Museu da Alhambra

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Museu da Alhambra
Museo de la Alhambra
Palácio de Carlos V, onde funciona o Museu da Alhambra
Inauguração 1873 (145 anos)
Proprietário atual Patronato de la Alhambra e Generalife
Website www.museosdeandalucia.es
Geografia
País Espanha
Cidade Granada
Localidade Alhambra
Coordenadas 37° 10' 36" N 3° 35' 24" O

O Museu da Alhambra, anteriormente chamado Museu Nacional de Arte Hispano-muçulmana encontra-se em Granada, Espanha, na ala sul do rés de chão do Palácio de Carlos V, no complexo monumental da Alhambra. Alberga objetos, móveis, livros e restos arquitetónicos da arte hispano-muçulmana desde meados do século VIII até aos últimos anos do reino nasrida, o último dos estados muçulmanos ibéricos. Essas peças são provenientes de escavações na própria cidade de Granada e de doações de outros locais. O museu tem sete salas onde as peças são expostas de forma temática e cronológica.

História[editar | editar código-fonte]

Em meados do século XIX começaram a ser recolhidas e catalogadas diversas peças que se encontravam dispersas em vários locais da Alhambra, com a intenção de criar um museu com uma coleção permanente. A Comissão Provincial de Monumentos, criada em 1870, levou a cabo uma classificação exaustiva dos fundos armazenados, sob a direção de Rafael Contreras.[1][nt 1]

Três anos mais tarde estava finalizada a lista dos objetos depositados no que se chamou o Museu de Antiguidades da Alhambra, distribuídos entre os aposentos de Carlos V e outras zonas da Alhambra, o Palácio dos Leões e o Salão de Comares. O interesse por este museu é demonstrado por alguns decretos promulgados em 1905 e 1916 com o objetivo de normalizar e regulamentar a instituição.[1]

Em 1962 ou museu passou a integrar a corporação dos Museus Nacionais de Espanha, passando a chamr-se Museo Nacional de Arte Hispano-muçulmana. Nesse tempo tinha fundos do Museu Arqueológico Provincial de Granada e do Museu Arqueológico da Alhambra. Em 1994 foi incorporado no Patronato de la Alhambra e Generalife, adquirindo então o nome atual. Na mesma altura decidiu-se instalar a sede definitiva no local onde se encontra atualmente.[1]

Edifício[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Palácio de Carlos V
Parte superior do pórtico da fachada sul do Palácio de Carlos V, sede do museu

O museu está alojado no Palácio de Carlos V, um edifício renascentista mandado construir pelo imperador com a intenção de nele residir. O arquiteto foi Pedro Machuca, que o desenhou seguindo as últimas novidades artísticas de Itália. Mas a sua construção foi lenta e quando o arquiteto morreu em 1550, ainda não tinha sido concluída. As obras prosseguiram com a direção do seu filho, Luis Machuca, mas voltaram a ser interrompidas devido à rebelião dos mouriscos (1568–1571). Voltaram a ser retomadas em 1619, mas foram abandonadas em 1637, ficando sem telhado. A deterioração foi evidente até 1923, quando se iniciou um período de restauração com o objetivo de recuperar o palácio e usá-lo para museus, sede do Patronato e da Biblioteca da Alhambra.[2]

No primeiro andar do palácio está instalado o Museu de Belas Artes de Granada.[3]

O museu[editar | editar código-fonte]

As salas estão ordenadas cronologicamente e por temas. Têm em exposição a coleçãs de objetos achados em escavações na própria Alhambra e na cidade de Granada. O acervo foi sendo ampliado com doações e aquisições.[nt 2] Os temas são muito variados: religiosos, científicos, ornamentais, domésticos e mobiliário. Há peças autóctones da península e outros provenientes do Oriente.

Sala I: A ciência, a fé e a economia[5]

Esta sala é dedicada aos temas da religião, ciência e economia. Estão expostos exemplares do Alcorão de algum valor artístico e histórico, no campo das ciências há, por exemplo, um quadrante solar horizontal que se utilizava para calcular as horas. Há ainda uma apreciável coleção de moedas.

Sala II: Período emiral e califal[5]

Esta sala é dedicada ao período do emirado e califado de Córdova, entre os séculos VIII e X. O califado foi a época de maior esplendor da arte e cultura hispano-muçulmanas. Uma das peças mais relevantes desta sala é uma pia de abluções em que pode observar-se uma técnica muito avançada.

Sala III: Decoração arquitetónica do califado e da arte da taifa à nasrida[5]

É dedicada ao período que vai desde o califado até ao domínio nasrida, ou seja, do século X ao século XIII. As peças mais destacadas deste período são a pia de abluções de Almançor, elementos vários de arquitetura e cerâmica e peças de bronze, como uma braseira, um almofariz e muitos outros objetos de uso doméstico.

Sala IV: Período nasrida; edifícios públicos[5]

Nesta sala expõem-se peças de arte nasrida. São objetos que provêm de edifícios de Granada, da mesma época em que foi construída a Alhambra. Podem ver-se gorroneras[nt 3] (em árabe: nayran) em madeira esculpida com adornos [[moçárabes], do Quarto Dourado da Alhambra.[7] Nessa época, o sultão nasrida era dono de uma série de imóveis da cidade destinados a uso público, como mesquitas, alhóndigas, madraças, alcaicerías e hospitais. No museu conserva-se uma lápide da fundação em 1365-1367 do hospital erguido junto do bairro do Albaicín durante o reinado de Maomé V, uma peça dé mármore branco com forma de arco de ferradura. Do mesmo edifício existem também dois leões que ornamentavam o pátio central.

Detalhe do Jarrão das Gazelas, obra-prima da cerâmica nasrida, uma das peças em exposição no museu
Sala V: Período nasrida; a Alhambra e outros palácios da cidade[5]

Esta sala é igualmente dedicada à arte nasrida. Nela se expõem os objetos de arte, utensílios domésticos, peças de carpintaria, cerâmica e mobiliário procedentes do recinto da Alhambra. Tudo foi realizado com técnicas muito aperfeiçoadas. Uma das peças mais famosas é o chamado Jarrão das Gazelas, obra-prima da cerâmica nasrida. No seu bojo apresenta o desenho de animais que poderiam ser gazelas, que lhe dão o nome. O resto tem decoração vegetal e geométrica; a franja em volta tem decoração epigráfica com os versos de um poema.

Sala VI: Período nasrida; a rauda (cemitério), a cerâmica de luxo[5]

É mais uma sala dedicada à arte nasrida, em especial à Alhambra. Tem em exposição mobiliário, restos arquitetónicos e lápides tumulares. Uma das peças que atrai mais atenção é o candeeiro de Maomé III, composto por uma série de braços de onde saem copos de cristal que proporcionam a iluminação. Também há uma réplica de loiça do palácio e outros instrumentos.

Sala VII: Período nasrida; a decoração, mobiliário e utensílios domésticos; a Alhambra, cultura material[5]

É a continuação da sala anterior, que apresenta a vida quotidiana no palácio, Há uma coleção de brinquedos que dá uma ideia das preferências das crianças na época; podem ver-se miniaturas de loiça que imitam as usadas pelos adultos, animais em miniatura e apitos. Era costume dar esses brinquedos como presentes na festa de ano novo muçulmano ou noutras festividades particulares. Também se exibem restos de painéis de gesso, alguns artesoados e alguma loiça de uso diário de fabrico mais rústico.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Rafael Contreras Muñoz (1826–1890) foi uma académico e especialista no estudo da ornamentação nasrida que foi nomeado restaurador dis adornos da Alhambra.
  2. Um dos grandes contribuidores para o acervo do museu foi Manuel Gómez-Moreno González (1834–1918), considerado o pai do Museu Arqueológico de Granada e presidente do Patronato da Alhambra, do qual foi presidente. Manuel Gómez-Moreno fez importantes descobertas arqueológicas e doações.[4]
  3. Gorronera é a designação popular usada em algumas partes de Espanha da peça onde encaixava a parte superior do eixo das portas ou janelas.[6]

Referências

  1. a b c «Historia». Junta de Andalucía. Consejería de Cultura y Deporte (em espanhol). www.museosdeandalucia.es. Consultado em 15 de março de 2013. 
  2. Vega, Jesusa (1995), Guías artísticas. Granada, ISBN 9788489162082 (em espanhol), Tf. Editores 
  3. «Palacio de Carlos V». /www.alhambra-patronato.es (em espanhol). Patronato de la Alhambra y Generalife. Consultado em 15 de março de 2013. 
  4. Molina, Carolina (22 de abril de 2009). «Manuel Gómez-Moreno González: el hombre que lo dio todo por Granada». Revista El Legado Andalusí (em espanhol). articulogomez-morenogonzalez.blogspot.pt. Consultado em 15 de março de 2013. 
  5. a b c d e f g «Museo de la Alhambra (Palacio de Carlos V)». www.AlhambraDeGranada.org (em espanhol). Consultado em 15 de março de 2013. 
  6. Jiménez, Rafael (15 de fevereiro de 2008). «Gorronera (palabras simpapeles)». rafaelji.blogspot.pt (em espanhol). Consultado em 15 de março de 2013. 
  7. EFE (1 de outubro de 2010). «La Alhambra exhibe durante el mes de octubre las gorroneras del Cuarto Dorado decoradas en mocárabes». www.ideal.es (em espanhol). Consultado em 15 de março de 2013. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sanz-Pastor, Consuelo (1980), Museos y colecciones de España (em espanhol), Madrid, p. 263-264 
  • «Museos de España I», ISBN 9788467022957, Madrid: Espasa Calpe, Historia general del arte, Colección Summa Artis (em espanhol), XLIX: 52, 2006  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
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