Moshoeshoe I do Lesoto

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Moshoeshoe I do Lesoto
Nascimento 1786
Lesoto
Morte 11 de março de 1870 (84 anos)
Cidadania Lesoto
Filho(s) Letsie I Moshoeshoe do Lesoto
Ocupação político

Moshoeshoe I (Menkhoaneng c.1786 - Lesoto, 11 de março de 1870) foi um chefe tribal basoto e posteriormente Rei do Lesoto, sendo o primeiro da história desta país.[1] É muito conhecido por ter feito um tratado de paz com os britânicos, evitando assim que seu país fosse colonizado pelo Reino Unido, pelo menos até 1884. É considerado o fundador da nação lesotense.[2]

Moshoeshoe I
Rei dos Basotos
Rei do Lesoto
Reinado 1822 - 11 de março de 1870
Antecessor(a) Primeiro Monarca
Sucessor(a) Letsie I
 
Casa Bamokoteli
Nascimento c.1786
Morte 11 de março de 1870
  Lesoto
Pai Mokhachane
Mãe Kholu

Início de vida e subida ao poder[editar | editar código-fonte]

Moshoeshoe nasceu em 1786 em Menkhoaneng, no atual Lesoto. Era filho de Mokhachane, um membro do poderoso clã de Bamokoteli, que governava uma grande parte da região. Apesar de fazer parte do clã, Mokhachane era de um ramo inferior e com uma aldeia de pouco poderio militar e territorial. Moshoeshoe nasceu com o nome de Letlama (significa; vínculo forte) e foi treinado na escola de sua aldeia. Durante sua juventude liderou um ataque ao gado de uma aldeia rival, com sucesso. Devido a isso, tornar-se-ia muito respeitado e o herdeiro a chefia após a morte de seu pai, foi neste momento que recebeu o nome de Moshoeshoe (Significa; O Barbeador). Além disso afirmou que seria descendente direto dos ancestrais do povo.

Ao assumir a chefia da tribo optou por migar com sua aldeia para outras regiões, chegando em Thaba Bosiu, uma região que era próxima de terras Zulus. Nesta época o rei Shaka começou a atacar outra aldeias, incorporando ao seu poderoso reino. Moshoeshoe estava na mira do poder zulu, por isso esta época foi conhecida como "Mfecane" ou "Tempos de Dificuldades" nos quais houve muitas guerras entre povos nativos da África Austral.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Muitas guerras tribais ocorreram nesta época, mas no caso de Moshoeshoe foi diferente pois o mesmo ao invés de atacar, fazia alianças com várias tribos, em troca de proteção e paz. Nesta época nascia a nação basoto (Hoje Lesoto), pois além de existirem várias aldeias aliadas a Moshoeshoe, muitos refugiados de guerra migraram para esta região em busca de paz e melhores condições de vida. Foi neste momento que recebeu o título "Morena e Maholo" (Significa; Grande Rei dos Basotos)

Entre o início da década de 1810 os colonizadores holandeses passaram a construir assentamentos, em busca de metais preciosos e alianças com tribos locais. Isso foi de muito interesse a Moshoeshoe, que teve um audiência com três missionários; Eugéne Casalis, Constant Cosselin e Thomas Arbousset, que trouxeram armas modernas para a defesa do reino, além de terem cedido homens brancos para o exercito e conselho do rei. Foi nesta época que o catolicismo romano passou a ser divulgado entre os basotos. De 1837 e 1855 Eugéne Casalis desempenhou uma papel importante com o povo, sendo o primeiro ministro do rei.

Entre os anos de 1830 os boêres passaram a atacar a região do reino, capturando pessoas e as escravizando. Os basotos tentaram muitos acordos com os mesmos, mas sempre sem sucesso, o que resultou em uma sangrenta guerra com o Reino Basoto.

Em 1852 houve muitos conflitos entre os basotos e britânicos, o que causou um período de instabilidade politica no país, causando muitas mortes e misérias. Além disso, os boêres continuavam os ataques ao reino. Com isso o rei firmou um tratado de paz com a Colônia do Cabo do Reino Unido.

Durante a década de 1860 o reino ficou sobre um constante ameaça, em relação a República de Orange, uma estado boer da região de Transvaal, mesmo com constantes vitórias do em relação aos boêres, uma hora ou outra os país iria cair devido a fraqueza do povo.

Em 1867 ocorreram muitas baixas em relação ao reino, que ficou seriamente em risco de ser anexado a República de Orange. Com tudo isso, a unica solução mais viável que o rei arranjou, foi apelar aos britânicos e enviar uma carta a Rainha Vitoria, pedindo proteção para o reino , assim o reino se tornou o Protetorado Britânico da Basutolândia. O Reino agora era protegido pelo Império Britânico em 1868, no ano seguinte teve a fundação de Maseru, a atual capital do Lesoto. Mas uma questão negativa foi a falta de participação na politica em relação aos basotos, que agora tinham apenas o rei e os ministros como representantes, mesmo assim o poder do monarca diminuiu. Além disso tudo, muitas partes do reino foram cedidas a África do Sul, deixando o país menor do que era em sua fundação.

Moshoeshoe I e seus ministros
Moshoeshoe I e seus ministros, possivelmente nos anos 1860.

Morte, consequências e legado[editar | editar código-fonte]

Moshoeshoe I faleceu em 11 de março de 1870, aproximadamente com 83/84 anos em Maseru, no Lesoto. Ele foi sucedido por seu filho que adotou o nome de Letsie I. O reinado deste foi desastroso, já que o rei desejava o fim do domínio britânico e tentou diversas vezes a independência, mas sem sucesso. Com tudo isso, em 1884 o país foi rebaixado de protetorado para colônia, com bem poucos poderes ao rei que agora tinha um poder apenas representativo, sem nenhum envolvimento com o poder central britânico.

O Rei e considerado um herói nacional pelo seu país, além de ter sido o monarca com o maior reinado na história do seu país. Seu reinado e conhecido como "Era Tradicional" após isso veio a "Era Colônial".

Tumba do rei Moshoeshoe I
Tumulo de Moshoeshoe I

O atual rei do Lesoto, Letsie III é descendente direto deste rei. O maior aeroporto do país leva o seu nome, o Aeroporto Internacional Moshoeshoe I. O dia de sua morte é celebrado no país.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Britannica Library». library.eb.co.uk. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  2. «LESOTHO». members.iinet.net.au. Consultado em 16 de fevereiro de 2019 
  3. Eldredge, Elizabeth A. (2015). Kingdoms and Chiefdoms of Southeastern Africa: Oral Traditions and History, 1400-1830 (em inglês). [S.l.]: Boydell & Brewer. ISBN 9781580465144