Movimento da extinção humana voluntária

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Movimento da extinção humana voluntária
Lema "Que possamos viver muito e desaparecer (May we live long and die out)"
Fundação 1991
Tipo ONG
Fundador Les U. Knight
Sítio oficial http://vhemt.org/

O Movimento da extinção humana voluntária (em em inglês: Voluntary Human Extinction Movement ou VHEMT), também conhecido pela sigla VHEMT[nota 1] é um movimento ecológico com o objetivo de abster a reprodução para causar gradualmente a extinção voluntária da humanidade. O VHEMT apoia a extinção humana, principalmente porque, na opinião do grupo, seria o mecanismo para evitar a degradação ambiental. As extinções de espécies não humanas e a escassez de recursos necessários para os seres humanos são frequentemente citados pelo grupo como argumentos sobre os danos causados pela superpopulação humana.

o VHEMT foi fundado em 1991 por Les U. Knight, um ativista estadunidense que se envolveu no movimento ambientalista na década de 1970 e concluiu posteriormente que a extinção humana era a melhor solução para os problemas enfrentados pela biosfera da Terra e a humanidade. Knight publica o boletim de notícias do grupo e atua como seu porta-voz. Embora que o grupo seja promovido por um site e representado em alguns eventos ambientais, o mesmo depende fortemente da cobertura de mídias independentes para espalhar a sua mensagem. Muitos comentaristas vêem a plataforma do grupo como inaceitavelmente extrema, embora outros escritores têm aplaudido a sua perspectiva. Em resposta ao VHEMT, alguns jornalistas e acadêmicos têm argumentado que os seres humanos podem desenvolver estilos de vida sustentáveis ou podem reduzir sua população a níveis sustentáveis. Outros sustentam que, qualquer que seja o mérito da ideia, o instinto da reprodução evitará, de qualquer maneira, que a humanidade busca a extinção voluntária.

História[editar | editar código-fonte]

Cartoon do Movimento da extinção humana voluntária por Nina Paley

O Movimento da extinção humana voluntária foi fundado por Les U. Knight,[2][3][nota 2] um professor substituto do ensino médio que vive em Portland, Oregon.[2][5] Depois de ser envolver com o movimento ecológico como um estudante universitário na década de 1970, Knight atribuiu a maioria dos perigos enfrentados pelo planeta a superpopulação humana.[2][5] Ele se juntou à organização Zero Population Growth,[2] e optou a fazer uma vasectomia aos 25 anos.[5] Ele concluiu mais tarde que a extinção da humanidade seria a melhor solução para os problemas ambientais da Terra.[2] Ele acredita que essa ideia tem sido sustentada por algumas pessoas ao longo da história.[6]

Em 1991, Knight começou a publicar o boletim de notícias do VHEMT,[2] conhecido como These Exit Times.[3] No boletim, ele pediu aos leitores para promover a extinção humana, não procriando.[2] o VHEMT também publicou alguns cartoons,[7] incluindo uma história em quadrinhos chamada "Bonobo Baby", que caracteriza uma mulher que renuncia a fertilidade a favor da adoção de um bonobo.[3]

Em 1996, Knight criou um website para o VHEMT,[8] que estava disponível em 11 idiomas até 2010.[9] A logomarca do VHEMT caracteriza a letra "V" (voluntária) e a Terra invertida, ou seja, com o norte na parte inferior.[10][nota 3]

Organização e promoção[editar | editar código-fonte]

"Obrigado por não reproduzir", slogan do VHEMT, distribuído como adesivos para pára-choques.

O VHEMT funciona como uma rede frouxa ao invés de uma organização formal,[11] e não lista seus membros. Daniel Metz, da Universidade de Willamette, afirmou em 1995 que a lista de distribuição do grupo tinha um pouco menos de quatrocentos assinantes.[2] Seis anos mais tarde, a Fox News disse que a lista tinha apenas duzentos e trinta assinantes.[12] Knight diz que qualquer um que concorde com a sua ideologia é um membro do movimento;[2] e que isso inclui "milhões de pessoas".[13][nota 4]

Knight serve como porta-voz do grupo.[2] Ele atende conferências e eventos ambientais, onde divulga informações sobre o crescimento da população.[9] A mensagem do grupo, no entanto, espalhou-se principalmente através da cobertura dos meios de comunicação, ao invés de eventos e seu boletim.[8] O VHEMT vende botões e camisetas,[8] assim como adesivos que expressam o slogan "Obrigado por não reproduzir".[3]

Notas

  1. pronunciado como "vehement",[1] porque, de acordo com Knight, é o que eles são.[2]
  2. Knight nega que é o fundador, dizendo que "eu não sou o fundador do VHEMT, eu apenas dei-lhe um nome."[4]
  3. O VHEMT afirma que a Terra invertida representa a mudança radical no sentido humano, que o movimento busca, e observa que emblemas de cabeça para baixo são frequentemente utilizados como símbolos de perigo.[10]
  4. Em seu site, o VHEMT caracteriza os participantes em seu movimento como "voluntário", "defensor" ou "indecisos", cada um dos quais compartilham um interesse em uma redução na taxa de crescimento vegetativo.[14]

Referências

  1. Pesca, Mike (13 de maio de 2006). «All Choked Up». NPR (em inglês) [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original em 13 de janeiro de 2013. Consultado em 7 de janeiro de 2012. 
  2. a b c d e f g h i j k «Sui genocide». The Economist (em inglês) [S.l.: s.n.] 17 de dezembro de 1998. Arquivado desde o original em 29 de julho de 2012. Consultado em 7 de janeiro de 2012. 
  3. a b c d Jarvis, Stephen (24 de abril de 1994). «Live long and die out: Stephen Jarvis encounters the Voluntary Human Extinction Movement». The Independent (em inglês) [S.l.: s.n.] Arquivado desde o original em 20 de abril de 2013. Consultado em 7 de janeiro de 2012. 
  4. «Personal information about Les U. Knight» (em inglês). The Voluntary Human Extinction Movement. Arquivado desde o original em 29 de junho de 2012. Consultado em 23 de março de 2012. 
  5. a b c Dicum, Gregory (16 de novembro de 2005). «Maybe None» (em inglês). San Francisco Chronicle. Arquivado desde o original em 11 de dezembro de 2012. Consultado em 7 de janeiro 2012. 
  6. Ormrod 2011, p. 142.
  7. «Sites answer 300 million questions». Barre Montpelier Times Argus (em inglês) [S.l.: s.n.] 22 de outubro de 2006. Arquivado desde o original em 4 de fevereiro de 2013. Consultado em 9 de março de 2012. 
  8. a b c Ormrod 2011, p. 143.
  9. a b Weisman 2010, p. 310.
  10. a b «Symbolism of the logo for the Voluntary Human Extinction Movement» (em inglês). Voluntary Human Extinction Movement. Arquivado desde o original em 4 de setembro de 2012. Consultado em 22 de janeiro de 2012. 
  11. Ormrod 2011, pp. 142–3.
  12. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome fox
  13. «About The Movement — When and how did VHEMT start?» (em inglês). The Voluntary Human Extinction Movement. Arquivado desde o original em 13 de janeiro de 2013. Consultado em 23 de janeiro de 2012. 
  14. «How to join VHEMT» (em inglês). The Voluntary Human Extinction Movement. Arquivado desde o original em 9 de dezembro de 2012. Consultado em 28 de janeiro de 2012. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Best, Steven; Kellner, Douglas (2001). The Postmodern Adventure: Science, Technology, and Cultural Studies at the Third Millennium Guilford Press [S.l.] ISBN 978-1-57230-665-3. 
  • Ellis, Richard J. (1998). The Dark Side of the Left: Illiberal Egalitarianism in America University Press of Kansas [S.l.] ISBN 978-0-7006-1030-3. 
  • Ormrod, James S. (2011). «'Making room for the tigers and the polar bears': Biography, phantasy and ideology in the Voluntary Human Extinction Movement». Psychoanalysis, Culture & Society [S.l.: s.n.] 16 (2): 142–61. doi:10.1057/pcs.2009.30. 
  • Weisman, Alan (2010). The World Without Us HarperCollins [S.l.] ISBN 978-1-4434-0008-4. 

Leituras futuras[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]