Mucugê

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Município de Mucugê
Igreja Santa Isabel, um dos pontos turísticos da cidade.

Igreja Santa Isabel, um dos pontos turísticos da cidade.
Bandeira indisponível
Brasão indisponível
Bandeira indisponível Brasão indisponível
Hino
Aniversário 17 de maio
Fundação 17 de maio de 1847 (172 anos)
Gentílico mucugeense
Padroeiro(a) São João Batista
Prefeito(a) Manoel Luz (PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Mucugê
Localização de Mucugê na Bahia
Mucugê está localizado em: Brasil
Mucugê
Localização de Mucugê no Brasil
13° 00' 18" S 41° 22' 15" O13° 00' 18" S 41° 22' 15" O
Unidade federativa Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Seabra IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte:Palmeiras e Lençóis; Sul:Ibicoara; Leste:Andaraí; Oeste:Boninal,Piatã e Abaíra
Distância até a capital 448 km
Características geográficas
Área 2 482,204 km² [2]
Distritos Guiné, João Correia e Mucugê (sede).
População 10 244 hab. IBGE/2018[3]
Densidade 4,13 hab./km²
Altitude 984 m
Clima semiúmido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,606 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 390 094 mil IBGE/2016[5]
PIB per capita R$ 38 638,48 IBGE/2016[5]

Mucugê é um município do estado da Bahia, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 13º00'19" sul e a uma longitude 41º22'15" oeste, estando a uma altitude de 983 metros. Sua população estimada em 2018 era de 10 244 habitantes. Possui uma área de 2 491,82 quilômetros quadrados.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Mucugê" deriva do tupi mukuîé, que designa uma planta da família das apocináceas, o mucujê (Couma rigida).[6][7]


História [8][9][10][11][12][editar | editar código-fonte]

A região de Mucugê, que desde o início do século XIX era parcialmente ocupada por fazendeiros que mantinham criação de gado, foi a primeira a atrair os exploradores ávidos por novas jazidas de pedras preciosas, isso se iniciou por volta de 1822.

Diz a história oficial que o primeiro diamante da região foi encontrado em 25 de junho de 1844 por Cristiano Pereira do Nascimento, afilhado de José Pereira do Prado, mais conhecido como "Cazuza do Prado", um grande coronel da região. A pedra teria sido acidentalmente achada no leito do riacho das Cumbucas enquanto Cristiano lavava as mãos.

Um grupo comandado por "Cazuza do Prado" explorou a região e recolheu muitas outras pedras preciosas. O segredo da nova riqueza só foi revelado quando um dos participantes da corrida diamantífera, ao tentar vender uma pedra, foi acusado do assassinato de um minerador e acabou obrigado a revelar onde a havia encontrado.

Santa Isabel do Paraguaçu (nome antigo de Mucugê) foi elevada à condição de vila em 17 de maio de 1847, desmembrando-se de Minas do Rio de Contas (atual Rio de Contas).

A mineração atraiu pessoas de todo o Brasil, especialmente de Minas Gerais, local onde a mineração de pedras preciosas já acontecia, e da própria Bahia, e estrangeiros (especialmente árabes, franceses e judeus). Na mineração, foi usada também mão-de-obra escrava.

A partir de 1871, a importância econômica da vila começou a decair, como aconteceu com outros centros diamantíferos no fim do século XVIII, devido à concorrência dos diamantes da África do Sul.

Com o fim da extração de diamantes, desenvolveram-se as lavouras de cana, cereais, algodão e café e a criação de gado. Uma nova fonte de recursos para a população foi a coleta e exportação de sempre-viva, flor típica da região e muito valorizada no mercado.

Em 1890, a Vila de Santa Isabel do Paraguaçu é elevada à condição de cidade, sob o nome de São João do Paraguaçu. Em 1917, o topônimo do município é alterado para Mucugê.

Relatos dos mais velhos anciãos da região alegam que a Mucugê do século XIX, em seu ápice econômico, chegou a abrigar um número próximo a 30 mil pessoas, e que, após a decadência da atividade mineradora, a população despencou drasticamente até chegar bem perto do que é atualmente, sendo o período de maior decréscimo populacional a década de 1980. Já nos anos 1990, a população voltou a crescer, devido ao impulso do turismo e da agricultura empresarial altamente mecanizada, trazida por grandes grupos de empresários oriundos do Sul do Brasil, do interior de São Paulo e alguns grupos estrangeiros.

No decorrer de sua história, Mucugê teve seu território desmembrado para formar os municípios de Maracás (1855), Lençóis (1856), Brejo Grande, Atual Ituaçu (1867), Andaraí (1884), Barra da Estiva (1890) e Ibicoara (1962).

Geografia [13][editar | editar código-fonte]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município mucugeense dispõe de muita água, pois é cortado por diversos rios e afluentes, sendo a sua principal fonte hídrica o rio Paraguaçu, responsável pelo fornecimento de água para a cidade e para a agricultura de larga escala no município. O trecho do curso do rio Paraguaçu situado entre Cascavel e as cercanias da cidade de Mucugê está represado pela barragem do Apertado, cujo espelho d'água apresenta cerca de 24 quilômetros de extensão, o que torna tal represamento um dos maiores do estado da Bahia.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima da região é ameno, apresentando temperaturas entre 7 °C e 20 °C no inverno e entre 22 °C e 30 °C graus no verão. A cidade situa-se a cerca de mil metros de altitude, apresentando também altitude semelhante cerca de 60% do município; os outros 40% estão numa região de baixa altitude com clima semiárido, compondo a caatinga. As chuvas mais intensas se concentram entre os meses de novembro e março. O restante do ano apresenta índices pluviométricos mais modestos, porém com certa regularidade.

Parque Municipal de Mucugê[editar | editar código-fonte]

A cidade abriga o Parque Municipal de Mucugê (Projeto Sempre Viva): sua área é de 270 hectares. O Parque Municipal de Mucugê trabalha com várias atividades, tais como:

  • pesquisa em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana para a reprodução de uma espécie endêmica de sempre-viva (Syngonanthus mucugensis A.Giulietti) que está muito ameaçada de extinção.
  • Geoprocessamento e confecção de mapas temáticos de todo o município de Mucugê, todo o Parque Nacional e várias outras localidades da Chapada Diamantina.
  • educação ambiental com todas as escolas do município, vários colégios particulares do Recife e de Salvador e com muitas escolas públicas e particulares de municípios vizinhos. Coletas e identificação de plantas da área da reserva já foram e estão sendo feitas. O herbário do parque conta hoje com mais de mil plantas já catalogadas e identificadas.

Economia [14][editar | editar código-fonte]

Atualmente, Mucugê vive de duas atividades econômicas: a do turismo, graças às suas arquitetura colonial, montanhas, cânions e belíssimas cachoeiras; e a do agronegócio, devido às modernas empresas que se instalaram em Cascavel (Bahia) — hoje distrito de Ibicoara e que, atualmente, possuem fazendas altamente mecanizadas nas terras planas do município, terras essas muito semelhantes às do cerrado goiano.

Mas o maior destaque atualmente fica com o agro polo Mucugê-Ibicoara - área responsável pela geração de mais de 5.000,00 (cinco mil) empregos diretos. Com uma produção anual de 500 mil toneladas de hortaliças, a área produz mais de 50% da batata-inglesa consumida no Nordeste, além de tomate, cebola, repolho, morangos, maracujá, abóbora e pimentão. Destaca-se, ainda, a produção de café especial para exportação e de uva.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  3. «estimativa_ibge_2018.xls». agenciadenoticias.ibge.gov.br. Consultado em 15 de dezembro de 2018 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 15 de dezembro de 2018 
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 588.
  7. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 166.
  8. «Mucugê - Histórico» (PDF). IBGE. Consultado em 05 de julho de 2019  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  9. «História de Mucugê». Guia Mucugê. Consultado em 5 de julho de 2019 
  10. «Historia de Mucugê - BA». Ache Tudo e Região. Consultado em 5 de julho de 2019 
  11. «Mucugê, a primeira lavra de diamantes da Chapada Diamantina». Ensinar História - Joelza Ester Domingues. 26 de junho de 2017. Consultado em 5 de julho de 2019 
  12. Domingues, Joelza Ester (26 de junho de 2017). «Mucugê, a primeira lavra de diamantes da Chapada Diamantina». Ensinar História - Joelza Ester Domingues. Consultado em 5 de julho de 2019 
  13. «ESPECIAL: MUCUGÊ Chapada Diamantina BAHIA». VIVIMETALIUN. 17 de agosto de 2015. Consultado em 5 de julho de 2019 
  14. «ESPECIAL: MUCUGÊ Chapada Diamantina BAHIA». VIVIMETALIUN. 17 de agosto de 2015. Consultado em 5 de julho de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]