Museu Joaquim José Felizardo

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Museu Joaquim José Felizardo
Tipo museu
Website oficial
Geografia
Coordenadas 30° 2' 31.3454" S 51° 13' 29.7322" O
Logradouro Rua João Alfredo 582
Cidade Porto Alegre
País Brasil

O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo é o museu histórico da cidade de Porto Alegre e está instalado no Solar Lopo Gonçalves, localizado na rua João Alfredo 582, em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Abre ao público na segunda-feira, das 13h30 às 17h30, de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h30.

Histórico[editar | editar código-fonte]

O Solar Lopo Gonçalves, também conhecido como Solar da Magnólia, foi construído entre 1845 e 1853, numa chácara com fundos à Rua da Margem (atual João Alfredo), no bairro Cidade Baixa, para servir como residência de verão da família de Lopo Gonçalves Bastos.[1][2]

Lopo Gonçalves manteve vários negócios de comércio na cidade. Foi também vereador de Porto Alegre por dois mandatos, ficando como suplente em um terceiro período. Faleceu em novembro de 1872. O Solar era a sua casa de veraneio, tendo em vista que a cidade baixa, no século XIX, estava fora dos limites urbanos da cidade, sendo considerada zona rural. Com o advento de sua morte, em 1872 e de sua esposa em 1876, a propriedade foi herdada pela filha, Maria Luisa Gonçalves Bastos, e por seu cônjuge, Joaquim Gonçalves Bastos Monteiro, sobrinho de Lopo e também comerciante. Neste período, o solar torna-se residência fixa da família, sendo ampliado e reformado por Maria Luísa: houve a construção de um pequeno pátio interno, a inserção de um torreão e a demolição de um antigo cômodo.

Durante algum tempo, pesquisadores acreditaram que o porão alto serviu como senzala aos escravizados da família Bastos. Entretanto, após pesquisas recentes e cruzamento de informações com outras obras arquitetônicas luso-brasileiras, acredita-se hoje que o porão alto servia à preservação da casa em caso de inundações (visto que a zona da cidade na qual se encontra o Solar era alagadiça). A localização dos escravizados, mais provavelmente, era realizada na própria casa, tanto para os que trabalhavam com tarefas domésticas durante o dia, como para os demais, ligados ao trabalho rural na propriedade. Ao contrário do que poderia se supor, essa organização pode ser muito mais opressora para os trabalhadores escravizados, já que aumenta imensamente a vigilância dos senhores sob suas atividades, diminuindo as possibilidades de articulação entre escravizados. Outro fator que corrobora essa hipótese é o número de escravizados que Lopo possuía, 14 (conforme inventário). Este número é considerado por especialistas no tema pequeno para justificar o uso de uma Senzala. O terceiro elemento diz respeito à própria concepção de senzala, que é sempre uma construção separada da casa, e visa preservar a "intimidade e a vida cotiana" dos brancos escravizadores.

Com a progressiva urbanização da cidade, a chácara foi reduzindo em tamanho. Em 1946 o Solar foi adquirido pelo empresário e político José Albano Volkmer. Volkmer e sua família eram proprietários de uma fábrica de velas no centro da cidade, e em sua nova residência, o Solar, abrigaram parentes em diversos cômodos da casa, agora divididos em três unidades de habitação. Em 1966, o Serviço de Assistência e Seguro Social dos Economiários (SASSE) adquiriu o solar, para construir um núcleo residencial para seus associados. Para tanto, solicitou à Prefeitura a demolição do Solar e a abertura de um logradouro que dividiria a propriedade, o que foi indeferido pelo Conselho do Plano Diretor e Divisão de Urbanismo.

Uma das salas de exposição

Durante a posse do Solar pela SASSE, houve um abandono dos cuidados e manutenção arquitetônicas com a construção, o que prejudicou gravemente sua estrutura. Sob essas condições, o prédio fora ocupado por populares desprovidos de recursos para aquisição de habitações em outros pontos da cidade, e o Solar abrigou durante alguns anos, uma espécie de cortiço. Com as Extinção da SASSE e a sua redefinição para IAPAS (Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social), a administração da construção muda, havendo uma permuta do solar entre a prefeitura e o IAPAS.

Foto antiga da Praça da Matriz

Foi a partir de 1974 que a situação da construção foi alterada, a partir de sua inclusão em um inventário de prédios de valor histórico e cultural da cidade. Tal inventário foi um iniciativa autônoma do incipiente movimento preservacionista de Porto Alegre. Na época, a situação das instalações precárias foi levada à imprensa local por alguns integrantes do movimento preservacionista, e em 1978 houve a elaboração de uma comissão coordenada pelo Historiador e Professor Universitário Moacyr Flores, que visava transformar o Solar no Museu de Porto Alegre (que encontrava-se provisoriamente na rua Lobo da Costa, nº 291). O projeto foi aprovado após pressão de intelectuais, preservacionistas, professores e sociedade civil organizada, e em 1980, a Secretaria de Educação e Cultura ( na época, SMEC), assumiu a responsabilidade de executar o projeto. O restauro ocorreu entre 1980 e 1982, sob orientação do arquiteto Nestor Torelly Martins, e executado pela empresa Knorr. No final do restauro, o acervo da prefeitura, de responsabilidade do historiador Walter Spalding, foi transferido para o Museu, estando lá até os dias de hoje.

Chamado originalmente Museu de Porto Alegre, teve seu nome modificado para Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo por lei municipal de 23 de dezembro de 1993, a fim de homenagear o historiador e criador da Secretaria Municipal de Cultura[3] Joaquim Felizardo (como ele mesmo se chamava, já que não gostava do nome José) foi professor da educação básica e universitária, ministrando a disciplina de História, foi perseguido politico durante a ditadura civil-militar no Brasil, sendo punido em 1968 pelo AI 1 e pelo AI 5, quando foi cassado e detido arbitrariamente. Com a democratização, retorna à vida pública.

O Museu passou por outra restauração, sendo reinaugurado em 17 de dezembro de 2007.

Infra-estrutura[editar | editar código-fonte]

O museu possui a fototeca Sioma Breitman, cujo acervo cobre cerca de um século. É composta de cerca de 9 mil fotos, todas digitalizadas. Estas compõem o Banco de Imagens do museu, que proporciona ao público a possibilidade de realizar pesquisas em sistema de auto-atendimento através de computadores. Também apresenta a exposição de longa duração intitulada Transformações Urbanas: Porto Alegre de Montaury a Loureiro, contando a história dos primeiros planos de desenvolvimento urbano e das principais obras realizadas em Porto Alegre entre 1897 e 1943.

Além disso possui acervo arqueológico com mais de 180 mil evidências e miniaturas de antigas residências açorianas. Também apresenta exposições temporárias, promove cursos, debates, oficinas e outras atividades culturais.

Referências

  1. Nogueira, Maria Lúcia Porto Silva. «Mulheres baianas nas artes de escrita: tessituras de experiências, memórias e outras histórias (1926-1960)» 
  2. Prefeitura de Porto Alegre, PMPA (2011). O Solar que Virou Museu: memórias e histórias. Porto Alegre: PMPA. pp. 24 p 
  3. Histórico Museu de Porto Alegre - acessado em abril de 2016

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]