Monumento Tortura Nunca Mais

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O Monumento Tortura Nunca Mais, no Recife, foi o primeiro monumento construído no país em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos brasileiros, e apresenta o corpo de um homem nu em posição da tortura de pau de arara.[1][2]

O Monumento Tortura Nunca Mais é um monumento localizado na praça Padre Henrique, à Rua da Aurora, cidade do Recife, Pernambuco, Brasil.[3] Concebido pelo arquiteto piauiense Demetrio Albuquerque, foi o primeiro monumento construído no país em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos brasileiros.[1][4]

Sua construção foi decorrente de um concurso público realizado pela prefeitura do Recife em 1988,[5] que previa, não só a construção de um monumento que emblemasse as condições de tortura e desrespeito à dignidade da pessoa humana às quais diversas pessoas estiveram sujeitas durante o regime militar brasileiro, como toda a revitalização do local.

Monumento Tortura Nunca Mais fotografia, 2015.[6]

Foi inaugurado em 27 de agosto de 1993 e é, desde então, considerado um dos pontos turísticos da cidade.[7][8][9]

História[editar | editar código-fonte]

Decorrente de um concurso realizado pela Prefeitura do Recife e o movimento tortura nunca mais em fevereiro de 1988, na primeira gestão de Jarbas Vasconcelos, onde participaram mais de 20 equipes de artistas e arquitetos, sendo vencedor o projeto inscrito pelos arquitetos Eric Perman, Albérico Paes Barreto, Luiz Augusto Rangel e Demetrio Albuquerque. Sendo este responsável, também, pela criação e execução da escultura do monumento. O edital do concurso, também, previa a reurbanização do local. Foi construído 5 anos depois através de um contrato de comodato com a associação Brasileira de Cimento Portland, que desejava implantar á beira do rio Capibaribe um espaço para exposições sobre cimento.[10]

Finalmente foi inaugurado no dia 27 de agosto de 1993 às 10 da manhã com a presença de lideranças políticas e familiares de mortos e desaparecidos políticos.[carece de fontes?]

O monumento se descreve como uma moldura de concreto de 7.00 x 7.00 mt vazada, contendo uma chapa de aço inoxidável fixada na metade superior sustentando uma escultura de um homem pendurado por uma haste de aço inoxidável, feita em concreto de aprox. 1.80 x 1.60 x .80 mt., em posição fetal com referência a posição de tortura chamada de "Pau de arara ". Segura com a mão esquerda a haste que o prende. Seu rosto se encontra virado rumo ao rio Capibaribe como um protesto, uma vergonha de quem o encontra assim.[11]

Essa simbologia foi escolhida como um emblema das condições reais dos torturados durante o regime militar, mais que isso como uma representação da condição humana de degradação, isolamento, exclusão e abandono a que todos nós fomos submetidos e ainda somos todas as vezes que a dignidade humana é desrespeitada no Brasil.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b «Ato lembra vítimas da ditadura e homenageia torturados pelo regime militar no Recife». G1 Pernambuco. Consultado em 20 de julho de 2014 
  2. «Roteiro - Passeio Ciclístico Recife lugar de memória» (PDF). Prefeitura do Recife. Consultado em 20 de julho de 2014 
  3. «Monumento que homenageia desaparecidos políticos da ditadura é vandalizado no Recife». O Globo. 14 de fevereiro de 2022. Consultado em 4 de julho de 2022 
  4. Pernambuco, Diario de; Pernambuco, Diario de (13 de fevereiro de 2022). «Homenagem aos desaparecidos políticos da ditadura militar destruída no Recife». Diario de Pernambuco. Consultado em 4 de julho de 2022 
  5. «Uso do espaço público é tema de debate na Rua da Aurora, no Recife | Pernambuco | G1». g1.globo.com. Consultado em 4 de julho de 2022 
  6. «A tortura e seus defensores | Bernardo Mello Franco - O Globo». blogs.oglobo.globo.com. Consultado em 4 de julho de 2022 
  7. Brito, Valdênia (2003). Monumento Tortura Nunca Mais: um lugar de memória : consolidado como lugar de comemoração de diversos segmentos sociais e espaço de luta pelos direitos humanos contra a impunidade. [S.l.]: Livro Rápido 
  8. «No Recife, historiadores promovem aula pública sobre a ditadura militar». G1. Consultado em 4 de julho de 2022 
  9. «Em nome de Jesus, Ditadura nunca mais! – Por pastor Zé Barbosa Jr». Revista Fórum. Consultado em 4 de julho de 2022 
  10. Brito, Valdênia (2003). Monumento Tortura Nunca Mais: um lugar de memória : consolidado como lugar de comemoração de diversos segmentos sociais e espaço de luta pelos direitos humanos contra a impunidade. [S.l.]: Livro Rápido 
  11. Pernambuco, Diario de; Pernambuco, Diario de (13 de fevereiro de 2022). «Homenagem aos desaparecidos políticos da ditadura militar é destruída no Recife». Diario de Pernambuco. Consultado em 5 de julho de 2022 
  12. Atencio, Rebecca J. (25 de junho de 2014). Memory’s Turn: Reckoning with Dictatorship in Brazil (em inglês). [S.l.]: University of Wisconsin Pres 
  13. Bento, Emannuel (31 de março de 2022). «Exposição reúne obras de Demétrio Albuquerque e Glauber Arbos em Olinda». JC. Consultado em 4 de julho de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]