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Morcego-de-cauda-curta-sedoso

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMorcego-de-cauda-curta-sedoso
Indivíduo avistado em 2006
Indivíduo avistado em 2006
Indivíduo avistado no Panamá
Indivíduo avistado no Panamá
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Carolliinae
Gênero: Carollia
Espécie: C. brevicauda
Nome binomial
Carollia brevicauda
(Schinz, 1821)
Distribuição geográfica
Distribuição de Carollia brevicauda
Distribuição de Carollia brevicauda
Sinónimos[2]
  • C[arollia]. brevicauda W. Peters, 1865c
  • Hemiderma brevicaudatum Gerrard, 1862
  • Hemiderma brevicaudum P. Gervais, 1856
  • Phyllost[oma]. bernicaudum Schinz, 1821
  • Phyllostoma bicolor Wagner, 1840
  • Phyllostoma brevicaudatum Desmarest, 1847
  • Phyllostoma brevicaudatum Gray, 1849
  • Phyllostoma Grayi Waterhouse, 1838
  • Phyllostoma lanceolatum Gray, 1843b
  • R[hinops]. minor Gray, 1866b
  • Vampyrus soricinus Spix, 1823

O morcego-de-cauda-curta-sedoso[3] (nome científico: Carollia brevicauda[4]) é uma espécie de morcego da família dos filostomídeos (Phyllostomidae).

Taxonomia e sistemática

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O morcego-de-cauda-curta-sedoso foi classificado pela primeira vez por Heinrich Rudolf Schinz em 1821. Faz parte do gênero Carollia, que pertence à família dos filostomídeos (Phyllostomidae). A história taxonômica do gênero é complexa e uma revisão dos caracteres morfológicos usados na diferenciação das espécies com ocorrência no Brasil está em andamento.[2] Carollia brevicauda pode ser confundida com C. perspicillata, principalmente no sudeste do Brasil, e as populações da América Central foram recentemente divididas em C. sowelli.[1]

Distribuição e habitat

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O morcego-de-cauda-curta-sedoso ocorre em todo o leste do Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru, Bolívia e Brasil, sendo também encontrada em Trindade. Sua distribuição é restrita ao norte da América do Sul e leste do Panamá por Baker et al. (2002), que atribuíram todos os registros da América Central (do oeste do Panamá ao norte, passando pelo México) a C. sowelli.[1] No Brasil, ocorre nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima e São Paulo, nos biomas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.[2]

Em termos hidrográficos, a espécie está presente nas sub-bacias do Araguaia, do Doce, do Grande, do litoral da Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, do Madeira, do Negro, do Paraguai 03, do Paranapanema, do Solimões, do Alto e Submédio São Francisco, do Tapajós, do Baixo Tocantins e do Trombetas.[2] Sua ocorrência abrange uma grande variedade de habitats, incluindo diferentes tipos de florestas, fragmentos florestais e savanas. É frequentemente um dos morcegos mais abundantes nas florestas tropicais de terras baixas e tende a ser mais comum em áreas perturbadas. Utiliza preferencialmente os estratos inferiores da vegetação, concentrando-se nos frutos de arbustos e árvores jovens, com destaque para os frutos finos e verdes de espécies de Piper.[1]

O morcego-de-cauda-curta-sedoso é considerado uma espécie estacionalmente poliéstrica. Fêmeas prenhes foram registradas entre dezembro e agosto no México e na América Central, e em outubro no Peru. Alimenta-se de uma ampla variedade de frutas, com composição que varia conforme a região e a estação do ano. No entanto, os frutos do gênero Piper constituem a base de sua dieta. Além das frutas, também consome insetos coletados nas folhagens e, durante a estação seca, complementa a alimentação com néctar. Forrageia principalmente em áreas úmidas, sendo mais frequentemente capturado em florestas tropicais perenes. Devido à sua elevada densidade populacional, é considerado um dos principais dispersores de sementes de Piper e de diversas outras plantas de frutos pequenos.[2][1]

Conservação

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O morcego-de-cauda-curta-sedoso consta na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN / UICN) como pouco preocupante (LC) devido a grande área na qual reside, o fato de adaptar-se bem às mudanças em seu habitat, por ser relativamente comum e por sua população ser abrangente.[1] Em 2005, foi incluída como vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo;[5] em 2014, como pouco preocupante no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo;[6] e em 2018, como pouco preocupante na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[7][8]

Em sua área de distribuição, o morcego-de-cauda-curta-sedoso ocorre em diversas áreas protegidas, incluindo a Área de Relevante Interesse Ecológico Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (Arie Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais), a Floresta Nacional do Amapá (Flona do Amapá), o Parque Nacional do Catimbau (PE Catimbau), o Parque Nacional do Juruena (PARNA Juruena), o Parque Nacional da Serra do Divisor (PARNA Serra do Divisor), a Reserva Biológica do Córrego do Veado (Rebio Córrego do Veado), a Reserva Extrativista Auati-Paraná (Resex Auati-Paraná), a Área de Proteção Ambiental de Murici (APA de Murici), o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PE Ilha do Cardoso), o Parque Estadual dos Igarapés do Juruena (PES Igarapés do Juruena) e a Terra Indígena Kapinawá (TI Kapinawá).[2]

Referências

  1. a b c d e f Sampaio, E.; Lim, B.; Peters, S. (2016). «Silky Short-tailed Bat, Carollia brevicauda». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T3903A22134642. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-2.RLTS.T3903A22134642.enAcessível livremente. Consultado em 22 de junho de 2025 
  2. a b c d e f Bernard, Enrico; da Gama, Adriana Ruckert; E Gomes, Augusto Milagres; dos Santos, Ciro Líbio Caldas; Fischer, Erich Arnold; Schmidt, Eugenia de Jesus Cordero; de Andrade, Fernanda Atanaena Gonçalves; Falcão, Fábio de Carvalho; Terra Garbino, Guilherme Siniciato; Vargas Mena, Juan Carlos; Luz, Júlia Lins; Trevelin, Leonardo Carreira; Aguiar, Ludmilla; da Costa Ramos Pereira, Maria João Veloso; Delgado, Mariana; Zortéa, Marlon; da Rocha, Patricio Adriano; Bobrowiec, Paulo Estefano Dineli; Novaes, Roberto Leonan Morim; da Cunha Tavares, Valéria; de Carvalho, William Douglas; Uieda, Wilson (2023). «Carollia brevicauda (Schinz, 1821)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.20465. Consultado em 22 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025 
  3. «Monitoramento de fauna da Rede Nacional de Vigilância de vírus em animais silvestres (PREVIR-MCTI). Observatório de Aves e Morcegos em São Paulo (SP-1)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 22 de junho de 2025 
  4. Simmons, N. B.; Wilson, D. E.; Reeder, D. M. (2005). «Carollia brevicauda». Mammal Species of the World 3.ª ed. Baltimore: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. pp. 312–529. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  5. «Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo». Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Governo do Estado do Espírito Santo. Consultado em 7 de julho de 2022. Cópia arquivada em 24 de junho de 2022 
  6. Bressan, Paulo Magalhães; Kierulff, Maria Cecília Martins; Sugleda, Angélica Midori (2009). Fauna Ameaçada de Extinção no Estado de São Paulo - Vertebrados (PDF). São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA - SP), Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Consultado em 2 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 25 de janeiro de 2022 
  7. «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018 
  8. «Carollia brevicauda (Schinz, 1821)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 16 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de julho de 2022 
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