Mosteiro de Mangyu

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Mosteiro de Mangyu
Pintura mural de Manjusri na parede sudoeste do templo de Sakyamuni de Mangyu
Nomes alternativos • Gompa de Mangyu
• Mosteiro de Mang-gyu
• Complexo de templos de Mangyu
Tipo gompa
Construção século XI
Aberto ao público Sim
Religião budismo
Geografia
País  Índia
Cidade Mangyu (Giramangu)
Estado Jamu e Caxemira
Distrito Leh
Região Ladaque
Coordenadas 34° 14' N 77° 3' 15" E
Mosteiro de Mangyu está localizado em: Jammu e Caxemira
Mosteiro de Mangyu
Localização do complexo de templos de Mangyu em Jamu e Caxemira

O Mosteiro de Mangyu, Gompa de Mangyu ou de Mang-gyu[nt 1] ou complexo de templos de Mangyu é um mosteiro budista tibetano e um dos monumentos budistas mais antigos do Ladaque, a região situada na parte oriental do estado de Jamu e Caxemira, noroeste da Índia. Situa-se na aldeia homónima (também chamada Giramangu) e supõe-se a sua construção seja da mesma época dos templos de Alchi. As estruturas datam possivelmente do século XI[2] (ou fim do século XII ou início do século XIII, segundo alguns estudiosos)[3] e teriam sido construídas por Rinchen Zangpo (958–1055), um famoso lotsawa (tradutor para tibetano das escrituras sagradas budistas).[2][4]

O conjunto de quatro templos[5] situa-se a cerca de 3 500 metros de altitude, aproximadamente 7 km a sudoeste do rio Indo e da estrada Srinagar–Leh e 70 km a oeste de Leh (distâncias por estrada).[1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Os templos mais antigos, dois pequenos dukhangs,[nt 2] são dedicados a Vairocana e a Sakyamuni ou Avalokiteśvara. Estão ladeados por duas capelas altas (Chamba Lakhang), as quais contém grandes estátuas do bodisatva Maitreya (também chamado Chamba), as quais são diferentes em termos estilísticos e iconográficos. Ao lado deste conjunto há um chorten do mesmo tipo das que se encontram em Alchi, também datada do período mais antigo.[4][7]

O templo dito de Sakyamuni devido à sua imagem principal original ser a desse Buda[7] é conhecido como Chenrezig Lakhang,[4] escultura de Avalokiteśvara (também chamado Chenrezig) adicionada muito mais tarde.[7] Tem várias imagens de Buda, divindades originalmente hindus, como Varuna, Indra, Xiva (como Mahakala), Ganexa, outras divindades celestiais e animais imaginários. É muito rico em elementos decorativos e constitui um belo exemplo da mistura de influências caxemires e tibetanas. O realce das figuras com relevos ou entalhes, nomeadamente nos olhos e rosto das divindades e nas mandalas e a pintura em múltiplas camadas são de alta qualidade. Duas representações de Manjusri na parede sudoeste são considerados exemplos de perfeição artística.[8]

Na encosta acima do mosteiro, atrás de algumas casas da aldeia, há outro chorten ricamente decorado, o único que tem imagens, que estão na origem do seu nome: Chorten das Quatro Imagens.[7]

O conjunto monumental tem vindo a ser restaurados desde o final da década de 2000 pelo Indian National Trust for Art and Cultural Heritage (INTACH) com apoio financeiro de patrocinadores internacionais.[4][8][9]

Notas

  1. O Google Maps assinala o complexo como "Mosteiro de Mangue".[1]
  2. Dukhang, que pode ser traduzido por sala de assembleia ou de oração, é o nome dado ao templo usado para as orações coletivas dos monges.[6]

Referências

  1. a b «34°13'57.4"N 77°02'57.5"E». www.google.com/maps. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
  2. a b «New from Overseas Chapters — USA» (PDF), Indian National Trust for Art and Cultural Heritage, Virasat (em inglês), janeiro–março de 2009, consultado em 28 de novembro de 2016. 
  3. Luczanits, Christian (2004), Buddhist sculpture in clay: early western Himalayan art, late 10th to early 13th centuries, ISBN 9781932476026 (em inglês), Chicago: Serindia Publications 
  4. a b c d «News from AHD — Conservation of Buddhist Monasteries» (PDF), Indian National Trust for Art and Cultural Heritage, Virasat (em inglês): 30–31, outubro–dezembro de 2010, consultado em 28 de novembro de 2016. 
  5. sTopgays, Sonam. «Monasteries of Ladakh and places of interest» (em inglês). www.sonam.info. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
  6. «Glossary: Monastery, Residence & Retreat Terminology» (em inglês). Himalayan Art Resources. www.himalayanart.org. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
  7. a b c d Luczanits 2004 citado em«Mangiu general description» (em inglês). Buddhist architecture in the Western Himalayas. FWF research project P22857. archresearch.tugraz.at.Universidade Técnica de Graz. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
  8. a b «Conservation of wall paintings at "Shakyamuni" temple Mangyu, Ladakh, J&K» (em inglês). Indian National Trust for Art and Cultural Heritage. www.intach.org. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
  9. «Japanese funding for INTACH» (em inglês). www.thehindu.com. 18 de julho de 2008. Consultado em 28 de novembro de 2016. 

Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

  • Van Ham, Peter (2010), Heavenly Himalayas : the murals of Mangyu and other discoveries in Ladakh, ISBN 9783791345437 (em inglês), Prestel 
  • Vargas, Julio; Dandona, Bhawna; Blondet, Marcial; Cancino, Claudia; Iwaki, Carlos; Morales, Kathya (2011), «An Experimental Study of the Use of Soil Based Grouts for the Repair of Historic Earthen Walls and a Case Study of an Early Period Buddhist Monastery», in: Rainer, Leslie; Rivera, Angelyn Bass; Gandreau, David, Terra 2008: The 10th International Conference on the Study and Conservation of Earthen Architectural Heritage, ISBN 9781606060438 (em inglês), Getty Publications, pp. 302–306, consultado em 28 de novembro de 2016. 
  • Lee, Eva (23 de setembro de 2013). «Pristine Mangyu?» (em inglês). www.evaleestudio.com. Consultado em 28 de novembro de 2016. </ref>
  • Standage, Kevin (5 de outubro de 2015). «Mangyu Gompa» (em inglês). An Indian travel photography blog. kevinstandagephotography.wordpress.com. Consultado em 28 de novembro de 2016. 
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