Movimento Nour al-Din al-Zenki

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Movimento Nour al-Din al-Zenki
Participante na Guerra Civil Síria
Al-Liwaa.svg
Datas Final de 2011 - presente
Ideologia Islamismo sunita
Salafismo
Jihadismo
Objetivos derrube do governo de Bashar al-Assad
declarar um estado islâmico na Síria
Organização
Parte de Flag of Syria 2011, observed.svg Frente da Autenticidade e Desenvolvimento (2013-2014)

Flag of Syria 2011, observed.svg Conselho do Comando Revolucionário Sírio (2014-2015)
Al-Liwaa.svg Frente do Levante (2014-2015)
Al-Liwaa.svg Exército dos Mujahidin (2014-2015) Emblem of the Jaish al-Fatah.svg Exército da Conquista (2016-2017)
Flag of Syria 2011, observed.svg Frente da Libertação da Síria (2018)
Flag of Syria 2011, observed.svg Frente Nacional para a Libertação da Síria (2018-presente)

Líder Sheikh Tawfiq Shahabuddin
Orientação
religiosa
Sunismo
Área de
operações
Alepo e Idlib, Síria
Efetivos 7.000 (2017)
Antecessor(es)
anterior
Batalhão Nour al-Din al-Zenki
Relação com outros grupos
Aliados Arábia Saudita (até 2017)
 Turquia
 Catar
 Estados Unidos (até 2016)
Flag of Syria 2011, observed.svg Exército Livre Sírio
Logo of Ahrar al-Sham.svg Ahrar al-Sham
Flag of Jihad.svg Frente al-Nusra/Flag of Hayat Tahrir al-Sham.svg Tahrir al-Sham (2012-2014/2016-2017)
Inimigos  Síria
 Irão
 Rússia
InfoboxHez.PNG Hezbollah
Flag of the Islamic State of Iraq and the Levant2.svg Estado Islâmico
Flag of Jihad.svg Frente al-Nusra/Flag of Hayat Tahrir al-Sham.svg Tahrir al-Sham (2015/2017-presente)
Al-Liwaa.svg União Fastaqim (2016-presente)
Al-Liwaa.svg Frente do Levante (2016-presente)
Al-Liwaa.svg Exército dos Mujahidin (2016-presente) Flag of the Sultan Murad Brigade.png Divisão Sultan Murad (2017-presente)
Flag of Syria 2011, observed.svg Divisão Hamza (2017-presente)
Conflitos
Guerra Civil Síria

O Movimento Nour al-Din al-Zenki (em árabe: حركة نور الدين الزنكي‎ Ḥaraka Nūr ad-Dīn az-Zankī) é um grupo sunita islamista rebelde envolvido na Guerra Civil Síria. Entre 2014 e 2015, integrou o Conselho do Comando Revolucionário Sírio e foi um dos recipientes de equipamento militar americano, ao receber mísseis anti-tanque BGM-71 TOW[1]. Em 2014, era relatado que o grupo era um dos mais poderosos na zona de Alepo[2]. A 18 de Fevereiro de 2018, o Movimento fundiu-se com Ahrar al-Sham para dar origem à Frente da Libertação da Síria[3].

História[editar | editar código-fonte]

O Batalhão Nour al-Din al-Zenki foi formado no final de 2011 por Shaykh Tawfiq Shahabuddin no noroeste de Alepo. O seu name tem origem em Nouredine, um importante emir de Damasco e Alepo no século XII. A maioria dos seus combatentes estavam concentrados nos subúrbios a noroeste de Alepo[4]. Al-Zenki esteve presente no início da Batalha de Alepo, capturando o bairro de Salaheddine, embora tenha rapidamente se retirado para a zona rural da província de Alepo[5].

O grupo teve diferentes afiliações desde que foi fundado. Inicialmente, foi uma facção dentro do Movimento do Amanhecer, depois juntaria-se às Brigada al-Tawhid durante o ataque em Alepo, antes de se retirar e juntar-se à Frente da Autenticidade e Desenvolvimento, financiada pela Arábia Saudita[6].

Em Janeiro de 2014, al-Zenki foi um dos grupos fundadores do Exército dos Mujahidin para combater a ascensão do Estado Islâmico (EI)[7]. Em Maio do mesmo ano, acabaria por se retirar do Exército e, de seguida, a Arábia Saudita aumentou o seu financiamento ao grupo, que tinha as suas dúvidas em financiar o Exército dos Mujahidin pelas suas ligações à Irmandade Muçulmana Síria.

Em Dezembro de 2014, o movimento juntou-se à Frente do Levante, uma ampla aliança de diversos grupos islamistas rebeldes que operavam na província de Alepo[8]. A 6 de Maio de 2015, juntou-se a outros 13 grupos islamistas na aliança Conquista de Alepo[9].

A partir de Novembro de 2015, Nour al-Din al-Zenki absorveu diversos grupos rebeldes sírios turcomenos apoiados pela Turquia. A 11 de Novembro, 35 combatentes turcomenos desertaram para a Frente al-Nusra, e a 15 de Novembro, um dos líderes do grupo foi substituído por um comandante turcomeno[10].

Durante as Conversações de Paz de Viena para a Síria em Novembro de 2015, a Jordânia foi encarregue de estipular uma lista de grupos terroristas, com o grupo a ser, alegadamente, incluído em tal lista[11].

Em 28 de Janeiro de 2016, o Movimento al-Zenki retirou-se das suas posições em Alepo, que rapidamente foram tomadas pela Al-Nusra.

A 24 de Setembro de 2016, al-Zenki junta-se ao Exército da Conquista[12] e, a 15 de Outubro, quatro batalhões da Frente do Levante juntam-se ao movimento[13].

Em 2 de Novembro de 2016, durante a ofensiva governamental de Alepo, militantes da União Fastaqim capturam um comandante do Movimento al-Zenki. Em resposta, o grupo mobilizou-se e atacou a sede da União Fastaqim nos distritos de Salaheddine e Al-Ansari de Alepo e, devido a estes confrontos, um militante morreu e 25 ficaram feridos[14]. No dia seguinte, a Frente do Levante e as Brigadas Abu Amara começaram a patrulhar as ruas e a prender quaisquer rebeldes que estejam envolvidos em confrontos[15]. Pelo menos 18 rebeldes morreram nestes confrontos[16]. Al-Zenki e as Brigadas Abu Amara acabaram por capturar todas as posições da União Fastaqim no leste de Alepo, com dezenas de rebeldes da União a serem presos ou a renderem-se, a juntarem-se a Ahrar al-Sham ou a desertarem[17].

A 27 de Janeiro de 2017, a secção de Idlib do movimento juntou-se aos jihadistas do Tahrir al-Sham (HTS), enquanto a sua facção do norte juntou-se à Legião do Sham[18].

Em 27 de Julho de 2017, al-Zenki liderado por Sheikh Tawfiq Shahabuddin anunciou a sua separação de Tahrir al-Sham no decorrer de fortes combates entre HTS e Ahrar al-Sham, e tornou-se um grupo independente[19].

Em Novembro de 2017, fortes confrontos eclodiram entre al-Zenki e HTS no norte de Idlib e oeste de Alepo, com especial destaque para a área entre Atme e Khan al-Asal[20].

Em Janeiro de 2019, o grupo foi fortemente atacado por HTS, com os últimos capturando o território controlado pelo grupo e, praticamente, acabando com o Movimento al-Zenki[21][22].

Apoio estrangeiro[editar | editar código-fonte]

Em Maio de 2014, al-Zenki recebeu maior financiamento da Arábia Saudita após se ter retirado do Exército dos Mujahidin. O grupo também recebeu apoio financeiro dos Estados Unidos, num programa gerido pela CIA para financiar rebeldes aprovados pelos EUA[23], alegadamente através do Centro Operacional Militar (COM) baseado na Turquia. Apesar disto, em Outubro de 2015, o grupo afirmou que já não era financiado pelo COM[24] - "por causa dos relatos constantes que tinha cometido abusos."[25]7

A 9 de Maio de 2016, um plano foi alegadamente proposto pelos EUA, Arábia Saudita, Catar e Turquia para que al-Zenki criasse um "Exército do Norte" e juntar cerca de 3.000 combatentes para a operação. A próxima fase seria a transferência dos combatentes de Idlib para o norte de Alepo através do postos fronteiriços de Bab al-Hawa e Azaz. Isto alegadamente começou a 13 de Maio[26]. Este plano foi adiado após dúvidas de oficiais americanos das capacidades militares dos rebeldes juntados pela Turquia, a oposição das Forças Democráticas Sírias apoiadas pelos EUA, e a tensão entre a Turquia e a Rússia que apenas foi resolvida no verão de 2016[27].

Crimes de Guerra[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Amnistia internacional, o Movimento al-Zenki, juntamente com a 16.ª Divisão De Infantaria, a Frente do Levante, Ahrar al-Sham e a Frente al-Nusra, estiveram envolvidos no rapto e torturas de diversos jornalistas e trabalhadores humanitários na zona rebelde de Alepo durante 2014 e 2015[28].

Nour al-Din al-Zenki, em conjunto com as Brigadas Abu Amara, foram acusados de matarem pessoas ao atirá-las de prédios quando controlavam território em Alepo[29].

2016[editar | editar código-fonte]

Decapitação de um jovem de 12 anos[editar | editar código-fonte]

Em 19 de Julho de 2016, durante a Campanha de verão em Alepo, um vídeo emergiu em que mostrava combatentes Al-Zenki a filmarem-se enquanto gozavam e, mais tarde, a decapitarem um rapaz palestiniano chamado Abdullah Tayseer Al Issa[30]. No vídeo, os rebeldes defendiam que o rapaz foi capturado enquanto combatia por Liwa al-Quds, uma milícia palestiniana pró-governo[31]. Liwa al-Quds negou esta acusação, e afirmou que Al Issa era um jovem refugiado de 12 anos que vinha de uma família pobre[31] que tinha sido raptado.

Numa declaração oficial, al-Zenki condenou a decapitação e afirmou que "um erro individual que não representa a política geral do grupo", e que tinha detido todos aqueles envolvidos no crime[32].

De acordo com Thomas Joscelyn, escrevendo no The Weekly Standard, que o vídeo da decapitação foi exibido ao presidente americano Donald Trump e influenciou a decisão de Trump em acabar com o apoio americano à Oposição Síria: "Trump queria saber porquê que os Estados Unidos tinham apoiado Zenki se os seus membros eram extremistas. O tema foi discutido de forma prolongada com oficiais superiores da inteligência (CIA), e nenhuma boa resposta surgiu."[33]

Referências

  1. «EXCLUSIVE - 18 Syrian revolutionary factions advancing toward a One Army project - The Arab Chronicle». web.archive.org. 26 de agosto de 2014. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  2. «Resisting Al-Assad's Advance: A Look at Two Rebel Commanders Inside Aleppo (Free)». Jamestown (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  3. «Hardline Syria rebels announce merger». Business Recorder (em inglês). 19 de fevereiro de 2018. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  4. «The Jamestown Foundation: JANUARY BRIEFS». web.archive.org. 4 de março de 2016. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  5. Anjarini, Sahib (22 de outubro de 2013). «The Story of Al-Tawhid Brigade: Fighting for Sharia in Syria». Al-Monitor (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019. Arquivado do original em 25 de setembro de 2014 
  6. Pierret, Thomas. «External support and the Syrian insurgency». Foreign Policy (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  7. «The Mujahideen Army of Aleppo». Carnegie Middle East Center (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  8. «The Levant Front: Can Aleppo's Rebels Unite?». Carnegie Middle East Center (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  9. Aless; AM, riamasi 06/06/15 AT 8:11 (6 de junho de 2015). «Syria's Coming Battle For Aleppo: It's Everybody Against Assad And ISIS». International Business Times. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  10. al-Jablawi, Hosam. «Nour al-Din al-Zenki Movement: How a Once Moderate Group Joined Fateh al-Sham». Atlantic Council (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  11. Szakola, Albin. «CIA-vetted Aleppo rebels lash out at Jordan». now.mmedia.me. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  12. C4H10FO2P (24 de setembro de 2016). «Harakat Nour al-Din al-Zenki join Jaish al-Fatah in northern #Syriapic.twitter.com/X4HWSW5Gg1». @markito0171 (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  13. Obs, Syrian Rebellion (15 de outubro de 2016). «Liwa al-Tawhid (ONLY 4 battalions who defected from Jabhat ash-Shamiyah, retaking old brigade name) joining Nur ad-Din Zenki in #Aleppo.pic.twitter.com/QwdXzI77SY». @Syria_Rebel_Obs (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  14. «Fighting between 2 factions in the eastern section of Aleppo kills and injures about 25 fighters from both parties». OSDH. 02 de Novembro de 2016. Consultado em 06 de Janeiro de 2018  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  15. «aranews.org». ww1.aranews.org. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  16. Source, The Inside (2 de novembro de 2016). «#Syria // #Aleppo // Approximately 18 dead so far in rebel infighting across East Aleppo.». @InsideSourceInt (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  17. «Zenki and Abu Amarah control all headquarters of Fastaqim Kama Umirt, the leaders of which go to Ahrar al-Sham». OSDH. 03 de Novembro de 2016. Consultado em 06 de Janeiro de 2018  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  18. «Al Qaeda and allies announce 'new entity' in Syria | FDD's Long War Journal». www.longwarjournal.org (em inglês). 28 de janeiro de 2017. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  19. «Nour e-Din a-Zinki defects from HTS, citing unwillingness to end rebel infighting». Syria Direct (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  20. الميادين, شبكة (10 de novembro de 2017). «النصرة تُهاجم الزنكي في ريفي حلب وإدلب.. وأنباء عن تحالف عسكري لمواجهتها». شبكة الميادين (em árabe). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  21. «PressTV-Over 500 militants killed as infighting spreads in Syria». www.presstv.com. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  22. «Battles continue between Tahrir Al-Sham against the National Liberation Front west of Aleppo amid calm prevailing the clash areas in Idlib province». OSDH. 04 de Janeiro de 2019. Consultado em 06 de Janeiro de 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  23. «Rebels in northern Syria say U.S. has stopped paying them». mcclatchydc (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  24. «Rebel Defiance, Relief as Assad Forces Get Bogged Down». VOA (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  25. Chulov, Martin (20 de julho de 2016). «Syrian opposition group that killed child 'was in US-vetted alliance'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  26. «Proposed 'Northern Army' in Syria alienates Kurds | Manar Abdel Razzak». AW (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  27. «Putin mends broken Turkey relations». BBC News (em inglês). 9 de agosto de 2016 
  28. «Syria: Abductions, torture and summary killings at the hands of armed groups». www.amnesty.org (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  29. Dalati, Riam (31 de janeiro de 2017). «Several witnesses from #Aleppo City accusing #Zinki #JFS aligned Abu Amara Brigade of summary executions, throwing gay men off rooftopspic.twitter.com/9ZAfnYPL6S». @Dalatrm (em inglês). Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  30. «Boy beheaded in Syria 'was fighter'». BBC News (em inglês). 21 de julho de 2016 
  31. a b «Syria rebels 'filmed beheading boy'». BBC News (em inglês). 19 de julho de 2016 
  32. «Syria rebel beheading of child sparks outrage | News , Middle East | THE DAILY STAR». www.dailystar.com.lb. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  33. «Trump Got This One Right». The Weekly Standard (em inglês). 28 de julho de 2017. Consultado em 6 de janeiro de 2019