Mulei Ali Ibn Rachid

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Disambig grey.svg Nota: "Barraxe e Barraxá" redireciona para este artigo. Para a cidade marroquina assim chamada pelos portugueses, veja Xexuão.
Mulei Ali Ibn Rachid
Nascimento 1440
Morte 1512 (72 anos)

Xerife Mulei Ali Ibn Rachid ou Alí ibne Ráxede, ou Ali Ben Rached, ou aínda Moulay Ali Ben Moussa Ben Rached El Alami, mais conhecido nas crónicas portuguesas, por Cide Alé Barraxe ou só Barraxe (c. 1440 - 1512, Xexuão [?])[1] Alcaide e fundador de Xexuão, figura da luta muçulmana contra as instalações dos cristãos em Marrocos.

Xexuão[editar | editar código-fonte]

Mulei Ali Ibn Rachid fazia parte dos Chorfas Idríssidas, chamados dos Alálame, por terem origem no Dgebel de Alam. Ele com os primeiros refugiados andaluzes muçulmanos, vindos a Marrocos antes da conquista de Granada pelos reis católicos, fundaram a povoação de Xexuão, provavelmente em 1471. Esta cidade tornou-se muito forte: " Fica ela entre montes, em território de acesso muito difícil e longe do mar; dêste modo ela será o santuário do islamismo, que os infiéis não poderão atingir e onde os crentes se sentirão em segurança". Barraxe "foi seu primeiro alcaide (…) e em poder da sua família se conservou até 1561, independente do govêrno de Fez e sempre em guerra com os cristãos (…). Nesta data foi desapossada esta família pelos reis de Fez e obrigada a emigrar para Medina.[2]". O primeiro edifício que construiu Barraxe na cidade, foi a alcaçova, que serviu de campo militar, de residência fortificada, e de centro de comando.

Descêndencia[editar | editar código-fonte]

Barraxe/Ali ibn Rachid, casou-se com uma castelhana oriunda de Vejer de la Frontera, chamada Catalina Fernández. Depois da sua conversão ao Islão tomou o nome de Layla Zuhra, Lalla Zahra ou Lellazara Fernández Elche, como a chamam os historiadores castelhanos. Veio a Marrocos com seu irmão Martin Fernández (ou Fernando Martin, ou ainda chamado Martinho Elche), e este, depois da sua conversão tomou o nome de Ali Fernando.

De esta união nasceram em Xexuão pelo menos dois filhos: o príncipe Mulei Abrahem ou Mulei Ibrahim, em 1490, e a princesa Sayda el Hora (Bernardo Rodrigues diz Citalforra)em 1495, a "Nobre Dama", que casou uma primeira vez com Abou Hassan el Mendari, e reinou na cidade de Tetuão, após a morte do marido, entre 1537 e 1542; e a segunda vez com o rei de Fez Ahmed el Outassi.

Barraxe tinha duas esposas, a segunda chamada Alamya, nativa de Xexuão. Os dois outros filhos conhecidos do alcaide, Mulei Mohammed, e Mulei Omar Abdesalam que chegou a também ser alcaide de Xexuão,[3] eram provavelmente filhos de esta última.

Inimigo dos portugueses[editar | editar código-fonte]

A maioria das crónicas portuguesas que falam de Marrocos durante essa época falam muito deste "famoso" alcaide, a maior parte do tempo associado ao alcaide de Tetuão, Sidi Al-Mandri e depois o neto (ou sobrinho) deste, Almendarim, a quem as crónicas portuguesas que parecem confundi-los, dão o mesmo nome (Almendarim, Almenderim, ou Almandarim) como se pode vêr nos artigos sobre os capitães ou governadores de Arzila, de Tânger, de Azamor, etc.

Estes alcaides, ao contrário do Rei de Fez Mulei Xeque que tinha feito pazes com os portugueses, eram os maiores inimigos destes últimos, até que Mulei Mafamede sucede a seu pai, em 1504. A partir de então é como aliados muçulmanos que combatem os cristãos.

Notas e referências

  1. "Faleceu Alí em 1512":David Lopes: História de Arzila. Coimbra, imprensa da universidade, 1924-1925. P.389
  2. David Lopes: História de Arzila. Coimbra, imprensa da universidade, 1924-1925. P.388-389
  3. Anais de Arzila, crónica inédita do século XVI, por Bernardo Rodrigues, Tomo II p. 194: «mas logo acudirão ao rebate cincoenta de cavalo, que acaso acertarão a ser hospedes, asi na aldea como derredor dela, por Mulei Abrahem acertar correr a Tanjere e acertar aquela noite a dormir em Anjera, junto a Beneolim, e cide Omar Bençalema, seu irmão, que já era alcaide de Xexuão, foi o que logo acudio e se achou com os dianteiros».

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Anais de Arzila, crónica inédita do século XVI, por Bernardo Rodrigues, Tomo I (1508-1525). Academia das sciências de Lisboa. Coimbra - Imprensa da Universidade-1915;
  • David Lopes: História de Arzila. Coimbra, imprensa da universidade, 1924-1925
  • Pedro de Mariz : Diálogos de Vária História. Em coimbra, Na Officina de António de Mariz. MDLXXXXVIII (1598)


Precedido por
1° (fundador)
Alcaide de Xexuão
1471-1512
Sucedido por
Mulei Abrahem