Movimento Vem pra Rua

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Movimento Vem pra Rua
(MVPR)
Fundação outubro de 2014
Sede São Paulo, Brasil
Organização Rogério Chequer
Sítio oficial http://www.vemprarua.net/

O Movimento Vem pra Rua é um movimento político-social brasileiro fundado em 2014. Seu principal líder é Rogério Chequer. O movimento surgiu em outubro de 2014, como uma tentativa de organizar e captar pessoas em razão da situação econômica, política e social do país, durante o Governo Dilma, tendo como alvo o próprio governo da ex-presidente, e pautas definidas como o combate à corrupção,[1][2] o impeachment de Dilma Rousseff[3] e a aprovação das 10 Medidas contra corrupção, projeto de lei do Ministério Público Federal.[4][5]

Participação no processo de impeachment de Dilma Rousseff[editar | editar código-fonte]

Manifestação de 15 de março de 2015 contra corrupção e a favor do impeachment de Dilma Rousseff.
Manifestação de 13 de março de 2016, no Rio de Janeiro.

A partir de abril de 2015, o Movimento Vem Pra Rua passou a apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.[6]

Nos anos de 2015 e 2016, o Vem Pra Rua organizou, junto a outros movimentos da sociedade civil, manifestações em todo o Brasil contra a corrupção, o Partido dos Trabalhadores e o governo da presidente Dilma Rousseff.

O protesto do dia 15 de março de 2015 foi considerado a maior mobilização popular no país desde o início da Nova República até então.[7][8] Porém, no dia 13 de março de 2016, as manifestações superaram o número anterior e bateram recorde de público, com 6,7 milhões de pessoas nas ruas de todos os estados do país e no Distrito Federal de acordo com os organizadores, e 3,3 milhões de pessoas, de acordo com a Polícia Militar.[9] Foi considerada a maior manifestação da história do País.[10][11][12]

Os protestos de 13 de março continuaram com espontaneidade dentre os dias 16 e 22 de março.[13][14][15][16][16][17][18] Em 17 de março nos estados do Acre, Alagoas, Manaus, Amapá, Bahia, Ceará, Distro Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantis tiveram manifestantes contrários ao governo, após a presidente Dilma nomear Lula como ministro da Casa Civil.[19]

Houve registros de panelaços também durante a cerimônia de posse de Lula no Palácio do Planalto,[19] que posteriormente foi suspenso pela justiça.[20][21][22]

Ainda em 2016, o movimento criou uma ferramenta em seu site, de nome "Mapa do impeachment", para facilitar o contato entre cidadãos favoráveis ao impeachment de Dilma e os deputados federais,[23] e um painel que exibia a posição de cada deputado sobre o processo.[24]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

O movimento Vem pra Rua se declara favorável ao impeachment de Dilma Rousseff e contrário a corrupção, a intervenção militar e ao golpe de Estado, ao separatismo e não compactua com governos autoritários.[3]

Criações do movimento[editar | editar código-fonte]

Dentro da atuação desse movimento, foram criados o "mapa do impeachment", que foi uma ferramenta que disponibilizava o posicionamento dos parlamentares sobre a votação do impeachment.[25] Além disso, o Muro da Vergonha, que foi um painel inaugurado pelo movimento em São Paulo para mostrar o posicionamento dos deputados federais em relação ao impeachment de Dilma Rousseff.[26]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

O movimento é criticado de forma recorrente pela falta de clareza quanto a forma de financiamento, quem são os doadores, e os valores de doações.[27][28] Entretanto o próprio movimento afirma vir de doações voluntárias, e não ter vínculos com partidos políticos.[29][30]

Em 2015, diversos jornalistas investigaram o Vem Pra Rua, e em março do mesmo ano revelaram que a Fundação Estudar financiou e deu apoio operacional ao movimento.[31] A fundação é controlada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, sócio da cervejaria Ambev e da rede de fast food Burger King. A equipe da BBC Brasil teve acesso ao registro do site vemprarua.org.br, URL oficial usada pelo movimento nas eleições, e revelou que o domínio foi comprado pela Fundação Estudar. Ao final de 2014, o site foi excluído e o Vem Pra Rua mudou de endereço online. Em nota, a Fundação Estudar se disse "apartidária" e atribuiu o caso a uma "iniciativa isolada" de um ex-funcionário.[32]

Em dezembro de 2014, em uma entrevista ao Estadão, um dos fundadores, Rogério Chequer, comenta o fato da identidade do co-fundador de codinome Collin Butterfield ser mantida em sigilo, sob a alegação que a pessoa não quer se expor, pelo fato de lidar com empresas.[30][33]

O movimento declara defender a causa apartidária do combate à corrupção e a prisão de corruptos, independentemente do partido, e apoia a operação Lava Jato em suas ações.[34][35][36][37][38][39] Entretanto as ações do grupo tem como alvo majoritário o Partido dos Trabalhadores e o governo Dilma Rousseff.[33][40] Após o afastamento de Dilma Rouseff e posse de Michel Temer, o Vem Pra Rua sofreu crítica pela reação discreta às várias denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo provisório, o que reforçou a crítica quando à motivação real do movimento.[41] O movimento alega que optou pelo "benefício da dúvida" ao novo governo,[42] contudo apoiou a saída de ministros do governo Temer envolvidos na Lava Jato.[43]

Em março de 2015 foi divulgado vídeo de 2013 onde o líder do Vem Pra Rua no estado do Espírito Santo, Armando Fontoura, bate o ponto e vai embora sem trabalhar. Ele era, à época do vídeo, funcionário do vereador Luiz Emanuel (PSDB) na câmara municipal de Vitória, e foi exonerado após a fraude ter sido revelada.[44] À época da divulgação do vídeo, além de líder do movimento, ele era também secretário-geral do PSDB na cidade.[45] O fato chamou a atenção pelo movimento defender a bandeira contra a corrupção.[45][46]

Em maio de 2015 foi divulgado vídeo onde o professor de Direito Henrique Quintanilha, uma das lideranças do Vem Pra Rua na Bahia, intimida agentes de trânsito que o multaram por estacionar em vaga reservada a deficientes físicos e idosos.[47][48] No vídeo o professor utiliza de carteirada e tráfico de influência junto ao prefeito de Salvador ACM Neto para intimidar os agentes da Transalvador a cancelar a multa. Quintanilha é conhecido por sua militância no Vem Pra Rua e no combate à corrupção, o que gerou críticas quanto a sua postura no episódio.[49]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Movimentos lançam campanha nas redes em apoio ao combate à corrupção». Agencia Brasil. EBC. 10 de outubro de 2016. Consultado em 18 de novembro de 2016 
  2. «Movimento Vem Pra Rua defende medidas de combate à corrupção em audiência». Câmara dos Deputados. Consultado em 18 de novembro de 2016 
  3. a b «Manifesto». Vem Pra Rua. Consultado em 19 de março de 2016 
  4. «Mapa das 10 Medidas Contra a Corrupção». Vem pra Rua. Consultado em 18 de novembro de 2016 
  5. «Vem Pra Rua lança site para pressionar aprovação das 10 contra a corrupção». O Globo. Globo.com. Consultado em 18 de novembro de 2016 
  6. Flavia Lima (12 de abril de 2015). «Movimento Vem Pra Rua diz agora que apoia pedido de impeachment». Valor Econômico. Consultado em 19 de março de 2016 
  7. Marcos Coronato e Marco Vergotti (15 de março de 2015). «Manifestação anti-Dilma entra para a história». Época. Consultado em 19 de março de 2016 
  8. «Paulista reúne maior ato político desde as Diretas-Já, diz Datafolha». Folha de S.Paulo. 15 de março de 2015. Consultado em 19 de março de 2016 
  9. «Manifestantes fazem maior protesto nacional contra o governo Dilma». G1. 13 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  10. «Brasil tem maior manifestação contra Dilma». UOL. 13 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  11. «Maior manifestação da história do País aumenta pressão por saída de Dilma». Estadão. 13 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  12. «A maior manifestação da história brasileira». G1. 13 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  13. Roney Domingos (16 de março de 2016). «Manifestantes fazem protesto contra Lula e Dilma e bloqueiam Av. Paulista». G1. Consultado em 20 de março de 2016 
  14. Aguirre Talento e Machado da Costa (17 de março de 2016). «Protesto em Brasília reúne 8.000 em frente ao Congresso, diz polícia». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de março de 2016 
  15. Elaine Patricia Cruz (17 de março de 2016). «Manifestantes seguem na Avenida Paulista em protesto contra governo». EBC. Consultado em 20 de março de 2016 
  16. a b O Estado de São Paulo (19 de março de 2016). «Manifestantes pró-impeachment voltam a montar barracas na Avenida Paulista». Estadão. Consultado em 20 de março de 2016 
  17. «Manifestantes percorrem ruas da Savassi contra Dilma e Lula». Estado de Minas. 20 de março de 2016. Consultado em 20 de março de 2016 
  18. Martha Alves (20 de março de 2016). «Grupo pró-impeachment continua acampado na calçada da Paulista». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de março de 2016 
  19. a b «Manifestações a favor e contra o governo ocorrem no país nesta quinta». G1. 17 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  20. «Nova liminar suspende posse do ex-presidente Lula da Casa Civil». Correio Brasiliense. 18 de março de 2016. Consultado em 19 de março de 2016 
  21. Mario Cesar Carvalho (18 de março de 2016). «Terceira liminar volta a suspender posse de Lula como ministro». Folha de S.Paulo. Consultado em 19 de março de 2016 
  22. Mariana Oliveira. «Gilmar Mendes suspende nomeação de Lula como ministro da Casa Civil». G1. Consultado em 18 de março de 2016 
  23. Karina Sgarbi (21 de março de 2016). «Movimento Vem Pra Rua cria ferramenta on-line para acompanhar impeachment». Zeho Hora. Consultado em 3 de abril de 2016 
  24. «Grupo anti-Dilma exibe em painel lista de deputados contra impeachment». Folha de S.Paulo. 3 de abril de 2016. Consultado em 3 de abril de 2016 
  25. «Para pressionar os parlamentares, grupo Vem Pra Rua cria Mapa do Impeachment». Catraca Livre. 22 de março de 2016. Consultado em 31 de maio de 2016 
  26. «Movimento Vem Pra Rua lança Muro da Vergonha». Veja SP. Abril. 3 de abril de 2016. Consultado em 31 de maio de 2016 
  27. Ricardo Senra (13 de março de 2015). «#SalaSocial: Financiamento, remuneração e imagem: a estrutura dos grupos anti-Dilma». BBC. Consultado em 17 de junho de 2016 
  28. Machado da Costa, Aguirre Talento e Paula Reverbel (3 de abril de 2016). «Movimentos antigoverno não revelam origem e volume de suas receitas». Folha de S.Paulo. Consultado em 27 de maio de 2016 
  29. «Junte-se a nós». Vem Pra Rua. Consultado em 16 de junho de 2016 
  30. a b Ricardo Chapola e Ricardo Galhardo (14 de dezembro de 2014). «O moderado, o radical e o interventor». O Estado de São Paulo. Consultado em 16 de junho de 2016 
  31. Gustavo Fuchs (13 de março de 2015). «"Are the Koch Brothers Behind Brazil's Anti-Dilma March?"» (em inglês). TeleSUR. Consultado em 27 de janeiro de 2017 
  32. Ricardo Senra (13 de março de 2015). «#SalaSocial: Financiamento, remuneração e imagem: a estrutura dos grupos anti-Dilma». BBC. Consultado em 17 de junho de 2016 
  33. a b Carla Jiménez (12 de abril de 2015). «Vem pra Rua: "O poder público está surdo para a voz das ruas"». El País. Consultado em 27 de maio de 2016 
  34. «Movimento Vem Pra Rua convoca novo protesto para julho». Valor Econômico. 7 de junho de 2016. Consultado em 16 de junho de 2016 
  35. Caroline Aleixo. «Manifestantes protestam em apoio à Operação Lava Jato em Uberlândia». G1. Globo. Consultado em 19 de junho de 2016 
  36. «Vem Pra Rua faz manifestação em apoio à Operação Lava Jato». iG. 17 de outubro de 2015. Consultado em 19 de junho de 2016 
  37. Bruno Bocchini (17 de outubro de 2015). «Vem Pra Rua faz manifestação em São Paulo em apoio à Operação Lava Jato». Agencia Brasil. EBC. Consultado em 19 de junho de 2016 
  38. Mathias Ariel Jaimes (12 de março de 2016). «TV. "Lava Jato é um patrimônio do nosso país, um divisor de águas", pontua líder do "Vem pra Rua"». TV Servidor. Consultado em 19 de junho de 2016 
  39. Giovanni Sá (2 de dezembro de 2015). «PROTESTO: Em apoio a Lava Jato, Vem Pra Rua fará manifestações no dia 12 de dezembro». Farol de Notícias. Consultado em 19 de junho de 2016 
  40. Pedro Venceslau e Lisandra Paraguassu (13 de agosto de 2015). «Protesto foca só no PT e CUT fala em 'armas na mão'». O Estado de São Paulo. Consultado em 2 de junho de 2016 
  41. Luiz Ruffato (22 de junho de 2016). «O estranho silêncio das ruas». El País. Consultado em 22 de junho de 2016 
  42. «Vem pra Rua dará 'benefício da dúvida' ao presidente Michel Temer». Gazeta do Povo. 15 de maio de 2016. Consultado em 22 de junho de 2016 
  43. «Movimentos que apoiam impeachment de Dilma pedem saída de Jucá». O Globo. 23 de maio de 2016. Consultado em 22 de junho de 2016 
  44. Wing Costa (15 de maio de 2015). «Vídeo flagra organizador do "Vem pra rua" batendo ponto na Câmara e indo embora». A Gazeta. Consultado em 29 de junho de 2015 
  45. a b Naiara Arpini e Wing Costa (19 de maio de 2015). «Vídeo mostra líder do 'Vem pra rua' do ES batendo ponto e indo embora». G1. Consultado em 29 de junho de 2016 
  46. «Líder do movimento 'Vem Pra Rua' é flagrado batendo ponto sem trabalhar». O Dia. 19 de maio de 2015. Consultado em 29 de junho de 2015 
  47. Aliny Gama (27 de maio de 2015). «Multado, advogado ameaça agentes em Salvador: Tenho o WhatsApp do prefeito». UOL. Consultado em 26 de janeiro de 2016 
  48. «"Eu tenho o WhatsApp de ACM Neto": vídeo flagra desrespeito a vaga de idosos em Salvador data = 20 de maio de 2015». IG. Consultado em 26 de janeiro de 2017 
  49. «Professor universitário flagrado em vaga de idoso participa de protesto contra a corrupção». IG. 20 de maio de 2015. Consultado em 26 de janeiro de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]