Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros

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O Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, autodenominado pelos seus integrantes como Cansei[1], foi um efêmero movimento criado por setores da elite brasileira opositores ao então Governo Lula[2][3][4] que surgiu e ganhou fama por algumas semanas no Brasil em 2007.[5][6][7]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Surgido logo após o acidente com o voo 3054 da TAM[nota 1], teve, como principais articuladores, o empresário João Dória Júnior, o executivo Paulo Zottolo e o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso.[8][9][10][11] Também emprestaram, prestígio ao movimento, artistas populares - entre as quais, Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Ana Maria Braga e Regina Duarte[12] - e algumas entidades de classe e patronais, dentre elas a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, as seções da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, a Associação Brasileira de Odontologia, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia e o Grande Oriente Paulista da Maçonaria.[carece de fontes?]

Em 17 de agosto de 2007, o movimento realizou seu maior ato em São Paulo, que reuniu cerca de 5 mil pessoas para protestar contra o "caos aéreo", "a corrupção" e "a falta de segurança".[8][13][14] A manifestação na Praça da Sé ficou marcado pelos gritos de "Fora Lula"[13] e pela falta de sensibilidade dos organizadores, que não permitiram que parentes das vítimas do acidente do Airbus da TAM subissem ao palco para discursar, no dia em que o acidente completava um mês.[14]

Embora seus idealizadores afirmassem que o "Cansei" era uma iniciativa "apartidária" e "cívica"[9][15], o movimento ficou identificado como uma expressão do antilulismo por parte de setores da elite brasileira, notadamente a paulista, e por isso mesmo acabou fracassando e sendo alvo fácil de chacotas.[16][6][17][18][19][20]

O presidente da OAB do Rio de Janeiro chegou a chamar o Cansei de "golpista" e ligado "às elites paulistas e setores conservadores da sociedade".[3][21] O ex-governador de São Paulo Claudio Lembo compartilhou a mesma posição, afirmando que o movimento tinha "figuras conhecidas que sempre possuíram e possuem uma visão elitista do país e da sociedade" e ironizando o termo "Cansei" como algo "muito usado por dondocas enfadadas em algum momento das vidas enfadonhas que vivem".[4][22]

Em um comunicado expedido a Washington, D.C. no dia 18 de setembro de 2007, que acabou sendo, mais tarde, divulgado pelo Wikileaks, o então cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, relatou que ""os líderes do movimento, por toda sinceridade e seriedade tornaram-se alvos fáceis para a caricatura" e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia lhe ironizado o termo "Cansei" como "não é um lema que Martin Luther King, Jr., teria escolhido para inspirar seus seguidores."[2]

O próprio movimento criou polêmica após uma declaração de Paulo Zottolo, então presidente da Philips no Brasil, de que "não se pode pensar que o país [o Brasil] é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".[23] A declaração lhe rendeu o título de persona non grata no estado.[24] Mesmo que tenha se desculpado e insistido que sua observação tinha sido tirada do contexto, o fato ficou consumado como uma imagem negativa do "Cansei".[2]

Membros originais[editar | editar código-fonte]

De acordo com a então página oficial do movimento, mais de sessenta entidades apoiaram o "Cansei".[carece de fontes?] Dentre as mais importantes, a Ordem dos Advogados de São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, a Associação Brasileira de Odontologia, a Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, o Conselho Regional de Medicina, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e o Grande Oriente Paulista da Maçonaria.[carece de fontes?]

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Elio Gaspari (4 de março de 2009). «O resgate do fundo dos advogados». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  2. a b c Andrea Dip (28 de junho de 2011). «WIKILEAKS: Cônsul e FHC ironizam movimento “Cansei”». A Pública. Consultado em 18 março de 2015. 
  3. a b «OAB do Rio diz que movimento Cansei é golpismo paulista». Conjur. 31 de julho de 2007. Consultado em 18 março de 2015. 
  4. a b Bob Fernandes (30 de julho de 2007). «Lembo: "Cansei" é termo de dondocas enfadadas». Terra. Consultado em 18 março de 2015. 
  5. Roberto de Oliveira (14 de junho de 2013). «'Descolados' criam movimento antiviolência em São Paulo». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  6. a b André Singer (14 de março de 2015). «Tensão democrática». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  7. Elio Gaspari (24 de junho de 2012). «As aparições de 'Inexorável da Silva'». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  8. a b Kiko Nogueira (17 de março de 2015). «No Roda Viva de Eduardo Cunha, quem brilhou foi João Dória, o inventor do patético "Cansei"». DCM. Consultado em 18 março de 2015. 
  9. a b Bob Fernandes (27 de julho de 2007). «Doria afirma queô 'Cansei' é movimento cívico». Terra. Consultado em 18 março de 2015. 
  10. Clayton Netz (29 de outubro de 2010). «Cansado de ser executivo, Zottolo vira empresário». O Estado de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  11. Raphael Prado (11 de outubro de 2007). «"Cansei" ainda não se cansou, diz D'Urso». Terra. Consultado em 18 março de 2015. 
  12. Agência Estado (15 de agosto de 2007). «Ivete Sangalo e Hebe participam do movimento 'Cansei'». O Estado de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  13. a b Rodrigo Bertolotto (17 de agosto de 2007). «Movimento 'Cansei' reúne grifes e gritos de 'Fora Lula' na Sé». UOL. Consultado em 18 março de 2015. 
  14. a b Anne Warth (17 de agosto de 2007). «Ato do 'Cansei' frustra parentes de vítimas do Airbus». O Estado de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  15. Anne Warth (1 de agosto de 2007). «'Cansei' volta a dizer que é apartidário». O Estado de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  16. Editorial (25 de dezembro de 2007). «Do "Cansei"à CPMF». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  17. Marcelo Coelho (6 de julho de 2013). «Opinião: Manifestações expõem o fato de que o poder não muda». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  18. Barbara Gancia (21 de julho de 2013). «Imagina na Copa». Folha.com. Consultado em 18 março de 2015. 
  19. «"Não se justifica a permanência por tanto tempo', diz Fragoso». Folha de S.Paulo. 8 de novembro de 2009. Consultado em 18 março de 2015. 
  20. Fernando Barros e Silva (9 de setembro de 2011). «Quem grita "pega ladrão"?». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  21. «OAB do Rio diz que 'Cansei' tem 'fundo golpista'». Folha de S.Paulo. 2 de agosto de 2007. Consultado em 18 março de 2015. 
  22. José Alberto Bombig (28 de julho de 2007). «Irônico, Lembo afirma que o movimento é da 'elite branca'». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  23. Mônica Bergamo (17 de agosto de 2007). «Líder do 'Cansei' desdenha Piauí, é chamado de "tolo"e pede desculpas». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 março de 2015. 
  24. Sena, Yala (29 de agosto de 2007). «Piauí dá título de "persona non grata" a Zottolo». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de agosto de 2016. 

Notas

  1. Embora o movimento tenha surgido, entre outros motivos, como forma de protesto contra o "caos aéreo", que teria levado à queda do avião da TAM Linhas Aéreas, informações contidas na caixa-preta do avião vieram a indicar que o acidente foi provocado por falha da aeronave ou dos pilotos, o que tornaria nula a ligação entre o acidente e uma suposta crise do setor aéreo brasileiro.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]