Mus musculus

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMus musculus
House mouse.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Muridae
Subfamília: Murinae
Género: Mus
Espécie: M. musculus
Nome binomial
Mus musculus
(Linnaeus, 1758)
Distribuição geográfica
Mapa Mus musculus.png

O camundongo (português brasileiro) ou rato-doméstico (português europeu) ou ainda murganho (Mus musculus) é uma espécie de pequeno roedor da família dos murídeos, encontrado originalmente na Europa e Ásia, e atualmente distribuído por todo o mundo, geralmente associado a habitações humanas. Tem cerca de 8 cm de comprimento, pelagem macia, branca ou cinza-acastanhada, mais clara nas partes inferiores, orelhas grandes e arredondadas e cauda nua e longa.

No Brasil, há uma diversidade de nomes populares para a espécie, tais como calunga, calungo, camondongo, mondongo, dongo, catita, catito, mure, murganho, ratinho e topolino. O nome rato, também usado, é desaconselhável por confusão com o Rattus rattus e o Rattus norvegicus, comumente chamados de ratos na literatura e na mídia. Em Portugal, onde é frequente a subespécie M. musculus brevirostris,[1] é conhecido como rato-caseiro ou rato-doméstico.

Uma grande quantidade de informações sobre a anatomia, fisiologia, comportamento e doenças está disponível devido à sua popularidade como animal de laboratório. Durante o século XIX o camundongo se transformou em um instrumento de laboratório e no século XX se tornou num importante modelo experimental para os estudos da genética, sendo o animal mais utilizado como cobaia em laboratórios de biologia como um modelo aproximado do organismo humano,[2] além de ter uma gestação curta que contribui para as mudanças genéticas. Esta popularidade se dá porque em muitos aspectos assemelha-se ao humano, sendo fundamental o imunológico, o que o faz a melhor escolha para cobaia de laboratório.

O camundongo se caracteriza por ser uma espécie cosmopolita adaptada a uma grande variedade de condições ambientais. É um animal de hábitos noturnos que se acomoda em qualquer local de tamanho apropriado às suas necessidades. O olfato é altamente desenvolvido, sendo utilizado não somente para detectar alimento e predadores mas também para determinar vários sinais de comportamento. A visão é pobre: não distingue cores, uma vez que sua retina apresenta poucos cones.

Apresenta corpo fusiforme e sua cauda pode atingir comprimento maior do que o corpo.

Não possui glândulas sudoríparas, e possui cinco dedos tanto nas patas posteriores quanto nas anteriores. Possui também audição aguda, respondendo a uma grande variação de frequências.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Essa espécie é membro da classe Mammalia, ordem Rodentia, família Muridae, gênero Mus, espécie Mus musculus. Essa classificação é a mais aceita; todavia, há controvérsias sobre espécies e subespécies criadas em laboratórios devido à presença de cruzamentos especiais, nos quais os animais apresentam alguns genes ou, até mesmo, cromossomos de espécies diferentes. Como exemplo, tem-se a linhagem C57BL/6, na qual 6,5% do genoma são originários de Mus spretus (dongo-da-argélia), e não de Mus musculus.

Histórico em Pesquisas Científicas[editar | editar código-fonte]

O camundongo é o animal mais popular nas experiências científicas em laboratório. Essa prevalência do camundongo sobre os outros animais se dá pelo fato de o organismo do camundongo ter um modelo que se aproxima muito do organismo humano, observadas as devidas proporções, além de ser facilmente domesticado e de fácil manutenção. Além disso tem uma gestação bastante curta, fator que contribui ainda mais para as mudanças genéticas que interessam aos estudos. Foi no século XIX que o camundongo passou a ser utilizado como cobaia nos laboratórios para os estudos científicos, especialmente quando surgiu a genética, um novo ramo da ciência, tornando-se rapidamente o animal mais utilizado nas experiências científicas. As experiências com camundongos nas pesquisas científicas são fundamentais no desenvolvimento da tecnologia e da ciência, contribuindo ao longo do tempo para a descoberta de diversas medidas profiláticas e também para o tratamento de patologias que acometem o ser humano. Os camundongos são utilizados intensamente e seu organismo e metabolismo são profundamente conhecidos cientificamente. Os estudos utilizando os camundongos como cobaias trouxeram várias contribuições para a medicina: através destes estudos foi descoberta a insulina, foram produzidos soros, além de vacinas contra muitas doenças. Foram as pesquisas com os animais que permitiram também a descoberta do uso terapêutico dos antibióticos, assim como o tratamento para diversas patologias, evitando epidemias e epizootias. A técnica de transplantes de órgãos, a utilização de anestésicos e antidepressivos foram testados primeiramente nos camundongos, para somente depois poderem ser usados com segurança nos humanos. Em 1909, Clarence Cook Little iniciou a produção de linhagem geneticamente pura a partir de um casal portador de mutações recessivas para genes responsáveis pela herança da cor da pelagem. Através de acasalamentos entre irmãos por 20 gerações consecutivas, foi obtida a primeira linhagem consanguínea (inbred), que foi chamada de dba (atualmente DBA).

No período de 1950 a 1960 foram realizadas pesquisas com ratos e camundongos e, através deste experimento, foi descoberto o DNA. No período de 1960 a 1970, utilizando-se destes mesmos animais, foram desenvolvidos fármacos antidepressivos e Interpretado, também, o código genético e seu papel na síntese de proteínas. Posteriormente, entre as décadas de 1980 e 1990, os camundongos e outros animais foram empregados em outra pesquisa, a partir da qual houve o desenvolvimento de anticorpos monoclonais e o incremento da terapia genética. 

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Camundongo (Mus musculus)
O entalhe nos dentes frontais superiores de um deles

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O camundongo torna-se apto à reprodução aos 60 dias de idade, sendo que os efeitos hormonais iniciais já estão presentes em ambos os sexos ao redor dos 30 dias de idade, evidenciando-se através da abertura da vagina nas fêmeas e pela descida e aumento dos testículos nos machos.

O ciclo estral completo dura cerca de 4-5 dias, ou seja, a cada 5 dias ocorre ovulação. Quando agrupadas, porém, as fêmeas podem permanecer em anestro continuamente até que sejam expostas a um macho. A partir desse momento o estro retorna no prazo de até 72 horas. A presença de líquido seminal na vagina indica a ocorrência da cópula. Esse líquido é bem aparente, mas desaparece em 24 horas.

O período de gestação é de 19-21 dias,[3] exceto para fêmeas que estejam amamentando, quando a gestação pode se prolongar por 6 a 16 dias.

Ao nascer, os camundongos pesam em torno de 1,5 g e seu sistema imunológico não é competente. Carecem totalmente de pelos, exceto bigodes. Com uma semana de vida já apresentam pelos curtos e bastante finos. Os olhos se abrem aos 9-10 dias e os dentes aparecem nessa mesma época. A alimentação sólida se inicia logo após o desmame, entre 19 e 21 dias de idade.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

O comportamento social depende da densidade populacional, sendo que esses animais podem viver bem adaptados tanto solitariamente quanto em grandes colônias, com padrões de hierarquia muito bem estabelecidos.[4] Camundongos têm medo de ratazanas, porque muitas vezes eles são mortos e comidos por estas. Apesar disso, eles ainda convivem nas florestas da Nova Zelândia e da América do Norte.

Zoonoses[editar | editar código-fonte]

Principais zoonoses transmitidas pelo camundongo são: coriomeningite linfocítica, micoplasmose, pasteurelose, raiva, salmonelose e a leptospirose.[5]

O camundongo na cultura popular[editar | editar código-fonte]

O Mus musculus foi imortalizado por Walt Disney em seu personagem Mickey Mouse (também conhecido como Rato Mickey) criado em 18 de Novembro de 1928.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Frade, Fernando; Rato, in "Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura, Edição Século XXI", Volume XXIV, Editorial Verbo, Braga, Setembro de 2002
  2. «Organismos Modelo» 
  3. «Características Reprodutivas» (PDF) 
  4. «CHORILLI». serv-bib.fcfar.unesp.br 
  5. «Doenças Roedores»