Moraceae

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma infocaixa de taxonomiaMoraceae
Ficus carica

Ficus carica
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Equisetopsida (embriófitas)
Clado: Eudicotiledôneas
Clado: Fabídeas
Ordem: Rosales
Família: Moraceae Gaudich
Géneros
Ver texto.

Moraceae (família das figueiras) é uma família botânica de árvores, arbustos, lianas ou raramente ervas (Dorstenia, Fatoua), às vezes epífitas. Não há um consenso de sinapomorfias morfológicas para o grupo, entretanto, as que mais se aceitam é a presença de látex leitoso distribuído em todos os tecidos parenquimatosos, a presença de estípulas nas folhas que registram uma cicatriz circular no ramo, um pecíolo geniculado e a presença de glândulas no ápice do pecíolo, ou na margem inferior da lâmina (BERG et al, 2006).

Compreende 40 gêneros e 1217 espécies aceitas,[1] sendo os principais gêneros Ficus com 800 espécies e Dorstenia com 110 espécies aproxidamamente. (JUDD et al, 2009). A família é amplamente dispersa nas regiões tropicais e temperadas.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Distribuição de Moraceae nos continentes.

A maioria das espécies de Moraceae (600 spp.) ocupam florestas tropicais na Ásia e Austrália, onde prevalecem as do gênero Ficus, especialmente, e Artocarpus; enquanto na África ocorrem 185 spp. e na América cerca de 270 spp. (BERG et al, 2006).

No Brasil, a família não é endêmica. Dos 40 gêneros de Moraceae, 19 estão presentes no brasil com cerca de 205 espécies reconhecidas, das quais 68 são endêmicas. Os gêneros são: Artocarpus J.R.Forst. & G.Forst., Bagassa Aubl., Batocarpus H.Karst., Brosimum Sw., Castilla Cerv., Clarisia Ruiz & Pav., Dorstenia L., Ficus L., Helianthostylis Baill., Helicostylis Trécul, Maclura Nutt., Maquira Aubl., Naucleopsis Miq., Perebea Aubl., Poulsenia Eggers, Pseudolmedia Trécul, Sorocea A.St.-Hil., Trophis P.Browne, Trymatococcus Poepp. & Endl.[2]

Suas ocorrências são confirmadas em todas as regiões do país. Os domínios fitogeográficos de sua ocorrência são Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal; mais específico nos tipos de vegetação área antrópica, caatinga (stricto sensu), campinarana, campo limpo, campo rupestre, cerrado (lato sensu), floresta ciliar ou galeria, floresta de igapó, floresta de terra firme, floresta de várzea, floresta estacional decidual, floresta estacional perenifólia, floresta estacional semidecidual, floresta ombrófila (= floresta pluvial), floresta ombrófila mista, restinga, savana amazônica e vegetação sobre afloramentos rochosos.[3]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

A maioria das espécies são arbóreas e possuem suas folhas sempre verdes durante o ano todo em florestas perenes, mas algumas são decíduas, tanto na floresta sazonal como nas florestas pluviais (JUDD et al, 2009). As espécies que crescem na costa e em zonas ripárias são principalmente as do gênero Ficus, sendo que algumas espécies (F. deltoidea e F. oleifolia) ocorrem em solos arenosos pobres em kerangas forest. Outras espécies de Ficus estão associadas a substratos calcários (F. anastomosans, F. calcarata, F. calcícola e F. ​​swinhoei). As espécies hemi-epífitas podem ser hemi-epilíticas em superfícies rochosas expostas. Algumas espécies de Ficus são claramente reófitas, como por exemplo, F. ischnopoda, F. macrostyla, e F. squamosa. Em geral, o limite altitudinal das espécies de planície é de 1500 m. Espécies montanhosas, acima de 2000 m, são encontrados em Ficus e Streblus (BERG et al, 2006).

Fruto e folhas de Morus alba.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

A família provém importantes frutos comestíveis e comercializados de espécies de Ficus (figo), Morus (amora) e Arctocarpus (jaca). Além disso, muitos gêneros são cultivados para produção de madeira e alguns outros (Ficus, Maclura, Dorstenia) são comercializados como plantas ornamentais no mundo todo.

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são alternas, geralmente dísticas, mas às vezes espiraladas ou opostas. São simples, podendo ser lobadas; inteiras a serreadas; e com venação perinérvea a palmada. A lâmina foliar às vezes com base cordada ou assimétrica. Usualmente possuem estípulas, as quais podem ser pequenas ou expandidas que deixam uma cicatriz circular no ramo (JUDD et al, 2009).

Flores[editar | editar código-fonte]

Possuem inflorescências determinadas, mesmo parecendo indeterminadas; e axilares. Flores geralmente congestas com o eixo da inflorescência frequentemente engrossado e variadamente modificado (exemplo: capituliforme em Artocarpus spp. e sicônio em Ficus spp.). São unissexuais, radiais e inconspícuas. As tépalas usualmente tornam-se carnosas e se associam com o fruto maduro; são livres ou conatas, imbricadas ou valvadas, com filotaxia (0-) 4 ou (5-) 8 peças. Há de 1 a 5 estames opostos às tépalas, com filetes livres e retos a curoados no botão; com anteras 2 ou 1-loculares; e grãos de pólen 2-4 a poliporados. Os carpelos são duplos e conatos, às vezes 1 carpelo reduzido; com ovário geralmente súbero e placentação apical com 1 lóculo; 2 estigmas que se estendem ao longo da superfície abaxial do estilete; 1 óvulo anátropo a campilótropo. Os receptáculos usualmente englobam as flores (JUDD et al, 2009).

Fruto de Ficus carica.
Um típico sincônio.

Frutos[editar | editar código-fonte]

São do tipo drupa (Artocarpus spp), drupa deiscente ou aquênios muito próximos formando frutos múltiplos (Ficus spp.) ou infrutescência do tipo sincônio. O embrião é geralmente curvo, podendo ser reto (menos frequente), com ausência usual de endosperma (JUDD et al, 2009).

Polinização[editar | editar código-fonte]

As pequenas flores de Moraceae são usualmente polinizadas pelo vento (Morus, Broussonetia). Em Ficus, por ventura, a polinização se dá por vespas: estas entram nos sicônios para ovipor nas flores carpeladas. Após a oviposição, a fêmea morre e as larvas se alimentam do tecido ovariano das flores especializadas. O desenvolvimento das larvas é sincronizado com o das flores estaminadas, as quais abrem quando as vespas emergem das pupas. Elas copulam dentro do figo e as fêmeas carregam o pólen ao abandonar a inflorescência para que, então, o ciclo reprodutivo seja repetido. (JUDD et al, 2009).

Posição de Moraceae dentro de sua ordem, indicando as relações e proximidades evolutivas entre os clados.

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Antigamente, Moraceae, juntamente com Urticaceae, fazia parte da ordem Urticales, dentro da subclasse Hammamelidae; sendo separada da ordem Rosales por possuir flores reduzidas polinizadas pelo vento - o que sugere uma relação antiga com Amentiferae - uma subclasse proposta a partir do agrupamento de famílias com flores reduzidas a pétalas, agrupadas em amentilhos, e polinizadas pelo vento (SILVA, 2007). O monofilismo de Urticales é fracamente suportado.

Hoje, a partir da observação de características moleculares, ontogenéticas, fitoquímicas, pode-se constatar que as famílias de Urticales (Barbeyaceae, Cannabaceae, Cecropiaceae, Moraceae, Ulmaceae e Urticaceae) estão compreendidas dentro da ordem Rosales Perleb., agrupadas com as famílias Dirachmaceae Hutchinson, Elaeagnaceae Jussieu, Rhamnaceae Jussieu e Rosaceae Jussieu (SILVA, 2007).

O monofilismo de Moraceae, por sua vez, foi comprovado somente com uma amostragem ampla de todos seus clados a partir da utilização de sequências da região ndhF do DNA de cloroplasto e região 26S do DNA nuclear (SILVA, 2007).

Gêneros[editar | editar código-fonte]

De acordo com o site The Plant List, as espécies de Moraceae pertencem aos 40 gêneros propostos: Antiaris, Antiaropsis, Artocarpus, Bagassa, Batocarpus, Bleekrodea,Bosqueiopsis, Brosimum, Broussonetia, Calaunia, Castilla, Clarisia, Dorstenia, Fatoua, Ficus, Helianthostylis, Helicostylis, Hullettia, Maclura, Maquira, Mesogyne, Milicia, Morus, Naucleopsis, Parartocarpus, Perebia, Poulsenia, Pseudolmedia, Pseudomorus, Scyphosyce, Sloetiopsis, Sorocea, Streblus, Taxotropis, Toxylon, Treculia, Trilepisium, Trophis, Trymatococcus, Utsetela e Vanieria.[4]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Moraceae

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Moraceae — The Plant List». www.theplantlist.org (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2017 
  2. «Detalha Taxon Publico». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 29 de janeiro de 2017 
  3. «Detalha Taxon Publico». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 19 de janeiro de 2017 
  4. «Moraceae — The Plant List». www.theplantlist.org (em inglês). Consultado em 19 de janeiro de 2017