [en], em relatório divulgado durante o Fórum Social Mundial de 2005, a Monsanto estava contribuindo para o crescimento da fome e da miséria no mundo, ao controlar grande parte do comércio internacional de alimentos e produtos agrícolas. Segundo o relatório da Action Aid, que desenvolve estudos e busca soluções para reduzir a pobreza mundial, em 2004 cinco empresas controlavam 90% do comércio mundial de grãos, e seis empresas controlavam 75% do mercado global de pesticidas. Corporações transnacionais como a Monsanto, Cargill, Nestlé e Wal-Mart, dominavam as cadeias de suprimento de alimentos e produtos agrícolas - desde as sementes até as prateleiras dos supermercados.[16]
Risco de câncer do Roundup Ready
[editar | editar código]A Monsanto tem enfrentado controvérsia devido a alegações de que seus herbicidas podem ser cancerígenos. Há evidências limitadas de que o risco de câncer em humanos possa aumentar como resultado da exposição ocupacional a grandes quantidades de glifosato (Roundup Ready), como em trabalhos agrícolas, mas não há evidências concretas de tal risco no uso doméstico, como na jardinagem doméstica.[17] O consenso entre as agências reguladoras nacionais de pesticidas e organizações científicas é que os usos rotulados do glifosato não demonstraram nenhuma evidência de carcinogenicidade humana.[18] Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), a Comissão Europeia, a Agência Reguladora de Gestão de Pragas canadense, o Instituto Federal de Avaliação de Riscos alemão[19] e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA),[20][21] concluíram que não há evidências de que o glifosato represente um risco cancerígeno ou genotóxico para os seres humanos. No entanto, uma organização científica internacional, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), afiliada à OMS, fez alegações de carcinogenicidade em revisões de pesquisas; em 2015, a IARC declarou o glifosato "provavelmente cancerígeno".[22] Posteriormente em 2016, representantes da OMS e da FAO concluíram que "é improvável que o glifosato represente um risco cancerígeno para os seres humanos devido à exposição através da dieta".[23] A Monsanto nega que o Roundup seja cancerígeno.[24][25]
Monsanto Protection Act
[editar | editar código]Em março de 2013, uma emenda na lei do orçamento dos Estados Unidos, intitulada Farmer Assurance Provision e apelidada de Monsanto Protection Act, provocou críticas por parte dos ambientalistas, pois permitia a cultura de plantas geneticamente modificadas, mesmo sem homologação. Nem mesmo a justiça americana podia impedi-la.[26]
Polícia genética
[editar | editar código]Segundo matéria publicada pela rede canadense CBC News em maio de 2004, agricultores que compravam sementes transgênicas da Monsanto eram proibidos de guardar parte da colheita para replantio dessas sementes. Para garantir que isso não ocorresse, a empresa mantinha uma polícia genética, que investigava denúncias de "casos suspeitos", inspecionando fazendas (com ou sem permissão dos proprietários), para coletar amostras de plantas e sementes. No Canadá e nos Estados Unidos, mesmo os agricultores que jamais compraram sementes da Monsanto eram investigados por essa "polícia genética", e vários desses agricultores foram processados, já que a "polícia genética" da Monsanto conseguia entrar em suas propriedades, em busca de provas do uso não autorizado de sementes patenteadas pela empresa. Na década de 1990, o caso do agricultor Percy Schmeiser, de Saskatchewan, Canadá, foi exemplar. Ele plantava canola e utilizava sementes que não eram de propriedade da Monsanto. Seus vizinhos, porém, cultivavam canola transgênica, e o pólen dessas plantas voou para o plantio de Schmeiser. Segundo ele, suas terras foram invadidas pelas sementes transgênicas. A "polícia genética" da Monsanto recebeu uma denúncia (graças a um sistema do tipo Disque-Denúncia que encorajava a delação entre fazendeiros vizinhos,[27]) e seus investigadores conseguiram (sem permissão) colher amostras das plantas da fazenda de Schmeiser.[28] Posteriormente, foi constatado que algumas dessas plantas haviam sido produzidas com sementes de Roundup Ready Canola. Assim, em 1998, a Monsanto entrou com uma ação judicial contra Schmeiser, alegando que ele utilizara ilegalmente as sementes patenteadas, pretendendo receber todo o lucro que o produtor obtivera com a sua produção. Em primeira instância, a justiça do Canadá decidiu que Schmeiser teria mesmo de indenizar Monsanto.[29] Schmeiser recorreu, e o caso se transformou em uma batalha judicial. Finalmente, em 21 de maio de 2004, a Suprema Corte do Canadá decidiu a favor da Monsanto, por 5 votos a 4. Mas Schmeiser obteve uma vitória parcial, pois não teve que entregar à Monsanto todos os lucros que obtivera desde a safra 1998, conforme a empresa pretendia. Isto porque, segundo a Corte, a presença de plantas geneticamente modificadas em sua plantação não lhe proporcionara qualquer vantagem. Enfim, ele não havia obtido lucros atribuíveis à invenção da Monsanto. De fato, o montante dos lucros em jogo era relativamente pequeno (menos de 20 000 dólares). Como não teve que indenizar a Monsanto, Schmeiser livrou-se também de ter que pagar as custas processuais, que chegaram a centenas de milhares de dólares.[30]
Jornada mundial contra a Monsanto
[editar | editar código]Em todo o mundo a empresa tem sido alvo de frequentes protestos de ativistas ambientais. Em 25 de maio de 2013 foram realizados protestos simultâneos em mais de quarenta países do mundo e em centenas de cidades, contra a maior produtora mundial de sementes transgênicas. Protestou-se contra a falta de etiquetas identificando os produtos transgênicos e informando os alegados danos que podem causar à saúde humana segundo críticos. Também foram alvo dos protestos as práticas abusivas presumivelmente cometidas pela transnacional contra os agricultores.[31][32][33] Unindo-se à jornada de protestos, o grupo de piratas informáticos Anonymous, através de sua conta no Twitter, exortou a sociedade a “não alimentar seus filhos com o lixo dos produtos modificados geneticamente".[31] No Chile houve também protestos contra três senadores que apóiam o projeto da chamada Ley Monsanto, que está ligado ao Tratado de Livre Comércio estabelecido entre o Chile e os Estados Unidos.[34] Em 2015, a Marcha Mundial contra a Monsanto ocorreu no dia 23 de maio, com o objetivo de chamar a atenção para os supostos riscos causados por produzirem produtos geneticamente modificados .[35][36]
Existe um consenso científico[37][38][39][40][41] de que os alimentos atualmente disponíveis derivados de culturas geneticamente modificadas não representam um risco maior para a saúde humana do que os alimentos convencionais,[42][43][44][45][46][47][48] mas que cada alimento geneticamente modificado precisa ser testado caso a caso antes da introdução.[49][50][51]
Lobby
[editar | editar código]Documentos internos obtidos em 2015 pela ONG anti-OGM norte-americana Right to Know mostram que, como parte de uma estratégia de relações públicas e intenso lobby apoiado pela Biotechnology Industry Organization e pela Grocery Manufacturers Association, a Monsanto tem intencionalmente remunerado, direta ou indiretamente, especialistas e cientistas, a fim de desacreditar os denunciantes, dar uma imagem positiva dos produtos que vende e facilitar a obtenção de aprovações pelas autoridades reguladoras.[52][53][54]
Casos em tribunal
[editar | editar código]A Monsanto envolveu-se em processos de grande visibilidade, tanto como autora como ré. Defendeu ações judiciais principalmente sobre os efeitos de seus produtos na saúde e no meio ambiente. A Monsanto recorreu aos tribunais para fazer valer as suas patentes, nomeadamente em biotecnologia agrícola, uma abordagem semelhante à de outras empresas do sector, como a Dupont Pioneer e Syngenta.[55] A Monsanto também se tornou uma das grandes corporações mais controversas do mundo, numa série de questões envolvendo seus produtos químicos industriais e agrícolas, e sementes geneticamente modificadas. [56] Em abril de 2018, pouco antes da aquisição pela Bayer, esta indicou que melhorar a reputação da Monsanto representava um grande desafio.[57] Em Junho daquele ano, a Bayer anunciou que retiraria o nome Monsanto como parte de uma campanha para recuperar a confiança do consumidor.[56]
Filmografia
[editar | editar código]- O mundo segundo a Monsanto. Documentário de Marie-Monique Robin, autora do livro homônimo. Disponível no Youtube (legendado ou dublado em português).[58]
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- ↑ Monsanto at a Glance
- ↑ a b c d (em inglês) Monsanto. Relatório Anual 2014
- ↑ a b Advancing Together
- ↑ a b Bayer Closes Monsanto Acquisition
- ↑ Reuters: Profile: Monsanto Co (MON.N). Acesso em 21 de junho de 2015.
- ↑ «Monsanto's March into Biotechnology». HBR Store. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Competition Issues in the Seed Industry and the Role of Intellectual Property». www.choicesmagazine.org. Consultado em 17 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de março de 2013
- ↑ Schneider, Keith (10 de junho de 1990). «Betting the Farm on Biotech». The New York Times (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ Burrone, Esteban. «Patents at the Core: the Biotech Business». www.wipo.int (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de março de 2019
- ↑ «Standing Committee on the Law of Patents - Twenty-Seventh Session. Geneva, December 11 to 15, 2017» (PDF). wipo.int. 22 de fevereiro de 2018. p. 43
- ↑ «The Seed Industry in U.S. Agriculture: An Exploration of Data and Information on Crop Seed Markets, Regulation, Industry Structure, and Research and Development». USDA Economic Research Service (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de outubro de 2016
- ↑ Aquisição pela Bayer
- ↑ «Monsanto Held Liable For PCB Dumping»
- ↑ a b c Monsanto. Relationships Among Monsanto Company, Pharmacia Corporation, Pfizer Inc., and Solutia Inc. [1]
- ↑ Bayer adquire Monsanto após aumentar oferta para US$66 bi Portal BOL
- ↑ Power hungry six reasons to regulate global food corporations. ActionAid International, 2005
- ↑ «Food myths and cancer risk». Cancer Research UK (em inglês). 24 de março de 2015. Consultado em 23 de setembro de 2025
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- ↑ Solano, Marize de Lourdes Marzo (junho de 2016). «PARECER TÉCNICO DE REAVALIAÇÃO DO GLIFOSATO INGREDIENTE ATIVO QUANTO AO SEU POTENCIAL CANCERÍGENOS EM HUMANOS» (PDF). antigo.anvisa.gov.br
- ↑ «Anvisa conclui análise e diz que o agrotóxico mais usado no Brasil não causa câncer». G1. 26 de fevereiro de 2019. Consultado em 23 de setembro de 2025
- ↑ Cressey, Daniel (24 de março de 2015). «Widely used herbicide linked to cancer». Nature (em inglês). ISSN 0028-0836. doi:10.1038/nature.2015.17181. Consultado em 23 de setembro de 2025
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- ↑ Yan, Holly (15 de maio de 2017). «Patients: Roundup gave us cancer as EPA official helped the company». CNN (em inglês). Consultado em 23 de setembro de 2025
- ↑ Yan, Holly (10 de agosto de 2018). «Jurors give $289 million to a man they say got cancer from Monsanto's Roundup weedkiller». CNN (em inglês). Consultado em 23 de setembro de 2025
- ↑ (em francês) Grégoire Allix (5 de abril de 2013). «Le "Monsanto act" met les OGM au-dessus de la loi aux Etats-Unis». Le Monde
- ↑ Documentário: O Mundo segundo a Monsanto (disponível no Youtube)
- ↑ Percy Schmeiser's battle. CBC News Online, 21 de maio de 2004
- ↑ Agricultor canadense é condenado. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável.Porto Alegre, v.2, n° 2, abr.-jun. de 2001, p.38
- ↑ «Canadian Supreme Court Decision». Consultado em 24 de junho de 2015. Arquivado do original em 5 de maio de 2011
- ↑ a b (em castelhano) Miles de personas protestaron contra Monsanto en 52 países. El ciudadano (Chile), 25 de maio de 2013.
- ↑ (em castelhano) Un día contra la multinacional. Página 12, 23 de maio de 2013.
- ↑ (em castelhano) Ambientalistas rechazan la siembra de maíz transgénico. La Jornada (México, DF), 25 de maio de 2013.
- ↑ Organizaciones ambientales exigen retiro definitivo del proyecto de Ley Monsanto. Por Andrés Ojeda. Diario Uchile, 22 de maio de 2015.
- ↑ Protestos contra Monsanto pelo mundo (disponível no Youtube: watch?v=Ifa33dLp6OA).
- ↑ Dia Mundial contra a Monsanto: por que essa discussão tem a ver com você. Outras Palavras, 22 de maio de 2015.
- ↑ Nicolia, Alessandro; Manzo, Alberto; Veronesi, Fabio; Rosellini, Daniele (1 de março de 2014). «An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research». Critical Reviews in Biotechnology (em inglês) (1): 77–88. ISSN 0738-8551. PMID 24041244. doi:10.3109/07388551.2013.823595. Consultado em 21 de agosto de 2025.
Revisamos a literatura científica sobre a segurança de cultivos transgênicos dos últimos 10 anos, que reflete o consenso científico amadurecido desde que as plantas transgênicas passaram a ser amplamente cultivadas em todo o mundo, e podemos concluir que a pesquisa científica conduzida até o momento não detectou nenhum risco significativo diretamente relacionado ao uso de cultivos transgênicos. A literatura sobre biodiversidade e o consumo de alimentos/rações transgênicos tem, por vezes, resultado em debates acalorados sobre a adequação dos delineamentos experimentais, a escolha dos métodos estatísticos ou a acessibilidade pública dos dados. Tal debate, mesmo que positivo e parte do processo natural de revisão pela comunidade científica, tem sido frequentemente distorcido pela mídia e frequentemente utilizado de forma política e inadequada em campanhas anti-cultivos transgênicos.
- ↑ «State of Food and Agriculture 2003–2004. Agricultural Biotechnology: Meeting the Needs of the Poor. Health and environmental impacts of transgenic crops». FAO (em inglês). Consultado em 21 de agosto de 2025.
As culturas transgênicas atualmente disponíveis e os alimentos derivados delas foram considerados seguros para consumo, e os métodos utilizados para testar sua segurança foram considerados apropriados. Essas conclusões representam o consenso das evidências científicas levantadas pelo ICSU (2003) e são consistentes com as opiniões da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002). Esses alimentos foram avaliados quanto ao aumento dos riscos à saúde humana por diversas autoridades regulatórias nacionais (entre outras, Argentina, Brasil, Canadá, China, Reino Unido e Estados Unidos), utilizando seus procedimentos nacionais de segurança alimentar (ICSU). Até o momento, nenhum efeito tóxico ou nutricionalmente deletério verificável, resultante do consumo de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas, foi descoberto em qualquer lugar do mundo (GM Science Review Panel). Milhões de pessoas consumiram alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas — principalmente milho, soja e colza — sem quaisquer efeitos adversos observados (ICSU).
- ↑ Ronald, Pamela (1 de maio de 2011). «Plant Genetics, Sustainable Agriculture and Global Food Security». Genetics (em inglês) (1): 11–20. ISSN 1943-2631. PMC 3120150
. PMID 21546547. doi:10.1534/genetics.111.128553. Consultado em 21 de agosto de 2025. Há amplo consenso científico de que as culturas geneticamente modificadas atualmente no mercado são seguras para consumo. Após 14 anos de cultivo e um total acumulado de 2 bilhões de acres plantados, nenhum efeito adverso à saúde ou ao meio ambiente resultou da comercialização de culturas geneticamente modificadas (Board on Agriculture and Natural Resources, Committee on Environmental Impacts Associated with Commercialization of Transgenic Plants, National Research Council and Division on Earth and Life Studies 2002) Tanto o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA quanto o Centro Conjunto de Pesquisa (laboratório de pesquisa científica e técnica da União Europeia e parte integrante da Comissão Europeia) concluíram que existe um conjunto abrangente de conhecimentos que aborda adequadamente a questão da segurança alimentar das culturas geneticamente modificadas (Committee on Identifying and Assessing Unintended Effects of Genetically Engineered Foods on Human Health and National Research Council 2004; European Commission Joint Research Centre 2008). Esses e outros relatórios recentes concluem que os processos de engenharia genética e melhoramento convencional não são diferentes em termos de consequências não intencionais para a saúde humana e o meio ambiente (European Commission Directorate-General for Research and Innovation 2010).
- ↑ Freedman, David H. (setembro de 2013). «Are engineered foods evil?». Scientific American (em inglês) (3): 80–85. ISSN 0036-8733. PMID 24003560. doi:10.1038/scientificamerican0913-80. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ Mas também veja:
Domingo, José L.; Giné Bordonaba, Jordi (1 de maio de 2011). «A literature review on the safety assessment of genetically modified plants». Environment International (4): 734–742. ISSN 0160-4120. doi:10.1016/j.envint.2011.01.003. Consultado em 21 de agosto de 2025 "Apesar disso, o número de estudos especificamente focados na avaliação de segurança de plantas GM ainda é limitado. No entanto, é importante observar que, pela primeira vez, foi observado um certo equilíbrio no número de grupos de pesquisa que sugerem, com base em seus estudos, que diversas variedades de produtos GM (principalmente milho e soja) são tão seguras e nutritivas quanto as respectivas plantas convencionais não-GM, e aqueles que ainda levantam sérias preocupações. Além disso, vale mencionar que a maioria dos estudos que demonstram que os alimentos GM são tão nutritivos e seguros quanto aqueles obtidos por melhoramento convencional foram realizados por empresas de biotecnologia ou associadas, que também são responsáveis pela comercialização dessas plantas GM. De qualquer forma, isso representa um avanço notável em comparação com a falta de estudos publicados nos últimos anos em periódicos científicos por essas empresas."
Krimsky, Sheldon (1 de novembro de 2015). «An Illusory Consensus behind GMO Health Assessment». Science, Technology, & Human Values (em inglês) (6): 883–914. ISSN 0162-2439. doi:10.1177/0162243915598381. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Comecei este artigo com depoimentos de cientistas respeitados de que não há literalmente nenhuma controvérsia científica sobre os efeitos dos OGMs na saúde. Minha investigação na literatura científica conta outra história."
Hilbeck, Angelika; Binimelis, Rosa; Defarge, Nicolas; Steinbrecher, Ricarda; Székács, András; Wickson, Fern; Antoniou, Michael; Bereano, Philip L; Clark, Ethel Ann (dezembro de 2015). «No scientific consensus on GMO safety». Environmental Sciences Europe (em inglês) (1). ISSN 2190-4707. doi:10.1186/s12302-014-0034-1. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Na declaração conjunta a seguir, o consenso alegado é demonstrado como uma construção artificial que tem sido falsamente perpetuada por diversos fóruns. Independentemente das evidências contraditórias na literatura arbitrada, conforme documentado abaixo, a alegação de que agora existe um consenso sobre a segurança dos OGM continua a ser amplamente e frequentemente divulgada de forma acrítica."
E contraste:
Panchin, Alexander Y.; Tuzhikov, Alexander I. (17 de fevereiro de 2017). «Published GMO studies find no evidence of harm when corrected for multiple comparisons». Critical Reviews in Biotechnology (2): 213–217. ISSN 0738-8551. PMID 26767435. doi:10.3109/07388551.2015.1130684. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Aqui, demonstramos que diversos artigos, alguns dos quais influenciaram forte e negativamente a opinião pública sobre os cultivos transgênicos e até mesmo provocaram ações políticas, como o embargo aos transgênicos, compartilham falhas comuns na avaliação estatística dos dados. Considerando essas falhas, concluímos que os dados apresentados nesses artigos não fornecem nenhuma evidência substancial de danos causados pelos transgênicos.Os artigos apresentados, sugerindo possíveis danos causados pelos transgênicos, receberam grande atenção pública. No entanto, apesar de suas alegações, eles, na verdade, enfraquecem as evidências dos danos e a falta de equivalência substancial dos transgênicos estudados. Ressaltamos que, com mais de 1.783 artigos publicados sobre transgênicos nos últimos 10 anos, espera-se que alguns deles tenham relatado diferenças indesejadas entre transgênicos e cultivos convencionais, mesmo que tais diferenças não existam na realidade."
Yang, Y. Tony; Chen, Brian (abril de 2016). «Governing GMOs in the USA: science, law and public health». Journal of the Science of Food and Agriculture (em inglês) (6): 1851–1855. ISSN 0022-5142. doi:10.1002/jsfa.7523. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Portanto, não é surpreendente que os esforços para exigir rotulagem e proibir OGMs tenham sido uma questão política crescente nos EUA (citando Domingo e Bordonaba, 2011). De modo geral, um amplo consenso científico sustenta que os alimentos transgênicos atualmente comercializados não apresentam riscos maiores do que os alimentos convencionais... As principais associações científicas e médicas nacionais e internacionais declararam que nenhum efeito adverso à saúde humana relacionado a alimentos transgênicos foi relatado ou comprovado na literatura revisada por pares até o momento.Apesar de várias preocupações, hoje, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Organização Mundial da Saúde e muitas organizações científicas internacionais independentes concordam que os OGMs são tão seguros quanto outros alimentos. Comparada às técnicas convencionais de melhoramento genético, a engenharia genética é muito mais precisa e, na maioria dos casos, menos propensa a gerar um resultado inesperado." - ↑ «Statement by the AAAS Board of Directors On Labeling of Genetically Modified Foods» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês). 20 de outubro de 2012.
A UE, por exemplo, investiu mais de € 300 milhões em pesquisas sobre a biossegurança de OGM. Seu relatório recente afirma: "A principal conclusão a ser tirada dos esforços de mais de 130 projetos de pesquisa, abrangendo um período de mais de 25 anos de pesquisa e envolvendo mais de 500 grupos de pesquisa independentes, é que a biotecnologia, e em particular os OGM, não são, por si só, mais arriscados do que, por exemplo, as tecnologias convencionais de melhoramento genético de plantas." A Organização Mundial da Saúde, a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências dos EUA, a Sociedade Real Britânica e todas as outras organizações respeitadas que examinaram as evidências chegaram à mesma conclusão: consumir alimentos que contêm ingredientes derivados de culturas geneticamente modificadas não é mais arriscado do que consumir os mesmos alimentos que contêm ingredientes de plantas cultivadas modificadas por técnicas convencionais de melhoramento genético.
- ↑ Pinholster, Ginger (25 de outubro de 2012). «AAAS Board of Directors: Legally Mandating GM Food Labels Could "Mislead and Falsely Alarm Consumers» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês)
- ↑ European Commission. Directorate-General for Research (2010). A decade of EU-funded GMO research (2001-2010) (em inglês). LU: Publications Office. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «ISAAA Summary of AMA Report on Genetically Modified Crops and Foods». The International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA) (em inglês). 2001. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Um relatório emitido pelo conselho científico da Associação Médica Americana (AMA) diz que nenhum efeito de longo prazo na saúde foi detectado pelo uso de culturas transgênicas e alimentos geneticamente modificados, e que esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Featured CSA Report: Genetically Modified Crops and Foods (I-00) Full Text». American Medical Association (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 10 de junho de 2001.
Culturas e alimentos produzidos com técnicas de DNA recombinante estão disponíveis há menos de 10 anos e nenhum efeito a longo prazo foi detectado até o momento. Esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Report 2 of the Council on Science and Public Health (A-12): Labeling of Bioengineered Foods» (PDF). American Medical Association. 2012. Consultado em 25 de agosto de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de setembro de 2012.
Alimentos bioengenheirados são consumidos há quase 20 anos e, durante esse tempo, nenhuma consequência evidente à saúde humana foi relatada e/ou comprovada na literatura revisada por pares.
- ↑ Committee on Genetically Engineered Crops: Past Experience and Future Prospects; Board on Agriculture and Natural Resources; Division on Earth and Life Studies; National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (28 de dezembro de 2016). Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects (em inglês). Washington, D.C.: National Academies Press. p. 149. ISBN 978-0-309-43738-7. PMID 28230933. doi:10.17226/23395. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Conclusão geral sobre os supostos efeitos adversos à saúde humana de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas: Com base no exame detalhado de comparações de alimentos geneticamente modificados atualmente comercializados com alimentos não geneticamente modificados em análises composicionais, testes de toxicidade aguda e crônica em animais, dados de longo prazo sobre a saúde de animais alimentados com alimentos geneticamente modificados e dados epidemiológicos humanos, o comitê não encontrou diferenças que impliquem em um risco maior à saúde humana dos alimentos geneticamente modificados do que de seus equivalentes não geneticamente modificados.
- ↑ «Food, genetically modified». World Health Organization (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025.
Diferentes organismos geneticamente modificados incluem diferentes genes inseridos de diferentes maneiras. Isso significa que cada alimento geneticamente modificado e sua segurança devem ser avaliados caso a caso, e que não é possível fazer afirmações gerais sobre a segurança de todos os alimentos geneticamente modificados. Os alimentos geneticamente modificados atualmente disponíveis no mercado internacional foram aprovados em avaliações de segurança e provavelmente não apresentam riscos para a saúde humana. Além disso, não foram demonstrados efeitos sobre a saúde humana em decorrência do consumo desses alimentos pela população em geral nos países onde foram aprovados. A aplicação contínua de avaliações de segurança baseadas nos princípios do Codex Alimentarius e, quando apropriado, o monitoramento pós-comercialização adequado devem constituir a base para garantir a segurança dos alimentos geneticamente modificados.
- ↑ Haslberger, Alexander G. (julho de 2003). «Codex guidelines for GM foods include the analysis of unintended effects». Nature Biotechnology (em inglês) (7): 739–741. ISSN 1087-0156. PMID 12833088. doi:10.1038/nbt0703-739. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Esses princípios determinam uma avaliação pré-comercialização caso a caso, que inclui uma avaliação dos efeitos diretos e não intencionais.
- ↑ Kmietowicz, Zosia (13 de abril de 2004). «GM foods should be submitted to further studies, says BMA». British Medical Association (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ Lipton, Eric (5 de Setembro de 2015). «Food Industry Enlisted Academics in G.M.O. Lobbying War, Emails Show» (PDF). Hygeia Analytics (em inglês)
- ↑ Envoyé spécial Glyphosate : comment s'en sortir ? (em francês), France Tv (Arq, em WikiWix Archive), 17 de Janeiro de 2019
- ↑ Horel, Stéphane; Foucart, Stéphane (31 de janeiro de 2019). «Glyphosate : comment Monsanto mène sa guerre médiatique». Le Monde (Arq. em WikiWix Archive) (em francês)
- ↑ https://web.archive.org/web/20200129111538/https://www.hpj.com/archives/syngenta-sues-to-stop-illegal-sales-of-coker-seed-varieties/article_1d4dfb89-877b-5c7e-9900-7a2795b67210.html
- ↑ a b Dewey, Caitlin (4 de junho de 2018). «Why 'Monsanto' is no more». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 13 de março de 2025
- ↑ Staff, Reuters. «Bayer CEO says Monsanto's reputation is a 'major challenge'». U.S. (em inglês). Consultado em 13 de março de 2025
- ↑ "O Mundo segundo a Monsanto", um filme que denuncia a gigante dos transgênicos. Uol, 11 de março de 2008.
Bibliografia
[editar | editar código]- Andrioli, Antônio Inácio. Fuchs, Richard. Transgênicos: As sementes do mal - a silenciosa contaminação de solos e alimentos. São Paulo: Expressão Popular, 2008.
- Gillam, Carey (2017) - Whitewash The story of a weed killer, cancer, and the corruption of science - Island Press
- Rede de Agricultura Sustentável - A obscura história da Monsanto.
- Robin, Marie-Monique. O Mundo segundo a Monsanto – da dioxina aos transgênicos, uma multinacional que quer o seu bem. São Paulo: Radical Livros, ISBN 9788598600079
- Shiva, Vandana, Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply, South End Press, 2000, ISBN 0896086070.
Ligações externas
[editar | editar código]- «Página oficial da Monsanto»
- «Página oficial da Monsanto do Brasil»
- «Página sobre a realidade da Monsanto» [ligação inativa]
- Monsanto Hid Decades Of Pollution. Por Michael Grunwald. The Washington Post, 1º de janeiro de 2001. Artigo sobre o desastre ambiental de Anniston (Alabama), provocado por lançamento de PCB nos rios pela Monsanto, envenenando as águas que abasteciam a população.