Monumento a Ramos de Azevedo

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Monumento a Ramos de Azevedo
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Vista do monumento, na Cidade Universitária da USP.
Autor Galileo Emendabili
Data da construção 25 de janeiro de 1934 (83 anos)
Cidade São Paulo, SP

O Monumento a Ramos de Azevedo é um conjunto escultórico em bronze e granito, localizado na cidade de São Paulo. Foi executado pelo escultor ítalo-brasileiro Galileo Emendabili, como uma homenagem póstuma a Francisco de Paula Ramos de Azevedo, um dos mais importantes nomes da arquitetura e do urbanismo em São Paulo. Escolhido por meio de concurso, o monumento foi inaugurado em 1934, na avenida Tiradentes, em frente ao edifício da Pinacoteca do Estado – importante obra do engenheiro-arquiteto. Em 1973, devido às obras do metrô, o monumento foi transferido para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, onde permanece, até hoje, na praça que leva o nome do arquiteto, próxima à Escola Politécnica, instituição que ajudou a criar.

Ramos de Azevedo[editar | editar código-fonte]

Ramos de Azevedo com a planta de um projeto, detalhe do monumento.

Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928) foi um célebre arquiteto paulistano, autor de vários edifícios públicos e privados de São Paulo. Estudou engenharia civil e arquitetura na Bélgica, estabelecendo-se após sua formação em Campinas, onde executou seus primeiros projetos. No fim do século XIX, muda-se para São Paulo, passando a projetar residências para a elite da cidade. Em pouco tempo, transformou-se no principal influenciador da arquitetura local, envolvendo-se nas discussões e projetos urbanísticos e educacionais de São Paulo, que iniciava um acelerado processo de crescimento econômico e populacional.[1]

Foi o primeiro diretor do Liceu de Artes e Ofícios e da Pinacoteca do Estado, para os quais projetou um grandioso edifício no Jardim da Luz. Participou da fundação da Escola Politécnica e de seu Laboratório Tecnológico, atual Instituto de Pesquisas Tecnológicas, e criou seus primeiros edifícios (atual sede do Arquivo Histórico Municipal Washington Luís). Projetou também o Teatro Municipal, o Mercado Paulistano, o Palácio das Indústrias, o Palácio da Justiça, o Palácio dos Correios, o Colégio Sion, entre outros edifícios.[2]

Histórico do monumento[editar | editar código-fonte]

Inauguração do monumento, em 25 de janeiro de 1934. Ao fundo, a Pinacoteca do Estado.

Após a morte de Ramos de Azevedo, em 1º de junho de 1928, registraram-se inúmeras homenagens e honrarias ao arquiteto. Pouco após sua morte, um concurso é aberto pela sociedade civil para realização de um monumento em sua memória. O projeto escolhido foi o apresentado pelo escultor italiano Galileo Emendabili, aprovado pela comissão julgadora com algumas modificações. Radicado em São Paulo desde 1923, Emendabili integrou-se rapidamente à cena artística paulistana, vencendo diversos concursos para execução de monumentos da cidade, sendo mais famoso deles o Obelisco do Ibirapuera.

Para financiar a construção do monumento abriu-se um fundo para o recolhimento de doações, atingindo um montante de 1005 contos de réis, quantia bastante significativa para a época.[3] Na construção do pedestal e das fileiras de colunas dóricas, utilizou-se granito. A fundição dos grupos escultóricos em bronze, idealizados por Emendabili, ficou a cargo de Giuseppe Rebellato. A construção foi provavelmente inteira realizada nas oficinas do Liceu de Artes e Ofícios. Após seis anos de construção, o monumento foi inaugurado em 25 de janeiro de 1934, aniversário da cidade. O discurso de inauguração coube ao professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que sintetizou da seguinte maneira a importância do arquiteto:

Localizado a princípio em frente ao edifício do Liceu de Artes e Ofícios (atual Pinacoteca do Estado), na avenida Tiradentes, o monumento foi desmontado e retirado do local em 1967, sob muitas críticas, em virtude das obras para a construção do metrô. Foi transferido para a Cidade Universitária e reinaugurado em 1973, nas proximidades do prédio do Biênio da Escola Politécnica, onde permanece até hoje. Em 1999, passou por uma reforma.[3]

Descrição do monumento[editar | editar código-fonte]

Conjunto escultórico de grandes proporções, todo executado em granito e bronze, o Monumento a Ramos de Azevedo é composto por uma grande base retangular, com 15,5 metros de comprimento por 13 metros de largura e 5,6 metros de altura. Sobre esta base, erguem-se duas fileiras de colunas dóricas, ambas sustentando uma arquitrave onde se apóia a figura com o cavalo alado, no topo. A altura total do monumento é de 23,7 metros.[4]

O grupo em bronze no topo do monumento é uma alegoria do Progresso. Representa a figura do Gênio, montado em um cavalo alado, e em cuja mão repousa a deusa Nice, personificação da Vitória. Nas laterais do pedestal, quatro figuras femininas representam alegoricamente a Arquitetura, a Pintura, a Escultura e a Engenharia. Na face sul, o grupo dos Construtores simboliza os trabalhadores. Na face norte do pedestal, impõe-se a figura de Ramos de Azevedo, tendo uma planta de um projeto ao colo.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b «Prof. Dr. Francisco de Paula Ramos de Azevedo». Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Consultado em 19 de julho de 2008 
  2. «Biografia de Ramos de Azevedo». SampaArte. Consultado em 19 de julho de 2008 
  3. a b Joel Melo. «Monumento a Ramos de Azevedo». Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 19 de julho de 2008 
  4. «Ramos de Azevedo». Exposição Virtual "Ramos de Azevedo". Consultado em 19 de julho de 2008 
  5. «Monumento ao arquiteto Ramos de Azevedo». SampaArt. Consultado em 19 de julho de 2008 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Fabris, Annateresa (1954). Monumento a Ramos de Azevedo. do concurso ao exílio. [S.l.]: Mercado de Letras. ISBN 8585725265  Parâmetro desconhecido |Autor= ignorado (|autor=) sugerido (ajuda);

Ligações externas[editar | editar código-fonte]