Museu da Diversidade Sexual

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Museu da Diversidade Sexual

Museu da Diversidade Sexual 10.jpg

Tipo Museu de arte
Inauguração 25 de maio de 2012
Visitantes 150.000 (2015)[1]
Diretor Franco Reinaudo
Website http://www.mds.org.br/
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo, SP

O Museu da Diversidade Sexual foi criado em 2012, pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, com o intuito de difundir a cultura da população LGBT no Brasil. O museu conta com exposições temporárias e itinerantes, que percorrem outras cidades do Estado de São Paulo. As exposições são compostas por imagens, fotos, objetos e videos, feitos por pessoas LGBT, que encontram dificuldade de expor sua arte em outros locais.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O museu foi criado em 25 de maio de 2012, a partir do decreto 58.075 da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo como Centro de Cultura, Memória e Estudos da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo,[3] localizado no Metrô República. É o primeiro museu na América Latina e em todo o hemisfério sul com essa temática.[3] O objetivo do museu é preservar a história e cultura da comunidade LGBT, bem como valorizar a importância da diversidade sexual na construção social e cultural no Brasil.[4] O museu foca em abrir espaço para artistas que discutem essa temática, junto ao ativismo político e legado sociocultural[5] e preservar e dilvugar a memória da cultura LGBT. Com exposições itinerantes, o museu também promove e divulga exposições em outra cidades do Estado de São Paulo e trabalha em parceria com organizações que promovem discussão contra a homofobia, como na exposição "Homofobia Fora de Moda", feita em parceria com a Casa de Criadores e a exposição "O T da Questão", em comemoração ao Dia da Visibilidade Trans, em parceria com a Secretaria da Defesa e da Justiça da Cidadania.[6]

Planos Para o Museu[editar | editar código-fonte]

Em 2014, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo criou uma concorrência no PROAC para transferir o museu para a Residência de Franco de Melo, localizada na Avenida Paulista, a partir do Concurso de Apoio a Projetos para Restauração de Imóveis Tombados pelo Condephaat.[7][8] O projeto contempla área para o acervo, administrativo, café, teatro e espaço para eventos. O imóvel se encontra em condições de desgaste, sem o investimento necessário para sua manutenção, por isso o projeto precisou de revisão do escritório Hereñu + Ferroni Arquitetos, empresa que ganhou a concorrência.[9] O imóvel se encontra em litígio na justiça pelo tombamento do imóvel impossibilitou a implantação do museu neste endereço.[10] Atualmente, o imóvel ainda continua como residência particular[11] e a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo promove um abaixo assinado para que a Prefeitura de São Paulo dê continuidade neste projeto.[12]

Acervo[editar | editar código-fonte]

Seu acervo está localizado no Metrô República. É uma Organização Social que apresenta vínculo com a Assessoria de cultura para Gêneros e Etnias da secretaria da cultura de São Paulo. Foi criado com o objetivo de preservar o patrimônio sócio, político e cultural da comunidade LGBT do Brasil. Apresenta referências materiais e imateriais sobre a trajetória LGBT. Tenta passar para o público uma conscientização sobre a importância do respeito e a valorização da diversidade sexual. Suas exposições são temporárias e muito dinâmicas[13] ,já passaram por lá exposições como, "As representações LGBT na música brasileira" que foi exposta nos dias 08 e 15 de outubro de 2016,relacionando MPB e diversidade sexual.[14] "Caio Mon Amour" ,criada em homenagem aos 20 anos da morte do escritor Caio Fernando Abreu,com a importância de se reforçar a existência de autores homossexuais consagrados na literatura.[15]

  • O T da Questão (30 de janeiro a 7 de abril de 2013):[16] fotos de Eduardo Moraes, sobre a cultura dos travestis, transexuais e transgêneros do Estado de São Paulo;
  • Crisálidas (30 de maio a 29 de setembro de 2013):[17] fotografias por Madalena Schwartz (1921-1993), composta por retratos de transformistas, travestis e personagens do teatro underground paulista durante os anos 1970;
  • Moda e Diversidade (29 de novembro de 2013 a 24 de maio de 2014):[18] a exposição explorou temas universais como o amor, representado pelas relações entre casais, heterossexuais e homossexuais, transexualidade, retratada pela modelo internacional Lea T;
  • Diversidade Futebol Clube (11 de junho a 2 de novembro de 2014):[19] a exposição fala sobre a diversidade sexual dentro do futebol, os problemas que já houve com homofobia, e seu apoio hoje em dia pela diversidade;
  • Darcy Penteado, o Observador Humano (29 de janeiro a 8 de maio de 2016):[20] a exposição conta a história de Darcy Penteado, sua dificuldade ao assumir sua sexualidade na época e seu orgulho por isso.
  • Sonhar o Mundo (17 de maio a 27 de agosto de 2016):[21] celebra o reconhecimento da diversidade sexual e de gênero como parte dos Direitos Humanos e as lutas por igualdade ao redor do mundo;
  • CAIO mon amor (11 de setembro de 2016 a 28 de janeiro de 2017):[15] a exposição fala sobre a trajetória do autor Caio Fernando de Abreu durante a sua carreira, conta suas dificuldades enfrentadas por ser um autor homossexual e do seu grande reconhecimento na área mesmo sendo uns dos únicos assumidos;
  • Será que el_ é? (18 de fevereiro de 2017 a 27 de maio de 2017):[22] exposição inspirada no carnaval que faz relação histórica entre a comunidade LGBT e a maior manifestação cultural do Brasil. A ideia do nome surgiu com a letra da famosa marchinha de carnaval que foi referencia nos bailes carnavalescos dos anos 60. O objetivo da exposição aponta a importância da diversidade na construção do carnaval,uma época do ano onde muitos se sentiam a vontade para expor suas escolhas muitas vezes oprimidas durante o ano ,sem medo da opressão;[23]
  • Mostra Solidão (10 de outubro de 2017 a 13 de janeiro de 2018):[24] exposição curada por Duilio Ferronato e Eduardo Besen e tendo como tema a exclusão social experienciada por jovens e idosos LGBT;[25]
  • Exposição Tarja Preta (24 de janeiro de 2018 a 5 de maio de 2018):[26] exposição de fotos dos anos 1970 a 1990, com foco em artistas LGBT da época;
  • Com Muito Orgulho (25 de maio de 2018 a 1º de setembro de 2018):[27] exposição de fotos da Parada do Orgulho LGBT de vários países;
  • Textão (6 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019):[28] exposição de vários textos em diferentes línguas explorando a ideia do poder que a palavra tem na sociedade para elicitar mudança;
  • Plural 24h (24 de janeiro de 2019 a 11 de maio de 2019):[29] mostra que aborda a vida cotidiana das pessoas LGBT, através de fotografias e desenhos;
  • Devassos no Paraíso: o Brasil mostra sua cara (8 de junho de 2019 a 23 de setembro de 2019):[30] exposição em homenagem a obra homônima de João Silvério Trevisan;

Mostra Diversa[editar | editar código-fonte]

A Mostra Diversa é uma exposição que acontece a cada dois anos e dá destaque a novos artistas com a exposição de obras que exploram a ideia de diversidade sexual e de gênero.[31] A Primeira Mostra Diversa ocorreu entre 17 de junho e 20 de dezembro de 2015 e contou com um mural de fotos da série Doces Barbas, além de poesias, pinturas e outras obras sobre o tema.[32] Entre junho e setembro de 2017 ocorreu a Segunda Mostra Diversa,[33] que teve 70 obras inscritas para participação, sendo que destas, 17 foram selecionadas, incluindo ensaio da cartunista Laerte Coutinho.[31]

A Terceira Mostra Diversa ocorreu entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, e contou com 19 projetos, selecionados entre mais de cem inscrições.[34] Um dos temas principais desta Mostra foi a discriminação e violência sofrida pelo público LGBT.

Queerentena[editar | editar código-fonte]

Em 9 de abril de 2020, devido à quarentena em vigor em razão do COVID-19, o Museu da Diversidade Sexual anunciou, através de postagem no Instagram, sua primeira exibição virtual, chamada "Queerentena".[35] A chamada para inscrição ficou aberta até dia 15 de abril de 2020.[36]

A Diversidade e a Política[editar | editar código-fonte]

Apesar de existirem somente 2 museus semelhantes no mundo, apenas 4% do público do seu público é composto por turistas estrangeiros[37].

O espaço destinado à exposição da memória e da arte LGBT é importante para a disseminação da cultura, pois o tema encontra dificuldades em espaços mais tradicionais[2] e também pelo acesso tardio da cultura LGBT dentro do cenário brasileiro[38].

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Museu da Diversidade Sexual em São Paulo já recebeu mais de 150 mil visitantes». 2015. Consultado em 10 de junho de 2017 
  2. a b «Museu da Diversidade Sexual celebra mês do orgulho LGBT com nova mostra - ISTOÉ Independente». ISTOÉ Independente. 13 de junho de 2017 
  3. a b Cultura, SP Estado da (15 de fevereiro de 2016). «Museu da Diversidade Sexual - SP Estado da Cultura». SP Estado da Cultura 
  4. «decreto n.58.075, de 25.05.2012». www.al.sp.gov.br. Consultado em 30 de maio de 2017 
  5. «Museu da Diversidade Cultural». São Paulo Turismo. Consultado em 12 de junho de 2017 
  6. Vieira Júnior, Nilson Carlos (7 de julho de 2014). «Memória LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros) no Museu da Diversidade Sexual em São Paulo: sugestões de sistemas e serviços informacionais». Consultado em 10 de junho de 2017 
  7. «Secretaria de Estado da Cultura». www.cultura.sp.gov.br. Consultado em 30 de maio de 2017 
  8. Camargo, Monica (dezembro de 2015). «Revista CPC: 10 anos». Revista CPC. Consultado em 12 de junho de 2017 
  9. «Ideia para a futura sede do Museu da Diversidade Sexual | IAB Brasil». www.iab.org.br. Consultado em 13 de junho de 2017 
  10. Silva, Joana Mello de Carvalho e; Ferreira, Pedro Beresin Schleder; Raghi, Camila; Ferroni, Eduardo; Hereñu, Pablo (29 de dezembro de 2015). «A Residência Franco de Mello em três tempos: da domesticidade belle époque ao Centro de Cultura, Memória e Estudos da Diversidade Sexual do Estado de São Paulo». Revista CPC. 0 (20): 36–77. ISSN 1980-4466 
  11. «Museu da Diversidade Sexual celebra mês do orgulho LGBT com nova mostra - Cultura - Estadão». Estadão 
  12. LGBT, Associação da Parada do Orgulho. «Assine a Petição para que o MDS mude definitivamente para a Avenida Paulista | Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo». paradasp.org.br. Consultado em 13 de junho de 2017 
  13. «Secretaria de Estado da Cultura». www.cultura.sp.gov.br. Consultado em 13 de junho de 2017 
  14. «Representação LGBT na MPB é tema de oficina no Museu da Diversidade Sexual em São Paulo | Revista Lado A». revistaladoa.com.br. Consultado em 13 de junho de 2017 
  15. a b «Exposição aborda a sexualidade do escritor Caio Fernando Abreu». Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo 
  16. «Exposição "O T da Questão" prorroga temporada em São Paulo | ACGE - assessoria de cultura para gêneros e etnias». www.generoseetnias.com.br. Consultado em 20 de junho de 2017 
  17. «Exposição "Crisálidas" está em cartaz no Museu da Diversidade | Governo do Estado de São Paulo». Governo do Estado de São Paulo. 8 de junho de 2013 
  18. «"Moda & Diversidade": veja fotos que retratam relações homossexuais». Catraca Livre. 27 de novembro de 2013 
  19. «Diversidade Futebol Clube - 20/06/2017 - Ilustrada - Fotografia - Folha de S.Paulo». Folha online 
  20. «Darcy Penteado, o Observador do Humano - Museu da Diversidade Sexual - Agenda Cultural | INFOARTsp». www.infoartsp.com.br. Consultado em 20 de junho de 2017 
  21. LGBT, Associação da Parada do Orgulho. «Exposição Sonhar o Mundo no Museu da Diversidade Sexual | Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo». paradasp.org.br. Consultado em 20 de junho de 2017 
  22. «'Será que el_ é?': bloco e exposição debatem diversidade LGBT no Carnaval». São Paulo São. Consultado em 8 de maio de 2020 
  23. «Será que El_ É? | ladytargino | VEJA SÃO PAULO». VEJA SÃO PAULO. 17 de fevereiro de 2017 
  24. «Mostra Solidão». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  25. «Museu da Diversidade Sexual realiza mostra "Solidão"». SisemSP. 6 de outubro de 2017. Consultado em 8 de maio de 2020 
  26. «Exposição Tarja Preta». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  27. «Com Muito Orgulho». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  28. «Textão». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  29. «Plural 24h». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  30. «Devassos no Paraíso: o Brasil mostra sua cara». Museu da Diversidade Sexual. Consultado em 8 de maio de 2020 
  31. a b «2ª Mostra Diversa». MDS. Consultado em 8 de maio de 2020 
  32. Nunes, Brunella. «Museu da Diversidade exibe mostra sobre gênero, identidades e relações homoafetivas». hypeness. Consultado em 8 de maio de 2020 
  33. «Museu da Diversidade apresenta segunda edição da Mostra Diversa». São Paulo. Consultado em 8 de maio de 2020 
  34. Reinaudo, Franco (31 de outubro de 2019). «Um museu, uma exposição e um grito pela não violência». Folha de S.Paulo. Consultado em 8 de maio de 2020 
  35. «Museu da Diversidade Sexual terá 1ª exposição virtual; veja outras opções». Uol. 11 de abril de 2020. Consultado em 8 de maio de 2020 
  36. Viana, Fabrício (13 de abril de 2020). «#Queerentena no Museu da Diversidade Sexual: Artista LGBTI+, participem até dia 15/04». ParadasSP. Consultado em 8 de maio de 2020 
  37. «Museu da Diversidade Sexual terá biblioteca, auditório e área de lazer». São Paulo. 16 de outubro de 2014 
  38. Soares, Augusto (2015). «Bota a cara no sol, mona: a formação do bibliotecário e o LGBT, um estudo sobre a preparação acadêmica para um futuro social igualitário» (PDF). Consultado em 10 de junho 2017