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Mosteiro de Las Huelgas

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Mosteiro de Las Huelgas
Mosteiro de Santa María la Real de Las Huelgas
Informações gerais
Estilo dominanteromânico, almóada e gótico
Arte cisterciense
Início da construção1181
Fim da construção1222
ReligiãoCatolicismo
DioceseArquidiocese de Burgos
Consagração1187
Websitehttp://www.monasteriodelashuelgas.org/
Geografia
PaísEspanha
LocalizaçãoBurgos, Castela e Leão
Coordenadas42° 20′ 10″ N, 3° 43′ 13″ O
Mapa
Localização em mapa dinâmico
Notas: Patrimônio Nacional da Espanha

O mosteiro de Santa María la Real de las Huelgas, conhecido popularmente como mosteiro de las Huelgas,[1] situado na cidade de Burgos (Castela e Leão, Espanha), é um mosteiro feminino de clausura da Ordem Cisterciense. Foi fundado em 1187 pelo rei Afonso VIII de Castela e pela sua esposa, a princesa inglesa Leonor Plantageneta,[1] filha de Leonor de Aquitânia e de Henrique II de Inglaterra.

Abriga obras de grande valor, entre elas, alguns dos vitrais mais antigos da Espanha.[2]

Situação

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Está situado a ocidente da cidade de Burgos, algo retirado do rio Arlanzón, num terreno plano que antigamente era ocupado por prados e que era conhecido como «Las Huelgas», que era a forma como se denominava o terreno de cultivo não trabalhado e dedicado a pastagens.[a] Atualmente, está considerado como bem de interesse cultural (foi declarado monumento histórico-artístico pertencente ao Tesouro Artístico Nacional mediante decreto de 3 de junho de 1931).[4]

História

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Vista
Claustro
Túmulo da infanta Branca de Portugal (1259–1321) no Mosteiro de Las Huelgas.

Fundação

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Existia um pequeno palácio nestes terrenos onde está localizado o mosteiro, do qual se conservam alguns pequenos vestígios. O lugar foi escolhido pelo rei Afonso VIII e pela sua esposa Leonor Plantageneta para levantar um mosteiro cisterciense feminino que se fundou em junho de 1187.

Foi a rainha Leonor quem pôs maior empenho em conseguir esta fundação com o fim de que as mulheres pudessem alcançar os mesmos níveis de comando e responsabilidade que os homens, pelo menos dentro da vida monástica. Elevaram ao papa Clemente III a petição para fundar e consagrar o novo mosteiro, petição que foi concedida de imediato. Os reis doaram perto de cinquenta lugares cujas terras constituíram desde o princípio um importante património que se multiplicaria com o tempo. Conserva-se a carta fundacional do rei que começa dizendo:

Eu, Afonso, pela graça de Deus, rei de Castela e Toledo, e a minha mulher, a rainha dona Leonor…

Cîteaux otorgou a este mosteiro o direito a constituir-se como matrem ecclesiam equiparando-se assim ao grande mosteiro francês de Fontevrault. Em 1199 converteu-se definitivamente em casa-mãe dos mosteiros femininos de Castela e de Leão.

A vida do mosteiro deu início com um grupo de freiras que chegaram do Mosteiro de Santa María de la Caridad de Tulebras (em Navarra), onde existia desde 1157 o primeiro mosteiro cisterciense feminino da península. As duas primeiras abadessas foram a infanta de sangue real Misol (ou Mariasol) e a infanta Constança, filha dos reis fundadores.

Durante a Idade Média, o mosteiro consolidou-se como um dos mais influentes e importantes de Castela, albergando raparigas pertencentes à alta nobreza e à família real castelhana.

Peculiar jurisdição

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A abadessa de Las Huelgas chegou a desfrutar de uma autonomia e poder tão elevados que estava acima da cúria episcopal, dependendo diretamente do papa. A abadessa, como mulher, não podia confessar, dizer uma missa, nem pregar, mas era ela quem dava as licenças para que os sacerdotes fizessem estes trabalhos. A concessão era dada em nome de Deus e da Sé Apostólica. Era dona de um senhorio material e um senhorio jurídico. O senhorio material estava composto por:

  • 54 vilas
  • terras
  • moinhos
  • isenções fiscais de pontagem, portagem e montagem.

O senhorio jurídico tinha o seu próprio foral, cujas leis no tema civil e criminal dirigia e vigiava a abadessa. Podiam nomear alcaldes e exerciam a sua jurisdição sobre um bom número de mosteiros cujas abadessas eram nomeadas pela abadessa de Las Huelgas.

Todos os privilégios mantiveram-se intactos através dos séculos até ao século XIX, em que foram suprimidos pelo papa Pio IX.

Durante a Guerra da Independência Espanhola, neste mosteiro realizaram-se cerimonias tão importantes como as de proclamar os reis e armar cavaleiros. Entre os cavaleiros armados antes de serem reis figuram Fernando III o Santo, Eduardo I de Inglaterra, Afonso XI de Castela e de Leão, Pedro I de Castela (que além disso nasceu na torre defensiva do edifício) e João II. Os reis coroados aqui foram Afonso XI e o seu filho Henrique II de Trastâmara. Também teve grande importância como panteão real e de nobres, com magníficos sepulcros, muitos dos quais foram profanados durante a guerra da Independência espanhola.

Durante a Guerra Civil Espanhola, no dia 2 de dezembro de 1937 celebra-se neste mosteiro o I Conselho Nacional do Movimento.[5]

Na atualidade este mosteiro está governado por freiras cistercienses. Tem dez quartos preparados para retiro espiritual de mulheres que o solicitem. A abadessa atual não tem comandos nem privilégios especiais civis nem jurídicos. Tanto ela como a comunidade de freiras dedicam a sua vida à oração e a atender umas mínimas posses.

Coto Redondo, que fazia parte do Partido de Burgos, um dos catorze que formavam a Intendência de Burgos, na sua categoria de pueblos solos, durante o período compreendido entre 1785 e 1833, no Censo de Floridablanca de 1787, jurisdição de abadengo. Contava então com 343 habitantes.

Jurisdição de abadengo, sendo o seu titular o Mosteiro de Las Huelgas:

O Mosteiro visto a partir do castelo

Abadessas famosas

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Desde 1187 a 1587 houve 37 abadessas perpétuas. Desde essa data as abadessas foram trienais. Ana da Áustria (filha de dom João da Áustria) foi a exceção pois exerceu como abadessa perpétua desde 1611 a 1629.[6]

Outra abadessa célebre foi a venerável Antonia Jacinta de Navarra (1602-1656). Na sua juventude concedeu-se-lhe temporariamente levar os estigmas da Paixão de Cristo. Governou o mosteiro entre 1653 e 1656.[7]

Património documental e cultural

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O mosteiro possui um vasto arquivo documental e uma rica biblioteca que atestam o seu papel fundamental na administração territorial e na vida religiosa e cultural da Península Ibérica durante a Idade Média. É nele que se conserva o Códice de Las Huelgas, um manuscrito musical do início do século XIV que contém obras polifónicas do período Ars antiqua. É o único manuscrito desta natureza que se mantém, até à atualidade, no local de origem onde foi copiado há mais de sete séculos.

Arquitetura do mosteiro

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É um mosteiro amplo e complexo, com aspeto de fortaleza, com dependências que se foram acrescentando ao longo dos séculos, como as habitações tradicionais dos criados e os clérigos, as casas da administração e as escolas. Todo o recinto esteve amuralhado. Conservam-se duas portas: uma para o público, que conduz ao Compás de Afuera, e outra chamada de Afonso XI, que conduz ao Compás de Adentro; esta parte utilizou-se como serviço para as freiras.

Começaram as obras em finais do século XII e continuaram no século XIII. Existem documentos em que se nomeia um "mestre Ricardo" que interveio na sua construção. A parte mais antiga corresponde ao claustro românico conhecido com o nome de "las claustrillas", depois segue-se no tempo a igreja, de corrente protogótica, e o claustro de São Fernando que é já de claro estilo gótico, com abóbadas de gessarias mudéjares.

Pode ver-se por distintos pontos do complexo monástico o emblema heráldico do rei construtor, o castelo, que aparece na torre, em tímpanos e jambas das portas.

Vista do Mosteiro durante a celebração de El Curpillos em finais do século XIX

O edifício da igreja segue o modelo cisterciense com três naves alargadas, mais a nave do cruzeiro, que neste caso tem um muro de separação com o resto da igreja devido à condição de clausura. Aparta-se da severidade do cisterciense no referente à ornamentação arquitetónica, com elementos muito particulares que demonstram a influência francesa, como nas abóbadas angevinas de planta quadrada achaflanada e nas colunetas voadoras sobre ressalto. Acredita-se que a rainha Leonor mandou trazer de Angers a alguns dos arquitetos. Este tipo de arquitetura criou escola na comarca burgalesa e imitaram-na na cabeceira da catedral de Burgos, na da catedral de El Burgo de Osma, em Sasamón e outras.

A fachada setentrional é formada por 19 arcos apontados, dispostos de dois em dois entre recios contrafortes. Na parede do braço do crucero abre-se um rosetão.

No interior destaca a bóbada angevina do cruzeiro, de planta quadrada, com oito arcos torais, dois diagonais e outros dois nos eixos, que compõem a abóbada sexpartita cupuliforme. As capelas absidiais que estão coladas à maior também respondem ao estilo angevino. Acredita-se que esta obra se fez entre 1180 e 1215 com artistas da rainha Leonor, enquanto o resto foi de 1215 a 1220 com os mestres franceses de Fernando III o Santo.

No presbitério contempla-se o grande retábulo do século XVIII, obra do arquiteto Policarpo de Lanestosa, o escultor Juan de Pobes e o dourador Pedro Guillén. Adornado com colunas salomónicas, tem na sua parte central a imagem da Assunção e no ático o Calvário acolhido numa concha muito adornada com numerosos anjos músicos. Sobre o muro da Epístola (muro sul) está o órgão barroco. O púlpito é de ferro forjado e está montado sobre um suporte que lhe permitia girar de maneira que as freiras pudessem escutar melhor o pregador desde a clausura.

Nas naves longitudinais do que foi a clausura encontram-se os numerosos sepulcros de infantes e reis. Afonso VIII quis fazer desta igreja um panteão real. Puderam conservar-se muitos destes ricos enterramentos e muitos outros perderam-se em espólios, guerras e barbárie.

Sepultamentos

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  1. «Segundo investigações recentes, a palavra "huelgas" não alude a holgar, descansar, ou tomar alento, como se vinha sustentando. Parece que o termo, de uso corrente na Idade Média, assinala as comarcas de pastagens para gado que não se dedica ao trabalho (...) Este nome fez-se extensivo ao mosteiro e aludia ao terreno onde estava enclavado.»[3]

Referências

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Ligações externas

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